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domingo, 6 de janeiro de 2013

Sozinho não consigo

Ó Deus, invoco-te na aurora!
Ajuda-me a orar e a reunir os meus pensamentos;
Sozinho não consigo.

Dietrich Bonhoeffer (1906-1945)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Liberdade

Se sais em busca da liberdade, aprende antes de tudo a disciplina dos teus sentidos e da dua alma, para que os teus desejos e os teus membros não te arrastem sem descanso, por aqui e por ali.


Dietrich Bonhoeffer

terça-feira, 5 de junho de 2012

Capacidade de resistência

Creio que Deus pode e quer fazer surgir o bem de tudo, mesmo do maior mal. Para isso, precisa de homens (...). Creio que Deus nos concederá em cada situação difícil tanta capacidade de resistência como a de que precisarmos.


Dietrich Bonhoeffer (1906-1945)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Abismática maldade do mal



A grande mascarada do mal transtornou todos os conceitos éticos. Para quem provem do nosso tradicional mundo de conceitos éticos, o facto de o mal aparecer sob o aspeto da luz, da ação benéfica, da necessidade histórica, da justiça social, é simplesmente perturbador. Para o cristão que vive da Bíblia, este facto constitui a confirmação da abismática maldade do mal.

Dietrich Bonhoeffer em 1943. Excerto de umas reflexões dirigidas a um grupo de amigos e a alguns membros da sua família implicados no atentado contra Hitler.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O sucesso do catolicismo aumenta proporcionalmente ao preço da graça?



Ando a ler “Tudo tem um preço”, de Eduardo Porter, jornalista norte-americano especialista em economia. É mais um daqueles livros de economia tão em voga que explicam tudo, do formato dos pacotes de leite ou das caixas de DVD à relação entre aborto e crime, dos congestionamentos de trânsito à ascensão da China. Porque tudo reside em escolhas humanas.

Ora este “Tudo tem um preço” (o título original tem um sentido algo diferente: “The price of everything”), subtítulo: “a lógica secreta dos preços que pagamos”, propõe-se explicar
a) o preço da vida
b) o preço da felicidade
c) o preço das mulheres
d) o preço do trabalho
e) o preço do grátis
f) o preço da cultura
g) o preço da fé
h) o preço do futuro
E dedica ainda um capítulo a “quando os preços falham”, o constitui um toque de eficiente humildade.

O livro é suficientemente atrativo para – no meu caso – não saltar logo para o capítulo da alínea g). Mas a tese é enunciada logo nas primeiras páginas:
“Os economistas sugerem que a Igreja Católica tem vindo a perder fiéis, não porque as pessoas tenham deixado de acreditar em Deus, mas porque ser católico se tornou demasiado barato face ao cristianismo evangélico, que exige dos seus membros um investimento mais avultado nas igrejas, inspirando assim mais lealdade” (pág. 11).
Antes de avançar mais na leitura, com a liberdade que a ignorância me dá (e antes de perguntar se a Conferência Episcopal Portuguesa conhece a tese, se a tem em conta para analisar a perda de católicos em Portugal, uma perda apesar de tudo, enfim, pífia, isto é, sem pôr nada em causa; ainda se fosse uns 20 ou 30 por cento...), interrogo-me se não estará aqui, também,
a) a explicação do sucesso dos movimentos de sinal conservador – passe a convenção –  que dão muitas vocações à Igreja católica; 
b) a explicação de missas cheias de fiéis de párocos que são déspotas (eu não conheço nenhum), mas já ouvi falar que isso existe; 
c) a explicação de assembleias numerosas a ouvir párocos que não se cansam de pedir dinheiro – para obras, claro (só conheço um e já não está na paróquia em que estava); 
d) a explicação do sucesso dos lefebvrianos (poucos, estatisticamente, mas aguerridos e com alta taxa de vocações oriundas de boas famílias), cujo regresso à Santa Madre Igreja é tão desejado por alguns, a começar pelo Papa; 
e) a explicação para o medo de que a perda da obrigatoriedade do celibato faça baixar a qualidade dos padres; 
f) a explicação para o medo de conceder o sacerdócio ministerial às mulheres, uma espécie de democratização inflacionadora do sacramento; 
g) a explicação para o sucesso do cristianismo quando este é oposição aos totalitarismos (o maior sucesso do cristianismo quando o totalitarismo é de esquerda do que quando é de direita também é explicável pelo facto de o cristianismo de direita – oposto aos comunismos – ter uma moral sexual mais, digamos, “cara”). 
A lista pode continuar. E eu até compreendo a lógica das opções humanas, que não é, nunca foi, estritamente racional. Contudo, temos sempre de perguntar: e onde fica a verdade? Se a tese estiver correta – e parece-me que tem um fundo de verdade – significa que a verdade, que tem de estar coladinha ao amor, não é lá muito considerada no cristianismo (este assunto exige outras explicações, mas há duas pessoas à minha espera).


Justamente na linha da tese acima referida, Bonhoeffer escreveu o seguinte: A graça barata é o inimigo mortal da nossa igreja. Aqui citado. Tão católico, este luterano.

Deus e os limites humanos

Contra esta ideia de reconhecer Deus apenas onde se encontram limites intransponíveis [questões da biotécnica, manipulação genética, questões ecológicas, violência e novas condições de existência na sociedade massificada], e portanto confrontos, derrotas, negatividade, podem levantar numerosas e válidas objeções, mesmo do ponto de vista dos crentes (estou a pensar na polémica de Dietrich Bonhoeffer contra a ideia de Deus como «tapa-buracos»), mas, sobretudo, do ponto de vista da razão «laica». Deus, se existe, não é certamente o único responsável pelos nossos problemas e nem sequer apenas alguém que se dá a conhecer principalmente nos nossos fracassos. Este modo de fazer a experiência de Deus está todavia profundamente ligado a uma certa conceção de transcendência (...).


Gianni Vattimo, "Acreditar em acreditar", pág. 14

sábado, 12 de maio de 2012

Morrer ou matar Jesus

O teólogo realiza as mesmas tentativas de encontrar ou de refugir a Cristo. Há teólogos que o atraiçoam e simulam que se compadecem dele. Cristo continua a ser sempre atraiçoado com um beijo. Querer não perceber  Cristo significa ajoelhar-se, também e sempre, com os que o trocem dele, mas dizem: "Salve Rabi". No fundo, só existem duas contingências no encontro do ser humano com Jesus: o sujeito tem de morrer, ou tem de matar Jesus.


Dietrich Bonhoefer

sexta-feira, 11 de maio de 2012

“Na realidade, quem és tu?”


Desenho de Georg Grosz, 1924

Pense-se na novela de Gerhart Hauptmann (1), “O louco em Cristo Manuel Quinto”, ou nas representações, ou seja, nas desfigurações que de Cristo nos oferecem Wilhelm Gross (2) e George Grosz (3), por detrás das quais espreita a pergunta: “Na realidade, quem és tu?” Cristo anda através dos tempos sempre interrogado e sempre incompreendido, sempre novamente ajustiçado.

Dietrich Bonhoeffer na introdução de "Christologie", 1933


(1) Gerhart Hauptmann (1862-1946), romancista e dramaturgo alemão. Nobel da Literatura em 1912. No romance “Emanuel Quint der Narr in Christo” (1910), diz a Wikipedia, mostrou como o evangelho seria recebido, se Cristo surgisse novamente no mundo.

(2) Wilhelm Gross (1883-1974), pintor e escultor alemão.

(3) Georg Grosz (1893-1959), pintor e desenhador alemão. Dadaísta. Muito ativo durante a República de Weimar.

terça-feira, 8 de maio de 2012

"Eu posso viver com Jesus ou sem ele", mas


Naturalmente, eu posso viver com Jesus ou sem ele, se o considerar como génio religioso, como mestre ético, como senhor - da mesma forma que, afinal, também posso viver sem Platão ou sem Kant -, tudo isso tem apenas um significado relativo. Contudo, se em Cristo houver algo que pretende tomar a minha vida por inteiro com toda a seriedade de ser  Deus em pessoa quem fala e de somente em Cristo se ter feito presente uma vez a Palavra de Deus, então Cristo não tem um significado relativo mas absoluto e urgente.


Dietrich Bonhoeffer em 1928 (seria interessante compilar argumentações semelhantes. Assim de repente, lembro-me de frases parecidas com esta de Martín Descalzo, Giussani, C.S.Lewis e Paul David Hewson, mais conhecido por Bono, este último citando Lewis).

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Como não o levar a sério

Define-se a Cristo segundo categorias estéticas como génio religioso, diz-se que é o maior dos mestres éticos, admira-se o seu caminho para a morte como um heróico sacrifício pelas suas ideias. Só há uma coisa que não se faz: não se o toma a sério, ou seja, ninguém põe o centro da sua vida em relação com a pretensão de Cristo dizer e ser a revelação de Deus. Mantém-se uma distância entre si mesmo e as palavras de Cristo e não se permite que haja qualquer encontro sério.


Dietrich Bonhoeffer

quarta-feira, 14 de março de 2012

sexta-feira, 2 de março de 2012

Matéria prima das tragédias

Quem se dispõe a manter-se firme no mundo com a ajuda da sua própria liberdade, quem dá mais valor ao ato necessário do que à pureza da sua consciência e da sua reputação, quem está disposto a sacrificar um princípio estéril ao frutífero compromisso, ou mesmo uma sabedoria estéril da mediocridade a um radicalismo produtivo, tenha cuidado para que esta liberdade não lhe coloque uma armadilha. Aceitará o mau para evitar o pior. E ao fazê-lo, já não será capaz de reconhecer que precisamente o pior que ele quer evitar poderia ser o melhor. Aqui se acha a matéria prima das tragédias.
Dietrich Bonhoeffer em 1943. Grande lição do pastor luterano. Aviso para os cristãos que se deixaram seduzir pelo nazismo (um dia, Bonhoeffer disse num discurso radiofónico que o fuher, líder, era o verfuher, o sedutor, nome que no Novo Testamento é aplicado ao diabo; o discurso não chegou ao fim). Aviso tão luterano para qualquer cristão em qualquer época.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Êxito

A figura do Crucificado desvirtua totalmente qualquer pensamento orientado no sentido do êxito.


Dietrich Bonhoeffer

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Uma questão tauromáquica, por Dietrich Bonhoeffer


O fanático crê poder enfrentar o poder do mal com a pureza dos seus princípios. Mas, tal como touro, lança-se contra a muleta vermelha em vez de fazê-lo contra o toureiro. Desta forma, cansa-se e sucumbe. Enreda-se no acessório e cai na ratoeira de lhe põe o mais sagaz.

Dietrich Bonhoeffer (1943)
Nota: Não fazia a mínima ideia de que o pano com que o toureiro toureia se chama muleta. Mas assim é, tanto em espanhol como em português.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Louvor na provação

Oração de um cristão admirável.

Ó Deus, invoco-te na aurora!
Ajuda-me a orar e a reunir os meus pensamentos;
Sozinho não consigo.
Em mim, tudo é sombrio, mas junto de Ti existe a luz;
Estou só, mas não me abandones;
Não tenho coragem, mas o auxílio está junto de Ti;
Estou ansioso, mas a paz está junto de Ti;
Não compreendo os teus caminhos, mas, por mim,
Tu conheces o caminho certo.
Pai do Céu,
Louvo-te e dou-te graças pelo repouso da noite;
Louvo-te e dou-te graças pelo novo dia;
Louvo-te e dou-te graças por todas as tuas bondades e pela
tua fidelidade
Na minha vida passada.
Fizeste-me muito bem,
Concede-me que agora aceite da tua mão o que me pesa.
Não carregarás um fardo que eu não possa levar,
Mas fazes com que todas as coisas sirvam para o bem dos teus
filhos.
Senhor Jesus Cristo,
Eras pobre e miserável, prisioneiro e abandonado como eu sou.
Conheces toda a miséria humana;
Se algum homem não me ajudar, Tu continuas comigo,
Não te esqueces de mim e procuras-me,
Queres que te reconheça e que me volte para Ti.
Senhor, ouço o teu elogio e sigo-o;
Ajuda-me.











Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), pastor e teólogo protestante, morreu enforcado pelos nazis, após participação numa tentativa de assassinar Hitler.

sábado, 20 de novembro de 2010

Pés


Possa Deus dar-nos a fé quotidiana. Eu não penso minimamente na fé que foge do mundo, mas naquela que o experimenta, o ama e que lhe permanece fiel, a despeito de todos os sofrimentos que ele contém por nós. Eu temo que os cristãos que só têm um pé na Terra, também não tenham mais do que um pé no céu.

Dietrich Bonhoeffer (1906-1954)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Miséria


Seria um ultraje a Deus e ao próximo deixar com fome o faminto sob o pretexto de que Deus está próximo da sua miséria.

Dietrich Bonhoeffer (1906-1945)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Impotência

Ao nos tornarmos mais velhos, somos levados a reconhecer realmente a nossa situação diante de Deus. Deus faz-nos saber que nós temos que viver enquanto homens que conseguem viver sem Deus. Deus é impotente e fraco no mundo e só assim Ele está connosco e nos ajuda.

Dietrich Bonhoeffer (1899-1945)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Bonhoeffer: Som cheio do mundo

Quando o silêncio profundo descer sobre nós,
faz-nos ouvir aquele som cheio do mundo,
que, invisível, se estende à nossa volta,
o alto canto de louvor de todos os teus filhos.

Dietrich Bonhoeffer (04-1906 – 09-04-1945)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Onde pôr os pés?

Possa Deus dar-nos a fé quotidiana. Eu não penso minimamente na fé que foge do mundo, mas naquela que o experimenta, o ama e que lhe permanece fiel, a despeito de todos os sofrimentos que ele contém por nós. Eu temo que os cristãos que só têm um pé na Terra, também não tenham mais do que um pé no céu.

Dietrich Bonhoeffer (1905-1945)

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...