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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Mulheres no episcopado

O sínodo da geral Igreja da Inglaterra (anglicana) aprovou nesta segunda-feira por esmagadora maioria a ordenação de mulheres como bispos, uma medida histórica que a dividia há anos.

Li aquiFico contente com a notícia. Um dia lá chegaremos nós, os católicos. Pena não estarmos à frente.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Mundo novo

A fé tem muito a ver com o simples facto de que há vida cheias de confiança para serem vistas, de que podemos ver, em certas pessoas crentes, um mundo em que gostaríamos de viver.

Rowan Williams

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Anglicanos dispensam diabo no rito do batismo

A Igreja anglicana está a pensar eliminar as referências ao diabo nos ritos de batismo (no rito católico aparece "Satanás"), mantendo a pergunta sobre a rejeição do mal. O novo rito vai estar à experiência em algumas paróquias.

Como é de esperar, alguns opõem-se. Outros acham bem, como o filocatólico arcebispo de Cantuária, Justin Welby. Como o batismo anglicano é válido para os católicos, a questão tem contornos que nos dizem respeito.

sábado, 4 de maio de 2013

Anselmo Borges: "O bispo R. Williams enfrenta o ateu R. Dawkins"

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje ( e no final o vídeo do debate Williams/Dawkins & others):


1-Não tem faltado aqui, nestas crónicas, a denúncia das patologias da religião. Como ser insensível ao sofrimento das vítimas da pedofilia do clero? Vítimas de escrúpulos, vítimas da humilhação intelectual, vítimas da intolerância religiosa, de um deus mesquinho e escravizador... O historiador católico Jean Delumeau escreveu: "As minhas investigações convenceram-me de que a imagem do Deus castigador e vingativo foi um factor decisivo para uma descristianização cujas raízes são antigas e poderosas".

Parece que, enquanto pôde, o clero controlou a vida sexual dos fiéis, a ponto de outro historiador, Guy Bechtel, afirmar que a fractura entre a Igreja católica e o mundo moderno se deu na teoria do sexo e do amor, com uma confissão inquisitorial centrada na actividade sexual.

Será preciso lembrar os homens e mulheres que foram assados nas fogueiras da Inquisição e não só, porque tinham ideias novas? E houve o medo-pânico da mulher, que se chegou a acusar de manter relações sexuais com o diabo. E os livros considerados heréticos também foram queimados. E houve as cruzadas, as guerras de religião, a missionação forçada. Pio VI condenou essa "detestável filosofia dos Direitos do Homem". Pio IX condenou expressamente a evolução como uma aberração. No século XX, o teólogo E. Drewermann escreveu: "Há 500 anos, a Igreja recusou a Reforma; há 200, o Iluminismo; há 100, as ciências naturais; há 50, a psicanálise. Como viver com tantas rejeições?"

Apesar de tudo, creio que é inegável que, no cômputo geral, o saldo é superior a favor da religião, nomeadamente do cristianismo. E não estou sozinho nesta apreciação.

2-Cada quarta-feira, a Cambridge Union Society, um clube de debate ligado à Universidade de Cambridge, realiza um debate sobre temas actuais. No passado dia 31 de Janeiro, com a presença de mais de 800 pessoas, sendo a maioria constituída por estudantes universitários, o tema era debater a necessidade da religião neste século, a partir das seguintes perguntas: "A religião é compatível com a vida do século XXI? Como pode conseguir-se que encaixe com as leis e os valores modernos? E se fosse compatível, a religião faz mais bem do que mal?"

Para o debate, partindo da premissa, "A religião não tem espaço no século XXI", foram convidados vários intervenientes, entre os quais o arcebispo Rowan Williams, que deixou há pouco a liderança da Igreja Anglicana, e o biólogo Richard Dawkins, ateu convicto e apóstolo do ateísmo a nível mundial.

Segundo R. Dawkins, a religião é "redundante e irrelevante", para lá de "uma traição à inteligência, uma traição ao melhor de nós, ao que nos torna humanos", continuando: "parece responder à pergunta enquanto a não examinas e te dás conta de que o não faz. Espalha explicações falsas, quando se poderia ter oferecido explicações reais, explicações falsas que obstaculizam a iniciativa de descobrir explicações reais." No contexto científico, funciona como um "charlatão pernicioso". Em suma: a sociedade funcionaria melhor, se as religiões estabelecidas desaparecessem.

Para R. Williams, a religião "foi sempre uma questão de construir comunidades, uma questão de construir relações de compaixão e de inclusão". A questão fundamental é ver qual deveria ser a atitude que se tem para com ela. Os direitos das pessoas "têm profundas raízes" nas comunidades de fé. "A Declaração dos Direitos Humanos não teria sido o que é se não tivesse havido o debate filosófico e religioso." Assim, o respeito pela vida humana e a igualdade são inerentes a todas as religiões organizadas. Por isso, pretender que "o compromisso religioso deve ser um assunto meramente privado vai contra a história da religião".

No final, depois de todas as intervenções, parte do público votou. Aí, os favoráveis à afirmação "a religião não tem espaço no século XXI" saíram derrotados: 136 contra 324. A religião autêntica pratica o amor, faz comunidades, oferece transcendência e sentido final. Mas é claro que, também no domínio da religião, se não pode abandonar a presença da razão crítica.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Bispo-gestor vai liderar anglicanos


Vem no DN de hoje. É sempre bom saber o que se passa com os nossos irmãos anglicanos. 

Uma observação: Repare-se no "Dom" por extenso. Há muito tempo que não via tal escrito. Os bispos católicos ficam apenas com um "D.", como aqui.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

11 de julho de 1533. Clemente VII excomunga Henrique VIII


Clemente VII

No dia 11 de julho, Henrique VIII foi excomungado pelo Papa Clemente VII. O motivo é por demais conhecido. Estava casado com Catarina de Aragão e queria que o Papa declarasse a anulação do casamento para que pudesse casar-se com Ana Bolena. Tinha uma filha de Catarina, mas queria um filho para o suceder no trono de Inglaterra. Depois de repudiar Catarina, apesar dos vários emissários papais e dos conselhos avidados de Tomás Moro, Henrique VIII acaba por juntar-se a Ana Bolena e a excomunhão cai de Roma.

Diz-se que o monarca inglês é excomungado através de uma bula. Pesquisei, mas não encontrei o nome da respetiva. Talvez o processo tenha sido outro.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

D. Rowan Williams: Os cristãos têm de aprender a viver na democracia argumentativa

Rowan Williams é o de óculos

Por estes dias, tem sido amplamente divulgada a reforma de Rowan Williams da liderança da Comunhão Anglicana, no final de 2012  - algo que já se dizia há meio ano. O arcebispo de Cantuária deu uma entrevista em que faz um balanço da sua atividade, aponta as razões da renúncia, antevê o que poderá fazer nos noves meses que faltam e diz o que espera ao  retomar da carreira académica.


Numa resposta, em especial, nota-se a sensatez que caracteriza o arcebispo (apesar do mau português do texto), que é alguém que passei a apreciar principalmente após a leitura dos livros do dominicano Timothy Radcliffe. 
O senhor acha que o cristianismo está perdendo a batalha contra a secularização na Grã-Bretanha? 
Eu não acho que o cristianismo está perdendo a "batalha contra a secularização". Eu certamente não tenho essa impressão quando estou com as congregações, quando estou nas escolas da Igreja ou em muitos ambientes como esses – nem mesmo quando estou falando sobre essas coisas em um grupo muito misto, digamos, de estudantes do Ensino Médio. 
Eu acho que ainda há um grande interesse pela fé cristã e, embora eu ache que há também muita ignorância e um preconceito bastante simplista sobre as manifestações visíveis do cristianismo, o que às vezes obscurece a discussão, eu não acho que há, de alguma forma, um único grande argumento de que a Igreja está perdendo. 
Eu penso que as pessoas voltaram a debater, muito apropriadamente, com Richard Dawkins, com Philip Pullman, com Tony Grayling e outros – esse argumento continua de forma muito robusta. O que eu acho que obscurece levemente tudo isso é essa sensação de que há uma enorme quantidade de pessoas de uma certa geração, agora, que realmente não sabem como a religião funciona, e muito menos o cristianismo em particular. E isso leva a confusões e sensibilidades nas áreas erradas – você sabe, usar uma cruz ofende as pessoas que não têm fé ou são não cristãs? Eu não acho que ofende, mas as pessoas se preocupam que ofenderá, e isso, em parte, porque há uma leve surdez sobre como a crença religiosa funciona. 
Então, sim, há um desafio, e, sim, o papel público da Igreja é mais contestado do que costumava ser, e, sim, temos que conquistar o nosso direito de falar talvez mais do que antigamente. Mas isso provavelmente será bom para nós. Eu tenho dito algumas vezes que eu acho que deveríamos viver naquela que eu gosto de chamar de "democracia argumentativa", um pluralismo argumentativo. E, para o cristianismo, ser capaz de responder clara e energicamente nesse ambiente é extremamente importante. Eu espero que eu possa continuar contribuindo com essa discussão pública na nova função. 
Lido aqui.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Debate entre Richard Dawkins e Rowan Williams


No dia 23 de fevereiro, teve lugar em Oxford um debate sobre "a natureza dos seres humanos e a questão da origem última" entre o cientista Richard Dawkins e o arcebispo anglicano Rowan Williams. Não é o primeiro diálogo entre estes dois antigos alunos de Oxford, o primeiro de Zoologia, o segundo de Teologia. Em 2008, Dawkins entrevistou Williams para o Channel 4.


Os bilhetes do Teatro Sheldonian esgotaram em poucas horas, no que será mais um sinal de que a questão religiosa volta a estar na ordem do dia em Inglaterra, como tem sido recorrentemente notado.


O debate, transmitido na net, pode agora ser visto aqui


As principais ideias estão resumidas neste blogue dos jesuítas de Braga.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O que diz um agnóstico provocado pelo absolutismo ateu



Julian Barnes, noutras ocasiões agnóstico confesso, ainda que tenha sido professor num "colégio de padres" em França, diz sobre a falta de Deus o que muitos, em Portugal, por exemplo, dirão da vaga identidade católica:
Sentir a falta de Deus é para mim um pouco como ser inglês: um sentimento instigado sobretudo pelo ataque. Quando o meu país é maltratado, um patriotismo dormente, para não dizer comatoso, agita-se. E quando se trata de Deus, sinto-me mais provocado pelo absolutismo ateu do que por, digamos, a confiança quase sempre insípida e hesitante da Igreja Anglicana.
Da página 94 de "Nada a temer" (ed. Quetzal)

domingo, 25 de setembro de 2011

25 de Setembro de 1534. Morre o Papa Clemente VII

Clemente VII morreu no dia 25 de Setembro de 1534, aos 56 anos, supõe-se que envenenado pela ingestão de cogumelos.


Primeiro foi um papa claramente anti-espanhol. Depois, também para agradar Carlos V, não deu a anulação de casamento a Henrique VIII, gerando-se assim o cisma anglicano.


Concordou com a instalação da Inquisição em Portugal, em 1531, mas, passado um ano, anulou a decisão. A Inquisição chegaria em 1536, sendo Papa Paulo III.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Rowan Williams pensa na reforma

Notícia do "Página 1". O arcebispo Rowan Williams, um grande poeta, com vasta obra publicada, adepto do diálogo ecuménico (um dos livros do dominicano Timothy Radcliffe, que muito tenho citado, foi escolhido para "livro da quaresma" dos anglicanos e recebeu um prémio angicano), está cansado (como boa parte dos bispos portugueses - mas essa é outra história) e teme o desaparecimento da igreja anglicana na Inglaterra, como disse no dia 9 de Julho, na abertura do sínodo anglicano, em York:
 "Esta manhã, os membros do Sínodo têm a rara oportunidade de conversar sobre o que significa para eles ser cristão e para discutir sobre o que se perderia para sempre se a Igreja desaparecesse". 
Para mais, é sabido que não está nada contente com o acolhimento na Igreja católica dos que não concordam com certas mudanças nos anglicanismo.

sábado, 6 de agosto de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

18 de Julho de 1817. Morre a romancista Jane Austen


Jane Austen, autora de “Sensibilidade e Bom-senso”, “Orgulho e Preconceito”, “Emma”, “Persuasão”, “A Abadia de Northanger” e “Mansfield Park”, morreu no dia 18 de Julho de 1817, aos 41 anos. Era a sétima de oito filhos de George Austen, clérigo anglicano, e Cassandra.

Nas suas obras os clérigos anglicanos têm um papel central, geralmente defendendo uma fé racionalizada, de certo modo clássica, suspeitante em relação aos entusiasmos dos puritanos e metodistas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Adaptem a missa às audiências?

O estudo que faltava para aumentar as audiências da missa. No "Público" desta terça-feira. Só parece esquecer que no dia em que JC não for "loucura para os gentios e escândalo para os judeus" (judeus e gentios, hoje, somos todos) não valerá a pena ir à missa. 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Dez mulheres num espaço sagrado em que as figuras são quase todas masculinas

A propósito da imagem reconstitutiva de Simone Weil, no post anterior, aqui fica  o vídeo sobre a exposição de dez figuras femininas na catedral anglicana de Rochester, da qual se diz que quase todas as figuras são masculinas. Na realidade, a catedral é dedicada a Cristo e à Virgem Maria.

segunda-feira, 21 de março de 2011

21 de Março de 1556. Thomas Cranmer morre na fogueira


Thomas Cranmer (2 de Julho de 1489 – 21 de Março de 1556), primeiro arcebispo protestante de Cantuária, foi o principal reformador anglicano, para além de Henrique VIII, e autor do primeiro "Livro de Oração Comum" (“Book of Common Prayer”), o grande livro da liturgia anglicana.

Na questão do divórcio entre Henrique VIII e Catarina de Aragão, ao contrário de Thomas Moore, considerava que o assunto devia ser resolvido nas universidades e não recorrendo ao Papa, tal como advogava que todos os cristãos, leigos ou eclesiásticos, deviam obediência ao rei e não ao Papa.

Cranmer foi condenado e executado na fogueira, em Oxford, durante o reinado de Maria I (1553-1558), quando a rainha, filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão, tentou restaurar o catolicismo em Inglaterra.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

22 de Fevereiro de 1857. Nasce Baden-Powell



Baden-Powell, o tenente-general britânico que fundou o escutismo em 1907, nasceu no dia 22 de Fevereiro de 1857 e morreu no dia 8 de Janeiro de 1941.

Anglicano, considerava que todo o escuteiro devia ter uma religião, embora hoje haja pelo mundo muito escutismo indiferente à questão religiosa. Escreveu: “O homem de pouco vale se não acreditar em Deus e obedecer às suas leis”. E ainda: “Visamos a prática do cristianismo na vida e nos afazeres de todos os dias, e não apenas a mera profissão da sua teologia aos domingos”.

Noutro discurso aos escuteiros, deixou formulado o célebre preceito WWJD (What would Jesus do?): “Acho bastante curioso que homens que se dizem bons cristãos se esqueçam tantas vezes, perante uma dificuldade, de fazerem a si mesmos esta simples pergunta: «O que é que Cristo teria feito nestas circunstâncias?», e decidir em conformidade. Lembra-te de a fazer na próxima vez que estiveres em dificuldades ou que não saibas como proceder”.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Anglicanos querem vender quadros de Zurbarán para financiar pastoral


A Igreja Anglicana quer leiloar 12 quadros do pintor espanhol Francisco de Zurbarán (1598-1664). Os quadros, representando Jacob e os seus doze filhos (o quadro "Benjamim" não é Arthur Pond), estão no castelo de Auckland, sede episcopal de Durham, no noroeste de Inglaterra.

Prevê-se que a venda possa render 17,7 milhões de euros. Peter Crumpler, director de comunicação da Igreja Anglicana, diz que os 17,7 milhões de euros (15 milhões de libras), bem investidos, mais os custos dos seguros e da manutenção das pinturas, darão para pagar a 10 vigários de paróquias anglicanas. Sacrifica-se a arte pela pastoral, portanto.

Claro que há muitas vozes que estão contra a venda, a começar pelo bispo recentemente jubilado (e com créditos na investigação teológica), Thomas Wright. Li aqui.

As pinturas em questão podem ser vistas aquiCuriosamente, esta diocese anglicana investiu recentemente em belíssimos vitrais, ver aqui.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

31 de Janeiro de 1606. Guy Fawkes, o conspirador católico, é enforcado


Guy Fawkes nasceu em Iorque, no dia 13 de Abril de 1570, e morreu em Londres, enforcado, no dia 31 de Janeiro de 1606. Foi um soldado inglês católico que teve participação na "Conspiração da pólvora" (“Gunpowder Plot”), na qual se pretendia assassinar o rei protestante Jaime I de Inglaterra e todos os membros do parlamento, durante uma sessão parlamentar, em 1605, no que pretendia ser o início de uma revolta católica.

Guy Fawkes era o responsável por guardar os barris de pólvora que seriam utilizados para explodir o parlamento. Porém, a conspiração foi descoberta e, após interrogatório e tortura, Guy Fawkes foi executado na forca por traição e tentativa de assassinato. Outros participantes na conspiração tiveram o mesmo destino.

A captura de Fawkes ainda hoje é celebrada, a 5 de Novembro, na "Noite das Fogueiras" (“Bonfire Night”), ritual que se assume como anticatólico (ler aqui um testemunho que o refere).
(Estas notas seguiram de perto o que está na Wikipedia.)

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...