sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Seis ideias contrárias ao pensar comum a propósito das bruxas

Umas coisinhas sobre as bruxas, ao arrepio do pensar comum. E posto isto, vou para casa dar cabo de uma abóbora.


1
As bruxas e os seus sabbats são uma invenção dos inquisidores medievais tardios, mais concretamente nas montanhas da Suíça. Foram os inquisidores que associaram as feiticeiras ao culto do diabo e à heresia. E a partir daí acaba a tolerância e começa a perseguição no centro da Europa.


2
A queima das bruxas aconteceu em muito maior escala na Idade Moderna do que na Idade Média. Na realidade, se considerarmos que Idade Média vai até 1453 (Queda de Constantinopla), a perseguição às bruxas foi uma raridade. Houve condenações, mas quase todas no contexto de heresias como as dos cátaros. O pior viria a seguir, de modo sistemático, até aos princípios do séc. XVIII. Diz-se que a última mulher a ser condenada à morte por bruxaria foi uma jovem, em Glarus (cantão protestante), na Suíça, em 1783. A tragédia terminou onde começara.


3
Os protestantes (luteranos, calvinistas, anglicanos) queimaram mais bruxas do que os católicos (o que, mesmo assim, é claro, não é motivo nenhum de glória). E, o que ainda é mais estranho e contrário ao pensar comum, houve mais juízes e condenações seculares (em tribunais seculares) do que religiosas.


4
O livro que foi um best-seller na perseguição das bruxas, o “Malleus Maleficarum” (“O Martelo das Bruxas”), de 1487, escrito por dois frades dominicanos, nunca foi aprovado pela Igreja Católica. Pelo contrário, foi colocado no Index. Mas fez imenso sucesso entre católicos e ainda mais entre protestantes alemães.


5
Na Península Ibérica, não houve queima de bruxas (ou se houve, foram residuais e a bruxaria não foi o principal motivo). Porquê? Por causa da Inquisição ibérica, quase exclusivamente preocupada com a perseguição aos judeus e muçulmanos. Isso mesmo. Não queimou bruxas. Sem tirar nem pôr.


6
Há uma tese que diz que nos tempos em que algumas mulheres (geralmente viúvas, solitárias, com conhecimentos de medicina popular, nas margens das povoações, curandeiras) eram perseguidas como bruxas detinham um alto estatuto jurídico. E que depois do fim das perseguições passaram a ser consideradas doentes, incapazes de personalidade jurídica, pelo que viram o seu estatuto social diminuído.

O diabo detesta o Halloween



Com a americanice cada vez mais difundida, é difícil não dar com o dia das bruxas. Ao almoço fui servido por uma senhora cheia de teias de aranha. Literalmente. Mas suponho que as teias não eram literais. O café estava cheio de motivos halloweenescos.

E quem tem filhos sabe que é impossível ignorar a data. Pelos vistos, pelas minhas constatações diárias em dois infantários, é das ocasiões preferidas para os educadores motivarem os mais pequenos (há dias, um dos meus filhos: “Não te esqueças de me dizer que é o dia das bruxas logo que eu acordar”), mudarem a decoração, testarem pinturas faciais, pedirem a colaboração dos pais.

Ora – e é por isso que escrevo – ontem dei com um louvor católico do dia das bruxas. Cá está (Why the Devil Hates Halloween). O autor, “expert” em catolicismo (e católico, como se pode ler e por outros textos sobre novenas e afins), diz que o diabo detesta o Halloween. E dá seis razões, que até estão bem vistas. E que se aplicam como uma luva ao nosso “pão por Deus”, coisa em que nunca participei, nem sei se há no centro do país, mas da qual ouvia falar as minhas colegas de trabalho na meia década que vivi em Lisboa. Eram saloias-no-bom-e-verdadeiro-sentido (eram de Mafra) e gostavam muito do “pão por Deus”.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A prova da catolicidade de Bento Domingues

De vez em quando dizem cá pelos lados do blogue que Bento Domingues é pouco católico, tal como este blogue (Jacob é judeu, ainda não repararam?). Pois esta foto saída na "Sábado", há semanas, mostra que o dominicano é profundamente católico. Está aqui toda a exuberância e universalidade do catolicismo. Nada de puritanismo, calvinismo, jansenismo. Desarrumação imensamente católica.


O líder da Apple diz que ser gay foi um dos maiores presentes que Deus lhe deu

Tim Cook

No "Público" de hoje:

O homem que sucedeu no cargo o carismático Steve Jobs há três anos sempre quis “manter um nível básico de privacidade” e que a Apple fosse apenas citada pelos seus produtos e pela sua utilização. Citando uma frase de Martin Luther King – “O que estás a fazer pelos outros?” –, Cook explica que o desejo de manter privada a sua vida pessoal o impedia de fazer “algo muito mais importante”. 
“Durante anos, fui aberto com muitas pessoas sobre a minha orientação sexual. Muitos dos colegas na Apple sabem que sou gay e isso não parece fazer a diferença na forma como me tratam. Claro que tive a sorte de trabalhar numa empresa que adora a criatividade e a inovação e sabe que só pode florescer quando aceitarmos as diferenças das pessoas. Nem todos têm tanta sorte”, escreve.
Se até agora a sua homossexualidade era mantida em privado, Tim Cook diz que chegou o momento, aos 53 anos, de falar. “Por isso deixem-me ser claro: Tenho orgulho de ser gay e considero que ser gay foi um dos maiores presentes que Deus me deu”. 
O dirigente diz que a homossexualidade permitiu que compreendesse melhor o que é ser uma minoria. Possibilitou-lhe tornar-se mais “empático”, ter “confiança” em ser como é e ser superior à “adversidade e fanatismo”. “Também me deu a pele de um rinoceronte, o que dá muito jeito quando se é CEO da Apple”. 
Tim Cook afirma que “parte do progresso social é entender que uma pessoa não se define apenas pela sua sexualidade, raça ou género”. “Sou um engenheiro, um tio, um amante da natureza, um doido por fitness, um filho do Sul, um fanático por desportos, e muitas outras coisas. Espero que as pessoas respeitem o meu desejo de me concentrar nas coisas para as quais estou mais preparado e no trabalho que me traz alegria”. 

Não me interessa a pertença sexual de Tim Cook. Noto é que ele a considera um dos maiores presentes de Deus.

Defuntos

Se amarmos é provável que sejamos morte. Se não amarmos, já somos defuntos.

McCabe citado por Timothy Racliffe

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

DN: Os perigos e as virtudes de combinar ciência com religião


No DN de hoje. Leia-se com atenção o depoimento de Carlos Filhais. Continuo a pensar que a afirmação de que o Big Bang precisa de Deus ou exige uma intervenção divina é infeliz. Como Fiolhais. Mas pelo que tenho lido noutros lados, a intervenção mais vasta do Papa parece ter em vista os criacionistas que não aceitam o Big Bang nem a teoria da evolução.

Duas frases de Pascal para abrir

Há dias, uma frase de Pascal. Inesperada, pelo menos para mim:
"O tempo cura as dores e as querelas, pois mudamos: já não somos a mesma pessoa. Ele já não ama esta pessoa que amava há dez anos. É isso: ela já não é a mesma, e ele também não. Ele era jovem, ela também; ela agora é totalmente diferente. Talvez ele ainda a amasse se ela fosse como era."
(Daqui.)

Outra hoje, embora me pareça mais pascalina:
O último ato é violento, não importante quão refinado é o resto da peça. Atiram-nos terra para cima da cabeça, e ele acabou para sempre.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A asneira franciscana da exigência divina do Big Bang


Eu acho que o Papa Francisco fez asneira ao afirmar o seguinte:

“O Big Bang, que hoje se coloca na origem do mundo, não contradiz a intervenção criadora divina, mas exige-a”, declarou, numa audiência aos membros da Academia Pontifícia das Ciências.

Li aqui.

Por estas e outras é que Stephen Hawking há de sempre repetir que, percebendo tudo da física, Deus não pode existir (por não ser preciso). A asneira pseudo-científica do Papa está, portanto, ao nível das habituais asneiras pseudo-religiosas de Hawking, que é (ou pelo menos era) membro da Academia Pontifícia das Ciências, pois, como disse, é um lugar onde se encontram muitos cientistas.

Riccardi, Osório e portas que Francisco abriu e não se voltarão a fechar


Um artigo e um comentário no JN de ontem. Registo, em consonância com o que se vai por aí ouvindo; "O Sínodo abriu portas que são se voltarão a fechar" (Rui Osório).

Vínculo da morte e morte do vínculo

Um artigo inteligente. Dos melhores que li sobre o assunto, embora tenha lido pouco, talvez por ter ideias próprias de mais e esperança no sínodo sobre a família de menos. Cinco posições do sínodo quanto à comunhão para os católicos recasados. Eu fico-me pela última:
e) há, enfim, a solução que propõe que se considerar a dissolução do vínculo por "morte" também como extensível à hipótese de "morte do vínculo". Na tradição oriental, essa leitura é possível graças a uma interpretação das "exceções matianas" [referentes ao Evangelho de Mateus] entendidas como verdadeiras exceções. A possibilidade de assumir essa leitura também no Ocidente, no entanto, não é totalmente pacífica.
Como disse o outro, é eterno enquanto dura.

Por outro lado, noto que um mal-entendido geral perdurou no sínodo - julgo eu, mas não acompanhei o sínodo com a devida atenção. As pessoas, desde a revolução industrial, casam-se por amor. Antes disso, casavam-se por outros motivos (a escolha dos pais, as questões do património, a obrigação de descendência). Casavam-se e depois talvez surgisse o amor. Se não surgisse, também pouco importava. Hoje casam-se por amor e desejo. Manda a paixão. E enquanto dura a paixão, tudo suportam. Quando acaba, é que pode passar a mandar a vontade. No fim, manda a vontade. E por isso muitos não se separam, mesmo que não se amem. Antes, no princípio mandava a vontade. É com base na vontade que existe todo o processo de casamento católico e toda a teologia sacramental matrimonial da indissolubilidade. Esta discrepância entre a mentalidade comum e a história da Igreja é a fonte de todos os equívocos. Só a alínea e) do artigo de Gillo a pode ultrapassar.

Ao que interessa:  O artigo pode ser lido aqui.

Guardai tesouros no céu, não no espírito santo

A notícia do DN de sábado. Sobre as instituições católicas que perderam (pelo menos terão muita dificuldade em recuperar na totalidade) dinheiro na derrocada do Grupo Espírito Santo.


Glória

Glória a Deus pelas coisas sarapintadas.

Gerard Manley Hopkins

domingo, 26 de outubro de 2014

Bento Domingues; "Eu já não acredito no Papa Francisco"

Texto de Bento Domingues no "Público" de hoje, agora como saiu no papel.

Bento Domingues já não acredita no Papa Francisco

Eu já não acredito no Papa Francisco

David era um homem dotado, capaz de compor salmos. E eu?

Em meados do século XVIII, o rabi Uri de Strelisk interrogou-se: «David era um homem dotado, capaz de compor salmos. E eu? Que sei fazer?» A resposta foi: «Sei lê-los». Ler é um trabalho de memória que nos permite, através das histórias, desfrutas da experiência passada de outros como se fosse nossa.

Aberto Manguel, "A Cidade das Palavras" (Gradiva), pág.19

Anselmo Borges: "Igreja, sexo, família"

Texto de Anselmo Borges no DN de ontem, 25.

Aí está um tema sobre o qual a Igreja tem imensa dificuldade em falar. À partida, porque é em si mesmo difícil. Mas a dificuldade aumenta na Igreja, porque, para lá de outras razões, que talvez Freud ajudasse a explicar, está entregue ao papa, a cardeais, bispos e padres, que devem ser celibatários e não têm propriamente família. Mas que o tema é relevante, mostra-se, por exemplo, pela enorme importância dada pelos media ao Sínodo que lhe foi dedicado, cuja primeira fase - segue-se um ano de reflexão, que culminará na nova assembleia sinodal, em Outubro de 2015, e na Exortação final do Papa Francisco, nos inícios de 2016 - concluiu no domingo passado.

Quem foram os vencedores e os perdedores? Há quem insinue que o Papa Francisco não conseguiu levar adiante o seu projecto. Não creio nessa tese. É preciso perceber que se trata da primeira fase do Sínodo. Depois, sobretudo, criou-se um clima e abriram-se portas que já não é possível fechar. Votou-se um texto que, se em relação aos divorciados e aos homossexuais, não obteve os dois terços necessários para a aprovação, venceu, mesmo aí, por forte maioria, continuando, portanto, o debate. Que haja tomadas de posição diferentes, é sinal de vida, embora a Igreja não esteja habituada a este estilo de abertura democrática. Teve alto significado o facto de o Papa ter mandado votar os vários pontos e publicar os resultados, para que haja transparência e cada um assuma as suas responsabilidades.

A Igreja não abdica da doutrina, mas esta tem de ser aplicada na vida real, atendendo a dois princípios: o da compreensão e misericórdia e o da não exclusão. Penso, assim, possível antecipar, em termos gerais, o que se seguirá.

1. O casamento enquanto união em amor fiel e estável por toda a vida, aberta à procriação, lugar privilegiado de apoio mútuo e para a educação dos filhos, é um ideal de que se não deve abdicar e pelo qual vale a pena bater-se. Mas, por outro lado, o divórcio é uma realidade que não está em vias de declínio, e por razões múltiplas. Há situações e situações. É inegável um ambiente de hedonismo, de sociedade "líquida" e recusa de compromissos perenes. Pense-se também que há 100 anos a esperança de vida na Alemanha era à volta de 35 anos, sendo hoje de mais de 70; no tempo de Jesus, era à volta de 28 anos. Depois, se tradicionalmente parecia que os casamentos aguentavam mais, isso também se devia ao facto de as mulheres terem de aceitar ficar na penumbra e por vezes quase escravizadas, o que felizmente hoje não aceitam. E há aquele pensamento de Pascal, na linha da identidade processual e narrativa da pessoa: "O tempo cura as dores e as querelas, pois mudamos: já não somos a mesma pessoa. Ele já não ama esta pessoa que amava há dez anos. É isso: ela já não é a mesma, e ele também não. Ele era jovem, ela também; ela agora é totalmente diferente. Talvez ele ainda a amasse se ela fosse como era."

De qualquer modo, pergunta-se: se, divorciados, recomeçarem a vida em amor, em dignidade, se tiverem filhos que se esforçam por educar humana e cristãmente, poderá a Igreja negar-lhes a participação plena na vida eclesial, incluindo a comunhão?

2. Será reconhecido o valor dos casamentos civis e também das uniões de facto e da coabitação, que até poderão, nalgumas circunstâncias, desembocar no sacramento do matrimónio. Quantos sabem que só a partir do século IX foi exigida no casamento a presença de um padre e só no século XII se começou a definir o matrimónio como sacramento?

3. Quanto à homossexualidade, não se espere o reconhecimento do casamento de pessoas do mesmo sexo. Como já aqui expliquei, a linguagem eclesiástica não fala em casamento, que vem de casa, mas em matrimónio, que vem de mater (no genitivo, matris), mãe, o que significa que, segundo a Igreja, a abertura à possibilidade da procriação é constitutiva do casamento. Mas a linguagem mudou: os homossexuais "devem ser acolhidos com respeito e delicadeza; deve ser evitada qualquer marca de discriminação injusta". Será dada especial atenção às crianças que vivem com pessoas do mesmo sexo.

4. Evidentemente, será necessário rever a questão da contracepção, o que implica rever o pressuposto de uma natureza fixa e imóvel, centrada na biologia. A sexualidade humana não se reduz ao biológico e é próprio da natureza de o homem ser histórico e cultural e intervir artificialmente, com responsabilidade, na natureza.

5. Em todos estes pontos vale um princípio tradicional, retomado por Bento XVI, quando era professor: "Acima do Papa encontra-se a própria consciência, à qual é preciso obedecer em primeiro lugar; se fosse necessário, até contra o que disser a autoridade eclesiástica." Não vale tudo, mas, para lá da moral reduzida a normas e proibições, é preciso educar para a autonomia, para a liberdade na responsabilidade e dignificação.


Sobre um escritor que não tem tabus

Leio que o escritor Sr. Assim Etc. Etc. não tem nada de sagrado, quebra os tabus todos, é um iconoclasta. Na pergunta seguinte ou duas mais abaixo, fala das suas irritações, do que o indispõe, do que não tolera. Afinal está cheio de ídolos. É um dogmático. E eu não tenho de o tolerar. Nem de ler.

sábado, 25 de outubro de 2014

Instituições católicas perderam mais de um milhão com o GES

O BPN ia dando cabo de algumas dioceses e instituições católicas que lá tinha posto muito dinheiro (nalguns casos, mais do que o que a notícia que se segue refere). Agora o GES/BES, que ainda por cima tem nome santo.

Do DN de hoje. Em parte, aqui (julgo que o nome correto da congregação religiosa é só "Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coreção de Jesus"). Um milhão de euros talvez não seja tanto para a instituição que tem diversas casas de saúde. Mas este e outros casos servirão sempre para questionar o uso do dinheiro  - o "esterco do diabo", como se dizia na Idade Média - por parte de instituições católicas.
A crise do Grupo Espírito Santo arrastou quatro instituições católicas, que subscreveram empréstimos obrigacionistas. Foi o caso das "Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus no Espírito Santo". Esta IPSS, assim como a sua proprietária, a "Província Portuguesa da Congregação de Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus", colocaram quase um milhão de euros em obrigações da Espírito Santo Financial (Portugal), a holding que controlava o setor financeiro e os seguros do grupo Espírito Santo. Agora, ambas e mais 158 pessoas e empresasestão no Tribunal do Comércio de Lisboa a reclamar, ao todo, 330 milhões à ESF.

Este blogue já teve mais de 500 visitas diárias

Este blogue já teve mais de 500 visitas diárias. Foi no tempo de Bento XVI e nos primeiros meses de Francisco. Agora anda pelas 100. A queda não tem nada a ver com Papas nem com mudanças de bispo (que aconteceu na diocese em que vivo). Tem a ver somente comigo e as minhas circunstâncias familiares e  laborais.

Mas vou retomar o ritmo antigo das três a cinco entradas diárias (nem nas cinco semanais estou agora). A ver se acontecem três coisas:

- diminui o tom de irritação nos comentários;
- sobem as visitas até aos 300 no prazo de um mês;
- e ficam aqui registadas coisas que me interessam (sim, o meu blogue também funciona para mim como arquivo).

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Oxalá que sim

No sínodo parece que não se entendem. E isso é capaz de ser bom. Para continuar tudo na mesma, não era preciso deslocaram-se a Roma. Mesmo em low cost.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Odres velhos

Notícia da Ecclesia:

Bispos abrem caminho para simplificação de procedimentos de nulidade matrimonial


Uau. Uma das simplificações é:

«criação de “tribunais diocesanos”».

Duplo uau.

O matrimónio é indissolúvel, diz a doutrina católica. Enquanto assim disser, nada a fazer. Simplificar processos, agilizar procedimentos, criar estruturas, dentro deste quadro, é igual a zero.


Enquanto não houver soluções para pessoas que se sentiram casadas, legitimamente casadas, validamente casadas, e a seguir se separaram, nada se avança. E é escusado promover, como se tem promovido, a hipocrisia de se descobrir passados uns anos que afinal nunca estiveram casados (declaração de nulidade do matrimónio). Nunca estiveram casados... e não deram por isso?

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A mística da promoção



O último livro do P.e Tolentino Mendonça teve direito a um capítulo (ou excertos?) em avulso. Foi publicitado e distribuído com o "Público". Com pensamentos dele, foi feito um bloquinho que as livrarias distribuem gratuitamente (um dos pensamentos diz: "O paladar não é indiferente ao amor de Deus. Deus saboreia-se, Deus é sabor" - e ainda estou e tentar provar isso).

Só com isto acima, nunca vi um livro católico ser tão promovido. E só acho bem. Mas o que eu nunca tinha visto: pacotes de açúcar a promover um livro católico. Sim, pacotinhos da Delta com a capa de "A mística do instante". No instante em que alguém toma um café, lê (mais um pensamento do tal bloquinho): "Só nos resta o instante, só o instante nos pertence". Bate certo enquanto dura o café. Mas a seguir estamos atrasados para qualquer coisa.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Duvidam muitos, sim.

“Alguém duvida que 2000 anos de história da Igreja a tornaram numa perita em humanidade?”


José Tolentino Mendonça entrevistado no "Público" de hoje.

Agora que a Quaresma acaba