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quarta-feira, 22 de março de 2017

Existo, logo hesito.

O meu bloque andas às cambalhotas. Ando à procura do melhor grafismo. Gostei deste em geral, não em alguns pormenores. Por agora fica.

sábado, 25 de outubro de 2014

Este blogue já teve mais de 500 visitas diárias

Este blogue já teve mais de 500 visitas diárias. Foi no tempo de Bento XVI e nos primeiros meses de Francisco. Agora anda pelas 100. A queda não tem nada a ver com Papas nem com mudanças de bispo (que aconteceu na diocese em que vivo). Tem a ver somente comigo e as minhas circunstâncias familiares e  laborais.

Mas vou retomar o ritmo antigo das três a cinco entradas diárias (nem nas cinco semanais estou agora). A ver se acontecem três coisas:

- diminui o tom de irritação nos comentários;
- sobem as visitas até aos 300 no prazo de um mês;
- e ficam aqui registadas coisas que me interessam (sim, o meu blogue também funciona para mim como arquivo).

segunda-feira, 11 de março de 2013

Efeito Bento XVI no meu blogue

Foi há um mês que Bento XVI anunciou a resignação. A notícia, penso que a com mais impacto em 2013, até ao momento, notou-se no número de visitas deste blogue.

O mês de janeiro tinha sido  razoável, com cerca de 10500 visitas mensais (o que dá mais de 300 por dia), mas o mês de fevereiro estava a ser mais fraquinho. Certamente ficaria abaixo das 10 000 visitas se não fosse Bento XVI. Acabou por ficar nas 11 524. No gráfico nota-se bem como este blogue foi mais procurado de 11 de fevereiro em diante.

O melhor mês de sempre, contudo, continua a ser o de março de 2012. Pelo que vou vendo, há quatro meses em que este blogue é mais consultado: março, maio, outubro e novembro, meses sem férias escolares (março, em 2013, tem).

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Decisões para 2013

Decisões para 2013 sobre este blogue:

1. Retomar as efemérides diárias;
2. Refletir com alguns dias de antecedência sobre o evangelho do domingo seguinte;
3. Transcrever afirmações sobre a fé, já que estamos no Ano da mesma (quanto desejei escrever uma frase, mesmo sabendo que está incorreta; basta substituir “da mesma” por “dela”).

Balanço no dia 2 de janeiro:
- Já falhei o ponto 1 em relação  a ontem.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Sete exigências da discussão epistemicamente proba

Cá pelo blogue andam algumas discussões estimulantes e outras mais ou menos insólitas, mas todas interessantes, ainda que por vezes anónimos discutam com anónimos parecendo que se conhecem. Às tantas conhecem-se mesmo. Pouco tenho participado nelas, mas, como é natural, revejo-me mais nos argumentos de um dos lados.

Em todo o caso, deixo aqui “sete exigências da discussão epistemicamente proba”. Alguns bem precisam. Para mim, foi útil ler isto no Rerum Natura (aqui).

1. Ouvir ou ler atentamente o interlocutor e tentar genuinamente compreender as suas ideias e razões. 
2. Explicar com a máxima clareza e rigor as nossas ideias e razões. 
3. Estar disposto a mudar de ideias e a ser corrigido. 
4. Aceitar o direito de o interlocutor pensar de maneira diferente da nossa, ainda que não tenha razões adequadas a seu favor. 
5. Informar-se adequadamente sobre o tema em discussão, estudando livros e artigos relevantes. 
6. Dominar os instrumentos lógicos da discussão crítica de ideias. 
7. Encarar a discussão como uma maneira de descobrir a verdade, e não como um despique para ver quem ganha.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Três anos de Tribo de Jacob

O meu blogue fez há dias três anos. Não assinalei a data, embora dela me lembrasse. Cai mais ou menos no dia mundial das comunicações, porque foi no 43.º (2009) que decidi avançar com este projeto, depois de ter participado em outros blogues individuais e coletivos, desde 2003, quase sempre inconsequentes (um deles chamava-se "Sociedade Anónima" - fui ver se o via e não o encontrei, mas há vários homónimos; tratava do dia a dia de um escritório em que, entre outras técnicas, se praticava o dumb writing para enganar patrões; o outro co-autor distingue-se hoje na escrita de nanocontos, acho que não deve levar hífen).


Nestes três anos, fico contente porque os visitantes têm vindo a aumentar sustentadamente, quase chegando aos 12 mil mensais em março (no total, cerca de 200 mil visitantes únicos).


Ainda não percebi porquê, nos meses de março, maio e novembro, este blogue costuma ter mais visitantes. Meses em que não há exames nem férias escolares? Provavelmente acontece o mesmo com os outros.


Nos últimos dias, o ritmo cá por estes lados abrandou um pouco. Mas é circunstancial. Matéria não falta. Até já pensei em fazer um spin-off - ideia afastada por agora. Em breve retornarei os cinco ou seis posts diários.


A todos os que passam por cá, obrigado pela visita. Voltem sempre. Ou não. Estejam à vontade.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

De Aosta para Cantuária



Surgiu há dias o blogue "Teologia para pensar" (aqui). Cita todos os dias, na sua meia dúzia de dias de vida, quatro ou cinco teólogos (coisa que também venho fazendo há muito por estes lados).


Agradeço a Fernando d'Costa a sugestão.


Diz a definição clássica que a teologia (cristã) é a fé que procura o entendimento ("fides quaerens intellectum", dizia um italiano emigrado na Inglaterra). Em certo sentido, teologia que não seja para pensar não é teologia. De Aosta para Cantuária é preciso atravessar os Alpes.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"A Virgem e o Coelho", fé e ciência num quadro de Natal


No blogue Rerum Natura, a explicação da pintura “A virgem e o Coelho”, de Ticiano, por António Piedade. Ou como cultura, genética e teologia se juntam num quadro renascentista, aqui.
(…) O quadro referencia a pureza da fertilidade e da concepção imaculada de Maria, representada pela alvura, símbolo de pureza, do coelho enquanto espécie associada à fertilidade. Nesta pintura renascentista, Maria recebe de Catarina de Alexandria o menino Jesus. Este contempla um coelho branco bem seguro pela mão esquerda de sua mãe imaculada. As mãos de Maria fazem a interligação entre o menino Jesus e a pureza representada pelo coelho branco. 
Como veremos mais à frente, há razões para uma intencionalidade para este simbolismo do coelho com a pureza e com a concepção sem pecado. Neste contexto, pode dizer-se que a obra faz uma alusão ao mistério da incarnação e da imaculada concepção de Maria, numa interpretação de Tiziano do culto mariano e dos novos evangelhos bíblicos. Mas note-se também na presença de um cesto semiaberto com fruta, uma maçã, numa alusão ao pecado original relatado nos Velhos testamentos. 
Esta obra “A Virgem e o Coelho” contém ainda informação insuspeita sobre da evolução da humanidade na sua relação com o mundo. Muito para além do renascimento e vitória da luz sobre as trevas, ajustado pela cristandade ao solstício de inverno, apropriada e primeiramente celebrada nas festividades natalícias neste canto ocidental da humanidade, para celebrar o nascimento do menino Jesus. (…) 
[Segundo o édito papal de Gregório I, séc. VI,] os coelhos recém-nascidos não eram considerados carnais pelo que poderiam ser consumidos durante a quaresma sem que daí adviesse pecado para aqueles que os consumissem! Eis uma forte razão para os manter em cativeiro, para os domesticar. Há registos da troca de coelhos no ano de 1194 entre mosteiros do centro da Europa e do Sul de França, o que mostra que a sua domesticação era comum já no primeiro milénio d.C. 
A natureza não carnal dos coelhos recém-nascidos, sugerindo uma concepção sem pecado, encontra assim eco na associação do coelho branco do quadro de Tiziano ligado à concepção imaculada do menino Jesus por Maria, nascimento celebrado nesta quadra natalícia pela cristandade.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ravasi, o cibercardeal


Reportagem de Marco Ansaldo, no “La Repubblica”, sobre o cardeal Ravasi, “ministro da Cultura do Vaticano”, que está no Twitter (ver aqui), tem blogue, assina uma coluna num diário, organiza o Átrio dos Gentios, gaz um programa num canal televisivo e, podemos acrescentar, escreve prefácios nos livros de José Tolentino Mendonça (“O tesouro escondido”).

Gostei especialmente dos seguintes trechos, mas vale a pena ler tudo aqui.
"Ainda há um longo caminho a ser feito – explica o cardeal –, mas agora é o momento de estar na Internet. Existe um espaço que deve ser preenchido, depois do divórcio entre a linguagem dos sacerdotes e a dos fiéis da Igreja. A Igreja tem à sua frente um problema duplo. De um lado, deve conseguir encontrar uma nova abordagem. De outro, fazer com que a nova linguagem não desgaste o conteúdo: há grandes valores que, se reduzidos em um formato muito frio, correm o risco de desaparecer. Eis o complicado desafio: a alma deve entrar em um pequeno formato – e Ravasi parece se referir aos SMS – mesmo sendo infinita".
De fato, Ravasi é um homem capaz de conjugar instrumentos nascidos há pouco com meios amplamente consolidados. Sua Eminência insiste na necessidade de informação. "Este mundo, que às vezes parece um emaranhado de absurdos, é, no entanto, o nosso mundo. E a leitura do jornal – continua, citando Hegel – é a oração da manhã do homem moderno (aqui). É preciso ler os jornais. E é uma atitude esnobe aquela de quem diz que nunca lê os jornais, ou melhor, nem sequer os olha: uma atitude equivocada. O próprio fiel, de manhã, deve ter a Bíblia e o jornal, no qual verifica, mede, cruza a sua existência". 
Ravasi observa que, "nos últimos anos, houve uma mudança antropológica". McLuhan, explica, "ensinou-nos que os meios de comunicação tornaram-se a nossa prótese. E essa atmosfera tão permeante atravessa a todos, até mesmo aqueles que se obstinam a não TV em casa ou o computador. A Igreja também está envolvida. Devemos adaptar o diálogo, atualizando-nos.Giovanni Battista Montini, o futuro Paulo VI, dizia em 1950 ao filósofo Jean Guitton: 'É preciso ser antigo e moderno. De que serve dizer a verdade, se os nossos contemporâneos não nos entendem?"

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Papa é o sétimo mais poderoso do mundo



No blogue Religionline surge a lista da "Forbes" dos mais poderosos do mundo. Vale a pena ler e participar nos comentários, alguns deles muitos úteis pelas informações que acrescentam.


A ficar em algum lugar, acho bem que o Papa fique em sétimo. O número é sagrado para o judeo-cristianismo. Poderia ainda ser o 1.º ou o 3.º Mas nunca o 6.º. Também é estimulante pensar que o Papa é o representante oficial daquele que disse que tinha um reino, mas não era deste mundo.

sábado, 8 de outubro de 2011

A bíblia do ensino nos colégios da elite

Edição de 1606

O blogue Rerum Natura, dedicado à ciência e à boa cultura em geral, iniciou uma série sobre os “Grandes livros de pedagogia”. O primeiro (e até agora único) referido é o livro “Ratio Studiorum”, de 1599, uma espécie de programa e currículo nos colégios dos jesuítas.
“Falar da Ratio Studiorum é falar de um texto fundador que permitiu o desenvolvimento de um sistema escolar de alcance internacional e europeu. A rede de colégios que os Jesuítas criaram em toda a Europa constituiu efectivamente um sistema escolar dotado de um plano de estudos e regulamento próprios, cuja existência se deveu a uma reflexão prévia que acompanhou 50 anos de experiência, em todas as províncias. 
O cânone de estudos da Companhia era muito mais do que um regulamento de disciplina escolar. Era um verdadeiro projecto pedagógico, com a originalidade de resultar de uma prática testada durante décadas e com a autoridade que dela decorria. 
(…) Foi portanto com base neste plano de estudos que os Jesuítas desenvolveram a sua actividade pedagógica e intelectual em todo o mundo, ao longo de cerca de dois séculos, até 1773, ano em que a Companhia foi extinta.
Ler tudo aqui.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sugestões dos leitores: Blogue Theosfera



De vez em quando os leitores deste blogue sugerem-me textos, entrevistas, blogues, frases. Coisas que muito agradeço. Geralmente valem a pena.


Há dias uma leitora, de nome Teresa, deixou como comentário num dos meus textos a sugestão de visita ao blogue Theosfera. Já lá tenho ido e gosto das breves reflexões do autor, que não se identifica (embora seja possível descobrir algo mais sobre ele - coisa que não vou aqui revelar).


Vejam estas duas:
- sobre a lentidão e a pressa na educação (aqui);
- sobre o rigor e a bondade de Kant (aqui).

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dois anos de Tribo de Jacob



O meu blogue fez hoje (comecei a escrever a 17 de Maio, mas já passa de meia-noite) dois anos. Inaugurei-o no dia 17 de Maio de 2009 depois de ler a mensagem de Bento XVI para o 43.º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Exortava o Papa, dirigindo-se especialmente aos jovens, “para levarem para o mundo digital o testemunho da sua fé”. “Senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida”.

Leitor de alguns blogues, e já não me sentindo jovem, decidi escrever um centrado nos meus interesses católicos: os livros que leio, os cronistas preferidos (infelizmente são poucos) e cujos textos transcrevo, as efemérides relacionadas com o cristianismo, as notícias especialmente significativas, a linguagem de inspiração religiosa na cultura não especificamente confessional, um ou outro texto de opinião da minha autoria, textos clássicos do cristianismo, notas de humor. Num fundo, ponho neste blogue o que gostaria de encontrar num blogue católico livre, dialogante, ecuménico, aberto à cultura. Sem defesas da missa tridentina. Em comunhão com Roma, o que não significa abdicar da crítica na procura da verdade.

Escrevo uma média de quatro vezes por dia e a verdade é que poderia escrever mais. Todos os dias há assuntos de que não falo, mas que julgo que aqui caberiam. Há rubricas que gostava de inaugurar, mas não o faço porque não as sustentaria. Há notícias que gostaria de comentar. Blogues, principalmente estrangeiros, que gostaria de ler mais e citar. O tempo escasseia e a vida offline ainda é o melhorzinho que há para fazer.

Disse há um ano que, no início, esperava merecer umas cem visitas diárias em poucos meses, mas só as atingi precisamente ao completar o primeiro ano. Mas já não esperava que, passado outro ano, o número triplicasse.

O blogue tem motivado alguns contactos proveitosos. O que é óptimo. E tem acolhido comentários, por vezes anónimos, de pessoas que sabem mais e escrevem melhor do que eu. O que é uma bênção ainda maior.

Espero continuar a merecer a atenção de todos os que me lêem. Não darei muito mais do que o que tenho dado diariamente. Mas tenho vontade de melhorar dentro do estilo que caracteriza este espaço.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Bíblia de Abrabanel e como os jesuítas portugueses levaram o relógio para a China


Fernando Correia de Oliveira sugere-me que veja a Bíblia de Abrabanel, no Rerum Natura. Aqui. "Nesta Bíblia judaica do século XV, guardada na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, alguns versículos aparecem em microcaligrafia numa decoração labiríntica..." Leiam-se também os comentários, incluindo aquele que diz que a primeira imagem está de pernas para o ar (copiei-a para este blogue correctamente).
Já agora, de FCO, veja-se o texto sobre o papel dos jesuítas portugueses na introdução do relógio mecânico na China. Ligações aqui.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O tempo e Deus

A Estação Cronográfica, sempre atenta ao tempo e aos relógios, aponta para um artigo interessantíssimo sobre Deus e o tempo (“Relógios e o Relojoeiro. O que é que a contemplação do tempo nos diz de Deus?”, original aqui).

O texto remete, como não poderia deixar de ser, para o Santo Agostinho das "Confissões" e para a “kenosis” paulina (Jesus que, sendo eterno, se esvazia a si mesmo, se aniquila, entra no tempo para partilhar a história humana), acrescentando novos pontos de vista de dois teólogos (não católicos) que têm feitos pontes entre a fé e a ciência: Ian Barbour e Polkinghorne. Este último é cientista e padre anglicano (de Barbour lembro-me de uma críticas a Bento XVI e do clássico disponível em espanhol "Encontro entre Ciencia y Religión").

As concepções científicas modernas de tempo não estão longe de alguns conceitos clássicos de tempo, de Deus e da omnisciência divina.

Diz a Estação, remetendo para o final do artigo: “Para os que acreditam em Deus: Será que Deus criou o Tempo? Como fazem notar alguns, Deus não criou a gravidade - criou a massa, ela é que por seu turno tem a propriedade da gravidade. Talvez o Tempo seja um fenómeno semelhante - não criado, mas apenas propriedade dos acontecimentos”.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Cristo na estação de metro

Professora e estudantes do Colégio Luso-Francês instalaram um Cristo Redentor na estação de metro de S. Bento, no Porto, onde permanecerá até 13 de Novembro. O processo pode ser visto no blogue Escassamente Criadores (via Equinócio de Outono).

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Templos (1): Igreja na Dinamarca

Igreja da Dinamarca transformada em livraria, ou talvez antes em loja de livros usados ou alfarrabista. Visto no Abrupto.

domingo, 5 de setembro de 2010

Blogue: Cristo e Liberdade

Este blogue é católico, embora reconheça que o mais importante é ser cristão. Cristão é substantivo. Fundamental. Católico é adjectivo. Acrescento. Pelo menos na minha maneira de ver. Por isso, chamo a atenção para um blogue protestante que veio ao meu encontro. É de um jornalista, paulistano, de ascendência portuguesa, formado em Teologia Universidade Presbiteriana Mackenzie. Tem como título Cristo e Liberdade.

Realço três artigos, relativamente longos, que encerram novidades. Num fala-se de Agostinho de Hipona e a evolução dos seres vivos. Noutro, aborda-se a cultura e a arte no protestantismo. Noutro, por último, fala-se de teólogas feministas. Informativo. A seguir.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Depois do Concílio Vaticano IV


Pedro Mexia, n'A Lei Seca (aqui, ver 14 de Julho):

Em Catholics, bizarro telefilme de 1975 baseado num romance de Brian Moore, a Igreja teve o seu Concílio Vaticano IV, e depois disso um grupo de frades rebeldes refugiou-se numa ilha. Aí celebram a missa em latim e vivem uma cristandade antiga, em comunidade. A Igreja Católica do futuro, tal como surge nesta ficção, é a Igreja dos sonhos de Küng. Ou, desçamos o nível, de Anselmo Borges. É uma Igreja modernaça, onde tudo o que é sagrado ou metafísico foi tornado meramente «simbólico» e mediaticamente aceitável. A Igreja aboliu a confissão, a transubstanciação, a oração, e defende a união de todas as religiões numa única grande ideologia «humanista» e imanente. Já não há «mistério da fé», porque já não há mistério nem fé. E a hierarquia tenta que os rebeldes se submetam à ortodoxia liberal. Somos então confrontados com uma curiosa dúvida: vale mais uma fé inabalável baseada em possíveis falsidades ou a verdade humanista mas sem convicção? Não é de todo esse o estado do catolicismo em 2010, mas este objecto de 1975 deve ser guardado para memória futura.

Fim de cópia.

O actor principal do filme (que vários sítios da Internet dizem que é de 1973; o romance é de 1972) é Martin Sheen.

Brian Moore nasceu em 1921, na Irlanda, e morreu em 1999, na Califórnia. Oriundo de uma família de nove irmãos, perdeu a fé quando era jovem. As suas obras reflectem com frequência as temáticas católicas, principalmente a perda de fé. Teve uma irmã freira que criticou os seus escritos. É autor do romance que está na origem do filme "The Statement", de 2003, sobre um francês colaboracionista que entregou judeus aos nazis.

Não creio que a Igreja do filme (e do romance, pelo que acabei de ler on-line) seja a de Kung ou Borges. Seria mais a do prosseguimento do protestantismo liberal e de algum modernismo católico. Mas passa a ideia.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...