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domingo, 15 de janeiro de 2012

Recordando Albert Schweitzer

No "Público" de ontem, recordando o dia 14 de janeiro de 1875, quando Albert Schweitzer nasceu. Por diversos motivos (teólogo, divulgador de Bach, médico, missionário), é uma das personalidades do séc. XX que mais admiro.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

“Jesus admite que gostava da pingoleta", diz "O último segredo"


Jesus dizia de si próprio: “Veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: «Está possesso». Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: «Aí está um glutão e bebedor de vinho (…)»” (Mt 11,18).

Esta passagem serve para Tomás Noronha dizer que “Jesus admite que gostava da pingoleta e que era um valente garfo” (p. 271).

Umas páginas à frente, ficamos a saber que Jesus era um “parolo da província”, que “veio das berças”, “onde só havia pacóvios” (p. 278).

Há uma lei antiga que diz que sempre que alguém escreve sobre Jesus Cristo revela-se a si próprio. Era Albert Schweitzer quem o dizia, afirmando que não há nada mais pessoal do que escrever uma biografia de Jesus Cristo. Mostrou-o em “The Quest of the Historical Jesus”, no início do século XX. Rodrigues dos Santos refere a obra (p. 560). Mas saberá o jornalista que Schweitzer, convencido de que pouco de “científico” se poderia saber de Jesus, considerou que nada mais restava do que a dedicação ao próximo? Consequentemente, o alsaciano partiu para a selva africana, que fica um bocadinho para lá das berças, dedicando-se aos últimos do seu tempo. Isso valeu-lhe o Nobel da Paz em 1952.

O que valerá a Rodrigues dos Santos a sua cristologia? Sim, há uma. Mesmo que se trate de um romance. Falando de Jesus, há uma imagem e uma identidade de Jesus. Veremos como acaba. Para já, segundo o protagonista, a cristologia da Igreja baseia-se em fraudes inconsistentemente cosidas. Mas a que perpassa pelo livro, baseada em leituras parciais, quase de tipo  - ou talvez de técnica - fundamentalista, que acaba por revelar o que pensam o protagonista, o narrador e o autor (ok, não se pode falar de uma continuidade entre os três, dizem os académicos, mas neste caso parece-me evidente), é uma cristologia de átomos descontextualizados. De pingos. Eu diria mesmo, e digo, cristologia de pingoleta.

sábado, 12 de março de 2011

As minhas impressões sobre o livro de Ratzinger / Bento XVI sem lhe ter tocado


Ainda não li o segundo volume de “Jesus de Nazaré”, de Joseph Ratzinger / Bento XVI. E li apenas umas páginas do primeiro volume. Mas, cumprindo um célebre conselho que diz que, quando não sabemos o que escrever sobre um livro, em último recurso devemos lê-lo, quero alinhar umas linhas sobre o assunto. Afinal, já li três excertos e opiniões e análises dos que o leram, suponho que na íntegra. Ver texto que saiu no “Público” aqui, com declarações de Tolentino Mendonça, Joaquim Carreira das Neves, D. Manuel Clemente e Pedro Mexia, num texto de António Marujo.

A primeira observação tem a ver com o título. O livro devia chamar-se “Jesus Cristo” e não “Jesus de Nazaré”, porque Ratzinger diz que a interpretação histórico-crítica já deu o que tinha a dar. Ele faz uma interpretação a partir da fé eclesial, mesmo que usando um leque alargado de autores (mas quase aposto que John Dominic Crossan, por exemplo, não aparece na bibliografia; nem José Antonio Pagola ou González Faus ou Marcus Borg). Fala de Jesus Cristo, não de Jesus de Nazaré. Para isso teria que recorrer, por exemplo, à antropologia cultural e a outras ciências sociais (ex: “Os evangelhos sinópticos e a cultura mediterrânea do século I”, de Bruce J. Malina e Richard L. Rohrbaugh).

A segunda tem a ver com ambiguidade do nome do autor: Joseph Ratzinger / Bento XVI. (Ver capa aqui). Muito tem sido escrito sobre isso. Eu preferiria que o livro fosse só de Joseph Ratzinger. Começou a escrevê-los ainda não era Papa. Tolentino Mendonça diz que “o Papa não perde a liberdade de expressão teológica” (caberia acrescentar que Ratzinger várias vezes a coarctou). Mas toda a gente valoriza de forma diferente o que é ou não do Papa. Quando se fala de Papa, queiramos ou não, há uma carga de fé, igreja e sagrado que vem atrás. É sabido que Joseph Ratzinger gostaria hoje de estar a ler e a escrever na tranquilidade da sua velhice sem ter de ser o vigário de Cristo na Terra. Ele próprio o disse no livro-entrevista “Luz do Mundo”. Se, embora sendo Papa, quer expor o que pensa de Jesus Cristo – quem é que, sendo crente, não se fascina por JC? –, eu preferiria que ele deixasse obras póstumas. Considero pouco salutar a figura do “Papa que em tempos mandou nos teólogos e continua a ser teólogo”. Gera subserviência. A teologia precisa de liberdade de expressão e de investigação.

Por último (espero voltar à questão quando pelo menos folhear o livro), a crer nos comentários, Joseph Ratzinger / Bento XVI não evita autojustificação do seu modo de ver e ser ao escrever a sua cristologia. As mulheres estão praticamente ausentes do livro – dizem. É só um exemplo. Mas não estavam ausentes da vida e missão de Jesus. E, com este Papa, continuarão ausentes do essencial da direcção da vida da Igreja neste pontificado (um exemplo, a leiga que está à frente da Cáritas Internacional, o cargo eclesial mais alto com uma mulher a desempenhá-lo, vai ser substituída num processo no mínimo trapalhão).

Também a Joseph Ratzinger / Bento XVI se aplicam as célebres palavras de Albert Schweitzer, em “The Quest of the Historical Jesus” (o original era em alemão, há sensivelmente 100 anos)?: 
“Todas as épocas sucessivas da teologia foram encontrando em Jesus as suas próprias ideias e só dessa maneira conseguiram dar-lhe vida. E não eram apenas as épocas que apareciam reflectidas nele; também cada pessoa o criava à imagem da sua própria personalidade. Não há, na realidade, empreendimento mais pessoal do que escrever uma vida de Jesus”.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Filosofia?


Eu nunca falo de filosofia de «Deus», mas da universal vontade de vida que se manifesta à minha consciência de duas formas: como vontade criadora fora de mim e como vontade ética em mim.

Albert Schweitzer (1875-1965)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

14 de Janeiro de 1875. Nasce Albert Schweitzer, músico, médico, missionário, teólogo, Nobel da Paz

Albert Schweitzer nasceu em 1875, no dia 14 de Janeiro, na Alsácia (que hoje faz parte da França, mas na altura integrava o império alemão), e morreu no dia 4 de Setembro, em Lambarena, Gabão.

Formou-se em Teologia e Filosofia e tornou-se professor universitário. No início do século passado escreveu um livro sobre todas as tentativas de levar a cabo uma biografia de Jesus que ainda hoje é estudado nas faculdades de Teologia. Schweitzer estava convencido de que não é possível escrever uma biografia de Jesus, nos moldes modernos, porque este escapa a todas as categorias. E quem escreve tem tendência a projectar em Jesus os seus próprios traços e interesses. Daí que seja possível, ao longo da história, dar com um Jesus asceta, liberal, hippie, comunista, pobre, imperador, rei…

Na angústia de ser impossível chegar ao Jesus em si mesmo, Albert Schweitzer tomou uma decisão: encontrar Jesus nos mais abandonados. Quando tomou a decisão, era um professor admirado, gozava de grande prestígio e era um músico afamado. Mais tarde deixaria registadas as suas interpretações de João Sebastião Bach. São célebres as gravações de 1936-37, ainda à venda em disco (aqui, por exemplo).

Para ir ao encontro dos mais pobres, formou-se em medicina, casou-se e partiu para Lambarena, uma povoação no Gabão, em África, nos trópicos (as ilhas de S. Tomé e Príncipe ficam ao largo do Gabão).

Ao deparar-se com a falta de recursos em Lambarena, improvisou um consultório num antigo galinheiro e atendeu os doentes enfrentando o clima hostil, equatoriano, a falta de higiene, a língua que não entendia, a carência de remédios e de instrumentos. Tratava de mais de 40 doentes por dia e, no resto do tempo, ensinava o Evangelho.

Com o início da I Guerra Mundial, os Schweitzer foram levados para a França, como prisioneiros de guerra – eram alemães. Com o final da guerra, Albert retoma seus trabalhos: “Começaremos novamente. Devemos dirigir nosso olhar para a humanidade”. Recolheu fundos e, após sete anos, regressou a Lambarena com médicos e enfermeiras dispostos a ajudá-lo.

A sua acção e determinação – que as minhas palavras não mostram verdadeiramente – espantaram o mundo. E em 1952 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz.

Há uma série televisiva sobre Schweitzer. Passou em Portugal no final dos anos 80 – foi graças a ela que conheci esta grande figura. Na altura, quis ser missionário como ele. Foi uma das maiores personalidades do século XX.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Em mim e no Universo

Todos os problemas da religião se resumem finalmente num só: o Deus que se revela em mim é diferente daquele que eu adivinho no Universo. Ele revela-se como vontade ética, enquanto no Universo Ele surge-me como uma força criadora maravilhosa e misteriosa. Em mim, Ele se revela como personalidade, enquanto no Universo Ele é como uma força impessoal.

Albert Schweitzer (1875-1965)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Vontade criadora e ética

Eu nunca falo em filosofia em “Deus”, mas da universal vontade de vida que se manifesta à minha consciência de duas formas: como vontade criadora fora de mim e como vontade ética em mim.

Albert Schweitzer (1875-1965)

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...