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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Anselmo Borges: "Papa Francisco: uma revolução tranquila"

Texto de Anselmo Borges no DN de sábado passado (3 de agosto):



Não me custa admitir que nas Jornadas Mundiais da Juventude possa haver muito de Woodstock católico, mas também é verdade que aqueles três milhões que estiveram presentes no Rio saíram de lá, na sua grande maioria, mais felizes e mais decididos ao combate pela paz, pela justiça e pela fraternidade. Embora a culpa não seja dele, será igualmente necessário estar atento para o perigo real de o encandeamento provocado pela figura de Francisco e até algum populismo e culto da personalidade apagarem a lúcida e necessária capacidade crítica.

De qualquer forma, em quatro meses, Francisco pôs em marcha uma revolução tranquila, mas real, na Igreja, e a sua figura e mensagem estão a abrir espaços de esperança num mundo globalizado, habitado por imensos perigos.

A viagem ao Brasil foi um êxito. A sua mensagem foi, em primeiro lugar, ele próprio, na simplicidade, na bondade, na imensa cordialidade, proximidade e empatia com as pessoas, que quer ver autenticamente felizes. Para isso, foi deixando recados e exigências para todos, à maneira de profeta livre e exigente, em voz encantatória.

O programa para a Igreja toda: "As Bem-aventuranças e o Evangelho de Mateus, no capítulo 25 (parábola dos talentos e o Juízo Final). Não precisam de ler mais nada." "A Igreja tem de reformar-se continuamente; se não, fica para trás. Há coisas que serviam no século passado ou noutras épocas e agora já não servem; então, é necessário reformá-las."

Aos jovens: "Tendes o futuro, sois o futuro, sede protagonistas da mudança." "Ide sem medo para servir", "destruir as barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio e edificar um mundo novo".

Contra a exclusão, proclamou a necessidade da luta pela dignidade de todos, concretamente, para "os dois pólos da vida: os jovens e os anciãos". Nesta civilização, é "tal o culto que se presta ao deus dinheiro que estamos na presença de uma filosofia e de uma praxis de exclusão". "Não se deixem excluir nem excluam."

Nas favelas: "Ninguém pode permanecer indiferente perante as desigualdades." "A medida da grandeza de uma sociedade é determinada pela forma como trata quem está mais necessitado, quem não tem senão a sua pobreza." "Porque somos irmãos, ninguém é descartável."

Aos desesperados da droga: "A lepra dos nossos dias chama-se droga", mas "não estais sós". "Não deixeis que vos roubem a esperança." "Tu és o protagonista da subida, ninguém pode subir por ti." E atacou os "negociantes de morte, que seguem a lógica do dinheiro e do poder a todo o custo".

Aos eclesiásticos: "Fazem falta bispos que amem a pobreza e não tenham psicologia de príncipes." "Devem ser pastores, próximos das pessoas, pais, irmãos, pacientes e misericordiosos." "Reina a cultura da exclusão e do descartável." Que tenham a coragem de ir contra dois dogmas da sociedade atual, "eficiência e pragmatismo", e "sair ao encontro das periferias, que têm sede de Deus e não têm quem lho anuncie". Devem ir à procura dos "afastados, que são os convidados vip".

Aos políticos: condenou a corrupção e pediu-lhes que sejam humanos, que tenham "sentido ético" e pratiquem o "diálogo, diálogo, diálogo". É preciso "reabilitar a política", que deve estar ao serviço do bem comum, que "evite o elitismo e erradique a pobreza".

Porque é que tantos têm abandonado a Igreja, incluindo "aqueles que parece viverem já sem Deus?" A Igreja "mostrou-se demasiado débil, demasiado afastada das necessidades deles, demasiado fria, demasiado auto-referencial, prisioneira da sua própria linguagem rígida". Talvez tenha tido "respostas para a infância do homem, mas não para a sua idade adulta".

"Com a Cruz, Jesus une-se ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem gritar; com a Cruz, Jesus une-se a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas porque vêem egoísmo e corrupção, ou que perderam a fé na Igreja, e até em Deus, por causa da incoerência dos cristãos e dos ministros do Evangelho."

domingo, 13 de janeiro de 2013

13 de janeiro de 1979. A YMCA processa os Village People por difamação

Village People

YMCA quer dizer Young Men's Christian Association (YMCA), algo como Associação Cristã dos Jovens. Existe no munto anglófilo (nasceu em Londres, em 1844, e é particularmente ativa nos EUA), mas também no Brasil, sob a designação de Associação Cristã de Moços, e em Portugal, como Associação Cristã da Mocidade (ACM Coimbra aqui).

No dia 13 de janeiro de 1979, a YMCA processou os Village People por difamação. A canção é tida como “hino gay”. “They have everything that you need to enjoy, You can hang out with all the boys ...  It's fun to stay at the Y-M-C-A”.

Por coincidência, hoje ouvi falar (quer dizer, li aqui) de um calendário de jovens padres ortodoxos romenos. Há com cada uma.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A fé aos 20, aos 30, aos 40...: Querer saber mais



...E como bónus, podemos admirar por uns instantes uma espantosa escultura de Anish Kapoor na cidade do senador Obama.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Cardeal Maradiaga: "No podemos seguir haciendo más de lo mismo"


O cardeal Maradiaga (arcebispo hondurenho, presidente da Cáritas Internacional, por alguns apresentado como “papabile” em 2005, quando se pensava que a Igreja poderia virar ao sul - mas este último aspeto não faz parte do seu currículo) esteve em Espanha, nos Pirinéus, para dar um retiro. E deu também uma entrevista. Pode ser lida aqui. Extraí o que chamou a atenção. Pareceu-me “mais do mesmo”, mas ele diz que não se deve ir por aí. Ou então, desejos vinho novo sem reparar que os odres estão velhos. E rotos.
Experiência de Cristo 
No habrá nueva evangelización sin nuevos evangelizadores, sin una auténtica "conversión pastoral". No podemos seguir haciendo "más de lo mismo", sino renovar el corazón misionero y no esperar que las personas vengan a nuestras parroquias, sino salir a buscar las ovejas. Hay nuevos areópagos y patios de los gentiles que esperan la Palabra de Dios. Si estamos llenos del ardor misionero de San Pablo, cuyo corazón palpitaba ¡"Ay de mí si no Evangelizo"!, el año de la Fe será una fuerte motivación para transmitir la "antorcha de la Fe" siempre ardiente y radiante a las nuevas generaciones de este milenio. No se trata simplemente de comunicar ideas sino de favorecer un encuentro personal con Cristo vivo, una auténtica experiencia de Cristo. 
Medo do risco e da aventura 
La juventud de hoy como ayer vibra ante las causas nobles. Si sabemos comunicar la alegría del Evangelio también ellos responden. El problema está muchas veces en el lenguaje. A veces pienso que en nuestras parroquias necesitaríamos ayuda de "foniatras espirituales". Vivimos en un mundo nuevo, lo que significa un territorio por explorar. Podemos tener miedo al riesgo y a la aventura. Nos parece que en el siglo XXI ya no hay nada que explorar. Pero...la humanidad sigue cambiando, no es estática. La gente cambia. Se siguen formulando nuevas maneras de ser en el mundo. 
Se nos presenta una nueva humanidad por interpretar: interpretar a fondo lo que está sucediendo. Debemos esforzarnos para entender a los jóvenes. Y entonces debemos considerar la comunicación de la Buena Nueva. 
Não nos entendem 
Hemos dejado de hablar el lenguaje del mundo actual. Cada vez menos gente nos entiende. Por eso pocos nos escuchan. Otra vez enfrentamos el problema de la comunicación. El lenguaje supone emisor y receptor. No estamos en la frecuencia y el receptor no nos entiende. ¿Cómo interpretar a la nueva humanidad, a la nueva juventud si no conocemos el lenguaje del mundo de hoy? 
Mundo mediático 
Vivimos un nuevo contexto cultural y mediático: lo que se mueve es el mundo de las percepciones, no de las realidades. Toda la herramienta mediática actual crea percepciones. Los Medios de Comunicación Social modifican la percepción social. La herramienta más espectacular es internet. En muchos países el adolescente promedio pasa 28 horas o más ante internet a la semana. Si va a la Iglesia, ¿lo máximo sería una hora? Se está produciendo un tipo de joven nuevo. A veces en ambientes hostiles a la Fe y en campañas constantemente sostenidas contra la Iglesia.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bandeira gay no encontro com o Papa?



O Papa foi ao Estádio Giuseppe Meazza encontrar-se com jovens. Antes do Papa entrar e ser saudado como “o maior campeão e também o treinador da imensa equipa que é a Igreja”, os jovens ouviram o testemunho de Laura, que recebeu o batismo, a comunhão e o crisma aos 23 anos para “dar um sentido de profundidade à vida”.

Imagino que um/a jovem católico bem poderá ter exclamado:
Eu gostava de ser como Laura. Mas infelizmente os meus pais batizaram-me quando eu era criança.
E depois, o que faz a bandeira gay no encontro? Suponho que em Itália tem o mesmo significado que em Portugal. Haverá outra explicação para esta bandeira?

(Nota: Isto não é qualquer atitude contra os homossexuais; faria a mesma observação se houvesse uma bandeira hetero.)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Eco: "Só lamento que não exista um ensino da história das religiões"


O cuacre mais célebre 
Nas escolas italianas, Homero é obrigatório, César é obrigatório, Pitágoras é obrigatório, só Deus é facultativo. Se o ensino religioso se identificar com o do catecismo, católico, no espírito da Constituição deve ser facultativo. Só lamento que não exista um ensino da história das religiões. Um jovem termina os seus estudos e sabe quem era Poséidon e Vulcano, mas tem ideias confusas acerca do Espírito Santo, pensando que Maomé é o deus dos muçulmanos e que os quacres são personagens de Walt Disney.
Umberto Eco citado por Anselmo Borges em "Religião e Diálogo Inter-Religioso", Imprensa da Universidade de Coimbra (p. 95).

domingo, 1 de janeiro de 2012

Com que atitude devemos olhar para o novo ano?

Bento XVI:
Com que atitude devemos olhar para o novo ano? No salmo 130, encontramos uma imagem muito bela. O salmista diz que o homem de fé aguarda pelo Senhor «mais do que a sentinela pela aurora” (v. 6), aguarda por Ele com firme esperança, porque sabe que trará luz, misericórdia, salvação. Esta expectativa nasce da experiência do povo eleito, que reconhece ter sido educado por Deus a olhar o mundo na sua verdade sem se deixar abater pelas tribulações. Convido-vos a olhar o ano de 2012 com esta atitude confiante. É verdade que, no ano que termina, cresceu o sentido de frustração por causa da crise que aflige a sociedade, o mundo do trabalho e a economia; uma crise cujas raízes são primariamente culturais e antropológicas. Quase parece que um manto de escuridão teria descido sobre o nosso tempo, impedindo de ver com clareza a luz do dia. 
Mas, nesta escuridão, o coração do homem não cessa de aguardar pela aurora de que fala o salmista. Esta expectativa mostra-se particularmente viva e visível nos jovens; e é por isso que o meu pensamento se volta para eles, considerando o contributo que podem e devem oferecer à sociedade. Queria, pois, revestir a Mensagem para o XLV Dia Mundial da Paz duma perspetiva educativa: “Educar os jovens para a justiça e a paz”, convencido de que eles podem, com o seu entusiasmo e idealismo, oferecer uma nova esperança ao mundo.
Da mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1 de Janeiro de 2012. Ler tudo aqui.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Adriano Moreira e a educação para a paz de Bento XVI

Na sua coluna no DN de hoje, Adriano Moreira fala da mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz, a qual se centra na educação dos jovens para a paz. Ler tudo aqui.
Na realidade o que a doutrina, de novo lembrada e sistematizada na mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz, anima é que a guerra começa no coração dos homens, e por isso é no coração dos homens que é necessário radicar os valores da paz e da justiça, e isto, desde logo, em todo o processo educativo, formal ou informal. 
De novo, embora alguns responsáveis considerem superficial a exigência, todo o processo educativo, nestas sociedades da informação, do saber, e do saber fazer, não pode esquecer as humanidades, e daqui o apelo no sentido de "educar os povos para a justiça e a paz" responsabilizando as famílias, os Estados, os meios de comunicação, com especial apelo ao mundo dos media, porque "na sociedade actual os meios de comunicação de massa têm uma função particular: não só informam, mas também formam o espirito dos seus destinatários, e, conjuntamente, podem concorrer notavelmente para a educação dos jovens". E também para a deseducação quando o credo do mercado limita a genuína liberdade da informação. Um risco que o relativismo que invadiu os ocidentais torna muito evidente quando se avalia o tempo disponível por cada um dos responsáveis pelo processo educativo, a começar pela família, para exercer o dever que não pode deixar de ser-lhe atribuído.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pão digital de cada dia nos dai hoje

“Eu gosto da ideia do pão de cada dia, que lembra a oração do Pai Nosso. O pão nosso de cada dia e uma conexão de banda larga rápida nos dai hoje”.

Federico Morrello, 16 anos. Está a lançar o projecto Panedigitale, para acabar com a exclusão digital, em Udine, Itália. Li aqui.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A freira que abraçou o Papa



A Irmã Verónica tornou-se a grande figura do congresso sobre a nova evangelização, que decorreu no sábado e domingo passados, em Roma, não por ter sido a única mulher a falar (os outros que falaram: Fabio Suecun, bispo colombiano; Marco Bresanelli, astrofísico ligado ao Comunhão e Libertação; Vittorio Messori, jornalista; e o arcebispo Fisichella, que dentro de dias virá a Portugal para a ordenação do novo bispo auxiliar de Lisboa), mas por ter rompido o protocolo ao abraçar e, suponho, beijar o Papa.


A freira fundou em 2010 a Iesu Communio, uma congregação dedicada à evangelização dos jovens, e é irmã do bispo de Ciudad Rodrigo, D. Raúl Berzosa.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Justin Belieber


Belieber!”, jogo de palavras entre “crente” (“believer”) e o nome do jovem cantor, é o título do livro da jornalista norte-americana Cathleen Falsani que vai ser lançado no dia 27 de Setembro. Subtítulo: "Faith, Fame and the Heart of Justin Bieber" (Fé, fama e o coração de Bieber).

O cantor canadiano, de 17 anos, é cristão (já por aqui se disse isso) e, quer em entrevistas quer em redes sociais, tem-no mostrado. Em Fevereiro, disse numa entrevista:

“Sou cristão, acredito em Deus e creio que morreu numa cruz pelos meus pecados. Creio que tenho uma relação com ele e que posso falar-lhe, e que ele é realmente a razão por que estou aqui, pelo que, sem dúvida, tenho que me lembrar dele”.


sábado, 27 de agosto de 2011

Anselmo Borges: Bento XVI em Madrid


Artigo de Anselmo Borges no DN de hoje.

Reunir cerca de um milhão e meio de jovens de todo o mundo, festivos e ordeiros, que se mantiveram serenos durante uma forte tempestade, que ficaram em silêncio recolhido em momentos intensamente religiosos, é obra.
Dir-se-á que foram para conhecer novas terras e novas gentes, conviver, encontrar outras culturas. Pergunta-se: e que mal há nisso?, não é bom que convivam e aprendam o exercício de uma lição maior: o diálogo intercultural?
Deixo aí algumas notas, acompanhado, aqui e ali, do teólogo Xabier Pikaza.
1. É normal que o Papa, representando a unidade da Igreja, queira encontrar-se e dialogar com aqueles por quem é responsável na condução da fé e na dignidade, para animá-los e fortalecê-los.
2. Também a mim "me não parece ideal vir (de facto) como Chefe de Estado, sendo recebido como tal pelas autoridades máximas do Estado; deveria ter vindo como simples peregrino, em viagem 'privada', não oficial".
Qualquer cristão reflexivo terá já sido assaltado pela pergunta: como foi possível o movimento iniciado por Jesus, crucificado por uma coligação de interesses religiosos e políticos de Jerusalém e Roma, ter chegado até um Papa Chefe de Estado?
Mas, dada esta herança histórica, que seja bem utilizada, por exemplo, para defender de modo eficaz os mais pobres entre os pobres. Suponhamos que o Papa, em termos a definir, desembarcava na Somália para um apelo ao mundo e alívio daquela desgraça inominável?
3. Nas visitas oficiais do Papa, são inevitáveis aproveitamentos político-partidários e ambiguidades e até equívocos, que podem prejudicar a laicidade do Estado.
De facto, a visita não foi financiada pelo Estado e é preciso reconhecer que economicamente a Espanha não perdeu.
Apesar disso, continua Pikaza, "penso que do ponto de vista cristão é pouco claro que grande parte dos gastos sejam financiados por uma 'cúpula económica' de tipo capitalista. Trata-se de algo legal, mas cristãmente perigoso, pois coloca a Igreja nas mãos do grande capital, dificultando muito a sua tarefa de denúncia profética, na linha de Jesus".
4. As manifestações dos cidadãos que não estão de acordo são um direito indiscutível. Mas, não sendo o Estado espanhol um Estado confessional, deve respeitar todos os cultos e é normal que ceda ruas e praças para reuniões, no caso, de perto de um milhão e meio de cidadãos.
Os grupos laicos representam uma "racionalidade universal", não religiosa. Na medida em que Bento XVI se tem afirmado constantemente empenhado no diálogo com a razão, prestam-lhe um favor ao dizer-lhe que é possível uma racionalidade não religiosa. "Assim, ao ver as imagens de alguns 'indignados racionais', pensei que me parecem mais próximos do pensamento de Bento XVI do que muitos católicos confessionais de pouca racionalidade." Dito isto, não se pode deixar de lamentar o pouco civismo que alguns mostraram, com gestos e manifestações de paródia insultuosa. Temos todos de participar numa "razão respeitadora, tolerante, universal".
5. Espera-se que, no quadro de uma Igreja que se quer plural e dialogante, o Vaticano não ouça só uma parte da Igreja espanhola, a dos inquisidores.
6. Algumas expressões marcantes do Papa: "A verdade só pode ser acolhida num clima de liberdade. A verdade busca por si o diálogo: escutar e entender o outro." "Não somos fruto do acaso nem da irracionalidade; na origem da nossa existência, há um projecto de amor de Deus". "A nossa atenção desinteressada pelos doentes e aos desamparados será sempre um testemunho do rosto compassivo de Deus." "A economia não funciona só com regras mercantis, mas necessita da razão ética para estar ao serviço do homem." "Há muitos que, julgando-se deuses, desejariam decidir quem é digno de viver ou pode ser sacrificado." "Sabemos que, quando só a utilidade e o pragmatismo se erigem em critério principal, as perdas podem ser dramáticas."

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Como a revista "Sábado" viu a JMJ de Madrid

Como a revista "Sábado", na edição de 25 de Agosto de 2011, viu em duas páginas a úlima Jornada Mundial da Juventude, que decorreu de 16 a 21 de Agosto em Madrid. Ou seja, não viu.

sábado, 20 de agosto de 2011

JMJ: Queremos ver Jesus


Uma série de cartunes do Hermano Cortés lembra que o mais importante da Jornada Mundial da Juventude, por estes dias em Madrid, é Jesus Cristo. Apesar de tudo, penso que é isso que a jornada de facto pretende.  Ver mais aqui (dias 16, 17, 18 e 19 de Agosto).

sábado, 9 de julho de 2011

Reflexão de José María Castillo sobre o Papa e o seu poder


A reflexão de José María Castillo surge a propósito da Jornada Mundial da Juventude, convocada por Bento XVI para Madrid, em meados de Agosto. Reflexão não por erudição, mas para questionar o direito de convocar concentrações “mundiais”. “Será que ele é o bispo do mundo inteiro?”, pergunta o teólogo espanhol.
No cânon 331 do Código de Direito Canônico se diz que a potestade do Papa é “suprema, plena, imediata e universal”, como Pastor que é da “Igreja universal na terra”. Além disso, é uma potestade contra a qual “não cabe apelação nem recurso” algum (c. 333, 3). Ou seja, o Papa não tem que dar contas a ninguém do que diz ou do que faz. Mas o Papa realmente tem esse poder? Faço esta pergunta porque está mais do que demonstrado que nos Evangelhos não existe nenhum argumento que prove que o bispo de Roma tenha tido ou tenha essa potestade. Além disso, está igualmente demonstrado que o poder supremo universal do papado não tem origem apostólica, mas imperial, de forma que a bibliografia muito documentada que existe sobre este ponto concreto é enorme. Segundo os minuciosos e detalhados estudos que foram feitos sobre esta questão, a “potestade universal” foi uma invenção dos imperadores de Roma. No século IV, de Roma passou para Constantinopla, ao Império Bizantino. E dali, não sem forte resistência dos papas, finalmente, em 1049, Leão IX a apropriou para a sede romana. Mas antes, o Papa Gregório Magno (séculos VI-VII) chegou a dizer que utilizar o título de patriarca “universal” era uma “blasfêmia” (Mon. Germ. Hist., Epist. V, 37).
Ler tudo aqui.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O cristianismo chegou ao fim?


A fé não desapareceu de entre os nossos jovens nem se afastou das nossas cidades. Não somos daqueles que consideram que, na Europa, o Cristianismo chegou ao fim e deverá renascer no terceiro mundo. A fé não tem em primeiro lugar, uma configuração geográfica, mas pessoal. Está viva onde há pessoas que crêem e dão testemunho da sua fé.


Rino Fisichella, "A fé como resposta de sentido", Paulinas, pág. 159

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O hábito faz a freira - é o que querem dizer?



"As postulantes, as noviças e as professas, para poderem participar [no encontro com o Papa, no dia 19 de Agosto, em Madrid, no Pátio dos Reis, no mosteiro do Escorial, no decorrer da Jornada Mundial da Juventude], terão que vestir o seu respectivo hábito". O aviso vem no sítio da JMJ - Madrid (li aqui). Ou seja, muitas irmãs de congregações religiosas que já não usam hábito há décadas, desde a reforma conciliar, ou não vão ver o Papa ou têm de arranjar um hábito. A organização respondeu assim a uma religiosa que contestou a decisão:
No ordenamento vigente da Igreja, os membros de institutos religiosos devem usar hábito. 
O hábito religioso deve ser uniforme para todo o instituto. Admite-se o pluralismo no tecido e na cor (preto, cinza, branco), segundo as exigências dos lugares. 
Esperamos que você possa compreender isso e verá a experiência gozosa dessa manifestação pública do que significada no mundo a vida consagrada religiosa, também no modo de se identificar em uma sociedade com tantos sinais de secularismo.
Espero que isto seja um episódio inconsequente. Mas revela uma teologia de afastamento e oposição ao mundo que recorda coisas bem piores. Tem uma ideia ingénua do mundo, como se ele esperasse este tipo de sinais. E tem pouco sentido pastoral, pouco respeito pelas freiras que nunca usaram um hábito. É lamentável que o protocolo papal imponha este tipo de coisas.

domingo, 12 de junho de 2011

12 de Junho de 1942. Anne Frank começa o Diário


Alemã de ascendência judaica, Anne Frank nasceu no dia 12 de Junho de 1929, em Frankfurt am  Main, e morreu no dia 31 de Março de 1945, no campo de concentração de Bergen-Belsen.

Quando completou 13 anos, no dia 12 de Junho de 1942, Anne Frank recebeu um diário e começou a escrever nele o seu dia-a-dia de refugiada, na Holanda, com a sua família. O "Diário" foi encontrado pelo seu pai, único familiar sobrevivente do Holocausto, e tornou-se  uma das obras mais importantes e mais traduzidas do séc. XX.

Lê-lo é uma experiência marcante, seja aos 13, aos 30 ou aos 70 anos. Embora com uma formatação não muito amigável, o Diário pode ser lido aqui em pdf.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Moral cristã em tempos de autonomia e liberdade


Aprecio a sensatez com que Timothy Radcliffe expõe a sua visão da Igreja, a sua fé, pessoal e comunitária, católica. Ele não é um apaixonado que prega “a propósito e a despropósito”, segundo a expressão paulina. Na sociedade em que vivemos, quem prega a despropósito é tomado como louco e não é ouvido sequer, nada de bom acrescentando à realidade. A sensatez e o ser comedido recomendam-se.

Onde estas qualidades estão claramente presentes é nas páginas em que fala do ensino moral católico e da autonomia e liberdade dos europeus.
“As pessoas não serão atraídas à Igreja, se o ensino moral for visto apenas como mostrar-lhe o que deve ser feito. Com razão ou sem ela, isso seria visto como uma violação da sua autonomia”.
Esta frase seria suficiente para pensar nos modos de exposição do ensino moral católico. O Papa Pio X dizia que o padre deve ser um leão no púlpito e um cordeiro no confessionário. Dificilmente se aceita esta dimensão leonina, mesmo agora que os tradicionalistas querem reabilitar o púlpito a par da missa tridentina, com o apoio de Bento XVI. O leão falará para cada vez menos pessoas.
“Prezamos a liberdade de escolher os nossos valores morais. Isto implica a rejeição de excessiva interferência de qualquer instituição, seja a Igreja ou o Estado”, escreve o antigo mestre dominicano. E acrescenta: “Uma religião em conflito com a autonomia pessoal será rejeitada pela maioria dos europeus e, pelo menos implicitamente, por muitos católicos”.
Uma boa área para pensar este conflito com a autonomia será a da moral sexual. Quantos solteiros e casados católicos vivem a sua sexualidade segundo os preceitos da Igreja? Não há dados. As impressões dizem que são uma minoria. Neste campo, o rugido do leão nem ridicularizado é. Não há ouvidos que o ouçam. E o cordeiro poucas oportunidades terá de ser meigo perante pecados não confessados porque não interiorizados sequer. Radcliffe não questiona a matéria do ensino moral da Igreja, ao contrário de outros teólogos, mas antes a sua pedagogia – o que não é de modo nenhum despiciendo:
“Mesmo quando o ensino cristão parece claro e inequívoco, devemos estar preparados para entrar na complexidade da vida das pessoas, no seu esforço para descobrir o que é recto”.
Sem baixar a fasquia nem entrar em concessões, há um longo caminho a percorrer de escuta e diálogo. Talvez contra o dominicano, arrisco a pensar que, uma vez percorrido o caminho, algum ensino cristão não será o mesmo. E o leão cordeiro talvez passe a ser simplesmente pessoa.
"A verdade é simples, mas se essa simplicidade não passou pela complexidade da experiência humana é uma simplicidade infantil, uma simplicidade estridente e desumana, não a simplicidade que vislumbramos indistintamente em Deus. Aqueles que pensam que a verdade do nosso ensino deve ser protegida por difamação e ataques violentos aos outros, podem muito bem estar inseguros das suas convicções, com medo de ouvir a outra posição e começar a duvidar. Precisamente, quando estamos mais confiantes no ensino da Igreja, devemos estar mais livres para ouvir e aprender, para abrir as nossas mentes e corações aos que chegaram a conclusões com as quais não concordamos".
Frases de Timothy Radcliffe retiradas as páginas 61-63 de “Ser Cristão para quê?” (ed. Paulinas)

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...