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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Santa liberdade

Podem sempre dizer que o ocidente é isto e aquilo, geralmente, capitalista, consumista e decadente. Ao ver o que vem do oriente, seja do oriente europeu, com Putin a invadir a Ucrânia (que quer ser ocidental e em parte é católica), seja do Médio Oriente, com a instauração do califado (é assustador o que se vê nesta reportagem sobre o Estado Islâmico, incluindo a destruição de uma igreja cristã, pelo minut0 31), mais aprecio a liberdade do ocidente dito decadente. As alternativas são arrepiantes.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Quem disse que a síntese razão, fé e vida já não convence?

Quem escreveu isto?

Olhando retrospectivamente, podemos dizer que a forma que transformou o cristianismo numa religião mundial consistiu na sua síntese entre razão, fé e vida; esta síntese condensou-se precisamente na expressão religio vera. Impõe-se, por isso, cada vez mais a questão: porque é que, hoje, esta síntese já não convence? Porque é que, hoje,ao invés, surgem contraditórios e até reciprocamente exclusivos a racionalidade e o cristianismo? Que é que mudou na racionalidade? Que é que mudou no cristianismo?

a) Hans Kung
b) Leonard Boff
c) Joseph Ratzinger

Resposta (selecione para ver): c) Joseph Ratzinger na pág. 84 do livro "Existe Deus? Um confronto sobre verdade, fé e ateísmo", de Joseph Ratzinger e Paolo Flores d'Arcais, ed. Pedra Angular.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Cristianismo e globalização


Impõe-se ao cristianismo uma pesada responsabilidade, vasta como o mundo. Cada dia de torna mais evidente que a civilização ocidental não possui, só por si mesma, a força para criar uma humanidade e operar para o homem a plenitude de sentido. Como religião histórica, apenas o cristianismo se encontraria na situação de proporcionar, a um mundo que se tornou histórico, o sentido e o suporte, cumprindo ainda a integração interna e externa da humanidade.



Walter Kasper, "Introdução à fé", pág. 183

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Repropor a fé religiosa



Será possível (...) que a questão da fé não seja qualquer coisa que se proponha de novo? É uma boa pergunta, porque (...) parece-me constitutivo da problemática religiosa justamente o facto de ela ser sempre o retomar de uma experiência de algum modo já feita. Nenhum de nós, na nossa cultura ocidental - e se calhar em qualquer cultura - começa do zero na questão da fé religiosa.


Gianni Vattimo, "Acreditar em acreditar", pág. 8

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Medo no seio do cristianismo



Como Toulmin [Stephen Toulmin, 1922-2009, filósofo britânico que ensinou na Universidade da Carolina do Sul, com várias obras sobre ética, filosofia das ciência e história das ideias] observou, a dilaceração da Cristandade durante a Guerra dos Trinta Anos marcou a Igreja desde então. Foi um momento essencial - houve outros - na evolução do Cristianismo moderno e na realidade da própria modernidade. Ele sustenta que produziu um Cristianismo com tendência para ser medroso e para desconfiar, inclinado ao conformismo, receoso de levantar as questões difíceis e se envolver em debate profundo. Há demasiado medo.


Timothy Radliffe na pág. 306 de "Ser Cristão para quê?"

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Utopia do imediato?



Se a aposta na transcendência deixar de parecer valer a pena e nos movermos no sentido de uma utopia do imediato, a organização dos valores da nossa civilização, ao longo de pelo menos três milénios, alterar-se-á de modos quase imprevisíveis.


George Steiner, na pag. 98 de "No castelo do Barba Azul. Algumas notas para a redefinição da cultura", ed. Relógio d'Água

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Duas heranças logicamente consistentes


[O espírito científico e a ética cristã] são duas heranças logicamente consistentes. Mas a lógica não é tudo. Para seguir uma ideia é necessário o coração. Como conseguir a inspiração para que estes dois pilares da civilização ocidental se mantenham juntos, em pleno vigor e sem temores mútuos. Esse é o problema central no nosso tempo.

Richard Feynman (1918-1988)

terça-feira, 1 de março de 2011

1 de Março de 2006. Bento XVI renuncia ao título de “Patriarca do Ocidente”

O título de “Patriarca do Ocidente” figurou no “Anuário Pontifício” até 2005. Em 2006 já não apareceu. Bento XVI renunciou a ele, no que foi interpretado como um “sinal de sensibilidade ecuménica” em relação aos ortodoxos.

Os Patriarcas do Oriente são os de Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém, cidades de onde irradiou o cristianismo (como Lisboa, que por isso é patriarcado). Antes do cisma ortodoxo, reconheciam a primazia do Bispo de Roma.

Agora, o Papa é Bispo de Roma, Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Sumo Pontífice da Igreja Universal, Primaz da Itália, Arcebispo Metropolita da Província Romana e Soberano do Estado da Cidade do Vaticano.

sábado, 25 de dezembro de 2010

25 de Dezembro de 800. Carlos Magno é coroado por Leão III

No dia 25 de Dezembro de 800, Carlos Magno foi coroado imperador por Leão III, em Roma, dando início ao Sacro Império Romano. Graças a Carlos Magno, o Ocidente conhece um período de paz e prosperidade, conhecido precisamente por renascimento carolíngio.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Deus Jesus robô

God Jesus Robot. Fazia-se uma pergunta e ele respondia com um sim ou não. Estava à venda no Japão. Anos 80, início dos 90. É mesmo preciso o diálogo de culturas e religiões. Entre o Extremo Oriente e o Ocidente, quem é que não entende quem?

sábado, 28 de agosto de 2010

Dois livros de Raimon Panikkar

De Raimon Panikkar, tenho um livrinho e um livrão. O livrinho é “La experiencia de Diós”, 96 páginas na editorial PPC. O livrão é “El silencio del Buddha. Una introducción al ateísmo religioso”, 424 páginas nas Ediciones Siruela.

Não conheço muito do autor, mas é admirável a síntese intercultural e religiosa que fez na sua própria vida: filho de um industrial indiano e hindu e de uma catalã católica, estudou nos jesuítas e, ordenado padre em 1946, integrou e depois saiu do Opus Dei. Formou-se em Química, Teologia e Filosofia, andou por Roma, viveu e ensinou na Índia e nos EUA. Viveu os últimos anos na Catalunha natal.

Em “La experiencia de Diós”, Panikkar afirma que os lugares privilegiados para a experiência de Deus são o mal, o silêncio e o tu. Como deixa bem explícito que “a experiência de Deus não pode ser monopolizada por nenhuma religião, por nenhuma cultura, por nenhum sistema de pensamento”, alguns poderão não gostar da sua teologia e filosofia (um leitor deste blogue escreveu, comentando a entrada anterior: “Um verdadeiro campeão da heresia. Que Deus tenha piedade dele”). Perto do fim da vida, continuava a “dizer missa”, porque nunca deixou de ser cristão. Afirmava: “Saí cristão, descobri-me hindu e regresso budista sem deixar por isso de ser o que era no início” (“Salí cristiano, me he descubierto hindú y regreso buddhista, sin dejar por ello de ser lo primero”). Esta afirmação faz lembrar a resposta de Jean Guitton a uma pergunta de “O Independente” sobre o futuro do catolicismo. Dizia o francês que era a religião mais bem colocada para acolher todas as tendências, correntes e religiões, porque é, desde o início, católica, isto é, universal.

Em “El silencio del Buddha”, Panikkar relaciona a teologia apofática (ou negativa) do cristianismo com a “religiosidade” budista. Parece estimulante (só li o índice e parágrafos soltos), quando as religiões orientais continuam a exercer fascínio sobre o Ocidente (notícia destes dias: Julia Roberts, anteriormente católica, parece que se converteu ao hinduísmo) e, com frequência, se esquecem as tradições apofáticas, silenciosas, místicas, do interior do próprio cristianismo. Que Panikkar conhece.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Andrea Riccardi sobre os médicos assassinados no Afeganistão

Da esq., Glenn Lapp, Tom Little, Daniela Beyer e Jawed (em cima) e Mahram Ali, Dan Terry, Cheryl Becket e Brian Carderelli (em baixo)

“Esses médicos são um rosto grande e nobre do Ocidente. São pessoas que ainda acreditam que têm uma missão no mundo, fato não tão comum no Ocidente. São pessoas que acham justo arriscar a vida para ajudar os outros, assim como a agir em áreas pouco seguras, distantes dos seus próprios países. São pessoas que, tendo os meios para isso, sentem uma dívida de solidariedade para com um povo que versa em condições impossíveis. «Estamos aqui para ajudar as pessoas», teriam respondido a quem desaconselhava a viagem através de uma área perigosa".

Excerto de uma crónica de Andrea Riccardi sobre os oito médicos ocidentais assassinados no Afeganistão. O texto do fundador da Comunidade de Santo Egídio saiu originalmente no "Corriere della Sera" (aqui) e foi traduzido para português do Brasil (aqui).

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...