É um aspeto extremamente importante da missão evangelizadora, um tipo de ajuda que se pode propor a qualquer pessoa, prescindindo da sua confissão ou da sua fé. Não consiste em dizer em primeiro lugar: deixa as tuas convicções e acede às minhas, que são melhores; consiste em oferecer uma ajuda a partir da experiência de Jesus, com a qual cada homem deve confrontar-se se quer chegar à liberdade dos filhos.
Carlo Maria Martini
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Tantas mulheres no sínodo. São quase um décimo dos homens
29
Número de mulheres no próximo sínodo, de 7 a 28 de outubro, sobre
a nova evangelização, não como padres sinodais (esses só os bispos e, ao que
dizem as notícias, quatro padres), mas como especialistas e observadoras. Dizem que é
um recorde (mas a RR diz que são só 19 ao todo; e outras notícias referem que no
sínodo para África também participaram 29 mulheres).
10 especialistas
Destas 29, 10 participam no sínodo como peritas. Os homens,
na mesma categoria, são 35.
19 observadoras
Destas 29, 19 são observadoras. Os homens, na mesma categoria,
são 20. Quase que empatavam.
0
mulheres com direito de voto no sínodo.
Quantos participam no sínodo? Além dos acima referidos, Bento XVI escolheu pessoalmente 32 bispos e quatro padres. Das conferências episcopais do mundo inteiro vão os seus representantes (da CEP vão D. Manuel Clemente e D. António Couto). A estes há que acrescentar uns quantos das ordens religiosas e os responsáveis da Cúria Romana. No total, são mais de trezentos os padres sinodais.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Cardeal Maradiaga: "No podemos seguir haciendo más de lo mismo"
O cardeal Maradiaga (arcebispo hondurenho, presidente da
Cáritas Internacional, por alguns apresentado como “papabile” em 2005, quando
se pensava que a Igreja poderia virar ao sul - mas este último aspeto não faz
parte do seu currículo) esteve em Espanha, nos Pirinéus, para dar um retiro. E deu também uma entrevista. Pode ser lida aqui. Extraí o que chamou a atenção.
Pareceu-me “mais do mesmo”, mas ele diz que não se deve ir por aí. Ou então, desejos vinho novo
sem reparar que os odres estão velhos. E rotos.
Experiência de Cristo
No habrá nueva evangelización sin nuevos evangelizadores, sin una auténtica "conversión pastoral". No podemos seguir haciendo "más de lo mismo", sino renovar el corazón misionero y no esperar que las personas vengan a nuestras parroquias, sino salir a buscar las ovejas. Hay nuevos areópagos y patios de los gentiles que esperan la Palabra de Dios. Si estamos llenos del ardor misionero de San Pablo, cuyo corazón palpitaba ¡"Ay de mí si no Evangelizo"!, el año de la Fe será una fuerte motivación para transmitir la "antorcha de la Fe" siempre ardiente y radiante a las nuevas generaciones de este milenio. No se trata simplemente de comunicar ideas sino de favorecer un encuentro personal con Cristo vivo, una auténtica experiencia de Cristo.
Medo do risco e da aventura
La juventud de hoy como ayer vibra ante las causas nobles. Si sabemos comunicar la alegría del Evangelio también ellos responden. El problema está muchas veces en el lenguaje. A veces pienso que en nuestras parroquias necesitaríamos ayuda de "foniatras espirituales". Vivimos en un mundo nuevo, lo que significa un territorio por explorar. Podemos tener miedo al riesgo y a la aventura. Nos parece que en el siglo XXI ya no hay nada que explorar. Pero...la humanidad sigue cambiando, no es estática. La gente cambia. Se siguen formulando nuevas maneras de ser en el mundo.
Se nos presenta una nueva humanidad por interpretar: interpretar a fondo lo que está sucediendo. Debemos esforzarnos para entender a los jóvenes. Y entonces debemos considerar la comunicación de la Buena Nueva.
Não nos entendem
Hemos dejado de hablar el lenguaje del mundo actual. Cada vez menos gente nos entiende. Por eso pocos nos escuchan. Otra vez enfrentamos el problema de la comunicación. El lenguaje supone emisor y receptor. No estamos en la frecuencia y el receptor no nos entiende. ¿Cómo interpretar a la nueva humanidad, a la nueva juventud si no conocemos el lenguaje del mundo de hoy?
Mundo mediático
Vivimos un nuevo contexto cultural y mediático: lo que se mueve es el mundo de las percepciones, no de las realidades. Toda la herramienta mediática actual crea percepciones. Los Medios de Comunicación Social modifican la percepción social. La herramienta más espectacular es internet. En muchos países el adolescente promedio pasa 28 horas o más ante internet a la semana. Si va a la Iglesia, ¿lo máximo sería una hora? Se está produciendo un tipo de joven nuevo. A veces en ambientes hostiles a la Fe y en campañas constantemente sostenidas contra la Iglesia.
domingo, 10 de junho de 2012
Bento Domingues: A nova evangelização
Bento Domingues no "Público" de hoje. "Fica-se com a impressão de que as razões teológicas invocadas ocultam opções de ideologia canónica, inadequadas à orientação pastoral da Igreja". Em relação a quê? É ler o artigo.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Os meios ricos da Igreja e os pobres, segundo Maritain
Jacques Maritain (na foto) dizia que a Igreja tem, para os fins espirituais, meios ricos e meios pobres ou humildes. Os ricos não se resumem ao dinheiro, mas, em grande medida, não existem sem ele: as organizações, as reuniões, a arquitetura, a comunicação social, a decoração das Igrejas. Os meios pobres são os que estão marcados pela cruz e não contêm em si a menor necessidade de um triunfo temporal. Li em "Meditações sobre a Fé", de Tadeusz Dajczer, que acrescenta, já sem remeter para Maritain, julgo eu, que os meios pobres são "os joelhos doridos durante a oração, a anulação da vontade própria, a vida em recolhimento, no silêncio e na contemplação", coisas que não cabem nas estatísticas, mas valem muito mais do que os grandes ajuntamentos dos meios ricos. Não vivemos sem os dois. Mas os meios ricos serão ocos se não tiverem por detrás os meios pobres.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Para compreender a "nova evangelização"
A nova evangelização. Um desafio para sair da indiferença
Rino Fisichella
Paulus
176 páginas
No dia 29 de março de 2010 – estão quase a completar-se dois
anos – o arcebispo Rino Fisichella foi convocado para uma audiência privada com
Bento XVI. Ao contrário das outras vezes, D. Fisichella não foi avisado quanto
ao assunto da reunião, o que lhe causou alguma intranquilidade, até pelos
inevitáveis “rumores”, “desporto largamente praticado em alguns ambientes”, que
muitas vezes se ouvem acerca de transferências, como relata no início deste
livro.
D. Fisichella conta como foi o encontro com Bento XVI: “Nunca poderia ter pensado, ao sentar-me à frente de Bento
XVI sorridente e contante, que ele textualmente me dissesse: «Andei a pensar
muito nos últimos meses. Desejo instituir um dicastério para a nova
evangelização e peço-lhe que aceite ser o presidente. Posso passar-lhe alguns
apontamentos que tenho feito. O que é que pensa?» Estava muito surpreendido e
apelas lhe disse: «Santo Padre, é um grande desafio». O colóquio continuou com
uma troca de considerações sobre o assunto, até se esboçar a estrutura do novo
dicastério. Saí da audiência muito contente. O temor que levava comigo
transformara-se em entusiasmo” (pág. 6).
O autor acrescenta que, tendo andado nos últimos
trinta anos a estudar, ensinar e escrever sobre como apresentar o cristianismo
ao homem de hoje, sentiu o convite de Bento XVI como uma prova: “Andaste tantos
anos a estudar, agora prova-me que não é só teoria”.
Este livro é uma leitura pessoal de como o presidente do
Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização entende a “nova
evangelização” e serve, no fundo, para preparar o sínodo dos bispos convocado
para outubro de 2012. Como é sabido, o sínodo tem com tema de fundo
precisamente a nova evangelização.
D. Rino Fisichella começa por dizer que prefere a expressão
“nova evangelização” ao termo “reevangelização”. Fazendo uma breve história da
expressão, popularizada por João Paulo II, termina o segundo capítulo
apresentando o que pode ser uma definição: “Uma forma mediante a qual o
Evangelho de sempre é anunciado com novo entusiasmo, novas linguagens e novas
metodologias capazes de transmitir o sentido profundo que permanece
inalterado”.
Nos capítulos seguintes, o arcebispo escreve sobre o
contexto de secularismo, desorientação e crise no mundo ocidental em que a nova
evangelização há de se posta em prática (cap. III), afirma a centralidade de
Jesus Cristo no processo (IV), aponta os lugares da nova evangelização (a
liturgia, a caridade, o ecumenismo, a imigração e a comunicação, cap. V), fala
das perspetivas (o cenário da cultura, a nova antropologia e a missão da
Igreja, cap. VI), dos novos evangelizadores (que são os de sempre: o clero, os
consagrados e os leigos, cap. VII). Os dois últimos capítulos antes da síntese
final do cap. X são dedicados à beleza e à arte (cap. VIII) e ao autêntico "ícone
da nova evangelização" que é a Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.
Consagrado
pelo Papa no dia 17 de novembro de 2010, o templo, ainda em construção, sendo
um “catecismo de pedra”, “provoca-nos para ir mais além”, “obriga ao sentido da
transcendência”, “traça o percurso essencial para decifrar o enigma da nossa
condição pessoa”. E isso também é nova evangelização.
Breve história da “nova evangelização”
1979 – No documento de Puebla (dos bispos da América Latina
reunidos nesta cidade mexicana), afirma-se que há “mudanças socioculturais que
exigem uma nova evangelização”.
1979 – João Paulo II, na segunda visita à Polónia, usa pela
primeira vez a expressão.
1983 – João Paulo II, no Haiti, falando aos bispos da
América Latina, convida-os a empenharem-se numa nova evangelização: “Nova no
seu ardor, nos seus métodos e nas suas expressões”.
1990 – Na encíclica “Redemptoris missio”, João Paulo II
afirma que é necessária uma nova evangelização “onde grupos inteiros de
batizados perderam o sentido vivo da fé”.
2010 – É instituído no dia 21 de setembro o Conselho
Pontifício para a Promoção da nova Evangelização.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Não temer os confrontos internos
É bom não esquecermos as confrontações que Paulo teve por causa disso mesmo [divulgação da Boa Nova] com os apóstolos, e as dificuldades que tiveram que superar, nos seus começos, a mensagem de Jesus e a própria Igreja. Comparados com tudo isto, os confrontos que se seguiram ao Vaticano II não passam de dificuldades envoltas numa luz suave. À coragem que, naquele tempo, tiveram os apóstolos se deve o florescimento e a difusão da Igreja. É dessa coragem que hoje precisamos. Não podemos retroceder perante as dificuldades; temos é de avançar e de permanecer em diálogo com toda a gente.
Carlo Maria Martini, "Colóquios nocturnos em Jerusalém", pág. 147.
sábado, 27 de agosto de 2011
O Schülerkreis de Ratzinger
Durante este fim-de-semana, o Papa encontra-se com os seus discípulos em Castel Gandolfo para discutir sobre a contribuição da teologia para a Nova Evangelização. A génese, o conteúdo e o alcance destas reuniões do Schülerkreis [círculo de alunos] de Ratzinger estão muito bem explicados num texto do Vaticano Insider.
Ainda há quem se pergunte por que Bento XVI continua, mesmo como Papa, com o desejo de promover o retiro anual com seus ex-alunos, e interpreta esta eleição como um hábito de ex-professor, ou como forma de fidelidade permeada de nostalgia pela própria história. E, sem embargo, precisamente a radiografia do Schülerkreis ratzingeriano, de sua evolução, de sua composição e de seu mecanismo, codificados no tempo, ajuda a compreender aspectos não secundários da sensibilidade humana e intelectual do atual sucessor de Pedro e de seu modo de servir a Igreja.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
A evangelização é sempre nova. Carreira das Neves responde ao inquérito da "nova evangelização"
O padre Joaquim Carreira das Neves respondeu ao inquérito sobre a “nova evangelização”, do Religonline. Fala mais sobre “evangelização” do que sobre o que será a “nova evangelização”. E é precisamente por isso que o contributo é muito entusiasmante. A evangelização genuína é sempre um encontro inaugural. Novo, pois. Basta falar de evangelização.
O evangelho não é um livro, mas uma “proclamação”. Proclama-se aquilo que o Papa diz ser “um acontecimento”. Não se trata, pois, de uma ideia, uma doutrina, uma ética, mas de um “encontro com um acontecimento”. Semelhante acontecimento é causado ou proporcionado por uma pessoa – a pessoa de Jesus (…).
Esta maneira de proclamar já é, em si mesma, muito diferente das nossas catequeses formais. Não há, assim, qualquer proclamação contra nada nem contra ninguém. Nem contra protestantes, judeus, islâmicos, ateus, ciência, evolucionismo. Há, simplesmente, o desejo de preencher o “vazio” existencial, próprio do ser humano. Mas, também aqui, há que considerar a ambiguidade deste “vazio”. Nas sociedades modernas e democráticas contactamos com pessoas que preenchem este “vazio” com a cultura, a ciência, a liberdade. São respostas sem religião que devemos considerar e respeitar.
Ler mais aqui.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Religionline lança inquérito sobre Nova Evangelização
O blogue Religionline (que também conta com o meu modesto contributo) lançou um inquérito a várias personalidades portuguesas, de muitos quadrantes, um inquérito de cinco perguntas motivada não só pelo Sínodo dos Bispos de 2012, que será sobre a Nova Evangelização, e pelo novo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, mas também pelo processo lançado pelos bispos portugueses para “Repensar Juntos a Pastoral de Portugal”. Já foram colocadas online as respostas de dos dos inquiridos.
Excerto das respostas de Guilherme d’Oliveira Martins:
As transformações sociais têm uma influência indiscutível na experiência religiosa. Há pouco tempo, Gianni Vattimo chamava, por exemplo, a nossa atenção para o facto de os desafios europeus perante os quais se encontra a Igreja Católica serem diferentes dos que ocorrem na América do Sul ou em África - apesar das complementaridades. Há virtualidades que devem ser consideradas, como o diálogo, cada vez mais fecundo, entre a religião e a ciência ou entre a fé e a razão, não devendo esquecer-se a comunicação entre as diferentes culturas, num momento em que a cultura da paz exige um esforço acrescido de diálogo entre as religiões.
Excerto das respostas de Ana Vicente:
Não é possível com uma estrutura altamente hierarquizada, exclusivamente masculina e celibatária, ao nível da tomada de decisão, ou seja ao nível do poder real, crer que os povos, crentes nesta ou naquela expressão religiosa ou agnósticos ou ateus, possam dar ouvidos a um discurso advindo de uma instituição que está tão em contradição com a mensagem de Jesus – inclusiva, universal, de amor, de paz, de respeito pela consciência individual, de misericórdia, de compaixão. Estrutura essa que viveu e continua a viver a tragédia da prática do abuso sexual, físico e psíquico, por parte de sacerdotes (e algumas freiras) e que ainda muito pouco fez para que esses abusos nunca mais possam ocorrer. Estrutura essa que continua a perseguir teólogos e teólogas que “eles” consideram perigosos porque procuram caminhos diferentes. Que continua a desejar que as leis penais civis condenem criminalmente as mulheres que fazem um aborto mas pouco parecem agitar-se com o facto de que, em cada seis segundos, morre uma criança, já nascida, de fome.
Perguntas do inquérito aqui.
Respostas de Guilherme d’Oliveira Martins aqui.
Respostas de Ana Vicente aqui.
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