quarta-feira, 20 de março de 2013
Passado e mudança
Francisco Van Thuan
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Autossatisfação
Fracnisco Xavier Nguyen Van Thuan
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Impulso
Francisco van Thuan, "O Caminho da Esperança" (Paulinas), pág. 143.
sábado, 30 de julho de 2011
Liderança
Quando assumires responsabilidades de liderança, lembra-te que, mesmo depois de teres realizado com êxito a tarefa confiada, deves continuar a considerar-te servo inútil e a reconhecer que ainda tens muitas falhas e defeitos. E não te surpreendas nem aborreças quando a reacção aos teus esforços for apenas incompreensão e ingratidão.
F. X. Nguyen van Thuan (1928-2002)
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
O segredo para um robô não fazer melhor

Aos olhos de Deus, a acção sem a oração é inútil: um robô poderia fazer melhor do que tu.
A oração é o fundamento da vida espiritual. Quando rezas, entras em comunicação com Deus, como uma lâmpada que resplandece porque está ligada a um gerador de corrente.
Tu crês que a oração é omnipotente, não é verdade? Considera as seguintes palavras do Senhor: “Digo-vos pois: pedi e ser-vos-á dado, procurai e achareis, batei e hão-de abrir-vos” (Lc 11,9). Poderá alguma companhia de seguros dar melhor garantia do que estas palavras do Senhor?
O segredo para alimentar a vida cristã é rezar. Não acredites em quem não reza, mesmo que faça milagres.
Francisco Xavier Naguyer Van Thuan, adaptado de "O Caminho da Esperança" (ed. Paulinas)
Foi nomeado bispo de Ho Chi Minh (Saigão), Vietname, em 1975, tendo sido preso passados poucos meses. Passou 13 anos na prisão, nove dos quais em isolamento. Em 1994, foi nomeado vice-presidente e mais tarde presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz. Morreu em Roma, no dia 16 de Setembro de 2002. Está a decorrer o seu processo de beatificação.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Isto anda tudo ligado

Eduardo Guerra Carneiro dizia que isto anda tudo ligado (“Isto Anda Tudo Ligado”, título de livro de poesia, 1970). Lembrei-me dele, embora não conheça a sua poesia. Lembro-me da sua morte, em 2004, e da referência à sua obra nas páginas dos jornais. Lembrei-me dele por dar com uma alusão de João Paulo II, num dos volumes autobiográficos, ao cardeal vietnamita que tenho evocado neste blogue. Na pág. 168 de Levantai-vos! Vamos!” (D. Quixote), João Paulo II escreve:
“No memorável ano jubilar, [Francisco Xavier Nguyen Van Thuan] pregou o retiro para nós, no Vaticano. Em 18 de Março de 2000, agradecendo-lhe as meditações por si dirigidas, disse-lhe: «Ele próprio, testemunho da Cruz nos longos anos de cárcere no Vietname, contou-nos frequentemente factos e episódios do seu doloroso cativeiro, reforçando-nos assim na consoladora certeza de que, quando tudo se desmorona em torno de nós e talvez também dentro de nós, Cristo permanece um amparo indefectível»”.
Imagem: João Paulo II com Van Thuan
terça-feira, 28 de julho de 2009
A história do velho Jim
Escreve Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, recordando-se dos tempos que passou na prisão:“Ali houve dias em que, reduzido ao maior cansaço, à doença, não consegui rezar uma única oração!
Vem-me à lembrança uma história, a do velho Jim. Todos os dias, às doze horas, Jim entrava na igreja, não mais do que dois minutos, depois saía. O sacristão era muito curioso e, um dia, deteve Jim e perguntou-lhe:
- Porque vem aqui todos os dias?
- Venho para rezar.
- Impossível! Que oração você pode fazer em dois minutos?
- Sou um velho ignorante, rezo a Deus à minha maneira.
- Mas o que é que você diz?
- Digo: Jesus, eis-me aqui, sou o Jim. E vou-me.
Passam os anos. Jim, sempre mais velho, doente, entra no hospital, na enfermaria dos pobres. Parece que Jim vai morrer depressa. O padre e a freira enfermeira estão perto de sua cama.
- Jim, diga uma coisa: porque é que, desde que você entrou nesta enfermaria, tudo mudou para melhor, e as pessoas ficaram mais contentes, felizes e amigas?
- Não sei. Quando eu posso caminhar, vou aqui e ali, visitando a todos, saúdo toda a gente, chamo toda a gente, faço-os rir, faço-os felizes. Com o Jim estão todos sempre felizes.
- Mas porque é que você é feliz?
- Vocês, quando recebem uma visita todos os dias não se sentem felizes?
- Certamente. Mas quem é que o visita? Nunca vimos ninguém.
- Quando entrei nesta enfermaria pedi duas cadeiras: uma para você e outra para o meu visitante, não vêem?
- Quem é o seu visitante?
- É Jesus. Antes eu ia à igreja visitá-lo, agora já não posso. Então, às doze hoiras, Jesus vem.
- E o que é que Jesus lhe diz?
- Diz: Jim, eis-me aqui, sou Jesus…
Antes de morrer, vimo-lo sorrir e fazer um gesto com a mão em direcção à cadeira próxima da sua cama, convidando alguém a sentar-se. Sorriu de novo e fechou os olhos”.
Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, “Cinco pães e dois peixes” (Ed. Paulinas), pág. 32-34
Livro: "Cinco pães e dois peixes"

Referi como “clássico” o livro “O Caminho da Esperança”, de Nguyen Van Thuan. E é-o, pela afirmação da Presença contra a solidão mais atroz. Pela escrita longamente meditada. Pela mensagem perene.
Na encíclica “Spe Salvi”, Bento XVI invoca o cardeal vietnamita: “O orante jamais está totalmente só. Dos seus 13 anos de prisão, 9 dos quais em isolamento, o inesquecível Cardeal Nguyen Van Thuan deixou-nos um livrinho precioso: Orações de esperança. Durante 13 anos de prisão, numa situação de desespero aparentemente total, a escuta de Deus, o poder falar-Lhe, tornou-se para ele uma força crescente de esperança, que, depois da sua libertação, lhe permitiu ser para os homens em todo o mundo uma testemunha da esperança, daquela grande esperança que não declina, mesmo nas noites da solidão” (n.º 32).
Quero acrescentar um livro mais recente deste cardeal que chegou a presidir ao Conselho Pontifício «Justiça e Paz», “Cinco pães e dois peixes” (ed. Paulinas), o qual, aliás, já neste blogue foi citado (aqui e aqui). O título remete para a passagem evangélica proclamada no domingo passado. Neste livrinho de 92 páginas sobressai uma fé simples e profunda que ilumina mais do que um bom ensaio de Teologia (mas os bons ensaios de Teologia são tão necessários). O título refere-se a estes pães e peixes:
1. Pão da esperança que o libertou da angústia da expectativa da libertação
2. Pão da fé, que operou nele uma verdadeira conversão
3. Pão da oração, que no meio da “noite escura” assegura a Presença
4. Pão eucarístico, “capaz de renovar a humanidade”
5. Pão do amor, linguagem que a todos “contaminou” na prisão
6. Peixe do amor filial a Maria
7. Peixe do seguimento de Jesus.
Há no livro uma história do “velho Jim” que mostra bem a essência do cristianismo. Espero transcrevê-la aqui muito proximamente.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Clássicos 17: “O Caminho da esperança”, de Francisco Xavier Nguyen Van Thuan

(Primeiras palavras:) “Se ainda estás amarrado com uma corrente de ouro, ainda não estás preparado para este caminho.
1. O Senhor conduz-te por este caminho para que tu possas «ir e dar fruto, um fruto duradouro» (cf. Jo 15,16).
O caminho chama-se «O CAMINHO DA ESPERANÇA» porque é belo como a esperança que o ilumina. Porque não havias de ter esperança, se te pões a caminho com Jesus, em direcção ao Pai?”
O Caminho da esperança | Il Cammino della speranza | Francisco Xavier Nguyen Van Thuan | Paulinas, 2007, 220 páginas.
Francisco Xavier Nguyen Van Thuan (Vietname 1928 – Roma 2002), nomeado bispo em 1967, passou 13 anos da prisão, logo após a nomeação como bispo coadjutor de Saigão (Ho Chi Minh). Este clássico da espiritualidade contemporânea, feito de 1001 pequenos textos (transcreveu-se o primeiro), foi escrito durante os 13 anos de cativeiro.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Para terminar o dia
“Cientistas e génios contribuíram grandemente para a civilização do mundo. Contudo, eles possuem apenas uma pequena parte da luz e uma pequena parte da verdade. Um mundo que se rege por uma ordem tão admirável, tem que ter uma sabedoria transcendente a guiá-lo. Essa sabedoria é a Palavra. “Por Ele todas as coisas foram feitas” (Credo de Niceia, Jo 1,3).
Francisco Xavier Nguyen van Thuan, “O Caminho da Esperança” (ed. Paulinas), pág. 117
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Memórias da prisão

Francisco Xavier Nguyen Van Thuan numa prisão vietnamita:
“Quando fui colocado no isolamento, fui confiado a um grupo de cinco guardas: dois deles estão sempre comigo. Os chefes mudam-nos de duas em duas semanas com os de outro grupo, para que não sejam «contaminados» por mim. Depois, decidiram não mudar mais, pois de outra forma todos ficariam contaminados!
No início, os guardas não falavam comigo, respondiam apenas «yes» e «no». É muito triste; quero ser gentil, cortês com eles, mas é impossível, evitam falar comigo. Não tenho nada para lhes dar de presente: sou prisioneiro, todas as roupas são marcadas com grandes letras «cai-tao», isto é, «campo de reeducação». Que devo fazer?
Uma noite, vem-me um pensamento: «Francisco, tu és ainda muito rico. Tens o amor de Cristo no teu coração. Ama-os como Jesus te ama.» No dia seguinte, comecei a amá-los, a amar Jesus neles, sorrindo, trocando palavras gentis. Começo a contar histórias das minhas viagens ao exterior, como vivem os povos na América, Canadá, Japão, Filipinas, Singapura, França, Alemanha… a economia, a liberdade, a tecnologia. Isso estimulou a curiosidade dos guardas, e excitou-os a perguntarem-me muitas outras coisas. Pouco a pouco, tornamo-nos amigos. Querem aprender línguas estrangeiras: francês, inglês… Os meus guardas tornam-se meus alunos! A atmosfera da prisão melhorou muito.
Até com os chefes da polícia. Quando vieram a sinceridade do meu relacionamento com os guardas, não só pediram para continuar a ajudá-los no estudo de línguas estrangeiras, mas ainda me mandaram novos estudantes”.
in "Cinco pães e dois peixes", de Francisco Xavier Nguyen Van Thuan (ed. Paulinas)
terça-feira, 19 de maio de 2009
Cruz Peitoral

Na montanha de Viñh Phú, num dia de chuva, tive de cortar lenha. Perguntei ao guarda:
- Posso perdir-lhe um favor?
- O que é? Eu ajudá-lo-ei.
- Queria cortar um pedaço de madeira em forma de cruz.
- Você não sabe que é severamente proibido ter qualquer símbolo religioso?
- Eu sei. Mas somos amigos, e prometo escondê-la.
- Seria extremamente perigoso para nós os dois.
- Feche os olhos, farei agora e serei muito cauteloso. Vá andando e deixe-me só.
Talhei a cruz e conservei-a escondida num pedaço de sabão até à minha libertação. Com uma moldura de metal, esse pedaço de madeira tornou-se a minha cruz peitoral.
Francisco Van Thuan in “Cinco pães e dois peixes”, Ed. Paulinas, pág. 55-56
Vidas que marcam: Francisco Van Thuan
Francisco Xavier Nguyen Van Thuan foi bispo de Nhatrang, de 1967 a 1975, e arcebispo-coadjutor de Saigão, a partir de 1975. Nesse ano, no dia 15 de Agosto, foi preso, pelos comunistas, e detido sucessivamente nas prisões de Saigão, Nhatrang, Saigão, Haipong, Viñh Phú e Hanói. Foi libertado a 21 de Novembro de 1988. Nomeado vice-presidente e mais tarde presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, morreria em Roma, no dia 16 de Setembro de 2002. O seu processo de beatificação está em curso.
É um mártir dos tempos modernos, embora o seu sangue não tenha sido derramado fisicamente. Os seus tempos de prisão e as palavras que de lá conseguiu fazer sair são exemplo arrastador das vivências mais profundas da fé cristã.
Bento XVI disse dele que "era um homem de esperança, vivia da esperança e difundia-a entre todos os que encontrava. Graças a esta energia espiritual resistiu a todas as dificuldades físicas e morais. A esperança sustentou-o como bispo isolado durante treze anos da sua comunidade diocesana; a esperança ajudou-o a perceber o absurdo dos acontecimentos - nunca foi julgado durante sua longa detenção -, um desígnio providencial de Deus”.
Francisco Van Thuan relata as suas vivências da prisão num livrinho que acaba de ser publicado em português: “Cinco pães e dois peixes” (Ed. Paulinas) – um extraordinário testemunho de fé, dirigido aos jovens, mas de leitura sem dúvida proveitosa para qualquer pessoa, em qualquer idade. O bispo conta como conseguiu comunicar com os seus diocesanos, através de 1001 folhas de calendário (lembrado as histórias das 1001 noites), como, sem Bíblia, apontou em pequenos bocados de papel as 300 frases do Evangelho de que se lembrava, em suma, como sobreviveu a 13 anos, nove deles em isolamento total, “terrivelmente longos”. Como ele próprio lembra, há um ditado vietnamita que diz que um dia na prisão é como mil Outonos fora.
Os cinco pães de que fala no livro são a esperança, a fé, a oração, o pão eucarístico, e o pão do amor. Os dois peixes são amor filial a Maria e o seguimento de Jesus. O testemunho do bispo vietnamita inspira-se no relato do cap. 6 do Evangelho de S. João, quando um jovem dá a Jesus cinco pais e dois peixes que servem para alimentar a multidão. Francisco Van Thuan “oferece tudo o que tem para que, através dele, o Senhor possa operar maravilhas”, escreve o cardeal Saraiva Martins no prefácio. Hoje, podemos provar do mesmo Pão através do testemunho deste “homem da esperança”.
Sinodalidade e sinonulidade
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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P.e Gabriele Amorth Ando a ler “Mais fortes que o mal. O demónio, reconhecê-lo, vencê-lo, evitá-lo”, do mui célebre exorcista italia...
