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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Fornece-se uma parafernália de refugo paranormal a cada passo...

Fornece-se uma parafernália de refugo paranormal a cada passo, cartomantes adivinham o passado e o futuro dos pacóvios com fórmulas vazias que querem dizer tudo e nada, os horóscopos são consultados como laboratório e milagres repetidos como os televisivos; o ocultismo faz-se acompanhar de profecias sempre desmentidas e sempre readaptadas como pastilha elástica. Poucos acreditam em Cristo mas muitos nas nossas senhoras de gesso que choram e nas nuvens que assume o perfil do Padre Pio; quase todos têm vergonha de rezar, mas não de perguntar ao primeiro que aparecer de que signo astrológico é. Patetices como o satanismo e missas negras recebem uma atenção que conviria dedicar à leitura de Kant ou dos Evangelhos, ou mesmo de agradáveis romances policiais.


Claudio Magris na página 139 de “A história não acabou” (ed. Quetzal)

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Uma profissão com futuro: exorcista


No DN de hoje.

Cá está uma área de atividade diretamente proporcional à publicidade. Quanto mais se disser que o diabo possui pessoas, mais atividade diabólica desta haverá (desta, que de diabólico nada tem; os pecados do mundo e no mundo, ou as "estruturas de pecado", como dizia João Paulo II, pouco interessam aos exorcistas) e mais exorcistas serão necessários. O inverso também é verdade. Quantos mais exorcistas forem nomeados e mais se publicitarem, mais clientela aparecerá. O mercado a funcionar.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Aparição ou delírio de crente?


No "Expresso" de sábado passado.  Refere René Lamertin. Não será René Laurentin? Texto muito confuso. Mas assinale-se que é positivo que haja um saudável ceticismo. Ou uma crítica séria.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Fé, credulidade e crítica



A fé não se identifica com a credulidade fácil e cega, nem com o simplismo acrítico. Não está em contradição com o pensamento critico; encontram-se ambos em estreita aliança. Uma fé desprovida do elemento crítico tornar-se-ia insípida e impotente.


Walter Kasper, "Introdução à fé", Telos, pág. 89

domingo, 15 de abril de 2012

Superstição



John Henry Newman (1801-1890), perto dos 20 anos, escreveu uma autobiografia sobre as suas primeiras duas décadas de vida. Em "Apologia" (ed. Verbo), dá-nos alguns excertos desses escritos juvenis. Num deles mostra-se como os sinais cristãos pode ter um uso supersticioso: 
"Eu era muito supersticioso e durante certo tempo antes da minha conversão [quando tinha 15 anos] costumava frequentemente benzer-me quando me dirigia para um lugar escuro".

sábado, 24 de março de 2012

Anselmo Borges: Fim do, de/um mundo

John Eric Thomson 


Texto de Anselmo Borges no DN de hoje:

A final, já "se sabe" quando é o fim do mundo: no dia 21 de Dezembro deste 2012! Como se chegou a esta data fatal, cuja notícia invade muitos sítios da Rede?

O arqueólogo britânico Sir John Eric Thomson, um eminente mesoamericanista do século XX, mostrou as correlações entre um dos calendários maias e o nosso calendário. Segundo certos cálculos, a partir de um texto breve, descoberto nos anos 50 do século passado em Torturego, no México - quem quiser aprofundar a questão de modo breve e sério consulte o dossiê dedicado ao tema por "Le Monde des Religions", Nov.-Dez. de 2011 -, a contagem longa dos maias teria começado no dia 11 de Agosto de 3114 antes da nossa era e acabaria no solstício do Inverno do ano em curso, 21 de Dezembro de 2012.


Tanto bastou para que se desse, nos anos 80 do século passado, o começo de um movimento apocalíptico planetário, iniciado por José Argüelles, "maianista" americano convicto, isto é, partidário do maianismo, termo que designa as crenças New Age, apoiadas na mitologia maia. Em Le Facteur maya, publicado em 1987, afirmava que o dia 21 de Dezembro determinará uma transformação na consciência mundial bem como o início de uma nova era. Rapidamente percebeu que a aldeia global era um alvo ideal e o que é facto é que os sítios esotéricos e apocalípticos consagrados à "profecia maia" invadiram a Internet, e o cinema e a televisão associaram-se na difusão do rumor planetário desta catástrofe "profetizada" pelos maias e pretensamente confirmada por astrólogos e cientistas.


No entanto, se alguns incidem na angústia colectiva do fim do mundo, explorando uma certa depressão planetária, outros são menos alarmistas, informando que o que os maias sabiam é que o 21 de Dezembro será um "renascimento" e o "início de uma nova era mundial". "O fenómeno 2012 é totalmente indissociável da Web. É essencialmente por esse meio que se desenvolveu desse modo", explica Laure Gratias, jornalista e autora de La Grande Peur de 2012. "Em todos os sítios da Internet e em todas as obras consagradas a 2012, encontra-se esta afirmação categórica: as ideologias, as religiões e as filosofias mais diversas convergem no sentido de designarem 2012 como data do apocalipse".

É inevitável perguntar como é que se instala tanta crendice na mente das pessoas que aceitam como indubitável o fim do mundo no dia 21 de Dezembro próximo. Como diz Éric Taladoire, especialista das civilizações pré-colombianas, tentarmos repor a verdade sobre um falso fim do mundo é uma tarefa árdua, pois, por definição, "os que crêem nisso consideram-nos precisamente como mentirosos ou dissimuladores, participantes num vasto complô."

De facto, os maias não falavam tanto do fim do mundo como do fim de um mundo e da sua reciclagem, segundo um princípio de alternância e um movimento cíclico perpétuo: a vida acaba na morte e a morte dá lugar à vida, o termo de um ciclo é seguido de um renascimento. Os Livros de Chilam Balam não são a profecia delirante do fim do mundo, pois referem-se ao fim de um mundo, precisamente ao desabamento do seu mundo, no contexto da conquista feroz espanhola. Mas essa "catástrofe cultural e demográfica sem precedentes" não impediu um renascimento: os maias continuam vivos, mesmo se a sua cultura mudou.

É assim também no fim de um mundo que nos encontramos hoje. Vivemos num mundo aparentemente à deriva e sem controle e é como se caminhássemos inexoravelmente para o abismo. Como escreve É. Taladoire, "A nossa época atravessa uma crise de amplidão planetária. Ela manifesta-se em todos os domínios e é amplificada pela aceleração da informação: daí, a multiplicação dos rumores, das informações incontroláveis. A dúvida instala-se, dando lugar a teorias de maquinação. É neste terreno que prosperam os rumores apocalípticos, difundidos por gente sincera ou verdadeiros escroques. Os investigadores desenvolvem uma análise rigorosa, lógica, mas os 'crentes' refugiam-se no acto de fé. Os desmentidos científicos podem por vezes convencer os hesitantes, mas os partidários do complô só verão nisso a prova da amplidão das manipulações".

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

As questões técnicas de Elvis Presley

É de almanaque (e é mesmo, porque veio no primeiro volume do Almanaque da revista Sábado, que saiu na quinta-feira passada):
O cantor norte-americano Elvis Presley (1935-1977) usava sempre uma cruz de Cristo, um estrela de David e a letra hebraica “chi”, segundo ele por não querer «deixar de entrar no Céu devido a questões técnicas».

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Por que razão os gregos tinham de ganhar o Euro 2004

Sobre ver a besta em todo o lado (a propósito do pedido da Igreja Ortodoxa grega, no "post" anterior), veja-se o seguinte vídeo. Nem o Euro 2004, o de Portugal, escapa. Quer dizer, a taça escapou a Portugal. Ganharam-na... os gregos. Está explicado porquê no vídeo (aos 2 minutos e 47 segundos).

Medos dos símbolos ou superstição?

A Igreja Ortodoxa grega (na Grécia, o Estado é constitucionalmente ortodoxo) está a pedir às autoridades que não utilizem o número 666 nos novos cartões de identificação dos cidadãos, que estão em preparação para emitir no próximo. Isto porque, justificam, o número 666 é o símbolo do Anticristo (li aqui).

Suponho que o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa faz esta exigência por medo do símbolo e não por superstição. Mas na minha perspectiva, isto não faz sentido nenhum. Isto e, por exemplo, a obsessão dos chineses pela sorte que o 8 dá, a nossa superstição no 13, a paranóia norte-americana de alguns prédios passarem do 12.º para o 14.º andar (em Portugal, os grandes prédios costumam parar no 12.º andar), ou o medo cigano dos sapos. Será necessário eliminar o 666 da matrícula dos carros, dos números de porta, dos números das facturas, do conta quilómetros, das páginas dos livros...?

Uma notícia de hoje do "Público" (aqui) diz que os comerciantes de Beja estão a pôr sapos à porta dos seus estabelecimentos para evitar que os ciganos entrem (a discriminação acontece em muitos outros locais do país).

Seria bom que a mentalidade científica e o cristianismo crítico ajudassem a acabar com estes símbolos que revelam, mais do que tudo, superstição, mesmo que baseada em tradições culturais e religiosas.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...