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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Gálatas 3,28

A Igreja Anglicana aprovou na segunda-feira a possibilidade de ordenar mulheres bispas. Já podiam ser ordenadas em cinco países da Comunhão Anglicana, mas não em Inglaterra. Tenho pena de os católicos não estarem à frente nisto.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

terça-feira, 20 de março de 2012

D. Rowan Williams: Os cristãos têm de aprender a viver na democracia argumentativa

Rowan Williams é o de óculos

Por estes dias, tem sido amplamente divulgada a reforma de Rowan Williams da liderança da Comunhão Anglicana, no final de 2012  - algo que já se dizia há meio ano. O arcebispo de Cantuária deu uma entrevista em que faz um balanço da sua atividade, aponta as razões da renúncia, antevê o que poderá fazer nos noves meses que faltam e diz o que espera ao  retomar da carreira académica.


Numa resposta, em especial, nota-se a sensatez que caracteriza o arcebispo (apesar do mau português do texto), que é alguém que passei a apreciar principalmente após a leitura dos livros do dominicano Timothy Radcliffe. 
O senhor acha que o cristianismo está perdendo a batalha contra a secularização na Grã-Bretanha? 
Eu não acho que o cristianismo está perdendo a "batalha contra a secularização". Eu certamente não tenho essa impressão quando estou com as congregações, quando estou nas escolas da Igreja ou em muitos ambientes como esses – nem mesmo quando estou falando sobre essas coisas em um grupo muito misto, digamos, de estudantes do Ensino Médio. 
Eu acho que ainda há um grande interesse pela fé cristã e, embora eu ache que há também muita ignorância e um preconceito bastante simplista sobre as manifestações visíveis do cristianismo, o que às vezes obscurece a discussão, eu não acho que há, de alguma forma, um único grande argumento de que a Igreja está perdendo. 
Eu penso que as pessoas voltaram a debater, muito apropriadamente, com Richard Dawkins, com Philip Pullman, com Tony Grayling e outros – esse argumento continua de forma muito robusta. O que eu acho que obscurece levemente tudo isso é essa sensação de que há uma enorme quantidade de pessoas de uma certa geração, agora, que realmente não sabem como a religião funciona, e muito menos o cristianismo em particular. E isso leva a confusões e sensibilidades nas áreas erradas – você sabe, usar uma cruz ofende as pessoas que não têm fé ou são não cristãs? Eu não acho que ofende, mas as pessoas se preocupam que ofenderá, e isso, em parte, porque há uma leve surdez sobre como a crença religiosa funciona. 
Então, sim, há um desafio, e, sim, o papel público da Igreja é mais contestado do que costumava ser, e, sim, temos que conquistar o nosso direito de falar talvez mais do que antigamente. Mas isso provavelmente será bom para nós. Eu tenho dito algumas vezes que eu acho que deveríamos viver naquela que eu gosto de chamar de "democracia argumentativa", um pluralismo argumentativo. E, para o cristianismo, ser capaz de responder clara e energicamente nesse ambiente é extremamente importante. Eu espero que eu possa continuar contribuindo com essa discussão pública na nova função. 
Lido aqui.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Rowan Williams pensa na reforma

Notícia do "Página 1". O arcebispo Rowan Williams, um grande poeta, com vasta obra publicada, adepto do diálogo ecuménico (um dos livros do dominicano Timothy Radcliffe, que muito tenho citado, foi escolhido para "livro da quaresma" dos anglicanos e recebeu um prémio angicano), está cansado (como boa parte dos bispos portugueses - mas essa é outra história) e teme o desaparecimento da igreja anglicana na Inglaterra, como disse no dia 9 de Julho, na abertura do sínodo anglicano, em York:
 "Esta manhã, os membros do Sínodo têm a rara oportunidade de conversar sobre o que significa para eles ser cristão e para discutir sobre o que se perderia para sempre se a Igreja desaparecesse". 
Para mais, é sabido que não está nada contente com o acolhimento na Igreja católica dos que não concordam com certas mudanças nos anglicanismo.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

17 de Junho de 1703. Nasce John Wesley, fundador do metodismo



John Wesley, principal fundador do metodismo, nasceu no dia 17 de Junho de 1703, em Epworth, Inglaterra, e morreu no dia 2 de Março de 1791, em Londres.

O medotismo (o nome vem da disciplina e método que punham na prática cristã após o avivamento inicial, o “coração aquecido” do encontro com Cristo, que no cado se Wesley aconteceu em 1738) não pretendia ser uma nova confissão cristã, mas somente uma reforma do anglicanismo.

John Wesley sempre se considerou um ministro anglicano. A Igreja organizou-se primeiro nos EUA, porque a independência política impeliu o desejo de independência religiosa. No Reino Unido o metodismo só se organizou após a morte do reformador.

Em 1749, John Wesley escreveu uma “Carta a um católico romano”. Começa assim:
Calculo que tenha ouvido umas boas centenas de histórias, a nosso respeito, - dos vulgarmente conhecidos por Protestantes -, e se der crédito, ainda que seja a um por cento delas, deverá pensar muito mal de nós. Mas isso é inteiramente contrário ao preceito de Cristo: «Não julgueis, para que não sejais julgados», e pode trazer sérias consequências, especialmente a de nos levar a pensar, igualmente, mal de vós. Disto resulta estarmos, de ambos os lados, com menos vontade de nos ajudarmos, uns aos outros, e mais prontos a ferir-nos mutuamente. Em consequência disto, o amor fraternal fica completamente destruído; e, em ambos os lados, ao considerar o lado oposto como monstros, surgem zangas, ódios e malquerenças, após cada discussão pouco afectuosa, seguida, frequentemente, por barbaridades desumanas, como poucas vezes se notam entre pagãos.
Ler a carta aqui.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Último sermão de um bispo enquanto anglicano

Sermão de um bispo que deixa a Igreja anglicana.
Mas eu amo a Igreja da Inglaterra – a corrente dominante – e vou sentir falta dela. Ela me ensinou os salmos e a Revised Standard Version [tradução da Bíblia]. Ela me ensinou a música a serviço de Deus. Ela me ensinou a beleza da santidade. Ah, sim, a excitação impertinente do Folies Bergère pode estar disponível no culto anglo-católico, mas a melancólica dignidade do culto das catedrais, o decoro e a decência, é algo que eu também vou sentir falta. Tentei reunir um pouco de tudo isso no culto de hoje. Não há nada mais anglicano do que o Collegium Regale de Herbert Howells, "que toda a carne mortal mantenha silêncio", de Edward Bairstow, ex-organista daCatedral de York, e o canto dos salmos por George Thalben-Ball, ex-organista daTemple Church. Não há nada mais bonito na literatura do que as cadências Cranmerianas da linguagem tradicional do Livro de Oração, que, um pouco incomumente, nós estamos usando hoje. Vou sentir falta até daquelas pessoas da corrente dominante que eu conheci e com quem eu trabalhei.
Ler tudo aqui.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Rowan Williams foi apanhado de surpresa na criação da estrutura católica para acolher anglicanos descontentes

O arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, primaz da comunhão anglicana, visitou a Índia e deu uma entrevista ao "The Hindu", traduzida para português pelo Instituto Humanitas Unisinos (aqui).

Cito aqui uma parte em que é visada a Igreja Católica. Rowan Williams diz ter-se sentido surpreendido pela criação do ordinariato pessoal para acolher anglicanos descontentes na Igreja Católica "sem qualquer consulta real" à Igreja Anglicana.


No seu mandato assistiu a relações repletas de preocupação com a Igreja Católica Romana. Delas fez parte a Constituição Apostólica quase unilateral que o papa emitiu ano passado criando um novo rito anglicano dentro da Igreja Católica Romana, direccionado para anglicanos que não se sentiam à vontade com a ordenação de mulheres e clérigos gays. Quais são os seus comentários sobre essa situação? Havia uma manchete de jornal que falava da presença de tanques papais no relvado do Palácio de Lambeth.

Sim, eu sei. Eu disse nessa altura época que essa era uma versão da história que não fazia sentido. Fiquei muito surpreso com o facto de termos sido confrontados com essa medida de grande alcance sem qualquer consulta real. E pareceu-me que algumas partes do Vaticano não comunicaram com as outras. De um modo geral, pareceu-me uma providência pastoral para certas pessoas que não podiam aceitar o rumo que a Igreja da Inglaterra estava a tomar, uma providência pastoral que, em si, não afectava as relações entre as duas igrejas, entre igrejas tradicionais.

Mas causou algumas agitações porque creio que havia uma opinião muito disseminada de que teria sido melhor consultar [a Igreja Anglicana]. Havia perguntas que poderiam ter sido feitas e respondidas e tratadas em conjunto. E como isto está a ser implementado agora, estamos a tentar garantir que haja um grupo bilateral que fique atento a como isso irá acontecer. Na Inglaterra, as relações entre a Igreja da Inglaterra e os bispos católicos romanos são muito calorosas e estreitas. Creio que temos condições de trabalhar nessa questão juntos e de não considerar isso uma dificuldade.


No ano passado, o senhor tocou nessa questão num discurso que fez em Roma. Não é um tanto inexplicável que a ordenação de mulheres por parte de igrejas anglicanas se tenha tornado um motivo de rompimento no diálogo católico-anglicano, apesar do facto de que as duas igrejas alcançaram um acordo em questões teológicas bem mais complexas nos anos que se passaram desde a Reforma protestante?

Sim, o que eu estava a tentar dizer em Roma ano passado era, efectivamente, que nos últimos 30 ou 40 anos tínhamos alcançado um nível extraordinário de acordo a respeito de como entendemos o ministério ordenado e os sacramentos. E eu ainda estava bastante perplexo pelo facto de que essa única questão – quem pode ser sacerdote? – de repente surgiu como a única questão que importava, por assim dizer. Na verdade, acho que eu disse que o copo está cheio pela metade, e não vazio pela metade.

De facto, tratamos de muitas questões substanciais lá, e acho que na ocasião eu realmente queria lembrar à minha própria Igreja e às nossas irmãs e irmãos católicos romanos que tínhamos estabelecido uma linguagem comum para falar sobre o sacerdócio e sobre os sacramentos. E não deveríamos supor que a nossa discordância sobre o status das mulheres simplesmente invalidasse todo o resto!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O Papa vai saudar uma mulher-padre


Jane Hedges ao centro
O Papa vai cumprimentar uma mulher padre (canon, canónica), anglicana, na viagem ao Reino Unido. Será a primeira vez na história, dizem. Está previsto para a sexta-feira, 17, na Abadia de Westminster. A reverenda a dar a mão ao Papa é Jane Hedges, defensora da ordenação de mulheres como bispos na Igreja Anglicana (li aqui; mas aqui, no penúltimo parágrafo, diz-se que não é a primeira vez).
Entretanto, na quarta-feira de manhã, o Papa assegurou que “as mulheres são capazes de falar com Deus com uma peculiar inteligência e sensibilidade”.
Ao ler isto, a primeira sensação foi a de espanto. O Papa disse isto? Isto é novo? Era preciso?
Mas não foi bem isto que o Papa disse. A afirmação, no final da segunda parte da catequese dedicada a Hildegarda de Bingen, é: “Invoquemos sempre o Espírito Santo, para que suscite na Igreja mulheres santas e valentes, como Santa Hildegarda de Bingen, que, valorizando os dons recebidos de Deus, ofereçam a sua preciosa e peculiar contribuição para o crescimento espiritual das nossas comunidades e da Igreja na nossa época”.
Assim até se compreende.

domingo, 11 de julho de 2010

11 de Julho de 1533. Henrique VIII é excomungado

Henrique VIII de Inglaterra (1491-1547), após o segundo casamento, com Ana Bolena (era casado com Catarina de Aragão), é excomungado pelo Papa Clemente VII.

A decisão papal acelera acicata o desejo de poder absoluto de Henrique VIII, que a seguir rompe com a Igreja Católica e proclama-se chefe da Igreja Anglicana.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

28 de Janeiro de 1547. Morre Henrique VIII

Henrique VIII (nasceu no dia 28 de Junho de 1491 e foi rei a partir de 21 de Abril de 1509), o rei que para poder casar novamente revolver criar uma Igreja em que ele (e os seus sucessores) é que mandam, morreu no dia 28 de Janeiro de 1547.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

12 de Novembro de 1555. O Parlamento inglês restabelece o catolicismo

No dia 12 de Novembro de 1555, durante o reinado de Maria I, de Tudor (rainha da Inglaterra e da Irlanda de 19 de Julho de 1553 a 17 de Novembro de 1558, na imagem), o Parlamento inglês restabelece o catolicismo como religião oficial.

A Inglaterra estava separada de Roma desde a primavera de 1534, com Henrique VIII. Durante o reinado de Eduardo VI, de 1547 a 1553, a Inglaterra aproximou-se do protestantismo. Maria de Tudor, de cognome Bloody Mary (Maria, a sanguinária), tentou à força que o país regressasse a Roma.

Quando Isabel I subiu ao poder (rainha de 1558 a 1603) anulou as disposições de Maria I, assumiu o título de “Suprema Governante da Igreja Anglicana” e em 1559 promulgou o Acto da Uniformidade, que tornava obrigatório o uso do “Book of Commom Prayer” na liturgia, e o Acto da Supremacia, que obrigava os oficiais e jurarem publicamente que reconheciam o controlo da soberana sobre a Igreja.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

1 de Outubro de 1553. Maria de Tudor é coroada rainha de Inglaterra

No dia 1 de Outubro de 1553, Maria I, da casa de Tudor, foi coroada rainha de Inglaterra. Maria (1516-1558) era filha de Henrique VIII e de Catarina de Aragão. Foi a primeira mulher coroada em Inglaterra. Tentou restabelecer o catolicismo a todo o custo. Mandou matar três centenas de opositores, considerados heréticos. Ficou conhecida por “Bloody Mary”, “Maria, a Sanguinária”.

Há quem diga que com a sua política fez mais pela aceitação do anglicanismo do que o seu pai. A seguir reinou Isabel I (Elizabeth I).

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Clássicos 7: "Nisso não acredito", de John A. T. Robinson

(Primeiro parágrafo:) “Não, nisso é que eu não posso acreditar! É uma reacção típica diante de grande parte da doutrina cristã, hoje em dia. E muitas vezes eu próprio me surpreendo a dizer: «No sentido em que penso ser obrigado a acreditar, também eu não acredito»”.

Nisso não acredito | But That I Can't Believe! | John A. T. Robinson | Moraes Editora, 1968, 194 páginas

John Arthur Thomas Robinson (1919-1983), inglês, foi professor de Novo Testamento e Bispo (anglicano) de Woolwich. O seu pensamento insere-se na teologia liberal e na teologia da secularização, como Harvey Cox e William Barclay.

A sua obra mais importante é “Honest to God”, de 1963, que, como esta agora citada, faz uma crítica às crenças tradicionais. John A. T. Robinson considerava-se de algum modo sucessor de Paul Tillich, Dietrich Bonhoeffer e Rudolf Bultmann e foi criticado por favorecer o relativismo teológico e ético (“ética situacional”). Em Inglaterra, nos anos 60 houve um interessante debate na imprensa entre este autor e C. S. Lewis, este último tido como defensor da ortodoxia.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Clássicos - 1: "Apologia", de Cardeal Newman


“Facilmente se compreende a grande provação que para mim representa ter de escrever a minha própria história; mas não posso furtar-me a este dever. As palavras Secretum meum mihi ecoam aos meus ouvidos; mas à medida que os homens se aproximam do fim, menos lhes custa fazer confidências. E não é menos provação antever que os meus amigos, ao leram pela primeira vez o que escrevi, lhe encontrem muito de irrelevante em face do que se pretende. No entanto, considerando o conjunto, insisto em pensar que, transmiti-lo ao público, é servir os meus propósitos”.

Apologia | Título original: Apologia pro Vita Sua | Cardeal Newman | Verbo, 1974, 382 páginas

John Henry Newman (Londres, 21 de Fevereiro de 1801 – Edgbaston, 11 de Agosto de 1890), anglicano inglês convertido ao catolicismo em 1845, foi nomeado cardeal pelo papa Leão XIII, em 1879. É considerado precursor do ecumenismo e do personalismo. Ordenado sacerdote da Igreja Católica em Roma (1847), abriu e dirigiu em Birmingham um oratório de São Filipe Néri e foi ainda reitor da Universidade Católica da Irlanda (1854). A “Apologia” é uma autobiografia espiritual.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

C.S. Lewis, o anglicano

Em “Surprised by Joy”, C. S. Lewis, convertido ao anglicanismo, escreve sobre Tolkien, que teve um papel importante na sua conversão: “A minha amizade com este último marcou a derrocada de dois dos meus velhos preconceitos. Na minha entrada no mundo aconselharam-me vivamente (de forma implícita) a nunca me fiar num papista, e na minha entrada na faculdade de Letras (de forma explícita) a nunca crer num filólogo. Tolkien era uma coisa e outra!” Citado por Michael Devaux, Communio, n.º 4, 2008.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...