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domingo, 24 de março de 2013

Muito cristianismo para ler no "Público" de hoje

Capa do "Público" de hoje, 24 de março de 2013

No "Público" de hoje são imensos os textos de interesse para quem anda na órbita cristã. Vejamos, a começar pelo caderno principal:
- nas páginas 8 a 11, há uma entrevista a Tolentino de Mendonça. "A Igreja não precisa só de correção, precisa de inspiração";
- na página 28, fala-se do encontro entre os dois Papas. "Dois Papa estiveram juntos, algo nunca visto na História da Igreja". Bonifácio VII, se viu Celestino V, foi para o mandar prender;
- na página 53, surge a crónica de Bento Domingues, "Semana das alianças malditas";
- na página 54, Portocarrero de Almada critica os que olham para os sapatos do Papa e conclui que "qualquer que seja a sandália do pescador, são sempre «formosos os pés dos que anunciam o Evangelho»".

Na revista 2, sem contar com o texto sobre António Borges (que é católico, mas julgo que esse aspeto não terá destaque nas oito páginas sobre o liberal) há:
- Bárbara Reis a dizer que "coragem" vem de "coração" e que "já todos percebemos - religiosos e ateus - que vamos ouvir este Papa" (pág. 4);
- o fotógrafo Sérgio B. Gomes diz que numa foto de uma senhora a rezar em Los Angeles vê mais religião e fé do que numa centena de fotografias de fiéis no Vaticano (pág. 11);
- nas páginas 20 a 27, uma reportagem sobre Jorge Mario Bergoglio em Buenos Aires. A capa do caderno principal remete para esta peça assinada por Ana Cristina Pereira.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Valores construídos e sedimentados no culto de uma imagem de um homem despido

O provedor do leitor do DN, Óscar Mascarenhas, escreveu ontem sobre a queixa que uma foto da guerra civil na Síria provocou:
Queixa-se a leitora de que a fotografia é "chocante". O facto de uma imagem ser "chocante" não deve impedir a sua publicação. Não é a primeira vez que aqui digo que vivemos, nesta sociedade ocidental, numa civilização cujos valores foram construídos e sedimentados no culto de uma imagem de um homem despido, torturado e morto numa cruz. Essa imagem tem lugar de relevo em muitos lares e templos, aparece a balançar nos espelhos retrovisores de inúmeras viaturas, enfim, é omnipresente - e ninguém a manda retirar por ser "chocante".
Ler tudo aqui.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

É de ir aos azeites


Capa do "i" de hoje. O gráfico estava inspirado para pôr uma garrafa de azeite no lugar de Nossa Senhora. Pessimamente inspirado. É capaz de ofender alguém. Mas o que irrita, em primeiro lugar, é a falta de inteligência numa imagem destas, o mau gosto, a cedência à facilidade.


De resto, Fátima há muito que está nos mundo dos negócios. E o azeite, ao contrário do que o título na primeira página pode dar a entender, não tem nada a ver com os 17,2 milhões de euros de 2005.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Francisco de Sales, pacífico até ver



O dia 24 de janeiro foi dia de Francisco de Sales (1567-1622), o prolífico bispo de Genebra que é patrono dos jornalistas e escritores cristãos. Nesse dia o Papa deu a conhecer a mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2012 (este ano a 20 de maio), “Silêncio e palavra: caminho de evangelização”. Pode ser lida aqui.
Na cidade reformada de Genebra, um dia Francisco de Sales viu a sua mansidão ser confrontada por um pastor protestante: 
- Se recebesse uma bofetada, o que faria?
O bispo respondeu: 
- Sei perfeitamente o que deveria fazer, mas não sei se o faria.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Bento XV e os erros do «L’Osservatore Romano»

Bento XV controlava cada aspecto da vida da Santa Sé. Um dos seus hábitos consistia em assinalar os erros do “L’Osservatore Romano”. Relata o director de então do diário da Santa Sé, o conde Giuseppe Dalla Torre:
As correcções, por vezes, chegavam de imediato. Uma vez, o jornal havia escrito que, numa cerimónia, em Bolonha, estava presente a sr.ª Augusta Nanni Costa – o que na realidade não havia acontecido –, a quem o Papa queria entre os participantes da Junta Directora; atribuíra aos Estados Unidos uma determinada ilha asiática; tinha visto noutra cerimónia uma personalidade de renome. Bento XV escreveu: “A sra. Nanni Costa não se encontrava nesse dia em Bolonha; a ilha pertence à Ásia; a personalidade está morta. Portanto, o «L’Osservatore Romano» outorga o dom da ubiquidade, transporta as terras de um continente para o outro e ressuscita os mortos".
Lido aqui.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Raio x à imprensa católica portuguesa



Do jornal "i" do sábado passado. Parece um estudo útil para a imprensa regional católica. Haja responsáveis eclesiais que o leiam.

domingo, 28 de agosto de 2011

Velho Testamento

A jornalista Felícia Cabrita respondeu ao inquérito da "Pública" (28-08-2011). Eis uma pergunta / resposta:
- Quando quer impressionar, que escritor cita?
- O Velho Testamento. Até eu fico impressionada!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Livro-entrevista de Benedikt XVI.

Mais de 90 perguntas, divididas em três partes: assuntos da actualidade, um balanço dos primeiros anos de pontificado e questões fundamentais sobre o futuro da Igreja e da fé.

No original, intitula-se "Licht der Welt. Der Papst, die Kirche und die Zeichen der Zeit", ou seja, "Luz do mundo. O Papa, a Igreja e os sinais dos tempos". Curioso: o ponto final na capa, a seguir ao nome do Papa.

O livro tem 284 páginas e será apresentado no dia 23 de Novembro, no Vaticano.

Durante seis dias, de 26 a 31 de Julho de 2010, em Castel Gandolfo, o Papa respondeu durante uma hora por dia às perguntas do jornalista Peter Seewald, que já o havia entrevistado para o jornal “Süddeutsche Zeitung” e em dois livros de 1996 e 2000 (em Portugal: “O Sal da Terra. O Cristianismo e a Igreja Católica no limiar do Terceiro Milénio”, ed. Multinova, 1997; e “Deus e o Mundo. A Fé Cristã Explicada por Bento XVI”, ed. Tenacitas, 2006).

"Todos serão surpreendidos por encontrar um Ratzinger tão disponível e tão aberto", explicou o jornalista na Feira de Frankfurt. O Papa respondeu directamente a uma grande quantidade de perguntas, sem querer conhecê-las antes: a hipótese de renúncia, o Concílio, mas também as causas e os "encobrimentos" do escândalo da pedofilia, o caso do negacionista Williamson, o perigo de um "cisma" na Igreja, até a possibilidade de um diálogo "genuíno" com o Islão.

No livro, Bento XVI fala do sentido da "infalibilidade" do Pontífice, mas reflecte também sobre os erros que podem ter sido cometidos pela Igreja e também pelo Papa, admitindo que, na “lectio magistralis” de Regensburg – que desencadeou polémicas no mundo muçulmano –, pretendia fazer um discurso académico, científico, e não havia previsto que as palavras do Papa seriam lidas como um discurso político.

Responde ainda a questões típicas dos contemporâneos, explicando as posições da Igreja sobre o celibato dos padres, o "não" à ordenação feminina, a homossexualidade, a contracepção, o uso de preservativos e a SIDA, a comunhão aos divorciados de segunda união e assim por diante. Com uma preocupação acima de todas: o futuro da Igreja, chamada a renovar-se e a ocupar-se essencialmente da verdade do Evangelho, e o anúncio de Deus ao nosso tempo.

Texto do "Corriere della Sera" adaptado a partir daqui.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Leituras matutinas: Ian McEwan fala de Deus


Excerto da entrevista de José Rodrigues dos Santos a Ian McEwan em “Conversas de escritores” (Gradiva), pág. 34.

José Rodrigues dos Santos – Não acredita que Deus existe?
Ian McEwan – Acreditaria se tivesse alguma prova. Não vejo razão para acreditar. Penso que o mundo é tão maravilhoso e tão estranho que quero ver até onde chegamos sem explicação do sobrenatural.

JRS – E se Deus é natural e não sobrenatural?
IM – Então teremos de modificar a nossa ciência para o integrar. Todavia, neste momento não há nada que sugira que a oração funciona. Muitas crianças adoecem e morrem, apesar de todas as orações dos pais. Perguntaram um dia a Bertrand Russell, um ateu famoso, o seguinte: “O que aconteceria se ao morrer descobrisse que Deus existe? O que Lhe diria?” E Bertrand Russell respondeu: “Dir-lhe-ia: não chega como prova, meu caro”. Aí está.


Perplexidades: Se tivesse provas, ainda se tratava de acreditar? O específico de Deus é dar explicação ao mundo? Deus natural? (Esta merece um Nobel da Teologia - deve ter a ver com "A fórmula de Deus"). A oração não funciona em relação a “muitas crianças”? E em relação às outras? A eficácia da oração é um argumento? (Talvez para um Deus muito sacrificial e utilitário). A resposta de Russell às vezes parece-me inteligente (dizia Agostinho: Trabalha como se Deus não existisse, reza, porque Deus existe). A existência não é prova da existência. Outras vezes, acho que não percebi.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Fracturante e católico não conjugam

Li no DN Gente (de sábado passado), nas declarações de São José Almeida (que é jornalista do “Público”), que o qualificativo “fracturante” é uma “disparate conservador”. “É um daqueles rótulos do conservadorismo, uma expressão que apareceu pela primeira vez no Expresso, e que creio que veio do gabinete de Guterres. Usa-se quando são coisas que mexem com o modelo de vida que é associado ao catolicismo”, diz São José Almeida, que escreveu um livro sobre a vida dos homossexuais durante o Estado Novo.

É curiosa a associação entre “fracturante” e “católico”. Não vou agora dizer o que penso de “fracturante”, “conservadorismo” e “catolicismo”. Mas fica apontado o contaste. Fracturante quer dizer que causa divisão, sectário. Católico quer dizer precisamente o contrário, universal, lugar para todas as tendências e mentalidades, opiniões, orto e homo e heterodoxias. Um católico fracturante é um oximoro. Mas compreendo o que a jornalista quer dizer.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Inspirações: As eleições são como a confissão

"A democracia tem a mesma função da confissão católica: lava-nos os pecados passados. Com eleições ganha-se uma virgindade nova".

Ferreira Fernandes no DN de ontem (25 de Maio)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Polémica sobre os dinheiros da Igreja católica italiana

A revista "Visão" traz hoje uma entrevista a Curzio Maltese, um jornalista do "La Reppublica" que publicou primeiro uma série de artigos sobre os dinheiros da Igreja, em especial no que diz respeito ao "8 por mil" que os cidadão italianos assinalam na declaração de impostos, e a seguir um livro, "La Questua" (a revista portuguesa diz que é "A recolha de esmolas", mas é capaz de ser algo como "O peditório" ). O livro mereceu uma resposta de um jornalista do "Avvenire" intitulada "La Vera Questua".

Os artigos do "La Reppublica" podem ser lidos aqui. A resposta ao livro por parte do jornalista do "Avvenire" (o jornal oficioso da Igreja Católica) pode ser lida aqui.

Do que eu li, pareceu-me que Curzio Maltese é um pouco confuso e errático - em diversos sentidos - embora, com certeza tenha críticas válidas. Chega a falar dos 150 anos das aparições de Fátima (começaram em 1917) e fala de Roger Dawkins (em vez de Richard Dawkins), por exemplo. Na entrevista da "Visão", diz que só 20% do que a Igreja recebe no imposto do 0,8 % vai para caridade. Ora, 20% é um número alto em qualquer parte do mundo.

Para uma leitura mais breve e crítica, compare-se o que diz a investigação do "La Reppublica" e os dados do "Avvenire" consultando o quadro final de "La Vera Questua", aqui (ver final do pdf).

Em Portugal poderíamos igualmente dizer que a Igreja custa mais do que toda a classe política. Bastaria somar tudo o que o Estado dá às instituições sociais que pertencem à Igreja. Ou seja, no fundo, dá à Igreja (segundo um estudo recente da UCP, mais de 50% do financiamento das instituições sociais ligadas à Igreja vem do Estado), ainda que depois a Igreja dê às pessoas. Mas se disséssemos isso, esqueceríamos que a Igreja faz o mesmo que as instituições que pertencem ao Estado, mas por uma terça parte do dinheiro. Se for o Estado a fazer, custa três vezes mais. Ou seja, fica mais barato para o Estado dar do que fazer. Por outro lado, o financiamento do Estado é sempre apenas uma parcela do auxílio social da Igreja. O resto chega por intermédio das comunidades em que se insere a instituição e por dinamizações próprias das instituições sociais.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Irritações de João Adelino Faria e Fernanda Câncio

Mais dois artigos da imprensa escrita de hoje: as opinião de João Adelino Faria no "Diário Económico" e a de Fernanda Câncio no "Diário de Notícias".

A ligeira irritação do primeiro (os repórteres, mesmo os câmaras, têm de entrar de fato para filmar o Papa no Vaticano) parece-me ter razão de ser. Também me irrita, por exemplo, que para visitar a Basílica de São Pedro, no calor abrasador de Agosto - e igualmente no frio - as senhoras tenham de ir de ombros cobertos e de pernas pouco à mostra. O que se resolve com uns ridículos trapinhos que os seguranças dão à entrada.

As irritações da segunda baseiam-se num erro. Laicidade do Estado significa respeito pela liberdade religiosa e neutralidade do Estado face à crença de cada cidadão. De acordo. Mas não significa que o Estado não se mete em assuntos religiosos. Ou que o Estado não tem nada a ver com a religião dos seus cidadãos. Fernanda Câncio traduz nisso o princípio, mas traduz mal. O Estado pode e deve, dentro do Direito, apoiar os cidadãos nas suas crenças quando isso for legítimo. O contrário seria um vácuo completo, impossível, aliás, e no mínimo causador de inquisições de sinal laico - coisa que Fernanda Câncio faria com tanto gosto, como tem vindo a fazer nas páginas do DN.

No caso em concreto, será excessiva a tolerância de ponto? Até posso pensar que sim. Eu gosto de Bento XVI e trabalharei nesses dias. Mas a tolerância é uma possibilidade, não uma obrigação. Espero que muitos serviços públicos estejam abertos por haver cidadãos que não vão a Lisboa, Fátima ou Porto ver o Papa. Espero, provavelmente com ingenuidade, que quem não for ver o Papa vá trabalhar. Quer no público, quer no privado. E independentemente dos efeitos económicos da tolerância.

Por outro lado, não deixa de ter piada que a tolerância concedida pelo governo português tenha conseguido pôr sindicatos e patrões de acordo. Ambos contra a tolerância. Mérito de Bento XVI.

terça-feira, 13 de abril de 2010

"Vaticano absolve Beatles"

A notícia vem no "Jornal de Notícias" de hoje. Tem piada a linguagem da imprensa. O Vaticano e o Papa estão sempre a condenar ou a absolver tudo. Não dão uns passos sem condenar ou absolver três ou quatro coisas de repente.

E ainda mais piada tem a suspeita de que a absolvição dos Beatles surge para desviar a atenção do fogo cruzado sobre o Papa. A Igreja não tinha nada mais importante para absolver?

É preciso não esquecer que, para o jornal oficial do Vaticano, os Beatles já há algum tempo que são os melhores. Aqui.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Patrono dos jornalistas e escritores católicos

Francisco de Sales é padroeiro dos jornalistas e escritores católicos, mas não foi jornalista. Foi bispo. Nasceu no castelo de Sales, na Sabóia (França), a 21 de Agosto de 1567. E morreu no dia 28 de Dezembro de 1622, em Lyon. Aos 32 anos foi nomeado bispo de Genebra (Suíça), uma cidade difícil por ser a pátria do calvinismo. Como bispo, distinguiu-se por ter fundado a Ordem da Visitação (com Joana Francisca de Chantal) e pelas suas palavras escritas. “Introdução à Vida Devota” é o seu livro mais conhecido. Este “manual de vida cristã” teve durante a vida do autor mais de 40 edições. Um grande sucesso, tal como os seus 4 mil sermões e 21 mil cartas.

A popularidade de Francisco de Sales deveu-se com certeza ao seu optimismo perante a vida. Os protestantismos, quer o luterano quer o calvinista, são pessimistas sobre a condição humana. Ora, Francisco de Sales realçou a dignidade humana, talvez por ter tido uma visão do inferno aos 18 anos e se ter agarrado à fé para a ultrapassar o desespero de se sentir condenado. Como alguém disse, no seu ministério, soube conjugar o “fundo evangélico” com os “ideais renascentistas que valorizavam a pessoa humana como sede de sabedoria”.

É de Francisco de Sales uma frase muito citada: “A medida do amor é amar sem medida”. E foi ele o primeiro santo a ser canonizado na Basílica de São Pedro (1662), tal como nele se inspirou João de Bosco para criar a congregação salesiana.

No início de 1923, por ocasião do terceiro centenário da morte, foi proclamado patrono dos jornalistas e dos escritores cristãos por Pio XI, na encíclica “Rerum Omnium”. Escreve o Papa: “É nosso desejo que os maiores frutos deste solene centenário sejam alcançados pelos jornalistas e escritores que expõem, difundem e defendem as doutrinas da Igreja. É necessário que, nos seus escritos, imitem e mostrem permanentemente aquela força misturada com moderação e caridade que era característica tão especial de São Francisco de Sales”. Força, moderação e caridade. O jornalismo continua a precisar destas qualidades.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...