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domingo, 15 de novembro de 2015

O fim da papolatria?

Dizem-me que a papolatria, que denunciei várias vezes nestas crónicas, morreu.

Bento Domingues na crónica de hoje. Mas penso que, na realidade, a papolatria não morreu. Um certo tipo de papolatria morreu. Outro apenas adormeceu. Mas também há papolatria em relação a Francisco.

domingo, 24 de março de 2013

Muito cristianismo para ler no "Público" de hoje

Capa do "Público" de hoje, 24 de março de 2013

No "Público" de hoje são imensos os textos de interesse para quem anda na órbita cristã. Vejamos, a começar pelo caderno principal:
- nas páginas 8 a 11, há uma entrevista a Tolentino de Mendonça. "A Igreja não precisa só de correção, precisa de inspiração";
- na página 28, fala-se do encontro entre os dois Papas. "Dois Papa estiveram juntos, algo nunca visto na História da Igreja". Bonifácio VII, se viu Celestino V, foi para o mandar prender;
- na página 53, surge a crónica de Bento Domingues, "Semana das alianças malditas";
- na página 54, Portocarrero de Almada critica os que olham para os sapatos do Papa e conclui que "qualquer que seja a sandália do pescador, são sempre «formosos os pés dos que anunciam o Evangelho»".

Na revista 2, sem contar com o texto sobre António Borges (que é católico, mas julgo que esse aspeto não terá destaque nas oito páginas sobre o liberal) há:
- Bárbara Reis a dizer que "coragem" vem de "coração" e que "já todos percebemos - religiosos e ateus - que vamos ouvir este Papa" (pág. 4);
- o fotógrafo Sérgio B. Gomes diz que numa foto de uma senhora a rezar em Los Angeles vê mais religião e fé do que numa centena de fotografias de fiéis no Vaticano (pág. 11);
- nas páginas 20 a 27, uma reportagem sobre Jorge Mario Bergoglio em Buenos Aires. A capa do caderno principal remete para esta peça assinada por Ana Cristina Pereira.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Questões de Bento Domingues sobre economia e finanças


Do texto de Bento Domingues no "Público" de hoje, "Ano da Fé. Um decreto para quê? (1)":

As interrogações são inevitáveis: tanta ciência económica e financeira, ensinada nas Universidades Católicas, não será capaz de imaginar contributos para alternativas concretas, técnica e politicamente viáveis? A Banca é para salvar as pessoas ou serão estas, as exploradas, que devem salvar os interesses da Banca, mediante decisões governamentais? Não será possível desconstruir configurações políticas que, nos seus efeitos, resultam em grandes negócios para uns e em castigo para a maioria da população? Estaremos numa civilização esgotada a transitar de continente para continente, enquanto sistema de exploração, sem tentar curar as suas raízes?

As minhas observações
1. Aprecio muito Bento Domingues quando faz perguntas que questionam o funcionamento do sistema económico. Menos quando dá respostas sobre o sistema económico, coisa que hoje não faz. E ainda bem.

2. A partir de hoje, de um modo geral, só copiarei textos da imprensa escrita, na íntegra, no dia seguinte à sua publicação, se não estiverem disponíveis para todos on-line (para onde geralmente faço um link).

domingo, 28 de outubro de 2012

Como a justiça da Igreja inspira as condenações de hoje


Lance Armstrong


Na “2” do “Público” de hoje, na página 4, dois comentários sem relação um com outro afirmam,

- o primeiro, sobre a condenação de cientistas italianos por não terem referido o risco de sismo à população de Áquila (morreram 309 pessoas), que o El Mundo “lembrou Galileu a propósito da condenação”;

- o segundo, sobre a condenação do ciclista Lance Armstrong, agora destituído dos seus sete títulos do Tour de France, que o El País ouviu de um advogado australiano, Martin Hardie, que este era “um caso de fixação no conceito de culpa mais próprio da Inquisição da Idade Média do que da modernidade”.

E eu fico a pensar:

a) que os jornalistas do "Público" andam a ler demasiados jornais espanhóis;

b) que a história da Igreja da continua a ser fonte fértil exemplos elucidativos para o que hoje acontece;

c) que o advogado australiano precisa de umas lições de história da Igreja (ou do Mundo), pois a Inquisição que mais abusou da “fixação no conceito de culpa” foi a da Idade Moderna e não a medieval.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Da troika à trindade

No editorial do "Público" de ontem abundava a linguagem religiosa para falar da situação político-financeira portuguesa atual. Cito.
A que amo deve obedecer o Governo, agora que a santíssima troika já não é una nem indivisível?
(...)
Habituámo-os a ver os três tecnocratas da Comissão Europeia, Branco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional como os portadores do verbo divino do equilíbrio orçamental. E que, tal como a santíssima trindade, comungavam da unidade em que três são um e um são três. Acontece que o FMI decidiu armar-se em espírito santo (nenhuma conotação bancária) e alterou o texto sagrado da troika.
(...)
O PSD, pela voz de Jorge Moreira da Silva, não abdicou do primeiro mandamento da teimosia; à troika não pedirás mais tempo nem mais dinheiro.
(...)
O primeiro-ministro precisa de sinais (...).
Se não nem a santíssima troika está unida em torno da inflexibilidade das metas (...).

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Direito de resposta do "Público": Diocese do Funchal e o “diálogo com os ateus”

A Diocese do Funchal respondeu ao jornal "Público", que há dias afirmava "Bispo do Funchal suspende projecto de diálogo com ateus" (notícia aqui):

Diocese do Funchal e o “diálogo com os ateus” 
 1. Foi publicado, na 11.ª página da edição do Público de 5 de Maio último, um texto intitulado «Bispo do Funchal suspende projecto de diálogo com ateus», assinado por Tolentino de Nóbrega e que não corresponde minimamente à verdade, devendo ser esclarecido. 
 2. Independentemente de quem possa ser a sua “fonte”, a verdade é que o BISPO DO FUNCHAL NÃO PROIBIU e nem sequer podia ter dado ordens para suspender um projecto, que não lhe foi apresentado, e que a realizar-se carecia do seu conhecimento e autorização, como iniciativa que extravasava a paróquia. 
Ler tudo aqui.
 Agradeço a Henrique Dias, que me alertou para o comunicado.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Mulheres na vida de Jesus

Veio na revista "2" do Público do Domingo de Páscoa. Textos de António Marujo sobre as mulheres na vida de Jesus.




sábado, 5 de novembro de 2011

No "Público": Os Evangelhos segundo José Rodrigues dos Santos


No "Público" de hoje. Realço o que diz Teresa Toldy sobre a diferença entre os tempos actuais e os tempos bíblicos quanto a autoria e consequentemente direitos de autor (final da quinta coluna da primeira página). Daí que falar em fraudes e falsificações não faça sentido quanto à atribuição da autoria a apóstolos, ainda que se deve distinguir as diversas fases da escrita dos textos e as introduções (indevidas) pós-apostólicas, coisa que a crítica textual tem feito com rigor, mais em relação aos textos bíblicos do que a quaisquer outros.

Neste contexto, será ainda de adiantar, por exemplo, que se atribui a Homero versos que são de autoria colectiva, ao ponto de alguns duvidarem da existência do poeta Homero. E que a diferença temporal entre Platão ou Aristóteles e os manuscritos mais antigos que temos das suas obras é maior do que a que diz respeito aos textos da Bíblia. Faria sentido, ainda, uma explicação sobre o conceito de verdade, mentira, falsidade, falsificação, deturpação, etc. na antiguidade. Claro que, com estas e outras considerações, o romance ganharia em verosimilhança e, provavelmente, alguns admiradores académicos, mas perderia em popularidade.

Uma última observação: não podiam arranjar outra imagem para ilustrar a peça?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Apontamentos de arte sacra nas páginas do "Público"

O "Público", na página 2 do P2, tem vindo a publicar pequenas notas sobre peças da arte sacra portuguesa. A de há dias era um espanto absoluto. Um Cristo crucificado, mas dobrado para a frente e com uma mão solta, estendida. Julgo que a peça se chamada "O Cristo da pastorinha", mas o texto não falava da pastora. Perdi recorte, mas se o encontrar, copio-o para aqui.   

No "Público" de 12 de setembro de 2011

domingo, 11 de setembro de 2011

Bento Domingues: Despediu os ricos de mãos vazias

Texto de Bento Domingues, no "Público" de hoje. Neste mesmo jornal, na "Pública", uma reportagem sobre a "Árvore da Vida", a nova  capela do Seminário de Braga. Sobre esta capela, texto, imagens e vídeo no SNPC

domingo, 28 de agosto de 2011

Velho Testamento

A jornalista Felícia Cabrita respondeu ao inquérito da "Pública" (28-08-2011). Eis uma pergunta / resposta:
- Quando quer impressionar, que escritor cita?
- O Velho Testamento. Até eu fico impressionada!

domingo, 24 de julho de 2011

Grande entrevista de Bento Domingues na "Pública"


Bento Domingues é entrevistado hoje na "Pública". 14 páginas, seis de fotos e oito de texto. Três horas de conversa, diz a jornalista Anabela Mota Ribeiro. Amanhã, talvez copie para aqui a entrevista. Agora vou lê-la.

domingo, 29 de maio de 2011

"Eis os invisíveis", segundo Miguel Esteves Cardoso



É um grande pecado não ver as essas que são visíveis. As pessoas que lavam as casas de banho; que pintam os muros da praia; que limpam as ruas. Ou os velhos e as criancinhas que passam por nós.
São pessoas invisíveis, a quem não falamos, que são o anjo Elias entre nós, os outros eus de Levinas; os convidados inesperados que, se dermos por eles e nos lembrarmos deles, hão-de ajudar a salvar as nossas pobres e comprometidas almas.


Miguel Esteves Cardoso no “Público” deste domingo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Missal do Novo Catecismo da "troika"

No dia 14 de Maio, São José Almeida escreveu no “Público” uma opinião sobre o programa de intervenção na economia portuguesa elaborado pela troika. Deu-lhe o título de “A Contra-Reforma” e usou diversas expressões de origem religiosa para falar do assunto.

Sendo a troika constituída por representantes de três instituições (FMI, BCE e CE), só faltou falar em trindade.

Vejamos as frases e expressões com linguagem de inspiração religiosa (os negritos são meus):

- “O documento da troika surge assim como uma espécie de Missal do Novo Catecismo da Contra-Reforma, imposto por um novo Concílio de Trento que instalou a sua doutrina na Europa. E nele surge uma visão salvífica e redentora, que ignora a degradação social que provoca, e que se apresenta como um novo dogmatismo que promete trazer um paraíso de leite e mel ou ser uma espécie de novo sol na terra”;

- [documento apresenta-se como] "verdade absoluta";

- “Não sendo demonstrável a capacidade salvífica do documento da troika…”;

- “Será que contém alguma solução milagrosa para o desenvolvimento económico que tenha resultado na Grécia?”;

- "Contra isso [tensão e revolta social] o Missal da troika não apresenta ainda milagre".

Mais para o final a jornalista, que já em diversos textos mostrou que é ateia ou pelo menos agnóstica, volta a falar do enigmático “Missal do Novo Catecismo desta Contra-Reforma”. Digo enigmático porque não existe nenhum “Missal do Novo Catecismo”. O que existe é o Catecismo de Pio V, preparado pelo Concílio de Trento (1545-1563) e publicado por Pio V em 1566, e o Missal Romano, publicado pelo mesmo Papa em 1570. Mas são coisas diferentes. A jornalista devia ser mais cuidadosa. Devia ter mais trento na língua.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...