segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bandeira gay no encontro com o Papa?



O Papa foi ao Estádio Giuseppe Meazza encontrar-se com jovens. Antes do Papa entrar e ser saudado como “o maior campeão e também o treinador da imensa equipa que é a Igreja”, os jovens ouviram o testemunho de Laura, que recebeu o batismo, a comunhão e o crisma aos 23 anos para “dar um sentido de profundidade à vida”.

Imagino que um/a jovem católico bem poderá ter exclamado:
Eu gostava de ser como Laura. Mas infelizmente os meus pais batizaram-me quando eu era criança.
E depois, o que faz a bandeira gay no encontro? Suponho que em Itália tem o mesmo significado que em Portugal. Haverá outra explicação para esta bandeira?

(Nota: Isto não é qualquer atitude contra os homossexuais; faria a mesma observação se houvesse uma bandeira hetero.)

32 comentários:

Tiago Freitas disse...

Quanto à bandeira...

Está ligado a uma escolha organizativa da diocese de Milão (Pastoral Juvenil). Cada uma das cores corresponde a uma zona pastoral dessa mesma diocese.
Qual é a lógica? Cada parte do estádio estava dividida segundo uma determinada cor. Depois cada zona da diocese ia para o seu lugar respectivo (correspondendo à cor).

Tendo essa bandeira, queriam mostrar a totalidade da diocese ali presente.

Anónimo disse...

A bandeira do arco-íris tem todo o cabimento. Desde o tempo de Noé...

um gay

Anónimo disse...

Oh que peninha não ser dos Gays. Vão mas é...

maria disse...

Jorge,

não entendo muito bem o sentido do seu post. Até porque parece que não tem nada a ver com a questão da homossexualidade. E é preciso não cairmos em delírios. No meu blogue acabei de referir estes assuntos da sexualidade humana e as paranóias da Igreja à volta disso. Achei um vídeo que é mesmo um mimo. Peço desculpa pela "publicidade", mas acho que já é tempo de começarmos a tratar destes assuntos como homens e como mulheres.

Jorge Pires Ferreira disse...

Tiago Freitas, obrigado pela explicação. Faz todo o sentido, como explicou, ainda que a bandeira continue a ser muito parecida. Na realidade, a do movimento gay tem apenas seis cores, enquanto a da imagem tem sete, mas as tonalidades são muito parecidas. À primeira vista, confundem-se.

Maria, o post começou por ser sobre o batismo de adultos - parece-me incongruente que a Igreja continue a dizer que se devem batizar as crianças e depois apresente como modelo batizados adultos.

Mas depois achei que a coincidência de bandeiras não deveria passar incólume.

Quanto às paranóias da Igreja à volta da sexualidade, elas continuam. Em Milão houve mais algumas, mesmo nos pronunciamentos papais (na minha opinião).

Vou ver o vídeo no seu blogue. Obrigado.

maria disse...

olhe que não vai aprender nada (com o vídeo). Ainda não o fiz mas colocarei uma nota a explicar porque o publiquei.

Quanto aos baptismos...não é coerente baptizar crianças...mas a instrumentalização que se fazem dos sacramentos para tentar fidelizar as crianças e jovens à Igreja, explica também isso.

Sobre a bandeira, se quis fazer humor, ok. De outro modo, não me parece fazer sentido a observação.
É claro que o Jorge tem a sua sensibilidade e racionalização sobre o tema.

Anónimo disse...

Sempre achei lindíssimo o arco-íris... Será por isso que sou gay ?

Anónimo disse...

Não, realmente o arco íris aplica-se bem.

Anónimo disse...

Pois. A sexualidade intimida. Intimida sobretudo porque a sua má vivência dá origem a imensos dramas: no desenvolvimento psicológico e afectivo; na estruturação (ou não) da vida familiar; etc. Mas creio que já há grandes janelas abertas na Igreja acerca disso mesmo quando (e o Jorge podia trazer essa notícia aqui para o seu blog) a Congregação para a Doutrina da Fé tenha emanado, nos últimos 3 ou 4 dias, um documento a censurar algumas afirmações de uma moralista norte-americana sobre a masturbação (por ela louvada); os actos e uniões homossexuais (afirma que aqueles são justificados e estas legalizadas); a indissociabilidade matrimonial (atesta ser utópica); um segundo matrimónio para quem se divorciou (diz que deve ser aceite).

Fernando d'Costa

Jorge Pires Ferreira disse...

Fernando, obrigado pelo comentário.

A religiosa em questão é Margaret A. Farley. Escreveu "Just Love. A Framework for Christian Sexual Ethics". Tenho estado a informar-me e mais tarde escreverei sobre o assunto.

Provavelmente, teve a sorte com a crítica/desaconselhamento/condenação vaticana. Embora lhe causa certamente problemas de consciência, vai ser bom para as vendas do livro.

Anónimo disse...

Em relação à questão da bandeira - que é lindíssima - tenho a informação que em Itália é tb considerada a bandeira da Paz.Numa Igreja em Lisboa já a vi, há alguns anos, colocada por baixo de um "altar" lateral, com esse sentido. Antes de ser bandeira gay o arco-irís é simbolo de que que existe uma terra boa para vivermos.

maria disse...

Não li o livro da religiosa (nem estou a contar ler: só porque tenho de gerir bem os meus recursos)mas o enfoque da Igreja sobre as vivências da sexualidade deixando em segundíssimo plano outras como o alcoolismo, a violência doméstica, o vício do jogo etc., é uma obsessão que vai tendo custos na Igreja e na vivência de tantas pessoas que não se capacitam para assumir as suas próprias opções, antes cultivando culpas.

Anónimo disse...

Maria, não acha que é possível que na base de todos os desajustes de que fala estejam problemas relacionados com a vivência da sexualidade humana? Não estou certo, mas estando a sexualidade tão ligada aos afectos e a desordem destes aos problemas que enumera, parece-me que talvez seja possível.

Fernando d'Costa

João Silveira disse...

O Jorge podia ter perguntado o que é que a bandeira da paz está a fazer ali. Mas não, foi para os gays. Inocentemente? Hardly.

Se me puder mostrar uma bandeira “hetero” gostava muito de ver.
Eu ainda sou do tempo em que a humanidade se dividia em homens e mulheres (ou pelo menos as casas de banho), mas pelos vistos hoje divide-se em “homos” e “heteros”. - És homo ou hétero? - Então se vê logo, pa?

A Igreja é coerente em querer baptizar crianças e depois falar da conversão de St.Agostinho. Se ele queria tinha que ser católico desde que nasceu, porque dizer que é bom que ele se tenha convertido é ser incoerente. Que boa análise, Jorge, muito coerente.

João Silveira disse...

Maria, se uma freira escrevesse uma livro a dizer que não há problema com ser alcoolico, bater na mulher ou ser viciado em jogo e a congregação para a doutrina da fé condenasse essas afirmações a sua reação ser a mesma? Parece-me que não é a Igreja que está obcecada por sexo

maria disse...

Fernando,

podemos fazer as ligações que entendermos. Mas olhando para o mal que me parece maior no mundo: a pobreza e inerente a ela a fome, que estarão muito mais ligadas ao mau uso do poder, à ambição desmedida etc., não lhe parece que a Igreja anda a errar o alvo?

maria disse...

João, a sua pergunta é tola. Ou quer tomar-me por isso mesmo. Mas que raio de argumento o seu?

Anónimo disse...

Olá Maria. Grato pelo seu eco que, como sabe, eu muito prezo. De qualquer modo, eu cá penso que o maior mal que há no mundo é o desamor (do qual decorrem todos os demais "males"). O desamor que tem, talvez, a sua máxima expressão precisamente no mau uso daquilo que permite que o mesmo seja mais facilmente expresso: a sexualidade. Mas posso estar enganado. Sabe: ainda sou de uma velha guarda que acredita que os textos bíblicos têm mais valor teológico, soteriológico e antropológico do que todos os demais juntos.

Fernando d'Costa

João Silveira disse...

Maria, vou explicar melhor, por pontos:

1 – A Maria diz que a Igreja é obcecada com sexo e não se preocupa (tanto) com “o alcoolismo, a violência doméstica, o vício do jogo...”

2 – Se uma freira católica, como esta que escreveu este livro sobre a “vivência da sexualidade” em clara contradição com a doutrina católica, o fizesse contradizendo a doutrina nessas outras matérias, ou seja defendendo o alcoolismo, a violência doméstica e o vício do jogo, a Maria seria crítica se a congregação para a doutrina da fé se revelasse contrária a essas opiniões?

3 - Presumo que não, por isso o seu problema não é contra a doutrina da Igreja no seu todo, mas em relação à “vivência da sexualidade”

Anónimo disse...

Queridos comentadores, talvez nada melhor do que palavras de um santo (no caso vertente, São Filipe de Nery) para rematar tão doutas reflexões e sábios pensamentos (olá Maria, olá Fernando, olá João, olá Jorge) sobre tanta coisa e loisa. Pois aqui vai, da parte de São Filipe de Nery :
"É possível restaurar as instituições humanas com a santidade, NÃO RESTAURAR A SANTIDADE COM AS INSTITUIÇÕES." (sublinhado meu)

Tão actual, não lhes parece ?

Anónimo disse...

Tremendamente actual e muito revolucionário... Como são sempre as palavras dos santos !

HD disse...

E o que faz Jesus hoje, perante a doutrina da Igreja sobre a sexualidade ?

E que dirá Ele sobre as inúmeras infidelidades, surgidas dentro da Igreja, neste domínio?

Mais importante do que idolatrar santos, é procurar que Ele guie constantemente os nossos passos.
Não raras vezes iremos trilhar caminhos que não serão coincidentes com a doutrina da Igreja, pois ela não pode ser uma régua e um esquadro, para delimitar Vida.

Ela orienta a vida dos cristãos, mas não a escraviza. O Espirito nos dirá a cada momento e sempre em ultima circunstancia, por onde ir.

Andamos um pouco esquecidos, que Ele acabou crucificado, porque não seguiu meticulosamente a doutrina da altura e por vezes andou em “más companhias”.

O que nos guia é o Espirito e não “bezerros de oiro”, sejam eles o que forem.

E graças a Deus ,que é assim!
HDias

Anónimo disse...

Essa do "sou guiado pelo Espírito" sem uma qualquer normatividade comum exterior é bastante protestante, não é caro HDias? mas eu compreendo perfeitamente o que quer dizer: discirnamos, sem egoísmo, tudo e fiquemos com o que é bom. Já o disse São Paulo.

Fernando d'Costa

HD disse...

Caro Fernando

Sou Católico "observante\militante" ( de acordo com a "high tec" designação do Inquerito\CEP)

Mas até que poderia ser Protestante ou Ortodoxo e Deus não me haveria de querer mal por isso!

Embora alguns católicos ainda não tenham percebido,as portas do Reino,não são nosso exclusivo...

HDias

maria disse...

Fernando,

Obrigada. É bom saber que conseguimos estabelecer um elo de respeito e compreensão mútuos. Tenho acompanhado alguns dos seus comentários e parece que o Fernando tem feito caminho.

Deu-me umas ideias para uns posts. Com tempo, sairão.

Abrevio que o tema da sexualidade não é de modo nenhum o que atravessa de modo centralizante os textos bíblicos. Era isso que queria dizer, não era?

maria disse...

João,

abreviando: a doutrina da Igreja sobre a sexualidade humana, em muitos pontos (não todos) está desadequada ao que qualquer pessoa necessita para viver e crescer de modo integrado.

João Silveira disse...

Maria, conhece a Teologia do Corpo (catequeses do Papa João Paulo II)?

Anónimo disse...

Para HD : curiosos tempos estes em que citar um santo é "idolatrar santos"...

Anónimo disse...

12:49 AM
Até consigo compreender o HD, quando vejo as procissões...
Centenas de pessoas caminhando atrás de um andor com uma estátua em cima. Se isso não é idolatria, é o quê?
No santuário de Nª Srª do Sameiro está exposto um solidéu branco que, ao que consta pertenceu ao Papa João Paulo II.
As pessoas ajoelham perante este objeto e adoram-no!!!
Se isto não é idolatria, é o quê?

HD disse...

Para o anónimo das 12:49 AM
Curioso tempo em que se banaliza a Fé em Cristo, confundindo a divinização, idolatria e culto de santos, com o modelo inspirador de vida, de um santo.
HDias

Anónimo disse...

Se calhar, se a Fé se limitasse a ser somente em Jesus de Nazaré,que ofereceu a sua vida para salvar a humanidade, talvez não houvesse lugar a banalizações. Se calhar...

Intervention of fashion disse...

Esta bandeira esta associada também ao movimento dos cursilhos da cristandade e e conhecida como "de colores"

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