domingo, 12 de novembro de 2017

Lucas 15, a esquerda e a direita

Tem piada o artigo de Inês Teotónio Pereira, "A esquerda que queremos ser", no DN de ontem.

"Somos [os da direita] aquele irmão que ficou em casa a servir o pai mas não tem direito a um banquete em sua honra. Não, o carneiro mais gordo é para ser servido ao delinquente de esquerda que só faz asneiras, que é irresponsável, manipulador, arrogante e que nem sabe pedir desculpa. E nós, que sempre nos portámos bem, que nunca gastámos mais dos que podíamos, que cumprimos as regras todas, que nem uma escutazinha mais atrevida temos para dar ao CM, meu Deus, não recebemos sequer um apertãozinho na bochecha, uma festinha na cabeça, vá".

Ler tudo aqui.

A violência que dá alegria

Se a princípio fizermos um pouco de violência, tudo faremos depois com facilidade e alegria.

Imitação de Cristo, XI, 5d


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Rui Ramos e a metáfora religiosa da Web Summit

Rui Ramos também usa a metáfora religiosa para falar da Web Summit. Está lá tudo:


peregrinação religiosa 
fiéis 
templos 
hierarquia 
em carne ou em imagem
mensagens 
meditações
capelinhas
paróquia 
cerimónias,
liturgias
encíclicas
crentes
sacerdotes do culto
iluminados
mundo novo

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Refletir ainda não é rezar

Não deixa de ser curioso que ao mesmo tempo que, com algum deslumbramento, se apresenta o Click to Pray na web Summit (o Click to Pray é para rezar online com o Papa), o Papa diga:

“A Missa não é um espetáculo: é ir ao encontro da Paixão e da Ressurreição do Senhor. Por este motivo é que o sacerdote diz «corações ao alto». O que é que isso quer dizer? Lembrem-se: nada de telemóveis”.

Evidentemente, o "nada de telemóveis" refere-se ao uso de telemóveis na celebração, não ao uso para ver a celebração (se estiver a ser transmitida), nem ao uso deles para rezar.

Mas a minha questão é: pode-se mesmo rezar pelo telemóvel, pelo pc, pelas redes sociais, clicando e acendendo velinhas digitiais? Presumo que sim. Alguns fazem-no.

Mas soa-me sempre a "isto não é bem oração". Pelo menos é o que sinto, estando inscrito em algumas dessas coisas, fazendo douwnloads, clicando aqui e ali, rezando enquanto caminho ou faço outras coisas, como propõe um dos sites.

Suponho que há infoincluídos que dão valor à coisa. Não é o meu caso. Não cola. Refletir - e já não é mau - ainda não é rezar. Não consigo ver uma missa online sem me apetecer fazer outras coisas mais interessantes e úteis, relacionadas com a fé cristã (ler a Bíblia, por exemplo). Rezar enquanto se faz outra coisa faz sempre lembrar aquela tirada entre um noviço e um superior:

- Posso fumar enquanto rezo?
- Claro que não. A oração exige concentração.
Outro noviço ouve a conversa e diz:
- Palerma. Devias antes ter perguntado se podes rezar enquanto fumas.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O fervor religioso da Web Summit

João Miguel Tavares, no Público de hoje, diz que a Web Summit desperta

“fervor religioso”.

E que os bilhetes são caros e alguns mesmo muito caros, talvez porque quanto mais caro for o bilhete,

“mais perto o feliz proprietário poderá estar do seu herói tecnológico – quem sabe até tocar-lhe no manto, à espera de um milagre digital”.

Diz ainda que

“a Web Summit é a Igreja Universal do Reino da Tecnologia, e Cosgrave o seu pastor”.

E, for fim, que



“a Web Summit vende sonhos mas não faz milagres”.

Se calhar, no seu texto falou mais de religião do que  o apresentador da plataforma digital ‘Click to Pray’, criada pelo Apostolado de Oração em Portugal e que hoje também está na Web Summit.

Uma explicação. Aquela referência ao manto tem a ver com a mulher que sofria de hemorragias e pensa "Se ao menos eu tocar na roupa de Jesus, ficarei boa". No meio da multidão, ela consegue, de facto, tocar em Jesus. E fica curada. Jesus sentiu um poder a sair dele, vira-se para a multidão e pergunta:
- Quem é que me tirou o wi-fi?
Marcos 5,25-30

Samuel Úria: É Preciso Que Eu Diminua


Já não caibo numa casa
Onde o espaço é todo meu
Não são obras que me salvam
Eu só sei crescer

Durmo de janela aberta
Tenho os braços no estendal
Eu podia acenar-vos
Mas só sei crescer

Leio o topo da estante
Tudo livros de engordar
E eu preciso abreviar-me
Mas só sei crescer

Qualquer palmo que me meça
É de mão sem cicatriz
O que eu sou é largo de ossos
Pois só sei crescer

Eu só me caibo cá dentro
Mas bato no peito
Por estar com meu ar rarefeito
Eu inicio o discurso
Citando o sujeito
Primeira pessoa é preceito

Eu nem cá dentro me caibo
Pois bate a cabeça no teto
E cai na travessa
Eu já calei o discurso
Que a língua tropeça
Mas o gigantismo amordaça

Eu já invento virtude
No pico não peco
Lá em baixo ficava marreco
Estou tão em-mim-mesmado
É tiro ao boneco
Gigante barrado no beco

Eu já não sei inventar-me
É só mais do mesmo
Fermento em massa de autismo
Eu nem de mim já me pasmo
Há mar e marasmo
Há ir e voltar aforismo


Mas eu só sei crescer

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Bíblia, adultério e violência doméstica

Muito se escreveu sobre o juiz do Porto e a Bíblia. Mas julgo que ninguém até agora tinha dito na imprensa portuguesa que a maior novidade de Jesus - sim, é mesmo uma novidade, uma revolução - sobre o casamento, que é esta: “Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira” (Mc 10,11). Até então só o homem tinha direitos matrimoniais e o adultério - cometido por homens e mulheres - era sempre relativo ao casamento de um homem. É o que explico no que vai na imagem e que foi publicado no jornal da Diocese de Aveiro.

Bento Domingues: "Lutero não passou por Portugal"


Bento Domingues escreveu no “Público” de ontem que “Lutero não passou por Portugal”. Primeira frase do texto. Grande síntese que, em cinco palavras, diz muito sobre a religião, o poder, a Bíblia e a liberdade em Portugal. Mas o que me deixou curioso foi a frase seguinte: “Na revista Brotéria, de Outubro, tentei explicar por que lhe negaram o passaporte”.

Vou procurar ler a Brotéria de outubro. Quero ver como o dominicano justifica o facto de os dominicanos terem sido a principal peça, por vontade própria ou a mando de outros, da engrenagem que negou o passaporte a Lutero.

domingo, 5 de novembro de 2017

Fora do Diabo não há salvação

João Miguel Tavares diz que "fora do Diabo não há salvação" (aqui). Tem piada o jogo teológico-político. Tem a ver com a vida política portuguesa, mas é mais uma inspiração de base religiosa, lembrando o "fora da Igreja não há salvação".

E uma curiosidade sobre "extra ecclesiam nulla salus". Aqui.

sábado, 4 de novembro de 2017

Faithbook

Por que é que a expressão da fé no facebook é tão pouco profunda, tão banal, tão folclórica, tão inconsequente, tão pouco atraente? Tenho cá para mim que faithbook só em livro, não em digital. A fé no digital passa pouco pelo facebook. Fé-cebook.

Lucas 15, a esquerda e a direita

Tem piada o artigo de Inês Teotónio Pereira, "A esquerda que queremos ser", no DN de ontem. "Somos [os da direita] aquele i...