porque tu és a doçura da minha vida.
terça-feira, 22 de março de 2011
Visão contínua. Um texto de Nicolau de Cusa
porque tu és a doçura da minha vida.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Pela unidade de todos os fiéis no mundo

Tu te revelaste, Senhor, como invisível:
tu és um Deus oculto e inefável.
Mas surges visível em todo o ser:
a criatura é a menina de teus olhos.
O teu olhar manifesta o ser, ó meu Deus,
tu és visível na criatura.
Sou incapaz de te dar um nome,
estás além do limite de toda a humana definição.
Socorre os filhos do homem!
Tu és venerado por eles numa grande diversidade de figuras,
e és para eles causa de guerras religiosas.
Apesar disso, eles te desejam, Único Bem,
ó Inefável e Sem nomes.
Não permaneças sob o véu, mostra o teu rosto
e seremos salvos.
Atende o nosso pedido:
a espada e o ódio vão desaparecer,
encontraremos a unidade na diversidade.
Tem piedade, Senhor, a tua justiça é misericórdia,
tem piedade de nós, frágeis criaturas.
Nicolau de Cusa (1401-1464)
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Vou revelar-vos os meios
Um texto de Nicolau de Cusa, no aniversário da sua morte (11 de Agosto de 1464). Espécie de prefácio da obra “Visão de Deus”:
A minha intenção agora, irmãos dilectíssimos, é revelar-vos os meios que antes vos havia prometido, sobre o acesso mais fácil à teologia mística. Considero que vós, conduzidos, como eu, por um grande amor a Deus, sois dignos de que vos seja manifestado este tesouro tão precioso e sumamente fecundo. Antes de mais, rogo ao Senhor omnipotente que me dê as palavras mais elevadas, e o discurso que só a si próprio se pode revelar, para que me seja lícito revelar-vos, de acordo com as vossas capacidades de compreensão, as coisas admiráveis que se mostram acima de toda a visão sensível, racional e intelectual. Tentarei, do modo mais simples e comum, conduzir-vos pela mão duma forma experienciável até à mais sagrada obscuridade. Uma vez aí, sentindo presente a luz inacessível, cada um tentará por si só e do modo que Deus lhe conceder, aproximar-se sempre cada vez mais e então pré-saborear, numa espécie de antegosto suavíssimo, o festim da felicidade eterna, à qual somos chamados, na palavra da vida, pelo evangelho de Cristo sempre bendito.
Nicolau de Cusa, A Visão de Deus, Fundação Calouste Gulbenkian, 1988, 244 páginas. Tradução e introdução de João Maria André
Mais sobre o livro e o autor aqui.
11 de Agosto de 1464. Morre Nicolau de Cusa
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Clássicos 18: “A Visão de Deus”, de Nicolau de Cusa

(Primeiro parágrafo do prefácio:) “Se por vias humanas me abalanço a conduzir-vos às coisas divinas é necessário que o faça recorrendo a uma comparação. Mas entre as obras humanas não encontrei imagem mais conveniente ao nosso propósito do que a de alguém que tudo vê, de tal maneira que o seu rosto por subtil arte de pintura se comporta como se tudo olhasse em seu redor. Imagens destas encontram-se muitas optimamente representadas como a do archeiro no foro de Nuremberga, a que se encontra em Bruxelas no quadro preciosíssimo pintado pelo egrégio pintor Rogério, a que estás em Coblença na minha capela de Verónica, a do anjo que em Bressanone segura o brasão da Igreja e muitas outras espalhadas por todo o lado. Todavia para que vos não desfaleçais na prática que tal figura sensível exige, envio-vos, pelo afecto que vos tenho, o quadro, que pude obter, que representa a figura de alguém que olha tudo em redor, figura essa que chamo ícone de Deus. Pendurai-o num lugar qualquer, por exemplo na parede do lado norte, e colocai-vos, irmãos, à sua volta, à mesma distância dele, olhai-o e cada um de vós experimentará, seja qual for o lugar a partir do qual o contemple, que é o único a ser olhado por ele. Ao irmão que se encontra a oriente parecerá que aquele rosto olha na direcção do oriente, ao que se encontra a sul, que ele olha na direcção sul e ao que se encontra a ocidente que ele olha na direcção de ocidente”.
A Visão de Deus | De Visione Dei | Nicolau de Cusa | Fundação Calouste Gulbenkian, 1988 | 244 páginas | Tradução e introdução de João Maria André
Nicolau Krebs ficou conhecido por Nicolau de Cusa ou Cusano, por ter nascido em Cusa (Tréveris, Alemanha). Viveu de 1401 a 1464, ano da morte de Pio II, com quem colaborou (e esse foi o pretexto para me lembrar deste livro). A sua obra mais conhecida é “Da Douta Ignorância”.
“A Visão de Deus” é “um escrito cujo estilo, atingindo momentos de rara beleza, procura colocar o leitor num contacto privilegiado com a experiência mística da sua finitude imersa no horizonte inexaurível e inatingível da plenitude infinita de Deus e por ela iluminada no seu tacteante desejo de auto-superação numa projecção permanente para a fonte inesgotável de um olhar que é criação, vida e acto absoluto de todas as possibilidades da visão humanamente contraída”, escreve João Maria André na “Introdução” (pág. 103).
A obra foi dirigida aos monges beneditinos de Tegernsee, cidade bávara na fronteira com a Áustria. Em cartas datadas de 22 de Setembro de 1452 e de 14 de Setembro de 1453, Nicolau de Cusa promete enviar à comunidade monacal “uma reprodução do rosto de Cristo, cujo olhar parecia fixar-se no espectador, qualquer que fosse a sua posição, e acompanhá-lo em todas as suas deslocações”, escreve João Maria André (pág. 102-3). No final de 1453 (o ano da queda de Constantinopla), os monges recebem a imagem e o "De Visione Dei".
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