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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A mística da promoção



O último livro do P.e Tolentino Mendonça teve direito a um capítulo (ou excertos?) em avulso. Foi publicitado e distribuído com o "Público". Com pensamentos dele, foi feito um bloquinho que as livrarias distribuem gratuitamente (um dos pensamentos diz: "O paladar não é indiferente ao amor de Deus. Deus saboreia-se, Deus é sabor" - e ainda estou e tentar provar isso).

Só com isto acima, nunca vi um livro católico ser tão promovido. E só acho bem. Mas o que eu nunca tinha visto: pacotes de açúcar a promover um livro católico. Sim, pacotinhos da Delta com a capa de "A mística do instante". No instante em que alguém toma um café, lê (mais um pensamento do tal bloquinho): "Só nos resta o instante, só o instante nos pertence". Bate certo enquanto dura o café. Mas a seguir estamos atrasados para qualquer coisa.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Duvidam muitos, sim.

“Alguém duvida que 2000 anos de história da Igreja a tornaram numa perita em humanidade?”


José Tolentino Mendonça entrevistado no "Público" de hoje.

domingo, 15 de dezembro de 2013

A razão do poeta

Disse Deus na entrevista que deu ao P.e Tolentino Mendonça, ontem aqui referida e que pode ser lida aqui na íntegra:

Um poeta escreveu:
«Creio que uma folha de erva não vale menos do que a jornada das estrelas,
E que a formiga não é menos perfeita...
E que o sapo é uma obra-prima para o mais exigente,
E que a vaca ruminando com a cabeça baixa supera qualquer estátua,
E que um rato é milagre suficiente para fazer vacilar milhões de infiéis».
Ele tem razão.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Tolentino Mendonça entrevista Deus

Este é o entrevistador

Na "Revista" ("Expresso") de hoje, o Padre José Tolentino Mendonça conversa com Deus. Li a primeira coluna e não resisti a vir aqui dizer que vale a pena. Começa assim: "Conversando com Deus não se dá pelo tempo..."

segunda-feira, 25 de março de 2013

Tolentino de Mendonça: "A Igreja não precisa só de correcção, precisa de inspiração"

Entrevista a Tolentino de Mendonça no "Público" de ontem. Diz (na quarta página) - é o aspeto que destaco - que é preciso dar mais representatividade às mulheres, mas que a questão da ordenação está encerrada.





sábado, 16 de fevereiro de 2013

Tolentino sobre Ruy Belo


Na "Ler" 121, de fevereiro de 2013. Um texto de Tolentino Mendonça. Eu gosto do que Tolentino Mendonça escreve e gosto de Ruy Belo, embora conheça pouco deste poeta. Gastei umas tardes, maravilhado, a ouvir "A margem da alegria", sobre Inês de Castro, porque me ofereceram o poema em CD (duplo). Corria o ano de 2004 e desde então deu para perceber, eu, porque outros já perceberam há muito, que Ruy Belo está no lote dos maiores poetas portugueses do séc. XX (reparei agora que este blogue tem um poema Ruy Belo).

Como tem sido habitual nos últimos tempos, este texto vai gerar mais comentários negativos sobre Tolentino Mendonça. É pena. Principalmente porque anónimos. Mas já vou estando habituado cá por estes lados. É Tolentino, é Bento, é Anselmo, é Opus, é... Ninguém gera consensos absolutos, claro está. Mas eu desejaria que ao menos não se gerasse maledicência gratuita. Crítica, com certeza, mas com rosto.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Cinco sugestões de livros por Tolentino Mendonça


Nas páginas 4 e 5 do "Q" (suplemento do DN aos sábados), há cinco sugestões de livros, três de discos e três de filmes dadas e comentadas por José Tolentino Mendonça. Já decidi comprar um dos livros. Os referidos são:

- Flannery O'Connor, Collected Works, The Library of America
- Mário Casariny, Cartas para a Casa de Pascoais, Documenta / Fundação Cupertino de Miranda
- Alfredo Teixeira (org), Idntidades Religiosas em Portugal. Ensaio interdisciplinar, Paulinas
- Daniel Marguerat e Yvan Bourquin, Para ler as narrativas bíblicas [o DN diz que é "os relatos bíblicos"], Paulinas
- Andrej Tarkovski, Leben un werk: filme, schriften, stills & Polaroids, Schurner / Mosel.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Segunda parte da entrevista a José Tolentino Mendonça

Segunda parte da entrevista da "2" a José Tolentino Mendonça. Dois leitores disseram, e agradeço-lhes a indicação, que a entrevista pode ser lida no sítio do SNPC, aqui.




Primeira parte da entrevista a José Tolentino Mendonça



Primeira parte da entrevista de Anabela Mota Ribeiro (esteve no Átrio dos Gentios nortenho) a José Tolentino Mendonça. Na "2" de domingo, 9 de dezembro. (Dá para ler bem se tiver um computador de grande ecrã ou se fizer um "salvar como / save as").

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

"No princípio era a relação"

Na "2" de ontem (revista do "Público" ao domingo) vem uma entrevista de Anabela Mota Ribeiro ao padre Tolentino Mendonça. Talvez a copie para aqui. Seis páginas, três de texto. Depende de como corre a tarde. Mas deixo uma frase lida à sorte (tomara que a maior parte das entrevista tivesse uma frase para reter, um conhecimento para fixar): «A Simone Weil propunha que se traduzisse "No princípio era o Verbo" por "No princípio era a relação". Acho que se devia traduzir assim».

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Tolentino Mendonça: A forma do cristianismo em mudança

Texto de Tolentino Mendonça, na Agência Ecclesia.

O teólogo Karl Rahner escreveu que “A Igreja tem sido conduzida pelo Senhor da história para uma nova época”. Não se trata só de baixas drásticas nos indicadores estatísticos quando se compara a atualidade com aquele que já foi o quadro da vivência da Fé. A questão é bem mais complexa. Talvez o que o nosso tempo descobre, mesmo entre convulsões e incertezas, seja um modo diferente de ser crente, traduzido de formas alternativas nas suas necessidades, buscas e pertenças. Não estamos perante o crepúsculo do cristianismo, como defendem aqueles que se apressam a chamar pós-cristãs às nossas sociedades. Quem não se apercebe que o radical lugar do cristianismo foi sempre a habitação da própria mudança não o colhe por dentro. Mas há eixos que se vão tornando suficientemente claros para que seja cada vez mais um dever os enunciarmos e contarmos com eles. Podem-se apontar três:

Primeiro, os cristãos regressam à condição de “pequeno rebanho”. Com a evaporação de um cristianismo que se transmitia geracionalmente como herança inquestionada, os cristãos voltam a sê-lo por decisão pessoal, uma decisão muitas vezes em contra-corrente, maturada de modo solitário em relação aos círculos mais imediatos de pertença. Já não é de modo previsível que nos tornamos cristãos. Isso acontece e acontecerá cada vez mais como uma opção e uma surpresa.

Depois, à medida que se assiste a um enfraquecimento da inscrição institucional das Igrejas no horizonte da sociedade redescobrimos o valor e as possibilidades de uma presença discreta no meio do mundo. Em tantas situações, nesta diáspora cultural onde estamos semeados, a única palavra verosímil é a do testemunho de uma vida vivida com simplicidade e alegria no seguimento de Jesus.

E, em terceiro lugar, esta grande mudança epocal mostra-nos que precisamos recuperar aquilo que Karl Rahner chama o “santo poder do coração”. Os cristãos são chamados a viver a amizade como um ministério. “Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,17). Há, de facto, uma revelação do cristianismo que só a prática da amizade é capaz de proporcionar. E nisto, o mundo, que pode até perder-se em equívocos sobre os cristãos, não se engana. Mesmo se for um único instante de contacto o que tivermos, tal basta para deixar transparecer uma amizade.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

terça-feira, 13 de março de 2012

"Espaço para a autenticidade", texto de Tolentino Mendonça



É urgente que a vida não seja só a acumulação do tempo e do seu cavalgar sonâmbulo

Gosto, mas gosto muito, que a primeira palavra de Jesus no Evangelho de João seja uma pergunta (e seja aquela pergunta): “Que procurais?” (Jo 1,38). Consola-me ir percebendo que o que sustenta a arquitetura dos encontros e dos desencontros que os Evangelhos relatam é uma espécie de coreografia de perguntas, um intenso tráfico interrogativo, construído a maior parte do tempo a tatear, sem saber bem, com muitas dúvidas, muitos disparos ao lado, muita incapacidade até de comunicar. Isso é uma âncora, por muito que nos custe, pois uma vida só assente em respostas é uma vida diminuída, à maneira de uma primavera que não chegou a ser. Não sei como vai rebentar em nós a primavera, como se vai acender este reflorir que a natureza insinua, este renascer que o gesto pascal de Jesus espantosamente (res)suscita na nossa humanidade. Sei apenas que nas perguntas, mesmo naquelas que são difíceis e nos estremecem, reencontramos a vida exposta e aberta, certamente mais frágil, mas a única que nos permite tocar as margens de uma existência autêntica.

Todos somos habitados por perguntas e elas cartografam zonas silenciosas, territórios de fronteira do nosso ser. Estes dias reencontrei a pergunta de Pilatos (ainda no Evangelho de João): “O que é a verdade?” (Jo18,38). E dei comigo a aproximar esta pergunta de uma das frases emblemáticas de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”(Jo 14,2). Sem querer relativizar a natureza densamente dogmática do enunciado, dei comigo, porém, a revisitá-lo em chave existencial. E era como se Jesus, mestre da vida que incessantemente se reformula em nós, nos desafiasse a uma apropriação. Sim, a uma apropriação. É necessário que perante a multidão dos caminhos percorridos e a percorrer cada um de nós diga: “eu sou o caminho que percorro”. É decisivo que as verdades que acordamos não sejam uma sobreposição, mas uma expressão profunda do que somos: “eu sou a verdade”. É urgente que a vida não seja só a acumulação do tempo e do seu cavalgar sonâmbulo, mas que cada um, pelo menos uma vez, possa dizer plenamente: “eu sou a vida”. Acho que é disto que o mistério pascal fala.

José Tolentino Mendonça
Copiei daqui.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Livros (2): Livros de fé, ciência e confusão

Crónica do professor de Coimbra, já com um mês de idade, a crónica, não o professor português que escreveu o artigo científico mais citado em revistas da especialidade, de leitura sempre instrutiva, sobre livros de fé e ciência. Saiu no "Sol" de 9 de dezembro de 2011.



sábado, 31 de dezembro de 2011

Tolentino Mendonça: "A fé é uma constante"

Entrevista de Tolentino Mendonça à "Notícias Magazine" de amanhã. Sai com o JN de amanhã e saiu com o DN de hoje, já que amanhã o DN não se publica.






Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...