Mostrar mensagens com a etiqueta Céu. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Céu. Mostrar todas as mensagens

domingo, 28 de agosto de 2016

O céu somos nós

Lido no Público de hoje:

(...) Quer o Bloco quer o PCP souberam embrulhar o seu apoio numa teoria. A teoria do mal menor. O Governo é o governo do PS marialva, pequeno-burguês de fachada socialista, fiel ao défice e aos compromissos da dívida. É o purgatório, mas o PSD e o CDS são piores. São o inferno.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O que é o inferno


Leio na "Ler" que Jón Kalman Stefánsson escreveu uma trilogia em que "a procura de sentido para a ideia da existência de um Deus bom e todo-poderoso que permite o sofrimento dos homens, quando Lhe seria tão fácil evitá-lo, é a bússola" que o guia.

Dessa trilogia estão publicados em português os títulos "Paraíso e Inferno" (2013) e "A Tristeza dos Anjos" (2014).

Não sei onde foi buscar a ideia de que seria tão fácil a Deus evitar o sofrimento dos homens. Nunca foi fácil. Pelo menos pelos critérios humanos, está patente. Deve vir da afirmação da omnipotência de Deus a ideia da facilidade de fazer tudo. Não sendo Deus omnipotente, ainda pode ser Deus? Talvez Deus tenha dito que é omnimpotente e quem ouviu percebeu mal. E Deus, na sua omnimpotência, não percebeu que o perceberam mal. E gerou-se o equívoco.

Mas concordo com Stefánsson: "O Inferno é ter braços mas ninguém para abraçar". 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Céu. Mesmo que fosse só isso

O avô de C. S. Lewis - conta Timothy Radcliffe em "Imersos na vida de Deus, (Paulinas) - esperava e previa ter, no Céu, conversas cultas e corteses com S. Paulo, como dois gentis-homens clérigos cavaqueando no seu clube.

Ao preço a que está uma boa conversa, coisa cada vez mais rara e interrompida por telemóveis ou trasladada para feicebuques, cá está uma aliciante imagem do Céu.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Etsi Eden daretur

Devíamos tentar adotar a perspetiva perspicaz daqueles que acreditam no paraíso, mesmo que vivamos as nossas vidas segundo o preceito ateu fundamental de que este é o único mundo que jamais conheceremos.

Alain de Botton, pág. 183 de "Religião para ateus"

domingo, 25 de agosto de 2013

Check-in

Quando nos aeroportos faço o check-in, perguntam-se habitualmente se Londres é o meu "destino final". Nem sempre resisto à tentação de dizer: "Não, espero que seja o Céu".

Timothy Radcliffe, "Imersos na vida de Deus" (Paulinas), p. 247

sábado, 8 de dezembro de 2012

Sombras e tempo

Ao viver, vivemos rodeados de sombras. Queremos conhecer, queremos amar, queremos, queremos e incessantemente somos confrontados com as nossas limitações. Depois da morte, estamos naquilo que eu chamo "o sempre além do tempo".


Abbé Pierre, 1992

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Céu portátil

Deixar a casa

Eduardo Lourenço diz que a poesia é o "único céu portátil de que estamos certos". "Em si mesma, para cada um de nós, no momento em que nos toca, como se fosse o dedo de Deus, a Poesia esconde-nos da morte".

E diz que lhe abriu a "porta do sonho" uma mera frase, do livro da primária, destinada a ilustrar o uso do "Z". Uma frase que à primeira leitura parecia ter sabor bíblico, acrescento. "O filho de Zeferino foi para casa dos filhos da mãe do Zebedeu".

Onde li isto? No prefácio da seleção "Os poemas da minha vida" de Eduardo Lourenço (uma edição do "Público" em 2006).

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Inferno

Perguntam-me o que significa o inferno? Afirmo: a incapacidade para amar.


Fiodor Dostoiévski (1821-1881)

sábado, 14 de maio de 2011

Cobras e escadas, o jogo da salvação segundo David Lodge


A metafísica ou visão do mundo dos jovens católicos na década de 1950, em Inglaterra, segundo David Lodge no romance “Até onde se pode ir?” (ed. Asa, pág 14-15):
Lá em cima estava o céu e lá em baixo o inferno. O nome do jogo era Salvação e o objectivo alcançar o céu e evitar o inferno. Era como o jogo das Snakes na Ladders: o pecado fazia-os recuar cinquenta casas; os sacramentos, as boas acções, ao actos de mortificação davam-lhes a possibilidade de voltar a subir em direcção à luz. Tudo o que faziam ou pensavam era passível de contabilidade espiritual. Ou era bom ou mau ou indiferente. Os que tinham êxito no jogo eliminavam os maus e convertiam em bons o maior número possível de indiferentes. Por exemplo, uma banal viagem de autocarro (indiferente) podiam ser convertida em pontos se se rezasse o terço em silêncio, passando discretamente as contas entre os dedos, dentro do bolso, no decurso da viagem. Rezar o terço em voz alta e às claras na mesma situação já era mais problemático. Testemunhar a fé, mesmo suscitando a chacota dos não crentes (supondo que estes eram dotadas de paciência e tolerância), era, obviamente, bom - até heróico e virtuoso; mas, feito com o fim de impressionar os outros e chamar a atenção para a virtude própria, era pior do que indiferente, era mau – orgulho do espírito, uma serpente muito traiçoeira. O caminho para o céu estava cheio destas armadilhas. No fundo, existia uma regra que era garantida: qualquer coisa que detestássemos era com certeza boa, e uma coisa que gostássemos imenso de fazer era com certeza má, ou potencialmente má – uma «situação pecaminosa».

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

''O inferno e o paraíso também não são lugares, são processos espirituais'', afirma Andrés Torres Queiruga

"A definição de purgatório do Papa não é nova, mas a população desconhece-a porque a pregação não está muito actualizada", afirma o teólogo espanhol no sítio do “La Opinión A Coruña” (aqui em espanhol e aqui em português). Andrés Torres Queiruga assegura que a definição de purgatório do Papa não é algo novo (ver notícia do DN aqui), mas faz parte do "conhecimento comum teológico" há vários anos, e que uma situação semelhante é vivida por outros termos da tradição católica como o inferno e o paraíso. O teólogo já analisou essas questões na sua obra “O que queremos dizer quando dizemos inferno?” (Paulus, 1996).

As palavras de Bento XVI significam uma mudança no conceito de purgatório que a Igreja tem?

Em nada. O único que demonstram é a ignorância teológica que a nossa sociedade actual vive, já que afirmar que o purgatório não é um lugar físico faz parte do conhecimento comum teológico há anos.

Então, em que consiste exactamente o purgatório?

Trata-se de um processo espiritual interno. É lógico pensar que, dado que ninguém morre sendo totalmente bom, há uma espécie de conversão e purificação no encontro com Deus.

As representações tradicionais desse conceito religioso fizeram com que a população tenha uma visão errónea?

Sim, e o facto de a pregação não estar muito actualizada também contribui nesse sentido para que a população desconheça o verdadeiro significado do purgatório. Nesse sentido, é preciso dizer que as palavras do Papa são positivas, porque ajudam os católicos a compreender que o objectivo não é convencer Deus da purificação dos nossos pecados para que seja bom e nos livre das penas do purgatório. O fundamental é alimentar nossa fé e nossa esperança em que o encontro com Deus será para todos salvação definitiva.

A mesma confusão existe com o inferno e o paraíso?

Sim. Tanto o inferno como o paraíso e o purgatório são questões que ultrapassam o espaço e o tempo, e, portanto, não se deve fazer uma descrição física de uma geografia celestial. Eles fazem alusão a processos espirituais que intuímos à luz das experiências reais que vivemos em nossa vida presente e que tentamos expressar com símbolos que animem nossa esperança.


Bento XVI falou do purgatório

O tema do céu, do inferno e do purgatório está praticamente ausente das pregações actuais, da mensagem cristã em geral.

No entanto, se existem, como ocultá-los? Vamos passar lá muito tempo, segundo diz a fé católica. O tempo todo, mesmo, seja vivido como prolongamento infinito, seja como instante sempre presente.

Mas falar do céu, do inferno e do purgatório é difícil. Só por analogias. E as analogias dão-se a más interpretações, a falhas, a exageros. Como ao longo da história (em exemplo em James Joyce). Por isso, opta-se pelo silêncio.

E quando alguém fala, principalmente se for o Papa, parece que diz uma novidade, repetindo a teologia secular. Há tempos foi João Paulo II, quando disse que o inferno não era um lugar físico (mas para muitos, cá na Terra, é mesmo um lugar físico). Agora é Bento XVI, com o purgatório. A notícia é do DN de 13 de Janeiro de 2011.

sábado, 20 de novembro de 2010

Pés


Possa Deus dar-nos a fé quotidiana. Eu não penso minimamente na fé que foge do mundo, mas naquela que o experimenta, o ama e que lhe permanece fiel, a despeito de todos os sofrimentos que ele contém por nós. Eu temo que os cristãos que só têm um pé na Terra, também não tenham mais do que um pé no céu.

Dietrich Bonhoeffer (1906-1954)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Um homem chega às portas do céu e S. Pedro pergunta-lhe...

Um homem chega às portas do céu e S. Pedro pergunta-lhe:
- Religião?
- Metodista – responde o homem.
S. Pedro olha para a lista e diz:
- Vá para a sala 28, mas não faça barulho quando passar pela sala 8.
Outro homem chega às portas do céu.
- Religião?
- Baptista.
- Vá para a sala 18, mas não faça barulho quando passar pela sala 8.
- Religião?
- Judeu.
- Vá para a sala 11, mas não faça barulho quando passar pela sala 8.
- Até posso compreender que haja sala diferentes para religiões diferentes – diz o homem – mas porque é que não posso fazer barulho quando passar pela sala 8?
- As Testemunhas de Jeová estão na sala 8 – explica S. Pedro – e pensam que são os únicos que estão aqui.

domingo, 25 de julho de 2010

O detective que rezava missas

Padre Brown (Alec Guinness)

Diz o detective: "Parece que as coisas que acontecem aqui não têm nenhum significado. Falo daquilo que ocorre num outro lugar. Num lugar qualquer, o verdadeiro culpado será punido. Aqui, o dano parece atingir uma pessoa ao invés da outra".

O detective é Brown, Padre Brown. E o que diz tanto pode ser relativo a um criminoso como à condição humana em geral. Tanto pode estar a falar da autoridade da polícia e do juiz como de Deus. A prisão e a liberdade. O inferno e o céu.

Publicou-se em Itália um livro sobre rostos e vozes da esperiência religiosa na criação literária. “Figure spirituali. Volti e voci dell'esperienza religiosa nella creazione letteraria" (“Figuras espirituais: Rostos e vozes da experiência religiosa na criação literária”), Ed. Messaggero.

O capítulo sobre o padre-detective de Chesterton foi publicado no L'Osservatore Romano (18-07-2010) e pode ser lido em português aqui.

Mais sobre o Padre Brown aqui.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Joga-se futebol no céu?

Dois padres muito amigos têm uma paixão comum: o futebol. Posto que discutiam sobre se há futebol no céu, fazem um pacto. O primeiro que morrer deve aparecer ao outro para lhe revelar se se joga futebol no outro mundo.

Um deles morre e cumpre a promessa, manifestando-se em sonhos ao amigo.

- Então, quais são as novidades disso aí?

- Tenho duas notícias para ti, uma boa e outra má. A boa é que se joga cá futebol. A má é que tu jogas na semana que vem.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Rousseau e a mudança de mentalidades na Europa - o caso do paraíso

De um livro de três entrevistas sobre a felicidade que li há pouco, no dia em que Rousseau faz anos (nasceu há 298 anos), realço isto:

"Após a revolução científica, não foi a revolução das mentalidades que transformou a representação do paraíso?

Jean Delumeau – A segunda revolução é, com efeito, a dos sentimentos, que se pode datar, em França, pelo menos, da publicação d’A Nova Heloísa, de Rousseau. Nessa obra, um pastor protestante pede a Júlia, que está a morrer, que se desprenda dos bens deste mundo, do rosto dos seres amados, pois no além já não há marido nem esposa. Júlia contesta que, pelo contrário, espera poder amar no além aquele a quem não teve o direito de amar na Terra. A Nova Heloísa de Rousseau corresponde a uma mudança das mentalidades que atingia não só a França mas a Europa: a felicidade definitiva foi, desde então, cada vez mais identificada com a ideia de reencontrar aqueles que amámos e que nos amaram. O paraíso tornou-se assim – e continua a ser hoje – o lugar do reencontro com os entre os entes queridos. No entanto, esse tema do reencontro não é novo no cristianismo e não esperou pela revolução dos sentimentos e pela época moderna para ser realçado. Um jesuíta do século XIX, F. R. Blot, retomando uma obra dominicana anterior, esforçou-se por recensear todos os textos cristãos antigos nos quais tinha sido desenvolvido o tema do reencontro dos entes queridos no paraíso. O título da sua obra é significativo: Au ciel, on se reconnaît (1863). De facto, a aspiração a reencontrar no além os entes queridos perpassou toda a história cristã".

André Comte-Sponville, Jean Delumeau e Arlette Farge, A mais bela história felicidade, Texto & Grafia, páginas 72-73.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Onde pôr os pés?

Possa Deus dar-nos a fé quotidiana. Eu não penso minimamente na fé que foge do mundo, mas naquela que o experimenta, o ama e que lhe permanece fiel, a despeito de todos os sofrimentos que ele contém por nós. Eu temo que os cristãos que só têm um pé na Terra, também não tenham mais do que um pé no céu.

Dietrich Bonhoeffer (1905-1945)

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...