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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O padre-anjo não tem asas

Falou-se em “padre-anjo” e em “sinal do céu”, “mistério da auto-estrada” e “milagre”. Em breves palavras: auto-estrada nos EUA, um embate entre automóveis e uma jovem que é assistida por um padre.

A notícia da Rádio Renascença titulou: “Padre aparece do nada para rezar com vítima de acidente e depois desaparece”. Copio dois parágrafos (daqui):
O sacerdote rezou com Katie e abençoou-a com os santos óleos que tinha consigo. Depois retirou-se de cena e deixou os trabalhadores voltar à acção. O carro foi virado e Katie evacuada por helicóptero para um hospital, onde está a recuperar bem. 
 Alguns dos socorristas já tinham estranhado a presença do sacerdote no local, tendo em conta que a estrada estava cortada em mais de um quilómetro em ambas as direcções, mas o mistério adensou-se quando no final das operações começaram a procurar o padre para agradecer a sua intervenção, mas não estava em lado nenhum.
Inicialmente pensou-se que teria partido para ir celebrar na única Igreja católica nas redondezas, mas então perceberam que não se tratava do pároco local e a comunidade católica não sabia de nada. Então, procuraram nas cerca de 70 fotografias que tinham sido tiradas ao longo da operação de socorro, mas o padre não aparece numa única imagem.
O assunto, depois do burburinho durante dias, naturalmente saiu da cena mediática. Mas não sem antes terem feito um retrato-robô do misterioso padre, que tantos comentários gerou na apologética angélico-sacerdotal.

Retrato-robô do padre-anjo (tirei daqui)

Hoje, ao receber um mail com a notícia do mistério do "padre-anjo", resolvi procurar se o enigma continuava. E não continua.

Padre Patrick Dowling

Não sei se a Renascença deu notícia de terem encontrado o padre misterioso, mas cá vai: Padre Patrick Dowling, da Diocese de Jefferson City, no Missouri. Li no Huffington Post (aqui). Espero não ter estragado nenhuma homilia.




quarta-feira, 21 de setembro de 2011

21 de Setembro de 1823. Joseph Smith é visitado pelo anjo Moroni

Anjo Moroni no templo de Idaho, EUA


Segundo a história do mormonismo, no dia 21 de Setembro de 1823, Joseph Smith foi visitado pelo anjo Moroni, que lhe disse onde estavam as placas de ouro que viriam a estar na origem do Livro de Mórmon - o livro sagrado do Movimento dos Santos dos Últimos Dias ou mormonismo.

sábado, 6 de agosto de 2011

Paulo on the beach

Há tempos, na praia, ouvi a seguinte conversa entre dois adolescentes:
- "Penso, logo existo". Jean-Paul Sartre.
- Não é Sartre, é Sócrates.
Muito me admirou o conhecimento do nome Jean-Paul Sartre.


Ontem, encontrei a seguinte imagem algures na rede. Há quem diga que Shakespeare foi católico (aqui). Talvez nalgum ponto da sua obra cite S. Paulo. Intriga-me o significado do segundo W. 

domingo, 29 de maio de 2011

"Eis os invisíveis", segundo Miguel Esteves Cardoso



É um grande pecado não ver as essas que são visíveis. As pessoas que lavam as casas de banho; que pintam os muros da praia; que limpam as ruas. Ou os velhos e as criancinhas que passam por nós.
São pessoas invisíveis, a quem não falamos, que são o anjo Elias entre nós, os outros eus de Levinas; os convidados inesperados que, se dermos por eles e nos lembrarmos deles, hão-de ajudar a salvar as nossas pobres e comprometidas almas.


Miguel Esteves Cardoso no “Público” deste domingo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Uma questão de verdade

A Joana, de seis anos, tinha medo do escuro e não queria dormir sozinha. Antes de adormecer, a mãe assegurava que o anjo da guarda vigiava por ela durante toda a noite.
Certa noite, porém, a Joana entrou no quarto da mãe e acordou-a:
- Mãe, eu sei que o anjo está sempre comigo no quarto, mas mesmo assim preciso de alguém de verdade!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

29 de Dezembro de 1926. Morre Rainer Maria Rilke

Rainer Maria Rilke, poeta, escritor, crítico, nasceu no dia 4 de Dezembro de 1875, em Praga (que então fazia parte do Império Austro-Húngaro), e morreu no dia 29 de Dezembro de 1926, em Raron (Valais), Suíça, onde está sepultado. Morreu de leucemia. O epitáfio, da sua autoria, diz em alemão: “Rosa, ó contradição pura, prazer de ser o sono de ninguém debaixo de tantas pálpebras”.

Nome maior da literatura de língua alemã, Rilke escreveu, entre outras obras, “As elegias de Duíno”, “O Livro das Horas” (que muito influenciou Etty Hilessum), as “Cartas a um Jovem Poeta” e as “Histórias do Bom Deus e outros textos” (contos).

Rilke foi educado como católico, mas durante a adolescência revoltou-se contra a fé católica, escrevendo poemas anticristãos. Mais tarde, pelos menos na sua escrita, nas “Histórias do Bom Deus”, reconcilia-se com a fé cristã, mostrando a interdependência entre ser humano e Deus, a fraternidade, a humildade, a compaixão pelos pobres e explorados.

Nas “Elegias”, obra maior, medita sobre a existência humana. A transcendência não está ausente. Primeiros versos:

Se eu gritar, quem poderá ouvir-me, nas hierarquias
dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse
para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua
natureza mais potente. Pois o belo apenas é
o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,
e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha
destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O espanto do anjo

O editor de Cultura do semanário católico “America Magazine” (aqui), James Martin, s.j., reflecte sobre o Natal a partir de duas imagens do escultor Marco Romano (séc. XIV), que estão na Basílica de São Marcos, em Veneza. Estão lá as duas esculturas, na Capela do Tesouro, mas uma longe da outra. Já lá entrei e não me lembro de as ver, sequer. Na imagem acima podemos vê-las juntas, o que torna a mensagem mais explícita.

Nunca tinha pensado no espanto do anjo. Maria perguntou: “Como será isso?” O anjo, sem baixar as asas e sem saber bem o que dizer, recorre ao último argumento, que na minha Bíblia até vem em itálico: “Nada é impossível a Deus”.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Anjo caído

Há dias o Equinócio de Outono (aqui, ver dia 28/11/10) "postou" uma quadro magnífico sobre o anjo da guarda. Chama-se "Anjo ferido". Foi pintado em 1903 por Hugo Simberg (1873-1917). O pintor com certeza teria em mente aquelas representações clássicas do anjo da guarda. Os amigos são para as ocasiões.


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Que Ele não me mande visões


Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso de conhecer tanto para esta vida quanto para a que há-de vir.

Martinho Lutero (1483-1546)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O anjo do colesterol

“The Angel of Cholesterol”, 2010

Alexander Kosolapov é um artista russo (Moscovo, 1943). Vive em Nova Iorque desde 1975. Os temas das suas obras são o Mickey-Leninisno (cabeça do Rato Mickey no corpo de Lenine), Jesus Cristo a dizer num cartaz da Coca-Cola “This is my blood” e num cartaz da McDonald’s “This is my body”. Do comunismo ao consumismo num ápice. As letras são as mesmas. Mas o trabalho que prefiro é “O Anjo do Colesterol”.

domingo, 13 de junho de 2010

Deus, os anjos, Bach e Mozart


Se existe alguém que deve tudo a Bach, esse alguém é Deus.
E. M. Cioran (1911-1995)

Adora-se Bach e acredita-se nele, sem se supor um só instante que a nossa divindade possa alguma vez ser posta em questão; um herético faria horror e seria mesmo impedido de se pronunciar. Bach é Bach, como Deus é Deus.
Hector Berlioz (1803-1869)

Deus escuta certamente a voz de Bach como se ouve uma voz íntima e querida.
Jules Roy (1907-2000)

Quando vós escutais Bach, vós vedes germinar Deus.
E. M. Cioran (1911-1995)

Eu não tenho a certeza de que os anjos, quando glorificam a Deus, toquem música de Bach. Pelo contrário, tenho a certeza de que, quando estão entre si, tocam Mozart, e que Deus gosta particularmente de os ouvir.
Karl Barth (1886-1968)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Um rico chega ao reino dos céus e...

Era uma vez um homem rico que estava moribundo. Tinha um grande desgosto porque trabalhara duramente para ganhar o seu dinheiro e gostaria de poder levá-lo consigo para o céu. Assim, começou a rezar para poder levar um pouco da sua riqueza.
Um anjo ouviu as suas preces e apareceu-lhe.
- Lamento, mas não podes levar a riqueza contigo.
O homem implorou ao anjo que falasse com Deus para saber se Ele poderia contornar as regras.
O anjo reapareceu e anunciou que Deus tinha decidido abrir uma excepção e que o deixaria levar uma mala de viagem. Cheio de alegria, o homem foi buscar a sua maior mala, encheu-a de lingotes do mais puro outro e colocou-a ao lado da cama.
Pouco depois, morreu e chegou às portas do paraíso.
Ao ver a mala, São Pedro disse:
- Um momento, não podes trazer isso para cá!
Mas o homem explicou a São Pedro que tinha autorização e pediu-lhe que confirmasse a sua história com o Senhor.
Como não podia deixar de ser, São Pedro voltou e disse:
- Tens razão. Podes trazer uma mala, mas eu tenho de verificar o conteúdo antes de a deixar passar.
São Pedro abriu a mala para inspeccionar os artigos mundanos que o homem considerava demasiado preciosos para deixar para trás e exclamou:
- Trouxeste pavimento?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

"Gratia Plena"

Escreve Maria João Avillez na página 113 da “Sábado” (2 a 8 de Julho de 2009):

“Segunda-feira, 29

Seria a mão do anjo, tão decisivamente interpelativa no seu anúncio? Seria o fulgor imperativo daquele gesto? A posição de Maria, sobre si mesmo sobrada de espanto a um canto do desenho? O sussurro do extraordinário diálogo que ali se operava? A espessura daquele segredo, o voo daquela pomba? Ainda hoje não sei. Só sei que, mal abri o pequeno catálogo desta exposição de Rui Sanches (Gratia Plena, na galeria João Esteves de Oliveira), telefonei de um avião pestes a descolar para a Turquia e disse ao João que o desenho tinha de ser para mim. Como se a mão erquida do anjo me tivesse também interpelado e de algum modo eu me visse subitamente envolvida na evocação do indizível mistério da Anunciação. Rui Sanches não sabe mas fui, de certeza. Agora o anjo vive connosco, mas é também comigo que ele fala, de uma das paredes cá de casa”.

O desenho não ilustra a opinião de M.J. Avillez, mas as palavras certas no Google permitem encontrar o grão de areia no meio da praia. Estava aqui.

sábado, 13 de junho de 2009

Rumores

Na «Sábado» de 9 de Junho de 2009, num texto sobre aventureiros que estiveram muito perto de morrer. Talvez as situações tenham explicações neurológicas, como adianta o escritor John Geiger. Mas não deixam de remeter para aquele velho quadro do anjo a ajudar a criança a atravessar uma ponte em ruínas.

“Filipe refugiou-se em Deus para vencer a montanha. Mas há casos diferentes. Várias pessoas que estiveram entre a vida e a morte relatam o aparecimento de uma força misteriosa que os ajudou a sobreviver. O norte-americano John Geiger juntou os testemiunhos no livro «Factor Terceiro Homem», publicado há poucas semanas.

Ron DiFrancesco, corretor do mercado bolsista, estava no 84.º andar da torre sul do World Trade Center quando o avião da United Airlines embateu no edifício, a 11 de Setembro de 2001. Ao tentar descer as escadas, foi barrado por uma parede e por uma nuvem de fumo no 80.º piso. Sentiu que alguém o chamava: “Levanta-te! Tu consegues!”, ouviu. “Não era só a voz, também senti uma presença física”. O corretor diz que “um anjo” o encaminhou por entre o fogo e o fumo, indicando-lhe a saída. Foi a última pessoa a sair com vida da torre sul, segundos antes do desabamento.

O lendário explorador da Antárctida Ernest Shacleton também escreveu que foi guiado por um “terceiro homem” na sua cruzada impossível pela cordilheira gelada da Geórgia do Sul, em 1916. E o americano Joshua Slocum, o primeiro explorador a concretizar uma viagem de circum-navegação solitária em 1895, referiu a sensação de que tinha estado “na presença de um amigo e marinheiro experiente” que comandou o barco nas 48 horas em que esteve imobilizado”.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...