As correcções, por vezes, chegavam de imediato. Uma vez, o jornal havia escrito que, numa cerimónia, em Bolonha, estava presente a sr.ª Augusta Nanni Costa – o que na realidade não havia acontecido –, a quem o Papa queria entre os participantes da Junta Directora; atribuíra aos Estados Unidos uma determinada ilha asiática; tinha visto noutra cerimónia uma personalidade de renome. Bento XV escreveu: “A sra. Nanni Costa não se encontrava nesse dia em Bolonha; a ilha pertence à Ásia; a personalidade está morta. Portanto, o «L’Osservatore Romano» outorga o dom da ubiquidade, transporta as terras de um continente para o outro e ressuscita os mortos".Lido aqui.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Bento XV e os erros do «L’Osservatore Romano»
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Mais umas farpas de José Luis Cortés
José Luis Cortés não é nada simpático para os bispos espanhóis como se pode ver pelo "dibujo" acima. E a Santa Sé (ou alguns sectores dela) também não escapa. O último desenho desta sequência é um louvor ao teólogo José Antonio Pagola e à sua cristologia. Textos e entrevistas de Pagola já apareceram nesta tribo, aqui e aqui.quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Deus escreve direito por processos tortos

É bem sabido que Deus escreve direito por linhas tortas. Este ditado que dizem ser tipicamente português, embora haja uma frase semelhante no Antigo Testamento, e muito apreciado por Yves Congar (também já ouvi dizer que era Rahner que gostava dele, relacionando-o com Portugal), vem a propósito do desenvolvimento dos processos judiciais norte-americanos que pretendem levar a Santa Sé à barra dos tribunais.
Notícias recentes dizem que o advogado William McMurry, de Louisville, pretende abandonar o processo que ficou conhecido como “O'Bryan versus Santa Sé”. Não é o advogado mais aguerrido. Este, Jeffrey Anderson, que alguns católicos vêem como “o rosto do mal” (“face of evil”, aqui), continua de pedra e cal a querer condenar o Papa no processo “Doe versus Santa Sé”.
William McMurry focava a defesa das vítimas do clero neste ponto: em vez de acusar Roma pela responsabilidade dos padres, afirmava que Roma era responsável pela supervisão negligente dos bispos locais, supondo que estes são uma espécie de “empregados” ou “agentes” do Vaticano. “Como é mais fácil ligar os pontos entre Roma e as decisões de um bispo diocesano, ao contrário de ligar os pontos entre Roma e o comportamento de um padre comum, muitos analistas sentiam que o caso O'Bryan lançava o desafio legal mais significativo para o Vaticano”, escreve John L. Allen Jr., no “National Catholic Reporter” (10-08-2010).
Ora, o abandono do processo acontece na sequência da apresentação de dois “longos memorandos” do canonista Edward Peters por parte do advogado do Vaticano, Jeffrey Lena. Os memorandos defendem a autonomia do bispo local. “Afirmar que os bispos nada mais são do que empregados do Vaticano é "contrário aos princípios básicos que subjazem à estrutura da Igreja", diz um dos documentos.
Daí que conclua John L. Allen Jr.: “Como esses memorandos foram entregues em nome da Santa Sé, eles carregam sem dúvida um status semi-oficial como expressões da política do Vaticano. A natureza da relação entre o papado e os bispos tem sido há muito tempo um ponto muito discutido, o que sugere que esses documentos possam ser levados em consideração em círculos teológicos muito tempo depois de os advogados se terem esquecido da acção judicial abandonada que os motivou”. E eu acrescento: Deus escreve direito por processos tortos.
Este texto tem por base o que li aqui.
sábado, 8 de maio de 2010
O Papa no "Público" e no "Diário de Notícias"
sábado, 19 de setembro de 2009
19 de Setembro de 1909. A Guarda Suíça volta a vestir a farda desenhada por Miguel Ângelo

Guardas suíços saúdam o cardeal português Saraiva Martins
A Guarda Suíça foi criada em 1506 para proteger o Papa Júlio II e travou uma grande batalha em 1527, mais precisamente no dia 6 de Maio, para proteger Clemente VII das tropas de Carlos V, que entram Roma para combater Francisco I. Nesse dia morreram 108 soldados e 1000 militares de Carlos V, mas o Papa safou-se.
O dia 6 de Maio é hoje o dia de admissão dos suíços bem constituídos, católicos, com escolaridade superior, de grande reputação social e sem a mínima suspeita criminal.
A farda desenhada por Miguel Ângelo voltou a ser usada a partir de 19 de Setembro de 1909 por esta guarda que tem como língua oficial o alemão. Além de em Roma (e Castel Gandolfo, suponho), os guardas podem ser vistos em Avinhão, França.
O bom diplomata
“Um bom diplomata é aquele que consegue boas relações entre o governo que representa e o governo que os cidadãos elegeram”.
D. Manuel Monteiro de Castro, ex-diplomata da Santa Sé em Espanha e Andorra
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Fim da suavidade portuguesa na nunciatura de Madrid

No blogue do jesuíta Pedro Lamet, “El alegre cansacio”, uma nota de agradecimento ao núncio D. Manuel Monteiro de Castro (aqui), que deixou a Espanha no início de Setembro para assumir o lugar de Secretário da Congregação dos Bispos.
Diz Lamet…
… que o cargo de núncio “es una reliquia de otra época, cuando el papa era un rey y tenía embajadores del Estado Vaticano”;
…que “los especialistas en Historia de la Iglesia aseguran que este sutil sistema ha sido útil para la independencia de la Iglesia”;
…que con Juan Pablo II, vinieron [para Espanha] nuncios bastante medíocres (Tarancón, me dijo de Innocenti: “Es un tonto integral”);
…que ficou com boas impressões no “par de veces” que falou com Manuel Monteiro de Castro. “Un hombre sencillo, tranquilo, con esa suavidad portuguesa y al mismo tiempo libre y templado”;
…que o bispo português “«nombró» 70 obispos";
…que “sin dejar de decirles sus verdades a los gobernantes mantuvo abiertas las conexiones con la Moncloa, cuando temas como la Cope y otros mantenían la situación al rojo vivo”;
…que Rouco [Varela, cardeal de Madrid] não gostava lá muito do português e que tinha os seus próprios vínculos com Roma;
…que "en este caso la figura del nuncio ha sido lubrificante en los engranajes demasiado endurecidos de la Iglesia española. Para esto puede servir un nuncio y es de agradecérselo a Monteiro”;
Por fim, Lamet afirma que se lhe perguntarem se os núncios são necessários responde: “Con el Evangelio en la mano, no; como no veo que el Vaticano siga siendo un Estado, ni “el siervo de los siervos de Dios”, su jefe, que con esos honores viaja y actúa en el mundo, por mucho que, afortunadamente, se haya espiritualizado social y públicamente su figura”.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Reconciliação com Galileu
Em pleno Ano da Astronomia, a Santa Sé apresentou o seu programa de iniciativas para assinalar o ano da astronomia, centrado na figura de Galilei. Ler aqui. Mas a reconciliação ainda não estava feita?
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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A fé começa precisamente onde o pensamento acaba. Kierkegaard
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...





