Teu sangue minhas culpas lave e toque,
E mais abunde quanto mais velho sou,
De pronta ajuda e de perdão inteiro.
Miguel Ângelo (1475-1564)
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Galeria da Compaixão
Os museus têm de ser mais do que espaços para expor objetos belos. Devem ser lugares que usam objetos belos para tentar tornar-nos bons e sábios. Só então os museus poderão afirmar que cumpriram devidamente a nobre mas ainda elusiva ambição de se tornarem as novas igrejas.
Alain de Botton, página 238, "Religião para ateus". No capítulo VII, "Arte", o filósofo defende que os museus, na sua pretensão moderna de substituir os templos religiosos, deveriam ter as obras de arte dispostas por temas (tipo "Galeria da Compaixão", "Galeria do Autoconhecimento", "Galeria do Amor") e não por escolas (tipo "Escola de Veneza", "O século XIX").
Alain de Botton, página 238, "Religião para ateus". No capítulo VII, "Arte", o filósofo defende que os museus, na sua pretensão moderna de substituir os templos religiosos, deveriam ter as obras de arte dispostas por temas (tipo "Galeria da Compaixão", "Galeria do Autoconhecimento", "Galeria do Amor") e não por escolas (tipo "Escola de Veneza", "O século XIX").
sábado, 21 de setembro de 2013
Três dedos que apontam para o Papa
O Papa deu uma entrevista a 16 publicações dos jesuítas. Um dia é um texto no "Repubblica", no outro uma entrevista (que esteve em tantas mãos durante um mês e ninguém se descaiu), mais uma encíclica, um sermão diário e não sei quantas comunicações por semana... Ufa. É difícil tem pedalada para o Papa. Já com os outros assim era. Mas quanto aos outros, poucos lhes ligavam. Com este, há uma certa pressão mediática e social e que nos diz: "Já ouviste o que o Papa disse". Na verdade, já não ouço muito do que o Papa diz. Vou ouvindo umas coisas. E por vezes guardo para ler mais tarde, o que, nestes tempos de informação torrencial, quer dizer nunca. Da entrevista jesuítica, cheguei a este ponto. E procurei as imagens.
Três dedos que apontam para Mateus (clique para ver bem)
Vindo a Roma sempre vivi na Via della Scrofa. Dali visitava frequentemente a igreja de São Luís dos Franceses e ali ia contemplar o quadro da vocação de São Mateus, de Caravaggio». Aquele dedo de Jesus assim… dirigido a Mateus. Assim sou eu. Assim me sinto. Como Mateus. É o gesto de Mateus que me toca: agarra-se ao seu dinheiro, como que a dizer: “Não, não eu! Não, este dinheiro é meu!”. Este sou eu: um pecador para o qual o Senhor voltou o seu olhar.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
O véu é obrigatório quando se dá de mamar, como mostra fotógrafo luso-francês
O título é grego "Amalthée", remete para a infância de Zeus, mas as imagens são inspiradas obviamente nos quadros da Virgem, como o de cima. O autor a série de fotos, como a de baixo, que pode ser vista aqui, é um luso-francês, Georges Pacheco. Diz que é para fomentar e homenagear a amamentação. Indispensável o uso de véu, pois.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Eu e o Papa Francisco (1) - Marc Chagall
Esta é uma nova secção cá no blogue. Pouco mais que brincadeira.
Já disse que se o Papa acredita no diabo enquanto ser pessoal que de vez em quando possui pessoas (para mim ainda não é claro se ele acredita mesmo nisto), não estou com ele. E, digo já, também não estou com ele nas críticas abertas e sem grandes precisões ("quem não distingue confunde", como dizia um célebre professor meu) que faz ao "capitalismo". Na minha opinião, o capitalismo é como a democracia. Podem ser maus, mas ainda não temos sistemas melhores. São reformáveis. E os outros sistemas são muito piores.
Onde me encontro com papa Francisco? Refiro-me a coisas particulares, não às grandes linhas da fé católica, que, como é claro, pelo menos para mim, procuro seguir. Encontro-me com ele na pintura.
Perguntam-lhe Francesca Ambrogetti e Sergio Rubin:
- Um quadro?
E ele responde:
- "A Crucificação Branca", de Marc Chagall.
Já disse que se o Papa acredita no diabo enquanto ser pessoal que de vez em quando possui pessoas (para mim ainda não é claro se ele acredita mesmo nisto), não estou com ele. E, digo já, também não estou com ele nas críticas abertas e sem grandes precisões ("quem não distingue confunde", como dizia um célebre professor meu) que faz ao "capitalismo". Na minha opinião, o capitalismo é como a democracia. Podem ser maus, mas ainda não temos sistemas melhores. São reformáveis. E os outros sistemas são muito piores.
Onde me encontro com papa Francisco? Refiro-me a coisas particulares, não às grandes linhas da fé católica, que, como é claro, pelo menos para mim, procuro seguir. Encontro-me com ele na pintura.
Perguntam-lhe Francesca Ambrogetti e Sergio Rubin:
- Um quadro?
E ele responde:
- "A Crucificação Branca", de Marc Chagall.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
27 de maio de 1871. Nasce Georges Rouault, autor de alguns dor mais belos rostos de Cristo
Georges Rouault, francês, nasceu no dia 27 de maio de 1871 e morreu no dia 13 de fevereiro de 1958. Pintou alguns dos mais belos rostos de Cristo.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Via sacra de Botero em Lisboa
Exposição. Via sacra pintada pelo colombiano Botero. Sugestão para quem estiver perto do Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa. Gostava de a ver, apesar da má crítica que teve no "Público" há semanas.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Sinfonia no teto e nas paredes da Sistina
As pinturas Capela Sistina foram inauguradas
há 500 anos (há tempos escrevi que foi no dia 1 de novembro de 1512, mas parece
que foi na véspera). Ontem, o Papa disse que a capela é uma “sinfonia de
figuras”.
“Com uma intensidade expressiva única, o
grande artista desenha o Deus Criador, a sua ação, o seu poder, para dizer de
forma evidente que o mundo não é produto da escuridão, do acaso, do absurdo,
mas deriva de uma Inteligência, de uma Liberdade, de um supremo ato de Amor”,
disse Bento XVI.
Copiei daqui.
A Capela, sem filas, pode ser vista aqui.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Restauradora de Borja inspira corrente artística
Li a notícia ontem no DN (parece que também passou nas televisões) e muito me ri, tanto com a generosidade da velhinha como com o novo rosto de Jesus, no fundo tão perto ou tão longe do verdadeiro rosto como qualquer outra pintura, já que não existe qualquer imagem fidedigna do Jesus histórico.
A notícia dizia:
Uma senhora na casa dos 80 anos decidiu 'restaurar' um fresco que está exposto na Igreja do Santuário da Misericórdia em Borja (Aragão), Espanha. A intenção era boa mas o resultado, que aqui mostramos... foi hoje divulgado pela autarquia.
A pintura, da autoria do espanhol Elías García Martínez, foi realizada nos primeiros anos do século passado (XX) e decora uma das paredes da Igreja do Santuário da Misericórdia em Borja (Aragão), Espanha.
Ler o resto aqui.
Agora, enquanto a igreja da obra de arte em questão já é o quinto sítio religioso mais visitado da Espanha, diz a Wikipedia, aqui (o "El País" e a BBC, entre outros, deram uma ajuda; e tanto Ferreira Fernandes, no DN, como Miguel Esteves Cardoso, no "Público", escrevem sobre o assunto), pululam pelo ciberespaço arranjos inspirados por Cecília Gimenez - assim se chama a voluntariosa senhora. Aqui ficam dois.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
“Na realidade, quem és tu?”
Desenho de Georg Grosz, 1924
Pense-se na novela de Gerhart Hauptmann (1), “O louco em Cristo
Manuel Quinto”, ou nas representações, ou seja, nas desfigurações que de Cristo
nos oferecem Wilhelm Gross (2) e George Grosz (3), por detrás das quais espreita a
pergunta: “Na realidade, quem és tu?” Cristo anda através dos tempos sempre
interrogado e sempre incompreendido, sempre novamente ajustiçado.
Dietrich Bonhoeffer na introdução de "Christologie", 1933
(1) Gerhart Hauptmann (1862-1946), romancista e dramaturgo
alemão. Nobel da Literatura em 1912. No romance “Emanuel Quint der Narr in
Christo” (1910), diz a Wikipedia, mostrou como o evangelho seria recebido, se
Cristo surgisse novamente no mundo.
(2) Wilhelm Gross (1883-1974), pintor e escultor alemão.
(3) Georg Grosz (1893-1959), pintor e desenhador alemão.
Dadaísta. Muito ativo durante a República de Weimar.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Desde Moisés que ninguém tinha visto uma montanha com esta grandeza
Rainer Maria Rilke escreveu à sua mulher, Clara, sobre o quadro de Cézane intitulado "Mont Sainte-Victoire":
Desde Moisés que ninguém tinha visto uma montanha com esta grandeza... Só um santo conseguiria estar tão unido a Deus como Cézanne estava com a sua obra".Mas a qual "Mont Sainte-Victoire" de Cézanne se referia Rilke? Pintou o monte dezenas vezes. Aqui ficam dez.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
16 de fevereiro de 1990. Morre o artista Keith Haring
Keith Haring morreu de sida no dia 16 de fevereiro de 1990. Novaiorquino,
homossexual assumido, dizia que se ele não apanhasse o vírus, ninguém mais
apanhava. Quando soube que estava seropositivo, numa época em que a doença dava
pouco tempo de vida, criou uma fundação para ajudar crianças com sida. Morreu
com 31 anos.
Deixou uma obra nas artes plásticas que é das mais reconhecidas dos
anos 80-90, ou mesmo da segunda metade do séc. XX.
Para a Catedral de S. João Divino, em Nova Iorque, sede da
diocese episcopal (comunhão anglicana), criou este tríptico. Foi a sua última escultura. Nesta catedral viriam a realizar-se as cerimónias fúnebres do artista.
Keith Haring não era um artista religioso. Aliás, diz-se que a temática homo-erótica é a mais presente nas suas obras. Mas a
temática religiosa também o inspirou. Ou, pelo menos, aquilo que podemos
relacionar diretamente com temas cristãos.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
"Preciso daquela cara, sim", texto Ferreira Fernandes no DN
Foto vencedora do Word Press Photo do Ano 2011, de Samuel Aranda
Nas Pietà, todas, a de Miguel Ângelo, de El Greco, de Van
Gogh, o objeto da compaixão é Cristo, corpo sem sopro. Juntamo-nos ao outro
personagem do quadro ou da escultura, Maria, para partilhar o que o seu olhar,
a inclinação do pescoço e o rito da boca mostram: piedade. O duo foi feito em
função dele, mas a força emana dela. Por ela, vamos para ele. A vencedora do
Word Press Photo do Ano 2011, do espanhol Samuel Aranda, parece uma Pietà, mas
não é. Numa mesquita de Saná, no Iémen, convertida em hospital durante
manifestações, um corpo de homem, magro como Cristo, sofrido, abandona-se
sobre uma mancha. Esta é uma makrama, veste negra que cobre as iemenitas da
cabeça aos pés, com nesga por onde os olhos mal se adivinham. O homem é vítima
de alguma coisa mas não comove. Ao contrário de Cristo, para quem vão as nossas
emoções - impelidas pela força de Maria -, aquele iemenita não existe. A foto
vencedora do Word Press Photo do Ano 2011 tem personagem única, tão forte
quanto nem aparece. Adivinha-se para lá do negrume das vestes. Mais bordoada,
menos bordoada, o homem da foto é uma vítima banal, talvez alguém que exigia
uma passagem de peões em Queluz e escorregou. Mas o ser apagado pela makrama,
tão apagado que nem sabemos se chora, esse, é uma tragédia tão enorme que anula
tudo à sua volta. Se alguém me diz que não preciso daquela cara para saber o
que ela exprime, desminto. Preciso, até para saber o que há à sua volta.
Ferreira Fernandes no DN de hoje (aqui).
Ferreira Fernandes no DN de hoje (aqui).
"Pietà" de Miguel Ângelo
...de El Greco
...de van Gogh
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
"A Virgem e o Coelho", fé e ciência num quadro de Natal
No blogue Rerum Natura, a explicação da pintura “A virgem e
o Coelho”, de Ticiano, por António Piedade. Ou como cultura, genética e teologia se juntam num quadro renascentista, aqui.
(…) O quadro referencia a pureza da fertilidade e da concepção imaculada de Maria, representada pela alvura, símbolo de pureza, do coelho enquanto espécie associada à fertilidade. Nesta pintura renascentista, Maria recebe de Catarina de Alexandria o menino Jesus. Este contempla um coelho branco bem seguro pela mão esquerda de sua mãe imaculada. As mãos de Maria fazem a interligação entre o menino Jesus e a pureza representada pelo coelho branco.
Como veremos mais à frente, há razões para uma intencionalidade para este simbolismo do coelho com a pureza e com a concepção sem pecado. Neste contexto, pode dizer-se que a obra faz uma alusão ao mistério da incarnação e da imaculada concepção de Maria, numa interpretação de Tiziano do culto mariano e dos novos evangelhos bíblicos. Mas note-se também na presença de um cesto semiaberto com fruta, uma maçã, numa alusão ao pecado original relatado nos Velhos testamentos.
Esta obra “A Virgem e o Coelho” contém ainda informação insuspeita sobre da evolução da humanidade na sua relação com o mundo. Muito para além do renascimento e vitória da luz sobre as trevas, ajustado pela cristandade ao solstício de inverno, apropriada e primeiramente celebrada nas festividades natalícias neste canto ocidental da humanidade, para celebrar o nascimento do menino Jesus. (…)
[Segundo o édito papal de Gregório I, séc. VI,] os coelhos recém-nascidos não eram considerados carnais pelo que poderiam ser consumidos durante a quaresma sem que daí adviesse pecado para aqueles que os consumissem! Eis uma forte razão para os manter em cativeiro, para os domesticar. Há registos da troca de coelhos no ano de 1194 entre mosteiros do centro da Europa e do Sul de França, o que mostra que a sua domesticação era comum já no primeiro milénio d.C.
A natureza não carnal dos coelhos recém-nascidos, sugerindo uma concepção sem pecado, encontra assim eco na associação do coelho branco do quadro de Tiziano ligado à concepção imaculada do menino Jesus por Maria, nascimento celebrado nesta quadra natalícia pela cristandade.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
"Jésus de Tahrir"
Foi a capa do “Libé” de 22 de Novembro. No sábado, Gérard
Lefort escreveu que a fotografia lembra uma cena bíblica muito presente no
Ocidente europeu desde que a “Igreja católica autorizou e depois encorajou a
representação de temas bíblicos”. “O que se vê, pois, no transportado da Praça
Tahrir é «simplesmente» Jesus de Nazaré depois da sua descida da cruz”.
O crítico de cinema do jornal francês fala ainda da carga
erótica da imagem, da beleza “planante” deste “Jésus de Tahrir”. Ler aqui.
Agradeço a H. V. que me alertou para capa do jornal e o pequeno ensaio e informou que "o rapaz da foto sobreviveu".
Em cima, uma "Descida da Cruz" de pintores de Antuérpia, do séc. XVI. Pertence à Casa de Bragança. Em baixo, uma "Pietá" de Paula Rego.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
7 de Novembro de 1598. Baptismo de Francisco de Zurbarán
Francisco de Assis duas vezes retratado por Zurbarán
O pintor espanhol Francisco de Zurbarán, de Badajoz, foi baptizado no dia 7 de Novembro de 1598. Provavelmente terá nascido neste dia. Morreu no dia 27 de Agosto de 1664, em Madrid. Ficou conhecido principalmente pelos quadros sobre a vida religiosa. Devido ao uso do “chiaroscuro”, diziam que era o “Caravaggio espanhol”. Estava muito ligado aos franciscanos.
D.ª Isabel de Portugal, também ela franciscana de S.ta Clara - Coimbra
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Vida misteriosa de Da Vinci - na Sábado
A revista "Sábado", hoje nas bancas, dedica oito páginas à descoberta de mensagens secretas nos quadros de Da Vinci. É o tema principal da capa. Reproduzo as duas primeiras páginas.
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