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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

7 de fevereiro de 1778. Voltaire entra para a Maçonaria



Voltaire (1694-1778) entrou para a loja maçónica Les Neuf Soeurs de Paris, aos 84 anos, no dia 7 de fevereiro de 1778, três meses antes de morrer. Voltaire ingressou no templo maçónico apoiado no braço de Benjamin Franklin, que era então embaixador dos EUA na França (primeiro país a reconhecer a independência dos EUA). A sessão foi dirigida pelo "venerável" Mestre Lalande, na presença de 250 irmãos. O irmão Voltaire  morreu no dia 30 de maio de 1778.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

21 de Novembro de 1694. Nasce Voltaire



François-Marie Arouet, mais conhecido por Voltaire, nasceu no dia 21 de Novembro de 1694 e morreu no dia 30 de Maio de 1778. Dedicou grande parte da sua obra e vida a combater a Igreja católica. Escrevia frequentemente, mas suas mais de 20 mil cartas, ao terminar, “écrasez l’infâme”, isto é, “esmaguem a infâmia”. Embora maioritariamente anticatólica, a expressão era, por vezes, anticalvinista e antimonárquica.

Voltaire foi educado num colégio de Jesuíta, pelo que, parafraseando Umberto Eco, tinha a escola toda para ser anticatólico. Curiosamente, a neta de uma sua sobrinha viria a ser a mãe de Pierre de Teilhard de Chardin, um dos maiores jesuítas do séc. XX e grande paleo-antropólogo.

terça-feira, 3 de maio de 2011

3 de Maio de 1758. Morre o Papa Bento XIV

"Bento XIV" por Pietro Bracci

Bento XIV nasceu a 31 de Março de 1675, em Bolonha, e foi Papa de 17 de Agosto de 1740 a 3 de Maio de 1758.  Admirador da Dante, Tasso e Ariosto, foi provavelmente o Papa mais culto do Iluminismo. Com ele diminuíram as festas religiosas e foi revista a lista dos mártires. Promoveu obras de consolidação do Coliseu de Roma e proibiu que se escravizassem ameríndios. Deu a D. João V de Portugal o título “Rei Fidelíssimo”.

Em 1745, Voltaire dedicou a esta Papa, que admirava, a tragédia “Mahomet”.

Na segunda parte do seu pontificado, foi mais ambíguo, temeroso, condenando as reduções jesuítas do Paraguai e os ritos chineses e malabares, dois actos de consequências negativas para a expansão do cristianismo na América do Sul e ainda mais no Extremo Oriente.

Placa no Coliseu de Roma que recorda os Papas que contribuíram para a manutenção do edifício, entre os quais está Bento XIV

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ainda podemos falar de Deus? Editorial do "Le Monde des Religions"


Editorial de Frédéric Lenoir, director do “Le Monde des Religions”. É do início do ano, mas vale a pena ler, agora que está traduzido em português (copiei daqui), sobre a dificuldade de falar de Deus. Pode ser lido em francês aqui.

Quando foi feita a pergunta “Você acredita em Deus” a Albert Einstein, este respondeu: “Me diga o que você entende por Deus e eu te direi se creio nele ou não!” Seu interlocutor ficou calado. E por quê! Quando se diz “Deus”, de que Deus se está falando? Do Deus ao qual os astecas sacrificavam crianças? Do Deus pessoal da Bíblia que fala a Moisés e aos profetas? Do Deus de Espinosa que se identifica com a natureza? Do Grande Relógio de Voltaire? Mesmo no interior de uma tradição como o cristianismo, as imagens de Deus são inúmeras: o que há de comum entre o Pai amoroso de Jesus “que faz brilhar o sol tanto sobre os bons como sobre os maus” e o padre Fouettard do século XIX que, pela boca de muitos clérigos, ameaça o menor pecador com o fogo eterno? Entre o Deus da Madre Teresa, em nome do qual ela deu sua vida a serviço dos mais despojados, e o do Grande Inquisidor, que estava convencido de ser seu mais fiel servidor ao condenar à fogueira os heréticos? 
Diante das aberrações da religião, os “mestres da suspeita” vão desenvolver uma crítica radical de Deus e da fé. Denunciada como uma alienação intelectual por Augusto Comte, como uma alienação antropológica por Ludwig Feuerbach, como uma alienação econômica por Karl Marx e como uma alienação psíquica por Sigmund Freud, a fé em Deus é vista pelos principais pensadores do final do século XIX como a sobrevivência infantil de uma necessidade de segurança que impede o homem de atingir sua plena estatura.
Os dramáticos acontecimentos do século XX também vão dar um golpe fatal à ideia bíblica do Deus bom e todo-poderoso. Como ainda podemos crer nesse Deus providencial, que cuida de cada um, depois de 50 milhões de mortos das duas guerras mundiais? Após dezenas de milhões de mortos do Holocausto? Após Hiroshima? Após Auschwitz? “Deus morreu pendurado em uma corda por um verdugo em Auschwitz”, dirá Elie Wiesel para explicar a perda de sua fé após ter atravessado o horror dos campos de concentração. 
Ainda podemos falar de Deus no começo do século XXI? Deus ainda é crível? Alguns filósofos judeus e cristãos, como Emmanuel Lévinas ou Paul Ricoeur, tentaram redesenhar a possível figura de Deus na nossa pós-modernidade. Pois, como destacou Hannah Arendt, “não é certo que Deus esteja morto, porque sabemos tão pouco sobre sua existência [...], mas, sem dúvida, a maneira como se pensou Deus ao longo de séculos não convence mais ninguém: se alguma coisa está morta, só pode ser a maneira tradicional de pensá-lo”. Assim, a maioria dos autores “crentes” contemporâneos e posteriores à Segunda Guerra Mundial enfatiza a necessidade de repensar Deus não mais como o “Todo-poderoso”, mas como o “não-poderoso”, esse que se deixa pregar na cruz, que se apaga diante da liberdade humana. “Deus é impotente e fraco no mundo. E assim apenas está conosco e nos ajuda”, escreveu Dietrich Bonhoeffer pouco antes de ser morto pelos nazistas, fazendo assim eco às proposições de Etty Hillesum. 
Mas, a maneira que me parece hoje a mais justa para um crente para falar de Deus... é falar dele o menos possível. De retornar à posição apofática de muitos místicos de todas as religiões, que lembram que a única coisa que podemos dizer de Deus é o que ele não é. É assim que podemos compreender a desconcertante oração do Mestre Eckart que pede a Deus... para se liberar de Deus! Se quisermos tornar Deus crível em nosso mundo desencantado, mais que falar dele, os crentes deviam sobretudo viver uma experiência interior transformadora e testemunhá-lo através de uma vida alegre e amorosa. Porque, no final das contas, como escreveu o grande teólogo Hans Urs von Balthasar: “Só o amor é digno de fé”.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Cardeal de Madrid impedido de falar na universidade

O Cardeal Rouco Varela, de Madrid, tinha previsto para hoje uma conferência na Facultad de Económicas y Empresariales da Universidad Autónoma de Madrid sobre "El Dios desconocido para los españoles del siglo XXI", mas teve de desistir devido aos protestos de várias associações de estudantes e de grupos anti-sistema. Li aqui.

O caso assemelha-se ao de Bento XVI, impedido de falar na Universidade “La Sapienza”, no dia 17 de Janeiro de 2008.

É curioso como a liberdade de associação e de expressão de alguns serve para impedir a liberdade de expressão de outros. Aqui, como noutros casos, devia valer aquela célebre frase de Voltaire (cito de cor): “Posso não concordar com o que dizes, mas lutarei até ao limite para que o possas dizer”.

No caso dos grupos anti-sistema, tenho quase a certeza de que concordam com pontos de vista de Rouco Varela, não certamente na moral sexual, mas sim nas questões económicas, se tivermos em conta que a Igreja defende o destino universal dos bens, a globalização controlada, a participação dos mais desfavorecidos, a opção pelos mais pobres…

É caso para pensar que aos protestantes se pode aplicar a seguinte frase: “Até podemos pensar como o cardeal, mas lutaremos até ao fim para que ele não se expresse”.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Victor Hugo e a troca de correspondência mais breve de sempre

Recorda o “Público” de hoje, na secção “No passado”, do P2, que Victor Hugo nasceu no dia 26 de Fevereiro de 1802. Dele só li um livro sobre as últimas 24 horas de um condenado. Qual seria o título? (Era de uma biblioteca). A net diz que é precisamente “O último dia de um condenado” (1829). Mas vi vários filmes. Num deles, baseado em “Os Miseráveis”, há um admirável episódio sobre o poder regenerativo do perdão.

Jean Valejean, criminoso fugitivo, obtém acolhimento em casa do bispo. O bispo trata-o bem, mas, a meio da noite, ouvindo barulho, vai ver o que se passa e é agredido por Jean Valejean, que rouba um conjunto de talheres de prata. Passados uns dias, a guarda aparece em casa do bispo com o ladrão e pergunta se os objectos roubados são do clérigo, que responde: “Não, não são meus. São dele. Dei-lhos”.

Jean Valejean fica admirado com tal atitude (a criada do bispo lamentaria mais tarde terem de comer com talheres de madeira) e pode partir em liberdade. E é esse episódio que está na origem da transformação total da sua vida. O filme (e o livro) retrata a seguir o dinamismo social e empresarial de Valejean, até que aperece um agente do Estado que desconfia do seu verdadeiro passado…

O “Público” afirma que a propósito de “Os Miseráveis” foi trocada aquele que deve ser a correspondência mais breve de sempre. Victor Hugo queria saber como tinha sido recebido o livro e telegrafa ao editor um ponto de interrogação. Como resposta, recebe um ponto de exclamação.

Pensava eu, desde os tempos das aulas de Latim, que a carta mais breve de sempre era uma de Voltaire, como resposta a uma outra, numa espécie de concurso sobre quem escreveria a carta com sentido com menos letras.

Escreveu o interlocutor de Voltaire:
Eo rus.
Voltaire responde:
I.

Traduzindo:
Vou ao campo.
Vai.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...