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quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Bispos bergoglianos
Em Itália, dois bispos bergoglianos em dioceses tidas como "cardinalícias", Palermo e Bolonha. Um, talvez à falta de metro, anda de bicicleta. O outro escreveu um livro de "combate espiritual contra a máfia". Por outro lado, parece que agora manda mais a Comunidade de Santo Egídio do que a Opus Dei. Ler aqui.
quarta-feira, 5 de março de 2014
Il Mio Papa. Revista semanal dedicada a Francisco
Dizem que hoje o grupo Mondadori lança uma revista semanal dedicada exclusivamente a Francisco. "Il Mio Papa", assim se chama. Vou ver se encontro a capa.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Anselmo Borges: "O que pensam os católicos sobre a Igreja?"
Texto de Anselmo Borges no "DN" de hoje.
1- A Bendixen & Amandi realizou, entre Dezembro de 2013 e Janeiro de 2014, com 12 038 fiéis adultos de 12 países maioritariamente católicos dos cinco continentes, para a Univisión, a principal televisão em espanhol dos Estados Unidos, uma sondagem sobre temas importantes na e para a Igreja. Fiabilidade: 95%.
Alguns resultados, com dissonâncias entre a doutrina e a opinião e vivência dos fiéis. a) Anticonceptivos: 78% a favor; 19% contra; 3% não responderam. b) Ordenação sacerdotal das mulheres: 45% a favor; 51% contra; 4% não responderam. c) Casamento dos padres: 50% sim; 47% não; 3% não responderam. d) Aborto: 8% deve permitir-se sempre; 65% nalguns casos; 33% nunca; 2% não responderam. e) Quanto ao casamento homossexual, há acordo com a doutrina: 66% contra; 30% a favor; não responderam 4%. f) Como avalia o trabalho do Papa Francisco? 41% excelente; 46% bom; 5% medíocre; 1% mau; 7% não responderam.
2- "Agora, o Papa Francisco, no confronto com os reaccionários da Cúria, pode apelar para as respostas da maioria dos fiéis sobre temas tão importantes. O Papa emérito Bento XVI escreveu-me há pouco, a mim eterno rebelde, uma carta afectuosa na qual mostra empenho em apoiar Francisco, esperando que ele tenha todo o êxito - "a minha única e última tarefa é apoiar Francisco", escreve." Quem isto revelou foi Hans Küng, o famoso teólogo crítico, condenado por João Paulo II e um dos poucos peritos do Vaticano II vivos, numa entrevista ao La Reppublica, no dia 10 deste mês, sobre a sondagem, na qual é manifesta a distância entre a Igreja oficial e os fiéis.
Para ele, o mais importante nela é a maioria esmagadora de vozes favoráveis a Francisco, que também já lhe escreveu pessoalmente: 87% dos católicos interrogados em todo o mundo e 99% dos italianos estão de acordo com ele. É "um pequeno milagre" Francisco ter conseguido, em menos de um ano, inverter a tendência dos fiéis e não só quanto à crise de confiança na Igreja.
Interrogado sobre o significado dos resultados da sondagem para a hierarquia, Küng dá uma resposta sensata: "Para os bispos preparados para reformas, e eles existem em todo o mundo, eles significam um grande encorajamento. Quanto aos conservadores, que têm as suas reservas: deveriam reflectir sobre as suas reservas e escutar os argumentos dos renovadores. Os bispos reaccionários, presentes não só no Vaticano mas em todo o mundo, deveriam abandonar a sua resistência obstinada e optar pela razoabilidade."
E o Papa Francisco? "Se me é permito dar-lhe um humilde conselho, deveria avançar com coragem no caminho iniciado e não ter medo das consequências." Em concreto, "espero que use a arte do "Distinguo" que aprendemos na Universidade Gregoriana: onde, na sondagem, há consenso na Comunidade eclesial, deveria propor uma solução positiva ao Sínodo. Onde há dissentimento, deveria permitir e suscitar um debate livre na Igreja. Onde ele próprio tem uma opinião diferente da da maioria dos católicos, como quanto à ordenação das mulheres, deveria nomear uma task force de teólogos e outros peritos, homens e mulheres, para enfrentar o tema."
Está contente? "Não me considero vencedor, não travei batalhas para mim, mas para a Igreja. Tenho a alegria de ver, ainda vivo, o êxito das ideias de reformas da Igreja pelas quais tanto combati."
3- A Igreja Católica é a única instituição verdadeiramente global. Assim, um problema maior será o da convivência com a variedade de posições.
Exemplos, a partir desta sondagem global, após a apresentação dos dados totais. Os divorciados recasados não podem comungar: na Europa, não concordam com esta proibição 75%, mas a não concordância é de 46% nas Filipinas. Ordenação das mulheres: na Europa estão a favor 64%, mas, nas Filipinas, 76% são contra. Casamento homossexual: em Espanha, 64% são favoráveis, mas na África 99% opõem-se-lhe. Na Europa, 50% pronunciam-se a favor do casamento dos padres, mas na África só 28%.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Acontece aos mejhores
Nota, uns dias depois: Como nota um leitor, nos comentários, onde está um L deve estar um I, de Iesus, que é como se escreve Jesus em latim.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Mais uma entrevista do Papa
Mais uma entrevista do Papa que quando era cardeal não gostava de dar entrevistas. Alguém que diga isto a Francisco: "Sr. Bispo de Roma, mais devagar, por favor, que não temos pedalada para tanto".
Il Papa a Scalfari: così cambierò la Chiesa"I giovani senza lavoro uno dei mali del mondo"
segunda-feira, 3 de junho de 2013
"Falta de provas"
1947. Giulio Andreotti, com uns papéis na mão, tem ao seu lado esquerdo Battista Montini (Paulo VI a partir de 1963)
Quando morreu Giulio Andreotti, no dia 6 de maio deste ano, quis
assinalar aqui o acontecimento. Tinha em mente que ele, além de político
democrata cristão, foi diretor da revista católica 30Gionri / 30Dias e escreveu
alguns artigos de interesse, como este, por exemplo, precisamente sobre a Democracia Cristã.
Foi apenas uma das muitas coisas que não fiz.
Mas hoje, ao ler o mais recente número do “Courrier Internacional”, dou com um breve texto que insinua que esteve ligado a segredos, terrorismo e crimes e relacionado com a Máfia, coisa muito falada em maio passado. Diz o texto – e é por causa dessa nota de humor que escrevo isto: “Quando acusado, defendeu-se respeitando sempre os juízes. «Foi para o céu por falta de provas», comentou um internauta”.
Mas hoje, ao ler o mais recente número do “Courrier Internacional”, dou com um breve texto que insinua que esteve ligado a segredos, terrorismo e crimes e relacionado com a Máfia, coisa muito falada em maio passado. Diz o texto – e é por causa dessa nota de humor que escrevo isto: “Quando acusado, defendeu-se respeitando sempre os juízes. «Foi para o céu por falta de provas», comentou um internauta”.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Bruno Forte: "Uma teologia para a vida"
O livro que me tem acompanhado nos últimos dias (e que fez com que a revisão do carro custasse menos a passar, por exemplo). É uma boa introdução à teologia. Sobre alguns pontos, inclusive de discordância, havemos de falar em breve. Informação da editora Paulus:
Num estilo de livro-entrevista com o escritor Marco Roncalli, Bruno Forte põe em relação fé e história, teologia e filosofia, reflexão e ação pastoral, religião e estética, educação e vida quotidiana. Um livro que apresenta a busca de Deus no nosso tempo, a crise da pós-modernidade, o confronto entre identidade e diálogo, a religião, a globalização, o futuro do Cristianismo. Temas que fazem parte da vida de crentes e não crentes.
sábado, 16 de março de 2013
Bispos de Itália felicitaram Angelo Scola, "sucessor de Pedro", por engano
A Conferência Episcopal Italiana enviou na quarta-feira, por engano, um telegrama de saudações a Angelo Scola, "sucessor de Pedro".
O cardeal de Milão, "cielino", era um dos mais apontados para suceder a Bento XVI (também neste blogue; basta ser de Milão para ser forte). Os bispos italianos tinham o telegrama . Foi só carregar no botão "send" e... ups, não foi este o eleito.
(Reescrito às 17h30.)
O cardeal de Milão, "cielino", era um dos mais apontados para suceder a Bento XVI (também neste blogue; basta ser de Milão para ser forte). Os bispos italianos tinham o telegrama . Foi só carregar no botão "send" e... ups, não foi este o eleito.
(Reescrito às 17h30.)
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
sábado, 1 de setembro de 2012
A relação difícil da Igreja com as mulheres jovens
Sobre a Igreja e as mulheres nos dias que correm, vale a
pena ler a entrevista do brasileiro IHU ao teólogos Benedetta Zorzi (freira beneditina,
ligada à organização das teólogas italianas) e Armando Matteo (padre, ligado à
pastoral universitária). Este último é autor de “La fuga delle quarantenni. Il
difficile rapporto delle donne con la chiesa” (A fuga das quarentonas. A
difícil relação das mulheres com a igreja).
Duas perguntas e respostas:
IHU On-Line – Quais as dificuldades para se tentar construir uma Igreja “a duas vozes”, com homens e mulheres participando da mesma forma?
Maria Benedetta Zorzi e Armando Matteo – De um lado, certamente há uma mentalidade segundo a qual o laicato e, portanto, obviamente, as mulheres – duas vezes leigas – são chamadas a participar plenamente da gestão da vida eclesial; de outro, as próprias mulheres não fazem o suficiente para mudar essa mentalidade e muitas vezes, tendo introjetado valores femininos androcêntricos, são as mais estrênuas defensoras de um sistema que as penaliza.
Outro elemento é a ignorância dos padres, sobretudo dos mais jovens, em nível histórico e teológico. Acrescente-se a isso a desorientação identitária do homem jovem ocidental. Diante de uma reflexão secular da mulher sobre a sua identidade, sobre os seus papéis e sobre a mudança da sua autopercepção, não houve uma reflexão equivalente do homem sobre si mesmo, sobre o seu papel, sobre quem ele deve ser com respeito a essa mulher que mudou. Se, como diz o Magistério, a antropologia católica é dual, então, se um polo muda, o outro também deve mudar necessariamente.
Cada vez mais temos homens jovens incapazes de fazer frente a uma relação com as jovens adultas de hoje, capazes, afirmadas socialmente, livres, autodeterminadas, pessoal, física e projetualmente... com todas as consequências que isso implica. A Igreja Católica ainda parece ser o único baluarte em que um jovem ocidental pode continuar não pondo em discussão a sua identidade masculina. Se pensarmos no que o padre deveria fazer na Igreja Católica, no modo em que esse papel é hoje apresentado, não é de se admirar que esse papel atraia pessoas com dificuldades identitárias. Também não devemos nos admirar se o resultado desse conúbio emerja com consequências muitas vezes desagradáveis.
IHU On-Line – Por que, apesar dos inúmeros textos eclesiais do Concílio Vaticano II sobre a importância das mulheres, ainda existe na Igreja uma forte tensão entre as declarações de princípio e a prática em confiar a elas funções de responsabilidade?
Maria Benedetta Zorzi e Armando Matteo – Porque não se refletiu o suficiente sobre o papel do padre, sobre as modalidades de gestão do poder, das paróquias, porque não se promove explicitamente e com força a formação teológica das mulheres, porque se conecta ainda muito estreitamente a liderança à ordenação ministerial. As aberturas da Igreja para as mulheres de 50 anos atrás nos parecem apenas tímidas hoje, mas eram apropriadas para as mulheres e para o mundo de 50 anos atrás. Hoje, depois de um Magistério que falou de gênio feminino, sim, mas tudo somado por uma perspectiva marcada também geoculturalmente, seria preciso dar mais um passo para compreender a fundo as demandas do mundo das mulheres que está mudando rapidamente.
Ler tudo aqui.
Alguém comentou neste blogue que a ordenação de mulheres, na Igreja católica, provocaria uma debandada. Afinal, parece que não é preciso tanto.
Alguém comentou neste blogue que a ordenação de mulheres, na Igreja católica, provocaria uma debandada. Afinal, parece que não é preciso tanto.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Mais humor vaticanês*
O núncio Pacelli, de visita aos bispos da Baviera, em 1922
Um embaixador alemão, com algum sarcasmo, perguntou ao
núncio Pacelli, futuro Pio XII:
- Por que é que os italianos se comportam na igreja como se estivessem num teatro?
- Por que é que os italianos se comportam na igreja como se estivessem num teatro?
Pacelli respondeu-lhe:
- Pelos mesmos motivos que os alemães se comportam no teatro
como se estivessem numa igreja.
* O título deste post serve-se do pedido de um leitor, que terá resposta um dia destes.
sábado, 5 de maio de 2012
Comunhão e Libertação - vários escândalos de corrupção e um "mea culpa"
Roberto Formigoni
Em Itália, diversas notícias têm falado de corrupção entre
políticos ligados ao movimento Comunhão e Libertação. Mas não se trata só de
notícias. John L. Allen Jr faz um ponto
da situação:
Roberto Formigoni, o aderente de mais alto perfil do Comunhão e Libertação na política italiana, encontra-se agora envolvido em um grande escândalo de corrupção. O antigo governador da região da Lombardia está no centro de uma investigação judicial de suborno na concessão de contratos públicos de saúde. Ele também enfrenta acusações de ligações suspeitas com um empresário obscuro que está agora na cadeia por acusações de corrupção e de uso de fundos públicos para pagar férias privadas.
Formigoni é membro do Memores Domini, um órgão de leigos consagrados comprometidos com o celibato vitalício, que faz parte do movimento Comunhão e Libertação. Quatro membros mulheres do Memores Domini compõem a equipe que cuida da casa papal de Bento XVI.
Outro membro veterano do Comunhão e Libertação, Antonio Simone, já foi preso e acusado de fazer parte de um esquema para fraudar nada menos do que 74 milhões dólares de um instituto de saúde italiano muito conhecido. Segundo a imprensa, a piedade católica pessoal de Simone beira a lenda: aparentemente, durante a década de 1990, quando ele ocupou um cargo público como assessor na Lombardia, ele convocava a sua equipe para uma oração matinal antes de começar o dia de trabalho.
Estes e outros casos fizeram com que o padre Julian Carrón,
presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação, escrevesse no jornal La
Repubblica:
Caro Diretor, lendo os jornais nestes dias, fui invadido por uma dor indizível ao ver o que fizemos com a graça que recebemos. Se o movimento de Comunhão e Libertação é continuamente identificado com a atração pelo poder, pelo dinheiro, por estilos de vida que nada têm a ver com o que encontramos, algum pretexto devemos ter dado. E isso apesar de o Comunhão e Libertação ser alheio a qualquer malversação e jamais ter dado origem a um "sistema" de poder.
As coisas estão, pelo menos, feias para o CL, ainda que por
umas maçãs podres mão se possa julgar o pomar. Mas até o cardeal Angelo Scola está
distanciar-se do movimento.
O cardeal Angelo Scola, de Milão, amplamente visto como o principal candidato para ser o próximo papa e alguém que possui um histórico de relação com o Comunhão e Libertação, obviamente se sente compelido agora a se distanciar. Scola disse a um grupo de jornalistas no dia 26 de abril: "O que eu sei sobre o Comunhão e Libertação? Eu lido com a Igreja de Deus. Se você quiser saber algo sobre o Comunhão e Libertação, vá perguntar a eles".
Quanto a ecos disto em Portugal, que sendo um escândalo
entre cristãos deve dar-nos humildade, dei uma vista de olhos por dois ou três
blogues e sítios conotados com o CL e… nada.
Artigo de John L. Allen Jr. aqui.
Carta do P.e Julian Carrón aqui.
Análise do jornalista e político Franco Monaco aqui.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Próximo Papa só por milagre não será italiano
No "Expresso" de sábado passado.
Que o próximo Papa vai ser italiano, também é da minha opinião que sim. Mas nunca se sabe se surge um Jorge Bergoglio (argentino, 76 anos), de quem dizem já ter recolhido muitos votos no último conclave, ou um Timothy Dolan (dos EUA, 62 anos - seria curioso ouvir falar da mãe do Papa; da sogra já se ouviu uma vez, nos Evangelhos).
Antes de Bento XVI falava-se de Maradiaga (hondurenho, 71 anos), mas este está queimado na imprensa norte-americana por causa de certas afirmações - não, não teve nada a ver com a sexualidade nem com a pedofilia.
Quanto aos italianos, há Ravasi, da cultura, e Scola, de Milão.
Que Bento XVI não fez reformas, também é da minha opinião que não. Fez, está a fazer, umas coisas tímidas. (Para alguns fez tudo perfeito; e para outros, até fez demasiado.) Os teólogos nunca são bons a fazer reformas. Isso é coisa de pastores. Os teólogos, como pensam demasiado, veem convenientes e inconvenientes em tudo. E isso paralisa.
Que o próximo Papa vai ser italiano, também é da minha opinião que sim. Mas nunca se sabe se surge um Jorge Bergoglio (argentino, 76 anos), de quem dizem já ter recolhido muitos votos no último conclave, ou um Timothy Dolan (dos EUA, 62 anos - seria curioso ouvir falar da mãe do Papa; da sogra já se ouviu uma vez, nos Evangelhos).
Antes de Bento XVI falava-se de Maradiaga (hondurenho, 71 anos), mas este está queimado na imprensa norte-americana por causa de certas afirmações - não, não teve nada a ver com a sexualidade nem com a pedofilia.
Quanto aos italianos, há Ravasi, da cultura, e Scola, de Milão.
Que Bento XVI não fez reformas, também é da minha opinião que não. Fez, está a fazer, umas coisas tímidas. (Para alguns fez tudo perfeito; e para outros, até fez demasiado.) Os teólogos nunca são bons a fazer reformas. Isso é coisa de pastores. Os teólogos, como pensam demasiado, veem convenientes e inconvenientes em tudo. E isso paralisa.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
O Papa que fugiu
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Felicidade pensativa
Saiu em Itália um novo estudo sobre os santos de Assis,
Francisco e Clara. Escreveu-o a historiadora Chiara Frugoni. Li aqui um texto
de Mariapia Veladiano, no “La Reppublica”, e anotei:
Talvez seja verdade que o desfecho da história de Clara, a clausura estrita decretada em 1263 por Urbano IV, se assemelhe muito a um fracasso humano. Mas nem sempre os resultados diferentes dos esperados são fracassos. Quem acredita pode reconhecer muito bem, na vida escondida das clarissas, a pobreza subterrânea de uma beatitude igualmente profética.
No entanto, é difícil negar que a batalha pela pobreza tenha sido um verdadeiro fracasso, dado o escândalo que ainda hoje a riqueza da Igreja representa aos olhos do mundo. Porém, aqui também a fé salva da amargura, embora na determinação da verdade a ser afirmada. Eis o que Santa Clara escreveu para Inês da Boêmia, à frente do mosteiro de Praga, a propósito da sua luta comum contra as autoridades religiosas pela defensa do privilégio de ser pobre: "Em rápida corrida, com passo ligeiro e pé firme, de modo que os teus passos não levantem poeira, avança segura, feliz e confiante no caminho de uma felicidade pensativa".
Felicidade pensativa, pois.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Komrade Papa
Encontrei, por outro lado, uma entrevista de perguntas feitas pelos leitores, nos "encuentros digitales". Pergunta um leitor: La Iglesia Católica ha censurado su película, ¿qué censuraría usted de ella? Moretti responde: De la Iglesia católica puedo censurar muchas cosas. Pero no me parece que haya censurado mi película. Lido aqui.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Mudar de vida
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Pão digital de cada dia nos dai hoje
“Eu gosto da ideia do pão de cada dia, que lembra a oração
do Pai Nosso. O pão nosso de cada dia e uma conexão de banda larga rápida nos
dai hoje”.
Federico Morrello, 16 anos. Está a lançar o
projecto Panedigitale, para acabar com a exclusão digital, em Udine, Itália. Li aqui.
domingo, 21 de agosto de 2011
21 de Agosto de 1954. Morre Alcide De Gasperi
Alcide De Gasperi (1881-1954), fundador em 1942 da Democracia Cristã italiana, artífice da reconstrução transalpina após a II Guerra Mundial e um dos pais da Europa unida, morreu no dia 21 de Agosto de 1954.
Em 2009, o cardeal Re contou ao “L’Osservatore Romano” um episódio relacionado com o estadista italiano:
Um dia, a filha Maria Romana pediu ao seu pai o carro para realizar uma tarefa. A resposta de De Gasperi foi: “Não é possível; esse carro não é do seu pai, mas do presidente do Conselho de Ministros”.
Obviamente que não foi por não ter empresado o carro à sua filha que De Gasperi se revelou um grande estadista e modelo para os cristãos que são políticos (corre o seu processo de beatificação). Mas o episódio constitui um pequeno sinal do modo de estar no serviço à causa pública.
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Sinodalidade e sinonulidade
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