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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Imagem

O Novo Testamento, ao relatar a vida de Jesus, não dá qualquer pista acerca da sua aparência externa. Contudo, quando lemos os evangelhos, podemos perfeitamente fazer uma ideia muito viva de Jesus, graças ao facto de as pessoas que realmente o conheceram não mais o terem esquecido ao longo das suas vidas.

Shusaku Endo

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Scorsese faz um filme sobre os jesuítas portugueses no Japão


Scorsese vai finalmente filmar a adaptação de "Silêncio", romance de Shusaku Endo que fala dos missionários jesuítas no Japão que renegam a fé durante as perseguições dos poderes nipónicos.

No papel de Sebastião Rodrigues, o jesuíta que é enviado para investigar o caso, estará Andrew Garfield, que há pouco fez de Homem-Aranha.


Há muito que se falava deste filme do ex-seminarista Scorsese. Parece que deste vez é que é.

Da notícia do "Público" de hoje:
Em declarações à revista Variety, Scorsese disse que Silêncio é um filme sobre as raízes da fé religiosa, uma questão que o acompanha desde a infância e que já explorou em filmes como A Última Tentação de Cristo (1988) ou Kundun (1997). Em A Última Tentação de Cristo, que valeu a Scorsese uma nomeação para o Óscar de Melhor Realizador, Jesus Cristo, apesar do chamamento de Deus, é tentado a viver a vida de um mortal. 
“É algo que sempre fez parte da minha vida. Para as pessoas que estão de fora é difícil entender o mundo em que eu cresci, o do catolicismo romano na Nova Iorque dos anos 1950. Fiquei tão impressionado que tentei fazer parte desse mundo mas aos 15, 16 anos percebi que era muito mais duro e complicado do que eu tinha pensado…em termos de vocação”, disse ao site da revista Variety. 
Scorsese leu pela primeira vez o romance de Shusaku Endo há 25 anos, quando o arcebispo Paul Moore lho enviou, na sequência de um visionamento de A Última Tentação de Cristo. O realizador recorda que o livro o marcou pela sua “simplicidade complexa” e por se tentar “ libertar dos dogmas e tentar lidar apenas com a essência…da Cristandade, de Jesus". Após ter lido o livro o realizador começou imediatamente a trabalhar na sua adaptação ao cinema, com o argumentista Jay Cocks, seu colaborador regular. Entretanto interrompido por outros projectos, o guião só ficou terminado em 1996.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Essencial definição do Homem

Aquele que pode perseverar no amor, num amor verdadeiro, capaz de velar pela alegria e pelo pão, aquele que pode perseverar nesse amor ou convencer-se para a ele regressar, eis a mais essencial definição do Homem.

Abbé Pierre, 1971

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Três macacos no santuário do relógio levado pelos missionários


 Os três macacos sábios...

...no Santuário de Toshogu

Para quem sabe o que procura, mas também para quem espera ser surpreendido, a Internet proporciona frequentes encontros agradáveis.

Ao procurar algo o mais antigo relógio do Japão, oferecido por Filipe II ao shogun Tokugawa Ieyasu, não dei com o relógio, mas com o santuário de Toshogu, onde está a peça, segundo as indicações de Fernando Correia de Oliveira (aqui), e os célebres “três macacos”.

Kikazaru (cobre as orelhas), Iwazaru (cobre a boca) e Mizaru (cobre os olhos) são um símbolo de sabedoria, pois significam, respectivamente, “aquele que não ouve o mal”, “o que não diz o mal” e o que “não vê o mal”. No Ocidente, são frequentemente interpretados como símbolo de alheamento, não envolvimento, segredo.

Textos dos leitores: Os relógios de Francisco Xavier

Há dias lembrei aqui a chegada de Francisco Xavier ao Japão, onde esteve de Julho de 1549 a Dezembro de 1551. Fernando Correia de Oliveira (do blogue Estação Cronográfica) deixou na caixa dos comentários, na altura, um texto do seu livro “Relógios e Relojoeiros - Quem É Quem no Tempo em Portugal” (Âncora, 2007). Recupero a nota histórica que surge na letra X:

Shogun Tokugawa Ieyasu
XAVIER, São Francisco
Em 1551, aquando da sua chegada ao Japão, o missionário levava, entre vários presentes para impressionar os senhores locais, um relógio, que adquirira em Macau. A técnica de usar os relógios para “abrir portas” junto dos poderosos nipónicos é semelhante à usada na China. Uma célebre delegação de jovens príncipes japoneses à Europa, para visitar o papa (e que passou por Lisboa, numa altura em que Portugal já tinha perdido a independência para Espanha), levou consigo no regresso um relógio para o shogun (chefe militar, a verdadeira sede do poder no Japão feudal), Toyotomi Hideyoshi. Outros relógios mecânicos se seguiram, quase sempre através do Padroado Português do Oriente ou, o que queria dizer quase o mesmo, dos jesuítas. O mais antigo relógio existente no Japão é um oferecido por essa altura pelo monarca peninsular, Felipe II, ao shogun Tokugawa Ieyasu – encontra-se actualmente no santuário de Toshogu, no monte Kuno, Prefeitura de Shizuoka.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

27 de Julho de 1549. Francisco Xavier chega ao Japão


Francisco Xavier (1506–1552), missionário jesuíta sob a coroa portuguesa, chegou ao Japão no dia 27 de Julho de 1549, mas só pôde por os pês na terra no dia 15 de Agosto, no porto de Kagoshima. O grande missionário do Oriente chegou ao Japão com outros três jesuítas e o japonês Anjiro, que conhecera em Malaca, dois anos antes, e servia de tradutor.

Anjiro (ou Anjiró) foi o primeiro japonês a tornar-se cristão, tendo recebido o nome de Paulo de Santa Fé. Xavier escreveria mais tarde sobre a génese do plano nipónico: “Eu perguntei a [Anjiro] se os japoneses se tornariam cristãos , caso eu fosse com ele ao seu país. E ele respondeu-me que eles não se tornariam cristãos de imediato, mas primeiro fariam algumas perguntas para saberem o que eu sei. Acima de tudo, quereriam ver se a minha vida corresponde aos meus eninamentos”.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Onde está Deus nas catástrofes?

Quanto acontece uma tragédia de proporções excepcionais, alguns dizem “bíblicas”, há dois aspectos que se repetem. O primeiro é a pergunta religiosa: Porquê isto? Como é que Deus permite? Que consolo podemos encontrar na religião? O segundo é a apologia católica: o santuário ou imagem católica que resiste à catástrofe. Aconteceu a propósito do Haiti e voltou a acontecer na tragédia do Japão, apesar de neste segundo país haver muitos menos templos católicos. Circulam mails com as notícias sobre a resistência do santuário de Akita.

Sinceramente, não sei qual a mensagem que se pretende transmitir com esse tipo de notícias, geralmente fomentadas por meios e pessoas católicas, mesmo que os templos em causa não sofram qualquer destruição (o que nem sempre acontece). Dizer que Deus protege uns e não os outros? Que os católicos gozam de mais favores? Ou que a construção civil católica é mais resistente? Que Deus tem filhos e enteados? Que deve haver seguros mais baratos para os edifícios católicos? Na realidade, a sã teologia e mensagem católica diz que se Deus está em algum lado, está precisamente nos que sofrem com a catástrofe.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Anselmo Borges: Conviver com a natureza e os animais

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje.


Um amigo jesuíta, Juan Masiá, que vive há trinta anos no Japão, contou-me uma história muito significativa, passada numa paróquia japonesa. O missionário estrangeiro começou a notar que os paroquianos deixaram de frequentar a missa por ele celebrada. Intrigado, decidiu informar-se discretamente. Foi recebendo respostas evasivas, até que alguém ganhou coragem e lhe disse: "E por causa do gato." Achou estranho, embora se lembrasse de que uns meses antes tinha agarrado pelo rabo um gato vadio que andava pela cozinha e o tinha atirado contra a parede. No entanto, não via razão para o afastamento dos paroquianos. Quando tentaram explicar-lhe, disse-lhes, indignado: "Tanto esforço para ensinar-vos que o ser humano tem alma e os animais não e agora ficais chateados por causa da morte do gato, um animal irracional?!" Mas os cristãos responderam-lhe: "O problema não é a alma do gato, se tem ou não tem alma. O problema é você. Que terá no íntimo do coração, se foi capaz de a sangue frio esborrachar o gato contra a parede?"


Ainda se continua a escrever aqui e ali: "proibida a entrada de animais", "no animals", esquecendo que os seres humanos também são animais. É necessário tomar consciência de que a humanidade não se pode pensar isolada, pois fazemos parte da comunidade natural da vida, em relação com animais e plantas, respirando o mesmo ar, tendo a mesma exigência de alimentação e água, na mesma terra e sob o mesmo céu, o que implica, contra o monopólio antropocêntrico explorador e dominador, um paradigma holístico de existência.


O cristianismo é agora apresentado como sendo um dos responsáveis pelo antropocentrismo arrogante e pela crise ecológica, por causa da ordem de Deus aos seres humanos no Génesis: "Dominai a terra." Mas, como reconhecem os exegetas, trata-se de uma interpretação errada da Bíblia, já que o que lá se encontra nada tem a ver com domínio despótico, mas apenas com guardar e cuidar da Criação, contribuindo para o seu aperfeiçoamento responsável, no quadro de um desenvolvimento harmónico do conjunto de todas as criaturas. Aliás, a aliança de Deus, depois do dilúvio, simbolizada pelo arco-íris, inclui todas as criaturas.


Há dois extremismos a evitar. O antropocentrismo tecnocientífico moderno, que vê o homem fora da natureza e o coloca na posição de sujeito objectivante e explorador da natureza, como se esta não tivesse valor próprio e se reduzisse a um reservatório de energias a dominar. A chamada deep ecology, que invoca uma natureza divinizada, encerra o homem na totalidade naturalista, cósmico-biológica, esquecendo a sua singularidade única de pessoa.


Assim, independentemente do debate sobre os direitos dos animais, a analisar em artigo próximo, não há dúvida de que temos obrigações para com eles, concretamente quando se reflecte no seu sofrimento. São inadmissíveis a tortura e a crueldade bem como sofrimentos desnecessários. Neste contexto, é necessário pôr em causa, por exemplo, as touradas.


Mesmo Kant, que só reconhecia direitos às pessoas como fins em si, referiu a insensibilidade face aos animais como reveladora de desumanidade e anti-educativa, tendo escrito: "Aquele que se comporta cruelmente com os animais possui também um coração endurecido com os humanos", de tal modo que "se pode conhecer o coração humano a partir da sua relação com os animais". Admitiu alguma experimentação com animais, mas opôs-se à experimentação irresponsável, concretamente à vivissecção.


Sobre esta problemática lê-se no Tratado de Lisboa: "Na definição e aplicação das políticas da União nos domínios da agricultura, da pesca, dos transportes, do mercado interno, da investigação e desenvolvimento tecnológico e do espaço, a União e os Estados membros terão plenamente em conta as exigências em matéria de bem-estar dos animais, enquanto seres sensíveis, respeitando simultaneamente as disposições legislativas e administrativas e os costumes dos Estados membros, nomeadamente em matéria de ritos religiosos, tradições culturais e património regional".

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Bispos japoneses queriam expulsar neocatecumenais

Kiko Argüello

Os bispos japoneses queriam que o Papa expulsasse os neocatecumenais (“kikos”, por causa do fundador, Kiko Argüello) do Japão, mas o Papa, após uma reunião com responsáveis da Cúria e bispos japoneses, em Dezembro, recusou. Li a notícia no Religión Digital (aqui):

Los prelados le acusan de tener un estilo "sectario" y de que las pequeñas comunidades neocatacumenales "crean divisiones" en las parroquias.

Los "kikos", por su parte, aseguran que la iglesia católica local da mucha importancia al diálogo con las culturas y las religiones y poco al anuncio "explícito" del Evangelio.

É, a todos os títulos, uma notícia curiosíssima. Os bispos com medo de uma comunidade que cresce com sucesso mas de aparência e modos sectários. Os "kikos" dizendo que os bispos não ligam muito ao anúncio do Evangelho.

sábado, 27 de março de 2010

Muitos mais livros ficaram por escrever

Shusaku Endo termina o seu livro “Uma vida de Jesus” (ed. Asa) à maneira do Evangelho de São João. Este fascínio por Jesus é constitutivo do cristianismo. Isto não existe em relação a mais ninguém.

"Obviamente, jamais ousei, um instante que fosse, vir a abarcar nesta vida de Jesus, mesmo por alto, a totalidade da sua vida. Cada um de nós imagina projectando n’Ele a sua própria vida. Mesmo assim, algo haverá sempre de misterioso, impenetrável e enigmático na maneira de reflectir também a vida deste homem em nossas vidas. Agradar-me-ia sumamente poder aproveitar o resto dos meus dias para escrever uma outra vida de Jesus a partir de experiências acumuladas. Nem mesmo então quando julgasse havê-la concluído, eu me libertaria do desejo e da necessidade de escrever de novo uma nova vida de Jesus".

Shusaku Endo

27 de Março de 1923. Nasce Shusaku Endo, escritor japonês


Shusaku Endo (Tóquio, 27 de Março de 1923 – 29 de Setembro de 1996) foi baptizado em 1935, aos 12 anos, após a conversão da mãe, que se separara do pai em 1933. Endo estudou Literatura Francesa em Lyon e deixou uma obra romanesca marcada pelo catolicismo. Comparam-no a Graham Greene pelas temáticas. Em Portugal, estão publicadas pelo menos duas dobras, “Uma vida de Jesus” (na Asa) e “Silêncio” (na D. Quixote).
“Silêncio” aborda a história do missionário português Cristóvão Ferreira, líder dos jesuítas no Japão, que apostatara nas perseguições de Tokugawa, e a subsequente investigação dos missionários Sebastião Rodrigues, Francisco Garrpe e Juan de Santa Maria. Trata-se de um romance sobre a fé e a dúvida, com base em acontecimentos reais.
Há tempos correu a notícia de que Martin Scorsese estava a realizar um filme sobre esta história com Daniel Day-Lewis, Gael García Bernal e Benicio Del Toro nos principais papéis. Até a Rádio Vaticano falou do assunto (aqui).

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Xavier, Angiró e Bernardo em Kagoshima

Estátua de São Francisco Xavier (ao centro), Angiró (à esquerda) e Bernardo de Kagoshima (direita) no Parque Xavier (cidade de Kagoshima, no extremo sul do Japão).

Angiró, depois de ter morto um homem, fugiu do Japão e, na companhia de Fernão Mendes Pinto, foi ao encontro de Francisco Xavier. Mais tarde regressaria ao Japão como intérprete do missionário.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...