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sábado, 24 de outubro de 2015

Primeiro comer, depois filosofar

A fé cristã não é uma experiência que se possa planificar primeiro para a ter depois conforme se previu. Não resulta de uma qualquer racionalidade laboratorial. Impõe-se com a sua própria dinâmica à consciência daquele que reflete sobre ela. É claro que viver e pensar são dois momento que se devem conjugar no itinerário da fé. Mas convém notar que existe, aqui, uma ordem de prioridade. Normalmente é o viver que está primeiro; o pensar vem a seguir, procurando acompanhá-lo o melhor que pode.

Domingos Terra, in "A fé da Igreja", Paulus, pág. 131

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Bruno Forte: "Uma teologia para a vida"


O livro que me tem acompanhado nos últimos dias (e que fez com que a revisão do carro custasse menos a passar, por exemplo). É uma boa introdução à teologia. Sobre alguns pontos, inclusive de discordância, havemos de falar em breve. Informação da editora Paulus:

Num estilo de livro-entrevista com o escritor Marco Roncalli, Bruno Forte põe em relação fé e história, teologia e filosofia, reflexão e ação pastoral, religião e estética, educação e vida quotidiana. Um livro que apresenta a busca de Deus no nosso tempo, a crise da pós-modernidade, o confronto entre identidade e diálogo, a religião, a globalização, o futuro do Cristianismo. Temas que fazem parte da vida de crentes e não crentes.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

As potencialidades do Homem-Aranha na nova evangelização

Um padre benze os fiéis com uma pistola de água, ou uma metralhadora, e veste paramentos com super-heróis estampados. Passa-se no México. Deve ser isto a nova evangelização. Li no Público.




Paramento com o "Homem-Aranha". Têm de ser estudadas as virtualidades do Homem-Aranha na evangelização. É a segunda vez que dou com ele em coisas de temática cristã, ou a terceira, se contar com um texto em que João César das Neves afirma que "grandes poderes trazem grandes responsabilidades" (uma frase tirada de um dos filmes do aracnídeo). A segunda vez foi num dvd da Paulus, sobre São Paulo em Corinto. O dvd intitula-se "O Céu de Corinto". O Homem-Aranha aparece várias vezes entre a multidão que ouve o apóstolo Paulo. E também aparece no seguinte trailer, aí pelos minutos 2:29 e 2:52.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Concílio contra a musealização da Igreja


Vaticano II. 50 anos, 50 olhares
Darlei Zanon (organizador)
Paulus
240 páginas

No domingo, Bento Domingues referia no "Público" as memórias de D. Manuel de Almeida Trindade sobre a fraca preparação dos bispos portugueses no Vaticano II (aqui).

Do livro "Vaticano II. 50 anos, 50 olhares", reproduzo o que Aura Miguel escreveu nas páginas 193-194 sobre o mesmo bispo, que foi para o concílio ainda antes de ser ordenado bispo e que, fica a nota, é o autor da entrada "Bispo" da Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura (Verbo). 
Era um homem muito inteligente e sereno, interessado e atento e, sobretudo, dotado de grande humanidade. Ficou para a história a sua notável ação e firmeza como bispo, ao defender a Igreja em tempos conturbados (nomeadamente após o 25 de abril de 1974) e também como presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. 
Quando o vi pela primeira vez em Fátima, reconheci-o logo (porque era uma referência importante e aparecia na comunicação social...), mas fiquei pasmada com a sua simplicidade e o modo como passou a tratar esta (então) “jovem caloira” jornalista. Desviava sempre o seu percurso para me vir falar e - cheio de paternidade - perguntar por mim e pela minha vida. Às vezes, sentava-se um bocado a conversar, o que era sempre uma experiência extraordinária - ora chamava a minha atenção para a beleza da luz do entardecer em Fátima, ora se interessava pelo livro que eu estava a ler e, com frequência, contava episódios do Concílio Vaticano II... Gostava de sublinhar o clima de liberdade em que os trabalhos se desenrolaram desde o início e dava vários exemplos em como essa liberdade se exprimiu nas intervenções dos padres conciliares, mesmo quando tomaram rumo diferente do inicialmente previsto. Outra das recordações foi vivida logo no primeiro dia do Concílio, a 11 de outubro de 1962. D. Manuel Trindade juntou-se aos cerca de 2200 participantes numa longa fila para poder entrar solenemente na Basílica de São Pedro. Só que, para organizar este mega cortejo, tiveram todos de entrar pelas portas dos museus. Então, este bispo português, viu-se dentro daquele espaço, com enormes corredores, rodeados de milhares de obras de arte, muitas delas milenares e arcaicas, peças mudas do passado... e a sua sensação foi meio estranha, porque - concluía ele sorridente – também a Igreja é milenar mas ali estava patente que a Igreja não queria ser objeto de museu, porque aquela multiplicidade fascinante de milhares de bispos, cardeais e patriarcas dos quatro cantos do mundo caminhavam para dar início a um grande acontecimento.

domingo, 2 de outubro de 2011

Livro: "As minhas primeiras orações"




As minhas primeiras orações
Thereza Ameal
Paulus
50 páginas

Este livrinho pretende ajudar as crianças mais pequenas a dar os seus primeiros passos na oração e, de caminho, fortalecer laços entre pequenos e grandes, já que serão os pais e / ou educadores a ler em voz altas as orações.

Com ilustrações de Raquel Pinheiro, a obra contém orações “para quando estou alegre”, “em viagem”, “para quendo estou doente”, “ao levantar” e “ao deitar”, “para pedir perdão”, para “quando estou triste”, “pelos estudos”, “pelos avós”, “pelos amigos” e até “para quando os pais discutem”, entre outras situações.

Por vezes as orações incluem dinâmicas que pretendem mostrar de forma simples e prática como a oração é transformadora, pois a oração afugenta os medos, une pelo perdão, pacifica a família e até pode melhorar a atenção nos estudos.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A novidade de Marilyn intelectual - mas não para os jovens cristãos

António Tabucchi escreveu no prefácio de “Fragments”, livro que compila pequenos textos de Marilyn Monroe: “No interior deste corpo vivia a alma de uma intelectual e poeta de que ninguém tinha um pingo de suspeita”.

O livro vai sair no dia 12 de Outubro em França e a seguir em mais dez países. No “Ípsilon” de sexta-feira passada (20 de Agosto de 2010, aqui) comenta-se a obra com espanto. “Marilyn, a intelectual” é o título do texto. Parece que há uma surpresa geral sobre os gostos literários da actriz, que além de escrever poesia, lia Beckett, Joyce, Shaw, Steinbeck, entre outros. O autor do texto do suplemento do “Público” ainda refreia os ânimos ao afirmar que não é totalmente inédito o conhecimento da intelecutalidade de Norma Jean, já que em 1999 o seu exemplar de “Ulisses”, de James Joyce, foi leiloado na Christie’s, mas o tom é de admiração geral.

Ora, lendo a notícia, lembrei-me de uma pequena história lida em tempos num livro de uma editora católica. Copio-a.

Embora os estúdios cinematográficos a tenham explorado utilizando a imagem da loira tonta e explosiva, Marilyn Monroe (1926-1962) em muitas ocasiões demonstrou que era uma mulher autodidacta dotada de uma inteligência subtil. Além disso, todos ficaram surpreendidos ao descobrir quale era o seu prazer preferido: a leitura. James Joyce, Tennessee Williams, Alexandre Dumas, Truman Capote, Tolstoi, a Bíblia…

Numa conferência de imprensa, um jornalista, convencido de que aquela informação era apenas um truque, perguntou-lhe se era verdade que ela se tinha proposto para protagonizar “Os Irmãos Karamazov” numa futura versão cinematográfica.

Ela respondeu: “Não, não, não quero interpretar o papel dos irmãos, mas o de Gruchenka, a protagonista da novela”.

A história é contada em “O bom humor de homens célebres”, de Alfonso Francia, um livro com histórias de gente famosa para debater valores éticos em grupos de jovens cristãos. Esta história tinha como finalidade fazer notar a diferença entre a imagem transmitida e realidade concreta das figuras públicas. Aparência e essência. Embrulho e conteúdo.

O livro foi publicado em Portugal, pelas edições São Paulo (actualmente Paulus) em 1997, mas a edição original espanhola é de 1995. Daí que tenha de concluir: o que agora causa admiração em alguns intelectuais, já há muito tempo era do conhecimento de alguns grupos de jovens cristãos.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Falso regresso do demónio


Summa Daemoniaca. Tratado de Demonologia e Manuel de Exorcistas
José Antonio Fortea
Paulus
340 páginas

O diabo anda arredado das pregações, das homilias, das reflexões teológicas. Falou-se dele por momentos, durante o Ano Sacerdotal (Junho de 2009 – Junho de 2010), porque o Cura de Ars sentia-se assediado pelo “grappin” (algo como “arpão”, “gancho”, espécie de âncora). Mas é difícil levar alguém a sério se disser que foi tentado pelo diabo. Parece uma forma de fugir à responsabilidade pessoal, ainda que haja mal que dificilmente a liberdade humana possa justificar.
O livro “Summa Daemoniaca. Tratado de Demonologia e Manuel de Exorcistas” apresenta-se como o mais completo tratado de demonologia actualmente existente na Igreja Católica.

Escrito em pleno século XXI, pelo sacerdote espanhol José Fortea, este livro expõe, no formato de pergunta e resposta, o que se conhece acerca da natureza do diabo, do inferno, da possessão demoníaca, do exorcismo e de todos os temas relacionados. Depois de mais de uma década de trabalho e após entrevistar centenas de exorcistas de todo o mundo, o autor apresenta este ensaio sobre uma matéria dita sensível.

Baudelaire escreveu um dia que a maior astúcia do diabo consiste em ele fazer crer que não existe. Embora a frase do poeta francês seja usada contra os que não acreditam no diabo, há que dizer que grande parte dos teólogos considera a questão secundária em termos de fé. Há dias, Anselmo Borges escrevia (aqui) que o diabo não é referido no Credo. E não é mesmo, embora haja quem o veja aludido em “todas as coisas, visíveis e invisíveis”, criadas por Deus. Quanto a mim, a navalha de Ockham descarta o diabo/demónio. Não devemos multiplicar os entes onde eles não são necessários. E quanto temos explicações mais simples, não devemos complicar. O diabo/demónio é uma complicação inútil. Não é preciso o diabo e os seus demónios para explicar a maldade de que o coração humano é capaz. E as ditas possessões têm outras explicações, por vezes ainda desconhecidas.

Biblicamente – esse terá de ser sempre o ponto de partida – não há confusão entre demónios e diabo. Diabo é o tentador, o acusador. Mas nunca se fala em possessão diabólica. O diabo não possui ninguém. Os demónios possuem, mas são expulsos. E quando são expulsos, a pessoa fica curada. Biblicamente, os demónios são doenças. E se na linguagem comum usamos o termo demónio é para, de alguma forma, metaforizar o mal. Pensemos no demónio do poder. Do dinheiro. De tantos outros.

Um livro como este, quanto a mim, ao escrever, por exemplo que, quando acontece um azar, “o sacerdote deve responder que não há forma alguma de saber se por detrás desses factos que lhe refiram está ou não o demónio” (página 56), está a prestar um mau serviço a quem quer ser esclarecido. Mais confusão lança. Ao usar uma linguagem que fala de demónios íncubos e súcubos, outro exemplo, está a recuperar categorias que deviam estar nos museus do cristianismo.

O mal precisa de uma explicação. Se tem mecanismos, compreendê-los pode ser uma forma dissolvê-los para fazer sobressair o bem. Mas apelar ao demónio com tanta facilidade não é mental nem espiritualmente saudável. O maior drama pode vir precisamente da omnipresença mental do demónio. O maior mal do demónio está em que, não existindo, pode infernizar a vida de alguns.

Vídeo da apresentação do livro, em Lisboa, no dia 7 de Julho de 2010 (agradeço a Fernando Cassola, que mo indicou; um outro, entrevista, pode ser visto aqui).

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Textos de Bento XVI em Portugal em livro


Bento XVI em Portugal. Discursos e homilias
Paulinas
120 páginas




Bento XVI e Portugal. Contigo caminhamos na esperança
Paulus
184 páginas
Com a rapidez que se impunha, as duas principais editoras católicas portuguesas publicaram os discursos da viagem de Bento XVI a Portugal. Apesar de ambos os livros conterem os discursos e homilias de Bento XVI, há algumas diferenças entre eles. O primeiro a aparecer, da editora Paulinas, mais pequeno (120 páginas), além dos textos papais, inclui as saudações dos bispos portugueses proferidas nos diversos momentos e as palavras de Manoel de Oliveira no encontro do Centro Cultural de Belém.
O segundo, da editora Paulus (184 páginas), inclui o texto do decano dos cineastas mas não os dos bispos portugueses. Por outro lado, traz uma série de imagens, um DVD sobre os dias 11 a 14 de Maio e duas conferências preparatórias da visita, uma de D. João Lavrador (“A Bem-Aventurada Virgem Maria no pensamento do Papa Bento XVI”) e outra do P.e Luciano Cristino (“De Bento XV a Bento XVI: oito Papas na História de Fátima”).
A escolha certa: O livro das Paulinas. Tem o que interessa, os textos papais, e o que lhes dá contextos, os textos dos bispos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Clássicos 3 - "Imitação de Cristo", de Tomás de Kempis


“Quem Me segue não anda em trevas” (Jo 8,12). São palavras com que Jesus Cristo nos exorta à imitação da sua vida e dos seus costumes se quisemos ser verdadeiramente esclarecidos e livres de toda a cegueira espiritual. O nosso empenho deve, portanto, consistir em meditar profundamente a vida de Cristo.

Imitação de Cristo | Tomás de Kempis | Paulus, 2003, 254 páginas

Tomás nasceu em Kempen (Kempis), na Renânia (Alemanha), em 1379 ou 1380, e morreu a 25 de Julho de 1471, no mosteiro de Saint Agnetenberg, perto de Utreque (Holanda). São-lhe atribuídas cerca de 40 obras. A “Imitação de Cristo” é a mais conhecida e mais influente.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...