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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Os católicos O'Neill

Lendo sem método nem objetivos a biografia literária de Alexandre O'Neill (quase todos os adolescentes nos anos 80 tiveram uma fase o'neillista), de Maria Antónia Oliveira, vejo que o poeta ateu era descendente de uma família católica irlandesa que fugiu para Portugal, no séc. XVIII, por causa das perseguições contra católicos no Ulster. O'Neill morreu há 30 anos, a 21 de agosto de 1986. E é por isso que estou a ler, com gosto, a biografia.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Irlanda

Que mais há de acontecer à Igreja católica na Irlanda? (E mais uma série de questões sobre a sexualidade e a mudança de mentalidades e perceções, que é o que está em causa, mas receio que tudo fique pela rama do "papel da Igreja".)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

12 de Janeiro de 1729. Nasce o filósofo e político Edmund Burke

Edmund Burke, filósofo e político, pai do conservadorismo, nasceu em Dublin (Irlanda), no dia 12 de Janeiro de 1729, e morreu em Beaconsfield (Inglaterra), no dia 9 de Julho de 1797. Não escreveu nenhuma obra substancial, o que terá feito com que o seu pensamento não seja muito estudado, mas deixou as suas ideias em cartas e escritos de ocasião.

Não gostava de Rousseau nem da Revolução Francesa. Preferia a Constituição inglesa e o longo depósito de tradições, que é a história, às iluminações dos filósofos individuais.

Era filho de uma católica e de um protestante. Como sentia as divisões cristãs na sua própria família, escreveu, quando estudante no Trinity College de Dublin, a um amigo quaker: “Tomamos diferentes caminhos, é verdade”, mas “não há senão um Deus e por isso não há senão uma fé e um baptismo": “o cristianismo alargado” (li aqui).

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Igreja da Irlanda pediu que não se investigasse padre suspeito de terrorismo

Um padre irlandês (já falecido) poderá ter estado implicado num atentado na Irlanda do Norte em 1972. Nunca se apurou a verdade porque a Igreja católica negociou para que o caso não fosse investigado. Mais um sinal, triste, da influência da Igreja católica nos poderes públicos da Irlanda, neste caso, a do Norte. Notícia do DN de 25 de Agosto de 2010.

Note-se que a Conferência Episcopal da Irlanda inclui os bispos das dioceses do território da Irlanda do Norte (julgo que são seis das 26 da ilha).

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Para um dicionário católico pós-crise actual (1). Clericalismo

Clericalismo – Mentalidade elitista e respectivos padrões de comportamento que considera que os clérigos são intrinsecamente superiores aos outros membros da Igreja, pelo que merecem deferência automática.

Consequência lógica - A passividade e a dependência são a sina dos leigos.

Consequência cultural - Na Irlanda diz-se, quando alguém comete um erro: "Até a um bispo isso podia acontecer" (li aqui).

Consequência catastrófica - Os abusos sexuais. O clericalismo dos leigos e dos clérigos impede que se questionem as acções do clero.

Baseado nas declarações de Michael Kelly, vice-editor do jornal "Irish Catholic", lidas aqui.

domingo, 22 de agosto de 2010

Uísque católico

Fiquei hoje a saber que há whiskey católico. Foi lendo a croniquinha de Miguel Esteves Cardoso no “Público”. Fala do whiskey (assim, em “irish english) que Samuel Beckett bebia. “Sempre se disse de Beckett que era bebedor do whiskey da Irlanda do Norte (…)”. Supunha-se que bebia Bushmills, um whiskey protestante. “No entanto - afiança o cronista - nos últimos meses de vida dele, num lar de terceira idade de Paris chamado Tiers Temps, aqueles que o visitaram não viram Bushmills: só Jamesons e Tullamore Dew. Jamesons é o whiskey católico da Irlanda. Tullamore Dew é o whiskey irlandês que os irlandeses não têm clima para apreciar” (sic).

Esta confessinalidade dos uísques faz-me lembrar aquela anedota dos ateus irlandeses, que são sempre ou ateus católicos ou ateus protestantes.

Apesar da repetição da palavra Jamesons, não há um whiskey com esse nome. Há, sim, uma marca sem "s" final.

domingo, 21 de março de 2010

Bento XVI tenciona visitar a Irlanda

Nas notícias que li na imprensa há um aspecto que não é afirmado com clareza, mas é importante. Bento XVI tenciona visitar a Irlanda. A "visita apostólica" foi tomada como inquérito, mas julgo que se tratará mesmo de uma visita papal. Será a visita mais difícil de Bento XVI.

Diz a Carta Pastoral (perto do final):
"Além disso, depois de me ter consultado e rezado sobre a questão, tenciono anunciar uma Visita Apostólica a algumas dioceses da Irlanda, assim como a seminários e congregações religiosas. A Visita propõe-se ajudar a Igreja local no seu caminho de renovação e será estabelecida em cooperação com as repartições competentes da Cúria Romana e com a Conferência Episcopal Irlandesa. Os pormenores serão anunciados no devido momento".

Bento XVI e a pedofilia

"Papa manifesta vergonha, assume responsabilidade e quer caminhos de cura". Quatro páginas no "Público" de hoje sobre a Carta Pastoral do Papa aos católicos irlandeses, ontem divulgada, e a questão do celibato, aqui.


A Carta Pastoral, ainda em tradução não oficial, pode ser lida aqui.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Imagine a eternidade - um excerto de James Joyce

Stephen Dedalus (isto é, James Joyce), em “Retrato de um artista enquanto jovem”, relata a pregação de um padre jesuíta sobre a eternidade:

“Tente fazer uma ideia do terrível significado desta palavra, eternidade. Por certo, observou muitas vezes a areia à beira-mar. Como são finos, esses grãos minúsculos! E quantos destes grãos infinitamente miúdos são necessários para um só punhadozinho de areia que uma criança atira a brincar! Imagine agora uma montanha desta areia, com a altura de um milhão de milhas, ocupando todo o espaço; e com um milhão de milhas de espessura. Imagine esta enorme massa de inúmeras parcelas de areias, multiplicada pelo número de folhas da floresta, de gotas de água no imenso oceano, de penas das aves, de escamas dos peixes, de pêlos dos animais, de átomos na vasta extensão do ar; depois, imagine que, ao cabo de cada milhão de anos, um passarinho vem a esta montanha e leva no bico um minúsculo grão de areia. Quantos milhões e milhões de séculos se escoarão antes que esse pássaro tenha levado um só pé quadrado desta montanha, quantas infinidades de séculos, antes que tenha levado a montanha inteira! E, contudo, no fim deste imenso período, não se pode dizer que se tenha escoado um só instante da eternidade. No fim destes biliões e triliões de anos a eternidade estaria no seu começo”.

13 de Janeiro de 1941. Morre James Joyce

James Augustine Aloysius Joyce, nascido em Dublin (02-02-1882), um dos maiores escritores do séc. XX, autor de “Dublinenses” (1914), “Retrato do Artista Enquanto Jovem” (1916), “Ulisses” (1922) e “Finnegans Wake” (1939), morreu no dia 13 de Janeiro de 1941, em Zurique, Suíça, onde estava expatriado.

Teve educação católica, e estudou nos jesuítas. Havia quem esperasse dele uma vocação religiosa, mas abandonou o cristianismo aos 16 anos. Na sua obra, porém, são muitas as marcas católicas.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

30 de Novembro de 1900. Morre Oscar Wilde

Estátua de Oscar Wilde na Praça Merrion, em Dublin,
perto da casa onde viveu em criança

Às 9h50 de 30 de Novembro de 1900, Oscar Wilde morreu em Paris. De meningite. Nasceu em Dublin, em 1854, e foi criado numa família protestante, mas quis morrer católico. No leito da morte, assistiu-o o padre Cuthbert Dunne, que lhe administrou o Baptismo e a Extrema Unção, como contaria Robert Ross (“Robbie”), que vivia com o escritor, numa carta de 14 de Dezembro de 1900.

Oscar Wilde foi sepultado num cemitério fora de Paris e mais tarde trasladado para o Père Lachaise. O túmulo, feito pelo escultor Jacob Epstein, está cheio de marcas de batom de beijos (bem perto fica o de Jim Morrison, dos Doors, que está cheio de pontas de cigarro, mortalhas e afins).

A conversão de Wilde é algo surpreendente, no entanto, vinha de longe o interesse pela Igreja Católica. Oscar Wilde encontrou-se com Pio IX em 1877 e dizia da Igreja Católica: “É para santos e pecadores – para pessoas respeitáveis, chega a Igreja Anglicana”. E durante a prisão (1895-1897) leu obras de Agostinho, Dante e John Henry Newman (1801-1890), o cardeal cujo processo de beatificação está em curso e de quem se diz ter sido homossexual (houve polémica em Inglaterra, há poucos meses, por causa disso).

Em Julho de 2009, o L’Osservatore Romano, abordando um estudo sobre Wilde, disse que o autor de “De profundis” e “Retrato de Dorian Gray” foi “uma das personalidades do século XIX que mais lucidamente analisaram o mundo moderno seus aspectos mais perturbantes e mais positivos”.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Vergonha da pedofilia na igreja irlandesa no Público

Notícia no "Público" de hoje:

Líderes católicos fecharam olhos a abusos de padres

Arcebispos irlandeses adoptaram, durante décadas, política de don"t ask, don"t tell. Mas o Estado também sai mal na fotografia (ler aqui)


O comentário de António Marujo (negritos meus):

1. A hierarquia católica nunca lidou bem com os abusos sexuais do clero, como mostra de novo o relatório publicado na Irlanda (como, já antes, documentos semelhantes no Canadá, EUA, Áustria e Austrália). Durante décadas, vários bispos (incluindo cardeais, como Bernard Law, ex-arcebispo de Boston) preferiram o chamado "bem da Igreja" ao bem das vítimas - exactamente o contrário do que a sua fé lhes diz.

Uma das razões para esta falta de tacto era a forma como se reprimia a sexualidade. Como certeiramente disse o ministro irlandês da Justiça, Dermot Ahern, o episódio traduz a "ironia cruel de uma wIgreja que, motivada em parte pelo desejo de evitar o escândalo, de facto criou um outro, de uma incrível amplitude". Para a própria Igreja, o encobrimento foi trágico: nos EUA várias dioceses tiveram que vender património e declarar falência, para pagar indemnizações às vítimas.

2. O problema é mais vasto: o relatório irlandês culpa também as instituições do Estado pela omissão na descoberta da verdade. A questão traduz também o modo como, em sociedade, nos relacionamos com os afectos e com os mais frágeis. As relações entre as pessoas são também, em muitos casos, relações de poder e só nas últimas décadas a pedofilia começou a ser mal vista pela opinião pública. O caso Polanski aí está para o recordar: alguns desculpam ao cineasta o que não perdoam em outros casos. E as contradições judiciais do caso Dutroux, na Bélgica, mostram a dificuldade com que ainda se lida socialmente com estas questões.

3. Nem sempre os media deram igual atenção às medidas tomadas para sanear o problema (posições de João Paulo II ou Bento XVI, decisões dos episcopados) que deram aos escândalos. Outro dado: números da Conferência Episcopal americana (80 por cento dos padres envolvidos eram dos EUA, uns 4400, num total de 5000 em todo o mundo) dizem que, desde 1950, foram "só" quatro por cento do número total os padres que estiveram envolvidos em casos de pedofilia. Apesar de tudo, uma parte reduzidíssima do clero. Mas bastaria um crime de um único padre para que a questão já fosse importante.

Ou aqui.

sábado, 31 de outubro de 2009

Livro de Durrow

O Livro de Durrow (que provavelmente foi feito na abadia de Durrow, no Condado de Offaly, na Irlanda, mas há outras hipóteses) é o mais antigo Evangelho ilustrado que sobreviveu na totalidade. Representa um novo conceito medieval de embelezamento do texto sagrado. É o primeiro exemplo de um programa total de decoração que complementa a estrutura do texto.

A instituição que o detém, Trinity College de Dublin, diz que é da segunda metade do séc. VII (e não do séc. IX, como diz a Ecclesia). O Livro de Durrow, de pergaminho, mede 245 x 145 mm.

Tesouro cultural da Irlanda chega a Coimbra

Uma cópia do livro de Durrow, o mais antigo Evangelho com decorações completas feito na Irlanda, foi ontem entregue à Universidade de Coimbra.

Datado do século IX, é um dos mais famosos manuscritos com iluminuras irlandesas e muito provavelmente o primeiro Evangelho produzido nas ilhas britânicas, no período pós-Império Romano.

O director da biblioteca da Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais, espera que esta obra seja muito requisitada: “Uma obra do século IX com iluminuras ao estilo inglês da época, feita por monges, numa altura em que os livros eram coisas misteriosas, feitas no segredo dos conventos, interessa a toda a gente, no sentido de que qualquer pessoa é curiosa pela história, saber como os livros eram feitos na alta idade média, que arte tinham. É algo que tem interesse para toda a gente, saber como a tradição cristã passou nessa altura através do livro, o papel que o livro teve na história da religião, em particular o cristianismo.”

Considerado um dos mais importantes testemunhos da sua época, o original deste livro encontra-se no espólio da biblioteca da Trinity College, em Dublin.

Fonte do texto: Ecclesia

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...