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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Bizantinice


Teófilo, imperador bizantino do séc. IX, afirma, reportando-se a Eva:
- A fonte e causa de todas as tribulações humanas foi uma mulher.
A poetisa Cássia argumentou:
- E toda a regeneração humana partiu de uma mulher.

Não certamente devido a esta discordância imperial, Cássia, apaixonada por Teófilo quando este ainda não tinha subido ao trono (ele, iconoclasta, casar-se-ia com Teofora, defensora dos ícones), terminou a sua vida como muitas mulheres que procuravam protagonismo: num convento.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

28 de Dezembro de 1986. Morre Andrei Tarkovsky

Andrei Tarkovsky morreu no dia 28 de Dezembro de 1986, em Paris. Nascera a 4 de Abril de 1932, perto de Moscovo.

Cineasta criativo e inovador (formado em Geologia – carreira que logo abandonou), realizou em 1966 o filme “Andrei Rublev”, sobre o pintor de ícones (o da “Trindade” é o mais célebre) e de frescos (os da Catedral da Anunciação, por exemplo, onde recentemente foi eleito o Patriarca de Moscovo).

Irritadiço e muitas vezes angustiado, Tarkovsky deixou uma obra marcada por um profundo sentido espiritual. Outros filmes relevantes:

“A Infância de Ivan” (1961)

“Solaris” (1972)

“Stalker” (1979)

“Nostalgia” (1983)

“Sacrifício” (1986)

O sítio www.nostalghia.com é dedicado ao cineasta.


"Trindade", de Rublev

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

24 de Setembro de 787. Começa o II Concílio de Niceia


O II Concílio de Niceia teve início no dia 24 de Setembro de 787. Foi o concílio que legitimou a veneração dos ícones, contra a iconoclastia. E é também o último concílio que tanto católicos como ortodoxos aceitam.

Li em tempos que Régis Debray dizia deste concílio: “Aqui começou Hollywood”. Mais ou menos isto. Infelizmente não consegui localizar a citação, embora julgue que vem em “Deus, um itinerário” (na Ambar). Mas percebe-se o sentido. A aprovação do uso da imagem é o início do predomínio da imagem. Na Bíblia ainda predomina a voz, o chamamento, a palavra, o Verbo. Agora, quem manda é a imagem, o vídeo, o ícone, o sinal. Não é assim tão dicotómico. Mas é muito assim.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O ícone Lenine


Marcos Ana passou 23 anos na prisão, sob a ditadura franquista e conta em livro, aos 87 anos, como foi. A obra chama-se “Digam-me como é uma árvore” (ed. Guerra e Paz) e é descrita como memórias “menos políticas do que puramente humanas” (“Ípsilon”, 12 de Junho). Marcos Ana recorda histórias da sua infância pobre e católica, da sua adesão ao comunismo na adolescência, da prisão, do exílio. Conta, por exemplo, que na prisão os presos sujeitos a tortura eram reconfortados por um certo retrato de Lenine, como se fosse um ícone religioso.

Leio a recensão de Mário Santos no “Ípsilon” e, sem antes conhecer o resistente, fico desperto para pelo menos dar uma olhadela no livro na próxima visita a uma livraria: “Este livro é um testemunho de vitalidade e optimismo, sem sombra de ressentimento. São as memórias de alguém que não nomeia os companheiros que «tiveram fraquezas», nem os seus directos torturadores: «porque devem ter filhos e netos e tanto tempo depois não quero conspurcar a recordação que tenham dos pais ou avós». São as memórias de um homem. Coisa rara”.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...