sexta-feira, 2 de março de 2012

Matéria prima das tragédias

Quem se dispõe a manter-se firme no mundo com a ajuda da sua própria liberdade, quem dá mais valor ao ato necessário do que à pureza da sua consciência e da sua reputação, quem está disposto a sacrificar um princípio estéril ao frutífero compromisso, ou mesmo uma sabedoria estéril da mediocridade a um radicalismo produtivo, tenha cuidado para que esta liberdade não lhe coloque uma armadilha. Aceitará o mau para evitar o pior. E ao fazê-lo, já não será capaz de reconhecer que precisamente o pior que ele quer evitar poderia ser o melhor. Aqui se acha a matéria prima das tragédias.
Dietrich Bonhoeffer em 1943. Grande lição do pastor luterano. Aviso para os cristãos que se deixaram seduzir pelo nazismo (um dia, Bonhoeffer disse num discurso radiofónico que o fuher, líder, era o verfuher, o sedutor, nome que no Novo Testamento é aplicado ao diabo; o discurso não chegou ao fim). Aviso tão luterano para qualquer cristão em qualquer época.

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