sábado, 31 de julho de 2010

31 de Julho de 1556. Morre Inácio de Loiola

Inácio de Loiola (Íñigo López, nascido em Loiola, actual Azpeita, no norte de Espanha, no dia 31 de Maio de 1491), fundador da Companhia de Jesus, morreu em Roma no dia 31 de Julho de 1556, quando a sua ordem (a maior na actualidade) tinha cerca de mil elementos em 110 casas e 13 províncias na Europa.

O actual líder da Companhia é o espanhol Adolfo Nicolás. O 30.º superior-geral sucedeu ao holandês Peter Hans Kolvenbach no dia 19 de Janeiro de 2008.

Omnipotência, bondade e insondabilidade

A omnipotência divina não pode coexistir com a bondade divina a não ser sob uma condição: é preciso que Deus seja totalmente insondável, quer dizer, enigmático.

Hans Jonas (1903-1943)

Mamonficação da vida

Este é o passo seguinte em direcção à cobrança do ar que cada um respira. Biblicamente, chamaria a isto mamonficação do real.

Anselmo Borges: "O Diabo não está no Credo"

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje, sobre o diabo e o livro de José António Fortea. Aqui pode-se ler o que saiu no "Público" e aqui no "i".


Quando me falam do diabo, lembro-me especialmente de dois. Um, na catedral de Friburgo, na Alemanha, a defecar lá do alto. O outro está na catedral de Basileia, tentando uma mulher que sorri, no enlevo da sedução. O diabo, do grego diábolos - que desune -, em contraposição a símbolo (symbolon) - que reúne -, que também dá pelo nome de Demónio, Satanás, Belzebu, Mafarrico, Maligno, Satã, Lúcifer (o que traz luz)..., enriqueceu enormemente a escultura e sobretudo a pintura, nas igrejas, nas catedrais, nos museus.


Esteve recentemente em Lisboa o padre espanhol José António Fortea, exorcista famoso, para apresentar o seu livro Summa Daemoniaca, no qual oferece, como diz o título, uma súmula do mundo demoníaco.


Para ele, os demónios são "seres espirituais de natureza angélica condenados eternamente". São anjos que se transformaram em demónios, porque livremente se fixaram na desobediência à Lei divina. Fortea afirma que há casos de possessões diabólicas, embora poucos, que é preciso distinguir dos casos de influência demoníaca, que são bastantes. Uma vez, numa sessão de exorcismo, apanhou uma dentada no pescoço, que, felizmente, desapareceu horas mais tarde: "Fazer uma conferência com uma dentada no pescoço, por cima do cabeção, teria sido embaraçoso."


Quem não poupou críticas foi o eminente exegeta padre J. Carreira da Neves, apresentador do livro, confessando mesmo a António Marujo: "Se tivesse lido o livro antes de aceitar o convite, não o teria feito." "A fundamentação bíblica é fortuita, muito pobre, até porque o autor não é exegeta."


Já na década de 60 do século passado, um dos maiores exegetas católicos, professor da Universidade de Tubinga, Herbert Haag, escreveu uma obra justamente célebre Abscied vom Teufel (Adeus ao diabo), mostrando que não há qualquer fundamento para a crença no demónio.


O que se passa é que há o mal no mundo e o seu horror: sofrimento, traições, torturas, genocídios, doenças esmagadoras. Donde vem o mal, se Deus é infinitamente bom? O diabo poderia, numa primeira aproximação, ser um explicação. Ele tentou e tenta o ser humano, este cai na tentação e provoca o mal. Mas já Immanuel Kant pôs na boca de um catequizando iroquês a pergunta: Por que é que Deus não acabou com o diabo? E há uma outra pergunta: Quem tentou os anjos, para que eles, de bons, se transformassem em demónios?


Colocar o diabo ao lado de Deus, no quadro de um dualismo maniqueu, é uma contradição. O diabo não explica nada. O mal é inevitável por causa da finitude.


É verdade que nos Evangelhos Jesus aparece a expulsar os demónios. Certamente participou da crença do seu tempo, que atribuía as doenças ao demónio. Hoje sabemos que se tratava de pessoas com ataques epilépticos ou sofrendo de histeria, de doenças do foro psiquiátrico. E não se pode esquecer a linguagem simbólica. Caso paradigmático é o daquele passo no qual Jesus expulsa os espíritos malignos - "o meu nome é Legião" - de um homem apanhado pela desgraça, enviando-os para uma vara de porcos (uns dois mil), que se precipitou no abismo do mar. Tudo se torna claro, quando se sabe que o porco era um animal impuro e o mar, o lugar dos monstros e símbolo do mal.


É essencial perceber que Jesus anunciou Deus e o seu Reino e não Satanás. O diabo não faz parte do Credo cristão. O diabo apenas pode aparecer como símbolo personificado de todo o mal que ainda aflige a humanidade, mas que Deus combate e a que há-de pôr termo, segundo a Boa Nova de Jesus.


O diabo não pode ser apresentado como concorrente de Deus, uma espécie de Anti-Deus, nem faz sentido pensar que ele se mete nas pessoas, para tomar conta delas. Não há possessos demoníacos, mas apenas doenças e doentes de muitas espécies, que é preciso ajudar. E, se Jesus anunciou Deus e não Satanás, o que faz falta é combater tudo o que na vida pessoal e pública é diabólico e impede o Reino de Deus: a injustiça, a corrupção, o orgulho, a ignorância, a falta de solidariedade.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Nunca desperdice uma crise

"Ecclesia semper reformanda" também significa "jamais desperdiçar uma crise". Lido num texto de Massimo Faggioli sobre “A Igreja e o tabu gay”.

"Ao contrário da Igreja norte-americana, em que a questão homossexual e de gênero é também um tema teológico e pastoral, na Igreja Católica europeia, a questão homossexual ainda é tabu e, enquanto tal, se torna presa de investigações escandalizadoras". Aqui.

30 de Julho de 657. É entronizado o Papa Vitaliano


O Papa Vitaliano sucedeu a Eugénio I e foi entronizado a 30 de Julho de 657. Tentou reconciliar Ocidente e Oriente, numa altura em que a distância cultural e mesmo teológica (depois do monofisismo e do nestorianismo, no Oriente grassava o monotelismo) começava a separar “gregos” e “latinos”.
Para a história, ficou que foi no tempo deste Papa que o órgão passou a ser utilizado como instrumento litúrgico.

Um homem chega às portas do céu e S. Pedro pergunta-lhe...

Um homem chega às portas do céu e S. Pedro pergunta-lhe:
- Religião?
- Metodista – responde o homem.
S. Pedro olha para a lista e diz:
- Vá para a sala 28, mas não faça barulho quando passar pela sala 8.
Outro homem chega às portas do céu.
- Religião?
- Baptista.
- Vá para a sala 18, mas não faça barulho quando passar pela sala 8.
- Religião?
- Judeu.
- Vá para a sala 11, mas não faça barulho quando passar pela sala 8.
- Até posso compreender que haja sala diferentes para religiões diferentes – diz o homem – mas porque é que não posso fazer barulho quando passar pela sala 8?
- As Testemunhas de Jeová estão na sala 8 – explica S. Pedro – e pensam que são os únicos que estão aqui.

Mário Contumélias concorda com D. Carlos Azevedo

Mário Contumélias, autor da letra da canção do camelo "Areias" e de muitas outras, agradece a voz do bispo D. Carlos Azevedo, no Jornal de Notícias de hoje, 30 de Julho.

Uma história de Martin Buber

Martin Buber por Andy Wahrol

Bem pequeno, Yitzhak Méir foi levado uma vez pela sua mãe junto do Maggid de Kosnitz. Alguém gozava com a criança, dizendo: «Meu pequeno Yitzhak, eu dou-te um florim se tu me disseres onde mora Deus».
«E eu», respondeu ele, «dou-te dois se me disseres onde é que ele não mora».

Martin Buber (1878-1965)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

29 de Julho de 1099. Morre o Papa da primeira cruzada

Urbano II a caminho e no Concílio de Clermont-Ferrand

Urbano II (de nome Otão de Chantillon, 1042–1099) era monge cartuxo e foi papa de 1088 a 1099, defendendo a reforma gregoriana.

Convocou os cristãos para uma guerra contra os infiéis no Concílio de Clermont-Ferrand, em 1095. No início, o pretexto era responder ao pedido de auxílio do imperador bizantino Aleixo I contra os turcos. O Papa esperava que tal ajuda acabasse por restabelecer a unidade entre Oriente e Ocidente, quebrada no cisma de 1054.

Urbano II morreu antes de saber que os primeiros cruzados tinham conquistado Jerusalém, no dia 15 de Julho de 1099, massacrando os judeus, muçulmanos e cristãos que viviam mais ou menos em harmonia no interior das muralhas da “cidade santa”.

Uma coisa que Saramago fez religiosamente

O uso da linguagem religiosa para outros fins que não o religioso é sempre interessante e estimulante. Leia-se o início deste artigo de um jornalista espanhol: "A Igreja Católica ficaria surpreendida ao saber que Saramago, durante toda a sua vida, fez algo religiosamente. (...) Saramago pagou religiosamente os seus impostos".

E se se tratasse da Associação Ateísta de Portugal? "A Associação Ateísta de Portugal congratula-se em saber que o senhor fulano de tal fugiu ao fisco sem fé nenhuma" (sem fé, quem? o faltoso ou o fisco?). Ou "o sr. X não cumpre as suas obrigações ateisticamente". Ou "cumpre com todo o ateísmo a sua não participação na vida colectiva".

Espero que a AAP (não sei se é este o nome correcto) não me processe por causa de conotar ateísmo com irresponsabilidade. Mas é que não dá para cumprir deveres com fervor ateu. Quer dizer, dar, dá. E é o que acontece com algumas pessoas. Mas não fica tão bem em letra de forma.

Maria José Nogueira Pinto critica proposta de D. Carlos Azevedo

O bispo (católico) fez uma proposta que ainda ninguém tinha feito: que os políticos (católicos) dêem 20 por cento do ordenado para combater a pobreza. Tempos duros exigem sinais fortes. A política (católica) não concorda. Ou, pelo menos, está confusa. A condição do político é transitória. Uma outra forma de dizer o mesmo: a condição do político é pouco católica.

Perseguidor furtivo


Deus, esse grande Outro invisível, perseguidor furtivo, duplicando-me por todo o lado.

Roland Barthes (1915-1980)

Lutero ria a bandeiras despregadas

Um aluno de Teologia escreveu num exame que, "para Lutero, o ser humano está sempre na fossa". O professor contou na aula e a turma riu. Mas era, simplificado, o que Lutero pensava da condição humana: sem redenção possível a não ser pela imerecida graça de Deus. (E os católicos, no fundo, também acham que assim é. A declaração teológica sobre a justificação foi assinada no final de 1999).

Mas há dias apareceu esta frase no "Público", naquele cantinho das citações, que eu nunca imaginaria na boca de Lutero:

Se não se pode rir no céu, não quero ir para lá.

Martinho prefere ficar onde está, mesmo na fossa, se não puder rir no céu - e dançar, acrescenta Nietzsche, que em vida deve ter dançado pouco. Terá Lutero rido a bandeiras despregadas quando andava por cá?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

28 de Julho de 1804. Nasce Feuerbach

Feuerbach nasceu no dia 28 de Julho de 1804, em Landshut, e morreu no dia 13 de Setembro em 1872, em Nuremberga. Estudou Teologia, mas abandonou-a para se tornar aluno de Hegel, vindo a influênciar Karl Marx.

A filosofia/teologia/antropologia de Feuerbach situa-se entre o idealismo alemão e o materialismo histórico.

“A Essência do Cristianismo”, de 1841, é a sua obra maior. Nela afirma que as características atribuídas a um ser sobrenatural não são mais do que representações humanas naturais. “Os predicados divinos são qualidades da essência humana”. Deus é um projecção do ser humano melhorado, porque o ser humano homem projecta no ser celestial o ideal de justiça, bondade e virtude que não consegue realizar no plano concreto real.

A crítica, segundo Feuerbach, é válida para todas as religiões. “Na religião, o homem ao relacionar-se com Deus, relaciona-se com a sua própria essência”.

A Teologia é explicada pela Antropologia. E religião rima com alienação, porque o ser humano, ao colocar a sua essência fora de si próprio, transforma-se em algo que que não lhe pertence.

A pedofilia é a crise ou apenas um sinal da crise?

A interpretação minimalista diz que a crise da pedofilia é uma crise de casos pontuais, de ovelhas negras isoladas.

A maximalista diz que a crise é mais profunda. Tem a ver com o modo de entender a sexualidade. É uma consequência de algo a montante. Atinge o sacerdócio ministerial católico.

Esta é tendencialmente a dos analistas e críticos. Aquela é a das autoridades católicas.

Richard Sipe (ex-beneditino, casado), que trata padres com problemas de saúde mental, é maximalista e escreve no "National Catholic Reporter" que “sim, há uma grande crise católica romana – desde a casa papal e a Cúria até os seminários regionais e pontifícios, passando pelas paróquias do nosso bairro, pelas comunidades religiosas e mosteiros” .

Em português (do Brasil) aqui.

Em inglês (dos EUA) aqui.

Bispo pede a mafiosos para não se reunirem em santuários

Notícia do "Página 1" (RR) de ontem (27-07-2010):

Os quatro bês da música

Reconstituição digital do rosto de J.S. Bach a partir dos ossos exumados em 1894

Bach morreu há 260 anos (28 de Julho de 1750). Não é essa efeméride que pretendo assinalar hoje (Bach, neste blogue, aqui). Mas lembro-me sempre de um professor de música que dizia que para se ser grande na música tem de se ter um nome começado por B: Bach, Beethoven, Brahms. E rematava que essa lei ainda se mantinha nos tempos modernos: Beatles. Só mais tarde é que soube que a expressão dos "três bês da música" era de outra músico, Hans von Bulow (1830-1894), genro de Liszt, fã de Beethoven e Brahms.

Deus, uma doença


Deus: uma doença de que se crê curado porque mais ninguém morre dela e de que se fica surpreendido, de tempos a tempos, ao constatar que ela está sempre aí.

Cioran (1911-1995)

terça-feira, 27 de julho de 2010

27 de Julho de 1965. Morre Daniel-Rops

Henri Daniel-Rops, o historiador e escritor católico francês mais lido no pós-guerra, morreu no dia 27 de Julho de 1965, em Aix-les-Bains, aos 64 anos.

Daniel-Rops (Henri Petiot era o seu nome original) escreveu “O povo da Bíblia”, “Jesus e o seu tempo”, “História da Igreja de Cristo” e “A vida quotidiana na Palestina no tempo de Jesus”, entre muitos outros títulos. Os referidos estão publicados em português e foram best-sellers.

Em 1955 foi eleito para a Academia Francesa.

Aviso importante


Charles Péguy (1873-1914) falava dos devotos e dizia:
"Porque eles não são do homem, eles crêem que são de Deus. Porque eles não amam ninguém, ele crêem que amam Deus".

The Black Hole: Uma curta para muitas situações

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Está alguém aí em cima?

Um homem tropeça num poço fundo e cai trinta metros antes de conseguir agarrar-se a uma raiz fina, que trava a queda. O homem vai perdendo as forças e, desesperado, grita:
- Está alguém aí em cima?
Levanta a cabeça e só consegue ver um círculo de céu. De súbito, as nuvens separam-se e um raio de luz forte brilha sobre ele. Uma voz forte diz:
- Eu, o Senhor, estou aqui. Solta a raiz e eu salvar-te-ei.
O homem pensa durante um momento e depois grita:
- Há mais alguém aí em cima?

Titus Brandsma: Meu Senhor, ao olhar para Vós...

Um poema-oração de Titus Brandsma, nos 68 anos da sua morte (26 de Julho de 1942).


Meu Senhor, ao olhar para Vós,
Vejo os vossos olhos compassivos postos em mim.
O amor inunda o meu humilde coração,
Sabendo da vossa fiel amizade sem fim.

Antevejo um cálice de dor,
Que aceito por amor a vós.
Desejo percorrer este caminho penoso,
O único que leva a Deus.

A minha alma está cheia de paz e luz,
Embora na dor esta luz brilhe intensamente.
Porque agora guardais no vosso peito,
O meu coração inquieto,
que aí repousa tranquilamente.

Deixai-me aqui, livremente só,
Na cela onde a luz do Sol nunca brilhou.
Que ninguém me dirija mais a palavra,
É este silêncio de ouro que me torna livre!

Apesar da solidão, não tenho medo,
Nunca vos senti, ó Senhor, tão perto.
Jesus amado acompanhai-me, por favor,
Sei que encontrarei em vós a paz eterna.

26 de Julho de 1942. Morre em Dachau o carmelita Titus Brandsma

Ordenado padre em 1905, Anno Sjoerd Titus Brandsma (Bolsward, 23 de Fevereiro de 1881), carmelita, foi reitor da Universidade Católica de Nimega (Nijmegen, na Holanda). Opôs-se ao nazismo, defendendo a liberdade de ensino e de imprensa. Era capelão de vários jornais católicos. Foi preso pela Gestado e morreu no campo de concentração de Dachau no dia 26 de Julho de 1942. Injectaram-lhe fenol.

No dia 3 de Novembro de 1985, o Papa João Paulo II beatificou Titus Brandsma, em Roma, e disse: “No meio dos ataques de ódio, ele conseguiu amar; todos, incluindo os seus carrascos. Também são filhos do bom Deus, disse. E: Quem sabe se não ficará alguma coisa neles… Claro que tal heroísmo não é algo que possa ser improvisado…”

Desprezo

Não se despreza a ciência sem desprezar a razão; não se despreza a razão sem desprezar o homem; não se despreza o homem sem desprezar Deus.

Anatole France (1844-1924)

domingo, 25 de julho de 2010

25 de Julho de 2008. Morre Randy Pausch

Vítima de cancro do pâncreas, Randy Pausch, professor de computação na Universidade de Carnegie Mellon, morreu no dia 25 de Julho de 2008. Tinha 47 anos.

No dia 18 de Setembro de 2007, quando já sabia que tinha apenas uns meses de vida, deu a palestra “The Last Lecture”. É uma prática comum nas universidades pedirem a professores que imaginem o seu falecimento e que “ruminem sobre o que mais os interessa”.

O que Randy Pausch disse, “Conquistar os nossos sonhos de infância”, pode ser visto no vídeo a seguir a este texto ou lido no livro “A Última Aula” (Editorial Presença). Uma grande lição de vida.

Deixo aqui algumas das suas frases:

Não podemos trocar as cartas que foram dadas. Só podemos decidir como jogá-las.

Tenham sempre alguma coisa com que negociar, pois isso fará com que sejam apreciados.

Os muros estão lá para que possamos mostrar a que ponto desejamos alguma coisa.

A sorte é, sem dúvida, onde a preparação esse cruza com a oportunidade.

No livro, Pausch fala pouco de religião. Logo no início diz que se converteu à hora da morte (“deathbed conversion”): comprou um Macintosh. Mas nota-se que é crente. Faz parte de uma comunidade de tradição protestante.

Escreve nas páginas 228-229:

Não discuti a minha religião específica na aula, pois queria falar sobre princípios universais que se aplicassem a todas as fés – partilhar coisas que aprendera através das minhas relações com as pessoas. É claro que encontrei algumas dessas relações na igreja. (…) O meu sacerdote tem sido bastante útil. Frequentamos a mesma piscina em Pittsburgh. No dia após ter descoberto que a minha situação era terminal, ambos fomos lá. Ele estava sentado junto à piscina e eu subi para a prancha. Pisquei-lhe o olho e depois mergulhei.
Quando me aproximei, ele disse-me: «Pareces a personificação da saúde, Randy». Disse-lhe: «Essa é a dissonância cognitiva. Sinto-me bem e estou com óptimo aspecto, mas ontem soubemos que o meu cancro voltou e os médicos dizem que tenho entre três a seis meses de vida».
Desde então que falamos sobre as melhores formas de me preparar para a morte.
«Tens um seguro de vida, certo?», perguntou-me.
«Sim, está tudo em ordem», garanti-lhe.
«Bem, também precisas de seguro emocional», adiantou. E depois explicou-me que os prémios do seguro emocional seriam pagos com o meu tempo, não com o meu dinheiro.

O detective que rezava missas

Padre Brown (Alec Guinness)

Diz o detective: "Parece que as coisas que acontecem aqui não têm nenhum significado. Falo daquilo que ocorre num outro lugar. Num lugar qualquer, o verdadeiro culpado será punido. Aqui, o dano parece atingir uma pessoa ao invés da outra".

O detective é Brown, Padre Brown. E o que diz tanto pode ser relativo a um criminoso como à condição humana em geral. Tanto pode estar a falar da autoridade da polícia e do juiz como de Deus. A prisão e a liberdade. O inferno e o céu.

Publicou-se em Itália um livro sobre rostos e vozes da esperiência religiosa na criação literária. “Figure spirituali. Volti e voci dell'esperienza religiosa nella creazione letteraria" (“Figuras espirituais: Rostos e vozes da experiência religiosa na criação literária”), Ed. Messaggero.

O capítulo sobre o padre-detective de Chesterton foi publicado no L'Osservatore Romano (18-07-2010) e pode ser lido em português aqui.

Mais sobre o Padre Brown aqui.

Bento Domingues: leituras de férias

Anedota contada por Bento Domingues no “Público” de hoje:

Certo domingo, a mãe acordou o filho com uma sacudidela e disse-lhe que estava na hora de ir para a igreja.

- Ó mãe, não me apetece! É tão aborrecido! Porque é que hei-de chatear-me?

- Por duas razoes; sabes muito bem que deve ir à igreja ao domingo e, em segundo lugar, és o bispo da diocese.

Mais textos de Bento Domingues só em Setembro.

Domingo é dia da alegria


E quando Deus se quer ligar realmente ao homem, Ele chama o seu escudeiro, o seu mais seguro mensageiro, que é o desgosto, e diz-lhe: "Corre atrás dele, apanha-o, não o deixes sozinho..."

Soren Kierkegaard (1813-1855)

sábado, 24 de julho de 2010

Colorir a rosácea de Estrasburgo

Rosácea da Catedral de Estrasburgo. Quem quiser pode colori-la aqui.


24 de Julho de 1429. Conclusão da flecha da Catedral de Estrasburgo

A flecha da catedral de Catedral de Nossa Senhora de Estrasburgo ficou concluída no dia 24 de Julho de 1429. Na época, a cidade fazia parte do Sacro Império Romano-Germânico.

A torre, com os seus 142 metros, fez da Catedral o edifício mais alto do mundo entre meados do séc. XVII e 1876. Neste ano conclui-se a torre da Catedral de Rouen que, com os seus 151 metros, passou a ser o edifício mais alto do mundo por quatro anos.

A de Estrasburgo continua a ser a segunda catedral mais alta de França. Não sei por que é que se diz que foi o edifício mais alto a partir de meados do séc. XVII e não desde a conclusão da torre. Talvez alguma outra torre tenha caído no séc. XVII…

O mais intolerável


O mais intolerável seria um Deus tal como o desejamos.

Elias Canetti (1905-1994)

A tristeza é a boca do leão que devora quem se entristece

Né Ladeiras diz no DN Gente de hoje que pratica a “melancolia, que era pecado segundo Evágrio do Ponto”.

Evágrio do Ponto, ou Evágrio Pôntico, nascido na Capadócia (na Turquia), viveu nos desertos do Egipto, no séc. IV. Foi um dos Padres do Deserto.

Ao ler a resposta de Né Ladeiras, lembrei-me de procurar o texto de Evágrio. A versão que aqui deixo fala de tristeza. No original devia estar mesmo μελαγχολία.


A tristeza abate a alma e forma-se a partir dos pensamentos da ira.

O desejo de vingança, com efeito, é próprio da ira; o fracasso da vingança gera a tristeza; a tristeza é a boca do leão e facilmente devora aquele que se entristece.

A tristeza é um glutão do coração e alimenta-se da mãe que o gerou.

Sofre a mãe quando dá à luz um filho; porém, esta, tendo dado à luz, vê-se livre da dor. A tristeza, ao contrário, enquanto é gerada, provoca fortes dores e, sobrevivendo, após o esforço, não traz sofrimentos menores.

O cristão triste não conhece a alegria espiritual, como aquele que acometido por forte febre não reconhece o sabor do mel.

O cristão triste não saberá como contemplar, nem brota nele uma oração pura: a tristeza impede todo o bem.

Ter os pés amarrados impede a corrida; assim é a tristeza: um obstáculo para a contemplação.

O prisioneiro dos bárbaros está preso com correntes; a tristeza amarra aquele que é prisioneiro das paixões.

A tristeza não tem força, assim como não tem força uma corda se lhe faltar quem amarre.

Aquele que está atado pela tristeza é vencido pelas paixões e, como prova da sua derrota, aumenta a atadura.

O moderado não se entristece pela falta de alimentos, nem o sábio quando é atacado por um lapso de memória, nem o manso que renuncia à vingança, nem o humilde que se vê privado da honra dos homens, nem o generoso que sofre uma perda financeira. Com efeito, eles evitam, com força, o desejo destas coisas, como efectivamente aquele que corajosamente rejeita os golpes. Assim, o homem que confia no Senhor não é ferido pela tristeza.

Anselmo Borges escreve sobre pedofilia e ordenação das mulheres

No DN de 24 de Julho de 2010:


No passado dia 15, o Vaticano publicou um documento que actualiza as regras para a punição dos clérigos (padres, bispos ou cardeais) que abusam sexualmente de menores. São medidas que endurecem as penas e exigem que se torne realidade a "tolerância zero" para estes casos trágicos.


Durante demasiado tempo, a Igreja procurou mais preservar a sua imagem do que defender as crianças abusadas. Agora - e não poderá ignorar-se que também pesou a pressão dos média internacionais -, na actualização das Normae de gravioribus delictis (Normas sobre os delitos mais graves), de 2001, o Papa manifesta vontade firme de acabar com esta infâmia.


Como disse o porta-voz da Santa Sé, o jesuíta Federico Lombardi, entre as novidades do documento encontra-se a de que "os procedimentos sejam mais rápidos" para enfrentar com eficácia as situações mais graves e urgentes. Estas novas normas serão "um passo crucial no caminho da Igreja, que deverá traduzi-las em praxis permanente e ser sempre consciente delas".


Apresentam-se as principais.

Há uma dilatação do tempo de prescrição destes delitos, que passa de 10 para 20 anos, a contar do 18.º aniversário da vítima. Tornam-se delitos graves os abusos sexuais com incapacitados mentais adultos bem como a posse e divulgação de pornografia infantil. Nos casos mais graves, prevê-se a demissão do estado clerical. Os clérigos delinquentes terão de submeter-se a dois processos: um canónico, próprio da Igreja, e outro estatal. Lombardi foi explícito: a Igreja católica está obrigada a cumprir "as justas leis civis", também no que respeita aos crimes de abusos sexuais. Portanto, os clérigos pederastas, para lá das sanções canónicas, deverão comparecer perante os tribunais, segundo as disposições da lei civil.


Chegados aqui, ficam algumas observações.

1. O leitor perguntará, perplexo, como é que no título se une pedofilia e ordenação das mulheres. Essa foi a pergunta feita por muitos católicos e também pelos media. O que se passa é que, de facto, no mesmo documento, aparece igualmente como delito penal a "tentada ordenação sacra de uma mulher".


Aliás, aparece igualmente, entre outros delitos, a simulação da administração dos sacramentos da eucaristia e da confissão ou a gravação desta. Mas o que chocou foi a junção da punição de abusos sexuais pelo clero e da ordenação de mulheres. Independentemente do que se pense desta - estou convicto de que, mais tarde ou mais cedo, é uma questão inevitável -, não se pode deixar de lamentar o sucedido. "Se se está a tentar um sistema funcional, crimes rituais ou sacramentais podem ser tão destruidores como os morais", escreveu Andrew Brown no The Guardian, acrescentando: "Mas é uma conjunção que não vai cair bem no mundo exterior. Um organismo que tivesse alguma noção de relações públicas publicaria as duas revisões separadamente."


Perante a justa indignação de tantos por causa desta imagem misógina da Igreja, Mons. Charles Scicluna, da Congregação para a Doutrina da Fé, teve de vir acalmar os ânimos, declarando que a ordenação de uma mulher e a pederastia não têm o mesmo nível de gravidade.


2. Embora não haja uma ligação intrínseca entre celibato e pedofilia, impõe-se a necessidade de atenção redobrada na formação dos futuros padres e é inevitável o debate à volta do perigo do celibato obrigatório para uma sexualidade madura.


3. É fundamental que se garantam os direitos de todos. Se, quando há separação de poderes - legislativo, executivo e judicial -, é o que se sabe, o perigo pode ser maior na Igreja, onde a separação não existe.


4. Mais uma vez se mostrou que um problema fundamental na Igreja é a reforma da Cúria. Mais um sinal: o documento publicado na semana passada já tinha sido aprovado pelo Papa no dia 21 de Maio.


5. Apesar de tudo, trata-se de uma atitude vigorosa de Bento XVI. Seria de esperar que outras instituições lhe seguissem o exemplo. Porque não é bom refugiar-se em bodes expiatórios nem bater sempre a culpa no peito dos outros.

Fonte: DN

sexta-feira, 23 de julho de 2010

23 de Julho de 1920. Nasce Amália Rodrigues

Amália pintada numa rua da Paris

Na verdade, a fadista Amália Rodrigues não nasceu no dia 23 de Julho. Foi registada como tendo nascido nesse dia, mas parece que nasceu no dia 1 de Julho de 1920. E morreu no dia 6 de Outubro de 1999.

Contou o P.e Feytor Pinto, há dias, que a Rainha do Fado “procurava o mistério de Deus não como solução mas como caminho (…), sempre pela mão de Maria”. Amália tinha uma devoção especial por Nossa Senhora do Carmo.

«Feytor Pinto recordou ainda um episódio da vida da fadista em que, numa noite vinda de um espetáculo no casino de Copacabana, no Rio de Janeiro, “se recolheu a orar” junto a uma Nossa Senhora.

“No dia seguinte foi lá colocar-lhe flores e, para espanto seu”, quando regressou passado um ano, aquele era um local de peregrinação, com muitas flores “e já com uma grade, que não permitia que Amália beijasse Nossa Senhora”, contou».

Li isto no sítio do SNPC.

Artimanhas do diabo

No "Público" de hoje, mais um texto sobre o P.e Fortea e “Satã, Diabo, Belzebu, Lilit, Asmodeu, Sátiro, Demónio, Belial ou Beliar, Apolion, Lúcifer”. Pode ser lido aqui. Mas como daqui a algum tempo pode deixar de estar on-line, deixo cópia da edição em papel.

A certeza com que alguns especialistas falam do demónio/diabo, como este padre espanhol, permite fazer do demónio/diabo um argumento para a existência de Deus. Com efeito, o demónio/diabo é um ser sobrenatural. Se existe – e para alguns parece tão evidente que sim –, existe o sobrenatural. E não podendo existir separado de Deus, Deus tem de existir. E assim o demónio/diabo torna-se numa afirmação fácil da existência de Deus, o que muito lhe (ao demónio/diabo) deve desgostar.

Penso que o P.e Fortea, como todos os exorcistas, estão enganados. Não digo que o que fazem não tenha bons efeitos. Com certeza que terá. Mas não é o diabo que expulsam. Claro que existe o mal. Mas o mal não precisa do diabo para existir. Geralmente basta a responsabilidade humana. A grande artimanha do diabo está em, não existindo, conseguir convencer alguns da sua existência. E isso é que pode ser diabólico.


Quantos estiveram em Fátima? - 3

A empresa Lynce conta pessoas. "Contamos gente", dizem. As suas contagens dão sempre números muito inferiores aos de quem organiza as manifestações e ajuntamentos. Vale a pena ver como fizeram a contagem de Fátima, aqui. E seria ainda mais interessante ouvir a explicação do Santuário.

Continuo a achar que estavam muito mais de 37 mil pessoas. Penso que o recinto do Santuário terá mais de 37 mil metros quadrados. Um campo de futebol tem cerca de 10 mil metros quadrados. Só lá cabem 4 campos de futebol? Os dados do Turismo de Leiria-Fátima (86 400 m2) seriam anteriores à construção da Igreja da Santíssima Trindade? Esta foto que retirei do sítio da Lynce não mostra gente para lá do recinto (clique para ampliar)?

Mas pelos diversos exemplos apresentados no sítio da empresa, é claro que temos tendência a sobrevalorizar o número de pessoas que compõem uma multidão.

Quantos estiveram em Fátima? - 2

É capaz de ser difícil meter 500 mil pessoas num recinto de cerca de 80 mil metros quadrados. Dá mais de seis por metro quadrado. O número deve ter em conta outros espaços como as colunatas, as casas em redor do santuário, as sombras limítrofes.

Mas numa foto como esta (de 13 de Maio de 2010) são visíveis mais de 100 mil pessoas. Tomemos como exemplo a mancha branca, em forma de triângulo, do lado esquerdo. Estão lá cerca de 100 pessoas. Triângulos como este cabem cabem 500 em cada uma das alas - cálculos com muita folga -, 1000 na totalidade, o que dá, pelo menos 100 mil pessoas. Muito longe dos 500 mil, é certo, mais igualmente longe dos 37 mil da empresa espanhola. Mas estes 100 mil são apenas os que a foto permite ver. O efeito perspectiva só aumentará o número de triângulos possível.

Outra forma de perceber que o número 37 mil não pode estar certo é pensar que estas pessoas encheriam a Igreja da Santíssima Trindade (que tem cerca de 9000 lugares sentados, num espaço muito bastante menor em relação à área total da Igreja) apenas quatro vezes.

Quantos estiveram em Fátima? - 1

Na revista "Visão" de ontem (22 de Julho), uma empresa alega que em Fátima, para ver o Papa no 13 de Maio, não estiveram mais do que 37 mil pessoas, uma por metro quadrado, em média, já que, segundo o artigo, o recinto tem 37 mil metros quadrados.

O número difere em muito dos 500 mil apontados pelo Santuário. Numa das visitas de João Paulo II chegou-se a falar de 600 mil peregrinos. Quem tem razão? 37 mil parece manifestamente pouco. Até pela fotografia da notícia. Mas há outras fotografias mais explícitas.

Por outro lado, qual a área do santuário? No portal do Turismo Leiria-Fátima diz-se que o recinto ao ar livre tem uma área de 86 400 m2 (mais do dobro do referido na notícia) e que comporta cerca de 300 mil pessoas (seriam, em média, quase quatro por metro quadrado), aqui. E também é certo que muitos ouviram o Papa à sombra das árvores e até de fora do recinto.

Definições de Deus

Deus é um ser de quem se fala sem saber dizer nada dele, e que é superior a todas as definições.

Santo Agostinho (354-430)

Seria ridículo considerar como tempo perdido todos os séculos durante os quais o homem se esgotou a procurar uma definição de Deus.

Emil Michel Cioran (1911-1995)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Zé Borrego, "serial killer" português

No "Público" de hoje vinha a história de Zé Borrego, provavelmente o único "serial killer" português.

"Zé Borrego, homem de grande compleição física, de grande fé e igualmente dotado de uma grande dose de crendice, deixou um dia as serranias da Beira Baixa e rumou a Lisboa. Agia, conforme confessou mais tarde ao agente da Judiciária responsável pelo seu caso, mandado por Nossa Senhora. A sua missão, nas ruas de Lisboa, era acabar com o pecado".

Zé Borrego seduzia homossexuais masculinos, levava-os para quartos de pensões e estrangulava-os. Fez cinco vítimas. Depois esquartejava-as, meti-as em sacos de plásticos e espalhava-os junto a linhas de água.

"Após semanas de investigações a polícia chegou a Zé Borrego, que depressa confessou e justificou os crimes".

Na prisão, ganha confiança com um agente da Judiciária. "O homem a quem Nossa Senhora ordenou um dia que descesse a Lisboa para acabar com a homossexualidade masculina passou a ter no polícia um amigo, que escutava as suas razões e não as reprimia a murro e pontapé. É que, na Penitenciária, os seus crimes já lhe haviam merecido algumas surras".

Zé Borrego acaba por dizer ao polícia que tem ainda de matar mais duas pessoas. Desta feita já não são homossexuais. São dois guardas prisionais que o terão espancado em diversas ocasiões. O agente da Judiciária pede-lhe um favor: que não mate mais ninguém. A honra não é palavra vã para Zé Borrego, que aceita o pedido do polícia, mas para poupar a vida aos guardas tem de acabar com a sua.

"Na manhã seguinte é encontrado morto na cela, pendurado pelo pescoço".

Li esta história com 50 anos, horrível mas com um toque humano, a amizade entre o agente o assassino, aqui. Não sei se o sr. tinha "grande fé", como escreve José Bento Amaro, que assina o texto. Tinha, certamente, uma fé errada.

22 de Julho de 1619. Lourenço de Brindisi morre em Lisboa


Lourenço de Brindisi (nascido Giulio Cesare Russo, em Brindisi, reino de Nápoles, no dia 22 de Julho de 1559), ou Lourenço de Brindes, morreu em Lisboa, a 22 de Julho de 1619, no dia exacto em completava 60 anos. Era superior dos Frades Capuchinhos e visitava as comunidades ibéricas.

Lourenço foi canonizado pelo Papa Leão XIII, em 1881, e declarado doutor da Igreja por João XXIII, em 1959, com o título de “Doctor Apostolicus”.

Foi um óptimo linguista. Falava fluentemente diversas línguas europeias e semitas. Sabia a Bíblia de cor – o que não era algo assim tão incomum na sua época. Em criança era sobredotado e costumada dar espectáculo lendo uma página e debitando-a decorada a seguir.

Lourenço foi o último homem a ser proclamado “doutor da Igreja”. Depois dele, só mulheres: Teresa de Ávila (em 1970), Catarina de Sena (em 1970) e Teresa de Lisieux ou Teresinha do Menino Jesus (em 1997).

Lucas 15, a esquerda e a direita

Tem piada o artigo de Inês Teotónio Pereira, "A esquerda que queremos ser", no DN de ontem. "Somos [os da direita] aquele i...