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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Respiremos neste Natal

O melhor livro de Advento-Natal. Já tem uns aninhos. Original litaliano de 1995, edição portuguesa de 1996. Bem antes de Bento XVI, César das Neves e outros, afirmou o lugar do burro e o boi no presépio.

"O burro e o boi já fazem parte integrante do quadro em que Deus opera a nossa salvação. São o sinal de que o dia-a-dia em todas as suas versões não é um segmento de vida pobre ou sem sentido, mas o caminho pouco vistoso, por vezes até um pouco aborrecido, ao longo do qual Deus nos conduz gradualmente até ao cume da montanha. É fundamental que saibamos acolher o burro e o boi na nossa vida. Porque, apesar de nalguns dias não conseguirmos cantar nem falar, será importante que, pelo menos, possamos respirar" (pág. 98).

Bom Natal. A todos.

Luís Osório: "Jesus vive no Papa Francisco?"


Editorial de Luís Osório no "i" de hoje, Sobre Francisco, que chega aonde mais nenhum Papa chegou, pelo menos assim de repente.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Bento Domingues: Quantos Cristos ressuscitaram? (1)


1. Nas crónicas de Natal, durante vários anos, preocupei-me, com questões de ordem histórica e teológica, levantadas pelo género literário dos chamados “Evangelhos da Infância”. Esses belos tecidos simbólicos, anunciando o reinado do Espirito de Cristo – recusa do mundo de senhores e escravos – são mal servidos por uma leitura estéril de biologia milagrosa.

Este ano, opto pela peregrinação ecuménica do Papa Francisco à Turquia, fundamental para o renascimento das Igrejas. Selecciono, apenas, duas respostas descontraídas a perguntas dos jornalistas, no voo de regresso [1]. Voltarei, em breve, a outros aspectos.

O Papa Bergoglio tinha afirmado que, para chegar à suspirada plenitude da unidade, “a Igreja católica não tem intenção de impor qualquer exigência”. Daí a questão: “estaria a referir-se ao Primado (do Bispo de Roma)?

Resposta: A questão do Primado não é uma exigência; é um acordo porque também os ortodoxos o desejam. É um acordo para encontrar uma modalidade que seja mais conforme com a dos primeiros séculos. Li, uma vez, algo que me fez pensar – um parêntesis – aquilo que sinto de mais profundo acerca deste caminho da unidade está na homilia que fiz, ontem, sobre o Espírito Santo. Li, com efeito, que só o caminho do Espírito Santo é caminho certo, porque Ele é surpresa. Ele mostrar-nos-á onde está o ponto decisivo. Ele é criativo…

Talvez isto seja uma autocrítica, mas corresponde, mais ou menos, ao que eu disse nas congregações gerais, antes do Conclave, o problema está no seguinte: a Igreja tem o defeito, o hábito pecador, de olhar demasiado para si mesma, como se imaginasse que possui luz própria. Mas, como sabem, a Igreja não tem luz própria. Deve voltar-se para Jesus Cristo!

À Igreja, os primeiros Padres chamavam-lhe mysterium lunae, o mistério da lua, porquê? Porque dá luz, mas não tem luz própria; é a que lhe vem do sol. E, quando a Igreja olha demasiado para si mesma, aparecem as divisões. Foi o que sucedeu depois do primeiro milénio. Hoje, à mesa, falávamos do momento, de uma terra – não me lembro qual – em que um cardeal foi comunicar a excomunhão do Papa ao Patriarca (ortodoxo). Naquele momento, a Igreja olhou para si mesma; não estava voltada para Cristo. Creio que todos estes problemas que surgem entre nós, entre os cristãos – falo pelo menos da nossa Igreja católica – surgem quando ela olha para si mesma: torna-se auto-referencial.

Hoje, Bartolomeu usou uma palavra, não foi "auto-referencial", mas era muito semelhante, uma palavra muito bela… Agora não me recordo, mas era muito bela, muito bela [o termo na versão italiana é introversão].

Eles aceitam o Primado [do Bispo de Roma]. Hoje, na Ladainha, rezaram pelo "Pastor e Primaz". Como diziam? "Aquele que preside…". Reconhecem-no; disseram-no, hoje, na minha frente. Mas, quanto à forma do Primado temos de ir um pouco ao primeiro milénio para nos inspirarmos. Eu não digo que a Igreja errou, não. Percorreu a sua estrada histórica. Mas, agora, a estrada histórica da Igreja é aquela que pediu João Paulo II: "Ajudai-me a encontrar um ponto de acordo à luz do primeiro milénio".

Este é o ponto-chave. Quando se fixa em si mesma, a Igreja renuncia a ser Igreja para ser uma ONG teológica.

2. Uma jornalista interpelou-o “acerca da histórica inclinação” que ontem o Papa Francisco tinha feito diante do Patriarca de Constantinopla: como pensa agora enfrentar a crítica de quem talvez não entenda estes gestos de abertura?

Resposta: Atrevo-me a dizer que não se trata de um problema só nosso; é também um problema dos ortodoxos. Eles têm o problema de alguns monges, de alguns mosteiros que estão nessa estrada. Por exemplo, há um problema que se discute desde os tempos de Paulo VI: é a data da Páscoa. E não nos pomos de acordo! Mas porquê? Porque, se a fizéssemos na data da primeira lua depois do 14 de Nisan, com o avanço dos anos, correríamos o risco – os nossos bisnetos – de ter de a celebrar em Agosto. E devemos procurar… Paulo VI propôs uma data fixa concordada, um domingo de Abril.

3. Bartolomeu foi corajoso, sublinhou o Papa. Por exemplo, em dois casos, recordo um, mas há outro. Na Finlândia, ele disse à pequena comunidade ortodoxa: festejai a Páscoa com os luteranos, na data dos luteranos, para que num país de minoria cristã não haja duas Páscoas. E o mesmo problema vivem os orientais católicos. Ouvi esta, uma vez, à mesa, na Via della Scrofa: preparava-se a Páscoa na Igreja católica e estava presente um oriental católico que dizia: "Ah, não! O nosso Cristo ressuscita um mês mais tarde! O teu Cristo ressuscita hoje?" O outro observou: O teu Cristo é o meu Cristo.

A data da Páscoa é importante. Há resistência a isto por parte deles e nossa. Quanto a estes grupos conservadores, devemos ser respeitosos, sem nos cansarmos de explicar, catequizar, dialogar, sem insultar, sem os denegrir nem criticar porque tu não podes arrumar uma pessoa dizendo: "este é um conservador". Não. Este é tão filho de Deus como eu. Mas convidemo-lo: vem cá, falemos! Se não quer falar é um problema dele, mas eu respeito-o. Paciência, mansidão e diálogo.

Boas festas.

[1] Cf. Seguirei, de perto, a narrativa do L’Osservatore Romano, 04.12.2014

sábado, 20 de dezembro de 2014

Salvador


O período litúrgico do Advento e do Natal fala ao desejo de quem espera, e oferece um salvador a quem se sente perdido. O medo de perder coisas e pessoas e de perder-se com elas é uma das nossas preocupações mais profundas. O mistério da maldade que há em nós acrescenta mais alguma coisa do desejo e ao medo, criando mal-estar e desconfiança. Pode-se fingir que se ignora tudo isto, mas é como entrar num beco sem saída.

Domenico Pezzini, "O Tesouro e o Barro", pág. 7

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Conto de Natal de João César das Neves

Isabel empurrou a custo os últimos escombros e conseguiu ver o céu. Chovia e o vento era forte. À volta havia só destroços fumegantes do ataque nuclear. Ignorava se o país sobrevivera, mas ali a destruição era total.

Início do conto de Natal de João César das Neves. No DN de ontem.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Bento Domingues: "Jesus não faz anos dia 25"


Texto de Bento Domingues no "Público" de ontem (na revista "2", o dominicano faz um balanço dos nove meses do pontificando de Francisco).

domingo, 22 de dezembro de 2013

Anselmo Borges: "Natal: a História no seu reverso"

Texto de Anselmo Borges no DN de ontem:

Há um testemunho de Kant que diz bem da sua grandeza de filósofo e de homem. Poucos dias antes de morrer - 12 de Fevereiro de 1804 -, confiou a amigos: "Senhores, eu não temo a morte, eu saberei morrer. Asseguro-vos perante Deus que, se sentisse que esta noite iria morrer, levantaria as mãos juntas e diria: Deus seja louvado! Mas, se um demónio mau se colocasse diante de mim e me insinuasse ao ouvido: Tu tornaste um homem infeliz, ah! então seria outra coisa."

Afinal, o que é mais importante e decisivo não é a dignidade de todos e a sua felicidade? Não é devido ao seu combate ímpar pela liberdade e dignificação de todos que o mundo se inclina unânime, com respeito, perante a memória de Mandela?Este é também o segredo do Papa Francisco: renovar a Igreja, evangelizá-la, para ela poder, por palavras e obras, evangelizar o mundo: levar a todos a notícia boa e felicitante do Deus de Jesus Cristo. O seu programa de pontificado, na exortação "A Alegria do Evangelho", de que aqui já dei conta, é simplesmente este: o Evangelho. Para isso, há um método, um caminho, uma luz: ler o mundo a partir de baixo, dos pobres, dos excluídos, e agir em consequência, isto é, colocando-se no seu lugar e, a partir desse lugar, que é o lugar de Deus, cumprir a sua missão. Para que todos possam realizar a dignidade de homens e mulheres e alcançar a alegria e a felicidade, para lá do consumismo e materialismo reinantes: "Deus quer a felicidade dos Seus filhos também nesta Terra, embora estejam chamados à plenitude eterna", escreve Francisco. Normalmente, a História é lida a partir dos vencedores, mas a missão da Igreja é lê-la e ensinar a lê-la a partir das vítimas, dos perdedores. Uma revolução das consciências, que, em termos cristãos, se chama conversão, metanóia, mudança de mentalidade e de horizonte.

Então, o centro não é a Igreja nem os dogmas nem as leis, mas Cristo, o Evangelho e as pessoas. "Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do Seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes". "Uma fé autêntica - que nunca é cómoda nem individualista - comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela."

A Igreja tem de avançar sem medo. Francisco repete: "Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas fora a uma Igreja doente pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa protecção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta", "sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida".

Afinal, os preceitos dados por Cristo "são pouquíssimos". E Francisco tem um sonho: "Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo actual do que à sua autopreservação." Para isso, Francisco convoca todos para uma reforma, a começar pelo papado: "Uma corajosa reforma, que toque tanto o espírito como as estruturas."

Se se não quiser ficar só com uma parte minúscula da História - a História dos triunfadores -, é preciso recuperá-la e reconstruí-la na sua maioria: os escravos, os colonizados, as mulheres, os velhos, as crianças, os mortos, os drogados, os humilhados, todas as periferias. Isso: o reverso da História, a História recuperada no seu reverso. Para haver Natal de e da humanidade, como anunciaram os anjos aos pastores pela noite dentro: "Não temais, anuncio-vos uma grande alegria, que será a de todo o povo: nasceu-vos um Salvador". Natal feliz!

sábado, 14 de dezembro de 2013

Compras de Natal

Era época de Natal e o juiz sentia-se benevolente ao interrogar o réu:
- De que é acusado?
- De fazer as compras de Natal antes do tempo.
- Mas isso não é crime nenhum! Com que antecedência as estava a fazer?
- Antes de a loja abrir.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Natal é quando o presidente da Venezuela quiser

Já se sabia que o Natal é quando o homem quiser. Hoje ficou-se a saber que o homem em questão é Nicolás Maduro e que ele quer que seja em novembro. Li aqui.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Anselmo Borges: "A infância de Jesus segundo Ratzinger/Bento XVI"


Texto de Anselmo Borges no DN de hoje.


A história verdadeira e toda lê-se do fim para o princípio. Antes, apenas há sinais, pois o processo de fazer-se está ainda em aberto. Aí está a razão por que nunca podemos dizer de modo cabal o que foi a vida de um ser humano, já que não sabemos como morreu, o que foi a sua morte, o seu fim.

Um bom exemplo disto é Jesus. Muitos o seguiram, convocados pelo que dizia e fazia, pela sua mensagem em palavras e obras, pela sua pessoa. Seria ele o Messias? Depois da crucifixão, fazendo o cômputo todo da sua existência, incluindo o modo como morreu - para dar testemunho do amor e da verdade do que moveu a sua vida: Deus que é amor -, os discípulos acreditaram que ele está vivo em Deus e confessaram a sua fé viva nele como o Messias, Filho de Deus, o Salvador, aquele que revelou de modo definitivo e insuperável quem é Deus, cuja causa é a causa dos homens e das mulheres.

Foi a partir dessa fé que leram retrospectivamente a sua vida histórica, real, situada num tempo concreto, sob o domínio de Herodes e no quadro do Império Romano. Trata-se de uma história real, mas lida e interpretada com o olhar da fé. Esta leitura interpretada teologicamente é particularmente visível nos relatos da infância, que só aparecem nos Evangelhos de Mateus e Lucas, utilizando um género literário próprio, o midraxe, que não quer narrar factos, mas ler teologicamente: neste caso, projectando sobre o princípio o que já sabem no fim: em Jesus, cumpriram-se as promessas.

Infelizmente, do livro de Joseph Ratzinger/Bento XVI, Jesus de Nazaré. A infância de Jesus, publicado pouco antes do Natal, para os media pouco mais restou do que a não existência do burro e da vaca. De qualquer modo, o próprio Papa preveniu, no primeiro volume da sua obra sobre Jesus, que, não escrevendo enquanto Papa, ficava sujeito à crítica. Ora, é precisamente o que faz a maior parte dos exegetas e historiadores, considerando que não teve na devida consideração o género literário próprio dos relatos da infância.

Alguns exemplos. Ao contrário do que afirma J. Ratzinger - "Maria é um novo começo, o seu filho não provém de um homem" -, nada parece indicar que o Novo Testamento refira a virgindade. O que se pretende afirmar é que Jesus está vinculado a David pelo lado do pai, José, e é Filho de Deus, concebido por obra do Espírito Santo. Portanto, o que aqui se encontra não é uma concepção e nascimento virginais, mas a tomada de consciência do mistério do seu nascimento, de todo o nascimento. Como escreve o jesuíta Juan Masiá, "a nova vida é gerada por obra dos pais e pela graça da Palavra criadora. Por isso, é procriação: obra humana e divina. Pode dizer-se, em teologia cristã, que Maria e José geram Jesus, que é fruto da sua união como eu da dos meus pais; e, ao mesmo tempo, que essa criatura é fruto da acção criadora do Espírito. Esse nascimento transforma-se em símbolo iluminador do que acontece em todo o nascimento; não é um dar à luz excepcional sem participação de varão, mas o símbolo que recorda que todo o nascimento é, ao mesmo tempo, obra dos progenitores e graça do Espírito de vida".

Assim também, embora, muito provavelmente, Jesus tenha nascido em Nazaré, aparece como nascendo em Belém. Trata-se de mostrar, em conexão com David, que ele é o verdadeiro Messias e rei, mas no quadro de uma realeza diferente.

Não tem sentido nenhum perguntar aos astrónomos pela estrela aparecida aos magos. Estes são sábios que procuram a verdade. Jesus nasceu para todos os que procuram a verdade e, como mostra a presença dos pastores, gente pobre e marginalizada, ele está, em primeiro lugar, ao lado dos mais pobres e marginalizados. E há sempre uma estrela que guia quem busca a luz e a verdade. Se, mais tarde, a Igreja colocou a data do seu nascimento no dia 25 de Dezembro, no solstício de Inverno, isso deve-se à conexão com a festa do Sol Invicto.

Se Jesus aparece perseguido por Herodes, a caminho do Egipto, é porque participa na sorte de Moisés, também ele liberto da morte e libertando o seu povo no Êxodo. Jesus é o verdadeiro Moisés, Libertador da Humanidade.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Bento Domingues: "Presépio aberto"



Grande texto de Bento Domingues no “Publico” de hoje. Vale mais que muitos livros sobre o Natal e o presépio.

A banalização ou a ocultação dos presépios escondem as teologias das construções literárias do presépio dos evangelhos de S. Mateus e de S. Lucas. Reflectem, ambos, um debate interno ao próprio judaísmo. As primeiras gerações dos discípulos de Jesus eram formadas por mulheres e homens judeus que desejavam abrir por dentro o próprio judaísmo. O presépio reflecte o que se passou na vida adulta de Jesus e na construção das comunidades com a presença do mundo pagão. 
Jesus não nasce na cidade de Jerusalém, centro do poder político e religioso. Os pastores representam, precisamente, os que não frequentavam o culto oficial e são os primeiros a chegar ao presépio. Os Magos passam por Jerusalém, mas não ficam lá. A estrela desloca-os para a periferia, significando que se trata não de um fenómeno astronómico, mas teológico. Se os judeus da religião ortodoxa não reconhecem Jesus, os Magos, pagãos, procuram-no. Jesus, com Maria e José, depois da viagem pelo Egipto, não vão morar no templo. Vão trabalhar para Nazaré, no meio de toda a gente. O presépio realiza, em miniatura, o que foi a revelação de Jesus na sua vida adulta: Deus anda à solta e faz a sua morada, o seu templo, onde menos se espera e faz família com quem não é da família.

E mais este bónus, a pequena história que revela muito:
Não se esqueça que L'Osservatore Romano, no dia seguinte ao anúncio do Concílio, feito por João XXIII, ocultou essa notícia, a mais importante no campo religioso do século XX e quando já ocupava a primeira página da imprensa mundial. Foi um boicote falhado, mas indicava que o presépio do mundo em mudança, com as suas alegrias e tristezas, não fazia parte da Cúria Vaticana.

Esclarecimento às 11:52. Um leitor informa que a quando do anúncio do Concílio, que foi 25 de janeiro de 1959, o jornal da Santa Sé não era diário. Tinha saído no próprio dia (acrescento que não fazia sentido antecipar na imprensa o anúncio papal) e deu destaque no número seguinte. Ver comentários.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Natal em BD com ligação à rede

Os jornais “Correio Braziliense” e “Diário de Pernambuco” recontam a história do Natal em quadradinhos e com novas tecnologias. Faz lembrar o vídeo de uma empresa portuguesa, no ano passado, mas continua a ter graça.


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Se tivessem chegado com muita bagagem, estou certo de que lhes teriam arranjado lugar

Quando José e Maria chegaram ao albergue não os aceitaram: "Está cheio! Vão para além, para a gruta, com os animais". Se tivessem chegado com muita bagagem, estou certo de que lhes teriam arranjado lugar, mesmo que tivessem que mandar sair um mais pobre do que eles. Mas Jesus escolheu chegar assim, como um pobre entre os pobres, um sem-abrigo.

Abbé Pierre, 1992

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Pelo menos ainda temos o musgo



Neste Natal, foi curioso ouvir um ou outro assarapantado com a suposta expulsão do burro e da vaca do presépio. Um radialista perguntava, indignado, na Antena 3: “E agora, o que vou fazer com a burro e a vaca?” Na mesma estação de rádio, no programa “Portugalex”, alguém dizia que lhe era indiferente o desaparecimento dos animais, desde que não lhe tirassem o musgo.

Agora Bento XVI, o autor da expulsão dos animais (ainda que, na realidade, tenha escrito que “nenhuma representação do presépio prescindirá do boi e do jumento”), confirma via twitter que o musgo tem lugar no presépio.

24 Dez Bento XVI ‏@Pontifex_pt
Recorda ainda alguma tradição natalícia de família?

24 Dez Bento XVI ‏@Pontifex_pt
Dava-me grande alegria construirmos, juntos, o presépio em casa. Cada ano acrescentávamos novas figuras e, para o decorar, usávamos musgo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Reflexões de Natal e pós-Natal de um amigo padre


Dimensões do Natal

Apontamentos para Reflexões: Missa do “Galo” (e outras mais).
Disposição 1. – O Natal toca a pessoa que somos todos nós. Vale a pessoa.
Somos nós que contamos. Nós na nossa história em comum. Porque vivemos dias generosos diante do nascimento de Jesus, Senhor e Salvador, o Natal é o tempo de refazer o coração com a nossa generosidade para que haja solidariedade, em todos os dias necessários. Somos movidos pelo amor do Menino Deus, para olharmos com distancia tudo o que nos “amarra” para sermos mais de Deus. Um olhar sobre o mundo marcado pela Compaixão e pelo compromisso com o Bem.
Disposição 2. – É festa da nossa humanidade. Vale Deus que “se humanizou”.
Esta é uma lição perene, aprendizagem constante, que deve ser cultivada no coração e na inteligência das crianças, dos jovens, de todos. Uma humanidade que nasce doada. Não uma humanidade para si mesmo, mas para os outros. Não fechada mas aberta.
Deus sempre procura o ser humano, mesmo que ele não o saiba. É isso que vale. Embora negando a Deus; Deus procura-nos e nós procuramos o belo, a verdade, a justiça, trazendo para fora de nós o que está dentro do nosso coração (Cfr. o melhor presente de natal foi o sorriso de quem batizei e dei a santa unção, bem como o filme a “A vida de Pi”, aprender a consumir partilhando mais…etc). No coração de Deus está o Natal humanizado.
Disposição 3. – Não somos só nós, na pessoa e humanidade. O Natal abre o coração do tempo e do próprio Cosmos.
O Natal é acolhimento. Acolhimento de Deus, acolhimento da dádiva de Si à humanidade toda. Trazer o Natal para o nosso dia-a-dia, para a vida sofrida e gasta por tantas preocupações e dramas familiares é olhar o Presépio – nesse diálogo silêncio e singelo da história com Deus-que-assumiu-o-corpo – e transmitir a Esperança a quantos andam abatidos, transmitir Fé a quantos viram a sua fé diminuída e enfraquecida, transmitir Amor a quem tem razões de queixa para sentir, precisamente, os sentimentos contrários.
O Natal é a memória projetada no presente. Falamos de natais passados e do presente com mais Esperança. Esperança feita de ânimo do “Jesus que foi menino” mas cresceu, viveu e sofreu, lutou e ressuscitou. Nele está o nosso querer melhorar as coisas com trabalho e ajuda. Com este votos de Natal, agradecemos a Deus que veio até nós fazer uma «morada permanente» para que onde estivermos o Natal não seja esquecido como a visita e morada de Deus entre os seus Filhos.
Um Santo e Feliz Natal (depois do dia…) para cada um de nós, nossas respetivas famílias, nas suas dificuldades e projetos de vida!
Pedro José Lopes Correia

Uma pequenina luz

Ter-se-á vivido os últimos dias com a sensação de se estar a passar um Natal feliz? E poder-se-á esperar que o próximo vai ser melhor?
Apesar de tudo, as pessoas não deixam de se agarrar a "uma pequenina luz bruxuleante", como diria Jorge de Sena.

Do artigo de Vasco Graça Moura no DN de hoje.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O ambiente de Jesus

Desde o seu nascimento, Jesus não pertence àquele ambiente que, aos olhos do mundo, é importante e poderoso; e contudo, é precisamente este homem irrelevante e sem poder que Se revela como o verdadeiramente Poderoso, como Aquele de quem, no fim de contas, tudo depende.


Joseph Ratzinger, "Jesus de Nazaré. A infância de Jesus", pág. 60

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Alegra-te, pois tu abres as portas do paraíso



Quando os pastores ouviram os anjos cantar a incarnação de Cristo, correram para junto do seu Bom Pastor, a contemplar o Cordeiro recém-nascido no colo de Maria. Exultaram, cantando:
Alegra-te, mãe do Cordeiro e do Bom Pastor
Alegra-te, redil onde as ovelhas se reúnem
Alegra-te, proteção contra os lobos que as arrebatam
Alegra-te, pois tu abres as portas do paraíso
Alegra-te, pois os céus rejubilam com a terra
Alegra-te, pois os homens exultam com os anjos
Alegra-te, pois tu dás segurança à palavra dos apóstolos
Alegra-te, pois tu dás força ao testemunho dos mártires
Alegra-te, coluna firme que nos seguras a fé 
Alegra-te, pois tu conheces o esplendor da graça
Alegra-te, pois que por ti os infernos se esvaziaram
Alegra-te, pois, por ti, nos cobrimos de glória
Alegra-te, Esposa não desposada.

De um hino bizantino à Mãe de Deus (séc. VII)

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...