segunda-feira, 25 de junho de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Uma espécie de Wikileaks no Vaticano
Há fugas graves de informação do Vaticano, uma espécie de Wikileaks, como afirma o chefe da Sala de Imprensa.
El portavoz de la Santa Sede, Federico Lombardi, denunció hoy la existencia de una especie de «Wikileaks» o filtración de documentos vaticanos que, según su opinión, intentan desacreditar a la Iglesia. «Hoy tenemos que tener todos temple, porque nadie se puede sorprender de nada. La administración americana ha tenido «Wikileaks» y el Vaticano tiene ahora su «leaks», sus filtraciones de documentos, que tienden a crear confusión y desconcierto y a ofrecer una mala imagen del Vaticano y del gobierno de la Iglesia», afirmó Lombardi en una nota que publica hoy Radio Vaticano.Casos recentes foram a pretensa conspiração para assinar o Papa e as denúncias de má gestão e corrupção nas costas do Vaticano. Ler mais aqui.
Para aumentar a confusão, o bispo Bettazzi, emérito de Ivrea, disse numa rádio que o Papa pensa em renunciar. No "La Repubblica":
O bispo não acredita que exista um complô para matar o Papa Ratzinger, como especulado pela imprensa. "Não, não acredito. Se fosse o papa anterior, eu entenderia, mas este papa aqui me parece muito manso, religioso. Não poderia encontrar os motivos para atacá-lo".Lido aqui.
Bettazzi, porém, tem outra teoria, de algum modo relacionada com a notícia. "Acho que é um sistema para preparar a eventualidade da renúncia. Para preparar esse choque – porque a renúncia de um papa seria um choque – começam a jogar ali a coisa do complô".
Mas Ratzinger realmente tem a intenção de renunciar? "Eu acredito que sim", disse o purpurado, "embora tenham negado. Um velho cardeal, porém, sempre me dizia: se o Vaticano desmente, quer dizer que é verdade...". E os motivos da renúncia do papa poderiam ser encontrados no cansaço. "Penso que ele se sente muito cansado. Basta vê-lo. É um habituado aos estudos", explica Bettazzi. "E diante dos problemas que existem, talvez também diante das tensões que existem dentro da Cúria, ele poderia pensar que o novo papa se ocuparia com essas coisas", disse Dom Bettazzi.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Quando a minha igreja não é verdadeira igreja não é igreja sequer?
Hitler "não foi violento o bastante nesse sentido autêntico, revolucionário, em que a violência significa transformação das relações sociais, e não tortura ou assassinato. Hitler matou milhões de judeus em nome da manutenção do sistema. O que estou dizendo é que não quero dar a Hitlersequer esse crédito, na linha “ele foi um criminoso, mas era um líder corajoso”. Não, ele não era. Nesse sentido, Mahatma Gandhi foi mais violento do que Hitler. Gandhi é sem dúvida um modelo de paz, mas nesse sentido básico ele foi violento, organizou protestos de massa com o objetivo de impedir o funcionamento do Estado colonial inglês na Índia. Isso é algo que Hitler nunca ousou fazer.
Detesto os marxistas que dizem: “Stalin traiu o verdadeiro espírito do marxismo”. Não, não se pode permitir que isso seja dito. Se as coisas deram tão terrivelmente errado com Stalin, isso significa que havia uma falha estrutural no próprio edifício de Marx. Não acredito nessa baboseira do tipo “a ideia era boa mas infelizmente foi mal realizada”. Aqui eu sou freudiano. O resultado da ideia é como um sintoma, que aponta para algo errado na ideia. Não acho que os liberais de hoje consigam admitir isso. Por exemplo, tive um debate na França com Guy Sorman, um defensor radical do capitalismo e ele dizia: “capitalismo significa justiça e democracia”. Então eu perguntei, “mas e a China hoje?”, e ele respondeu “Ah, mas isso não é capitalismo”. Isso é um pouco fácil demais. Quando você tem um capitalismo que não se encaixa no seu ideal, você diz “não, não, não é disso que se trata”. É como a piada contada por Lacan, “meu noivo nunca está atrasado pois no momento em que se atrasa ele deixa de ser meu noivo”. Claro que você pode dizer, “o comunismo é sempre democrático pois no momento em que não é democrático ele deixa de ser comunismo”. Ok, mas isso é fácil demais.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Aviso da "Imitação de Cristo" para a campanha eleitoral que se aproxima
Não se deve crer em tudo quanto nos dizem nem em tudo quanto ocorre à nossa imaginação; mas, com a maior cautela e devagar, devemos examinar tudo perante Deus
Como é triste considerar que do nosso próximo se diz mais mal que bem! Só isto basta para se verificar quanto somos fracos
Os espírito fortes, entretanto, não crêem levianamente em tudo o que se lhes conta. Eles sabem que a fraqueza humana é inclinada para o mal e pouco fiel no que diz.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Campanha contra a sida serviu-se de Bento XVI

As Juventudes Socialistas de Andalucía fizeram um cartaz e um vídeo que aludem à referência de Bento XVI ao preservativo e à Eucaristia. Naturalmente, a iniciativa provocou pelo menos algum incómodo católico. Os bispos brasileiros (parece que a campanha chegou com estrondo ao outro lado ao Atlântico Sul) afirmaram: “Não podemos silenciar diante dessa grande ofensa que fere profundamente os sentimentos religiosos dos católicos”. E manifestaram-se junto das autoridades espanholas.
Na nota, os bispos realçam que, “no âmbito de suas atribuições e responsabilidades, a CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] deseja contribuir para que o homem e a mulher cresçam no diálogo, no respeito à liberdade, na defesa da vida, na promoção dos direitos humanos e na conquista dos verdadeiros valores que os tornem felizes conforme os planos de Deus”.
O vídeo da campanha espanhola, que é uma boa peça de abuso, mais forte do que o cartaz, e de manipulação da informação (quer do que as autoridades eclesiásticas dizem, quer do que dizem as organizações de luta contra a sida, quer no uso do "Halleluya" de Jeff Buckley), pode ser visto aqui.
Em baixo, imagens da campanha italiana de 2009.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
A língua de pau eclesiástica

[“Língua de pau” é uma forma rígida de expressão, nomeadamente na política, através da multiplicação de estereótipos e de fórmulas congeladas, segundo uma nota do tradutor de “Pequena História da Desinformação”]
A citação prometida de Vladimir Volkoff:
O clero, sobretudo quando actualizado, também tem a sua língua de pau e, com um humor contrafeito, o historiador protestante François Bluche e o abade católico Philippe Sulmont inventaram um jogo inspirado na literatura eclesiástica progressista contemporânea. Propõem-nos 160 000 exemplos de «algarviada». 160 000? Sim. O quadro [clicar para ampliar] permite criar 160 000 fómulas que não significam grande coisa, mas imitam na perfeição o tom de uma certa falsa beatice modernista. Basta escolher um verbo na coluna A, segui-lo com um complemento tirado da coluna B, juntar um adjectivo da coluna C e acrescentar um complemento directo da coluna D. Os resultados são surpreendentes.
[De notar que um quadro semelhante, mas aplicado ao palavreado dos políticos portugueses, surge de vez em quando nas caixas de correio electrónico. É de crer que também existe em relação aos políticos de outros países.]
domingo, 30 de agosto de 2009
Cruz de pontas dobradas
Goebbels, ministro de Hitler para o Esclarecimento do Povo e para a Propaganda, chegou a produzir (ele mais os seus 300 oficiais e 500 funcionários a tempo inteiro) falsos manuscritos de Nostradamus, escritos em pergaminho e encadernados em couro do séc. XVI, nos quais o célebre mago previa a vitória dos “exércitos portadores de uma cruz de pontas dobradas”.
Mais um apontamento que nos chega via Vladimir Valkoff e a sua “Pequena História da Desinformação”. Um livro magnífico, mesmo para as coisas da Igreja, como ficará patente num texto que em breve introduzirei no blogue.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Jesus Cristo armado

Vladimir Volkoff diz que, como consequência da desinformação, a teologia da libertação chegava a apresentar “Cristo na cruz com uma metralhadora a tiracolo”. Procurei na Internet imagens sobre o assunto. Não encontrei nenhum Jesus na cruz com uma metralhadora, mas encontrei este poster, belo, há que dizê-lo, de Alfredo Rostgaard (aqui). É de 1969 e foi usado na sequência da revolução cubana, apesar de nesse ano Castro ter proibido a celebração do Natal.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Comunistas que se fizeram ordenar
Há a história daquele espião russo que, em casa de uma família norte-americana, chegando o momento da oração antes da refeição, benze-se à ortodoxa (da direita para a esquerda), denunciando-se. Mas Vladimir Volkoff levanta o véu de histórias mais interessantes, noutro sentido:
“É mais do que provável que agentes comunistas se tenham ordenado padres: contei a vida de um deles no meu romance O Traidor”. Diz também, na “Pequena História da Desinformação”, que o Conselho Ecuménico das Igrejas esteve abundantemente infiltrado de marxistas, o que o terá levado a assumir posições directa ou indirectamente favoráveis ao comunismo, nomeadamente nos campos económicos e militar, repudiando a economia e mercado e as opções nuclares ocidentais.
[Uma outra história, na pág. 63: "Quantas vezes tive já que explicar que Alexandre II suprimiu em 1861, com uma simples caneta, a servidão na Rússia, antes do desaparecimento da escravatura nos Estados Unidos - que custou uma guerra civil, chamada da Secessão, com cerca de 700 000 mortos!"]
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Desinformação e toponímia

A “Pequena História da Desinformação” tem muitas pequenas histórias de desinformação e constitui, no seu todo, um grande instrumento para ler a desinformação actual. Recentemente, o caso mais flagrante – julgo –, verificou-se com o navio “Artic Sea”. A maior parte dos órgãos de informação, pelos vistos, engoliu a desinformação produzida pela Rússia (herdeira da URSS, tem muita experiência), que sempre soube onde estava o navio.
Mas essa é história para outros blogues. Neste, quero deixar uma nota sobre as alterações toponímicas no tempo de Revolução francesa. Os nomes com conotação religiosa foram especialmente afectados.
Com a Revolução de 1789, as palavras cidade, burgo, castelo, rei, conde, cruz foram proscritas. E tudo o que era Santo (Saint) teve de ser alterado. Bucy-le-Roy passou a Bucy-la-Repúblique. Argenton-le-Château passou a Argenton-le-Peuple. Château-Thierry tornou-se Égalité-sur-Marne. Saint Tropez ficou Héraclée. Mónaco e Grenoble foram rebaptizadas Fort d’Hercule e Grelibre, respectivamente (mas porquê em relação a Mónaco?). Montmartre, por feliz coincidência fónica, passou a Mont Marat…
Claro que a seguir instalou-se a confusão (extensiva aos meses do ano e dias da semana, também eles alterados), pelo que a Comissão de Salvação Pública lançou um apelo:
“Várias comunas mudaram de nome e não se encontram, sob as novas designações, nos dicionários geográficos nem nos mapas, outras usam designações parecidas, pelo que, por vezes, a Comissão não sabe de onde lhe escrevem nem a quem deve responder. O que cria obstáculos ao governo. Para acabar com estes inconvenientes, a Comissão convida todas as administrações, sociedades populares, funcionários públicos e, em geral, todos os cidadãos que lhe escrevam a acrescentar ao nome actual da sua comuna a designação anterior”.
“A desinformação tende, às vezes, a ultrapassar os seus próprios objectivos”, conclui Vladimir Volkoff.
sábado, 22 de agosto de 2009
Igreja e desinformação - 2

“Pode imaginar-se que, para um ateu, todo o imenso esforço de pregação das diversas religiões que se sucederam sobre a Terra seja comparável a uma obra de desinformação”, escreve Vladimir Volkoff, no início da análise sobre a Igreja e a desinformação (páginas 43-36 de “Pequena História da Desinformação”, da Editorial Notícias).
Volkoff considera que para haver desinformação têm de estar presentes três elementos:
- uma manipulação da opinião pública (senão seria intoxicação);
- fins políticos, internos ou externos (senão seria publicidade).
- processos ocultos (senão seria propaganda).
Estes elementos estão presentes na acção da Igreja?
1.º Elemento. Está presente. O missionário, como São Paulo em Atenas, dirige-se à opinião pública. Quer convencê-la.
2.º Elemento. Os objectivos dos missionários não são políticos. Embora essas preocupações por vezes estejam presentes.
3.º Elemento. Os processos não são ocultos. “O pregador não se disfarça para atingir a opinião pública, antes pelo contrário. Recusando navegar sob bandeira falsa, opera com o uniforme dos paramentos sacerdotais, pelo que não pode ser confundido com um franco-atirador. Mesmo quando utiliza estratagemas de jesuíta, ele não esconde o seu desígnio essencial, que é ad majorem Dei gloriam”. O velho padre de província de Unamuno que, crendo no cristianismo como um bem para o povo, o ensina devotamente mesmo já não acreditando nele, não é um desinformador. Falta-lhe a máscara”.
Contudo, Volkoff aponta “casos particulares”. O primeiro é o aproveitamento de reflexos adquiridos do paganismo, como o baptismo de solstícios e equinócios, fontes e montanhas… Esta prática assemelha-se a técnicas de desinformação. “Será curioso imaginar o encontro entre a espoliada ninfa e o santo ao qual a fonte passou a ser consagrada”, sugere. O segundo tem a ver com as calúnias a que as seitas, confissões e igrejas recorrem após os cismas. O investigador até nem refere os exemplos mais elucidativos: o que na Igreja católica se disse dos reformadores e o que estes e os seus seguidores disseram da Igreja romana.
Volkoff conclui: “Tudo bem medido, as operações de propaganda ou de retenção da informação religiosa não se podem realmente assemelhar à desinformação propriamente dita: os objectivos são demasiado evidentes”.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Igreja e desinformação - 1

Vladimir Volkoff
Guelfos e gibelinos
Vladimir Volkoff (outra entrada aqui) diz que é preferível ouvir, por um lado, os guelfos e, por outro, os gibelinos, a enviar ao local um observador dito imparcial que simpatizará principalmente com uns ou será mais bem pago pelos outros.
Não sabia quem são os guelfos e os gibelinos, mas pelo contexto parecia terem a ver com o Papa. “As denominações "guelfos" e "gibelinos" originaram-se após a morte de Henrique V, Sacro Imperador Romano-Germânico (1125), sem deixar herdeiros directos. Criou-se então um conflito na disputa pela sucessão do Império. Os guelfos e o Papa apoiavam a casa da Baviera e Saxônia dos Welfen (de onde provém a palavra guelfo), enquanto os gibelinos eram partidários da casa da Suábia dos Hohenstaufen, senhores do castelo de Waiblingen (de onde provém a palavra gibelino)”, diz a Wikipedia.
Desacreditação da Igreja
“A Igreja cristã jamais teria vencido o paganismo se este, por várias formas, se não tivesse desacreditado, e a actual descristianização não seria o que é se a Igreja, por ser uma instituição humana, se não tivesse por seu turno desacreditado, por mais do que uma forma” (pág. 39). Vladimir Volkoff não especifica as razões de desacreditação.
A voz dos deuses pagãos
Mais à frente, o autor diz: “Sabemos, por exemplo, que os pagãos recorriam a subterfúgios, como esconder um sacerdote na estátua de um deus e fazê-lo pronunciar oráculos em voz alta e inteligível” (pág. 43). E responde a esta questão: se obra da Igreja é comparável a uma obra de desinformação. Tentarei resumir aqui as quatro páginas de resposta.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Evangelhos e desinformação

Vladimir Volkoff, no instrutivo “Pequena História da Desinformação. Do Cavalo de Tróia à Internet” (Editorial Notícias, 2000), diz a certa altura (pág. 21), de passagem: “Se as impressões concordam demasiado bem, é suspeito. Para mim, são as contradições entre os quatro evangelistas que me fazem acreditar na sua veracidade e a Igreja tem toda a razão em apresentar-nos versões parcialmente divergentes do que considera ser a verdade”.
Distinguindo propaganda, publicidade e desinformação, apresentando conceitos e casos e desmontando estratégias ("a posteriori"), esta “pequena história da desinformação” é preciosa para compreender o mundo actual, onde abundam as teorias da conspiração e a desorientação informativa. Neste blogue espero apontar algumas referências à fé cristã e aos seus protagonistas. O livro aborda a desinformação na Igreja somente de passagem, mas o autor tem uma grande cultura cristã, pelo que espalha pelos seus textos uma ou outra alusão ao universo cristão. Como esta: “Sobretudo na época em que o KGB era o principal artífice na matéria [desinformação], era fácil ver desinformadores por todo o lado, como outros viam judeus, maçons ou jesuítas, perdão, eu actualizo: membros da Opus Dei” (pág. 24).
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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A fé começa precisamente onde o pensamento acaba. Kierkegaard





