segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

As potencialidades do Homem-Aranha na nova evangelização

Um padre benze os fiéis com uma pistola de água, ou uma metralhadora, e veste paramentos com super-heróis estampados. Passa-se no México. Deve ser isto a nova evangelização. Li no Público.




Paramento com o "Homem-Aranha". Têm de ser estudadas as virtualidades do Homem-Aranha na evangelização. É a segunda vez que dou com ele em coisas de temática cristã, ou a terceira, se contar com um texto em que João César das Neves afirma que "grandes poderes trazem grandes responsabilidades" (uma frase tirada de um dos filmes do aracnídeo). A segunda vez foi num dvd da Paulus, sobre São Paulo em Corinto. O dvd intitula-se "O Céu de Corinto". O Homem-Aranha aparece várias vezes entre a multidão que ouve o apóstolo Paulo. E também aparece no seguinte trailer, aí pelos minutos 2:29 e 2:52.



25 comentários:

Anónimo disse...

sad... so sad.

Anónimo disse...


Nós por cá temos o "Padre" Anselmo Borges, um autêntico Homem-Arranha que se promove à custa de arranhar a Igreja Católica.

Rui Jardim

Jorge Pires Ferreira disse...

Não me parece que ele caia nestes desmandos litúrgicos.

Anónimo disse...

Não sei se é a "nova evangelização", mas é, certamente, dar ao mundo o que o mundo quer.

Anónimo disse...

Não é isto a nova evangelização. Sabe bem que não. Há também situações bem caricatas no extremo oposto...

Anónimo disse...

Só me estava a referir ao paramento do padre mexicano. As edições das Paulistas estão, e bem, adaptadas a um público infantil. O que queria, Jorge??? Salas de catequese vazias??? Há muitas por aí, infelizmente. Utilizo estas publicações na evangelização dos mais novos com sucesso.

Anónimo disse...

Não cai em desmandos litúrgicos?! Ó Jorge, Jorge...

Eu vi numa missa do P. Anselmo Borges, no Porto, o que nunca vi na minha vida. Nunca. E olhe que já vi grandes desastres.


Rui Jardim

Jorge Pires Ferreira disse...

Ao Rui Jardim,

gostava que contasse, em concreto, o que se passou nessa missa com o P.e Anselmo Borges, já que as missas são atos comunitários.

Ao anónimo das 6:33, eu aprecio as edições Paulistas, quer da Paulus quer das Paulinas. Fazem bom trabalho e só se pode desejar que façam mais e melhor. Quanto ao vídeo em questão, pode até ter sucesso. Conheço um miúdo de três anos que o adora. Mas qual a pedagogia, a catequética de pôr o Homem Aranha entre os ouvintes de Paulo? Por outro lado, o vídeo tem uma série de coisas (gritos, movimentos, expressões, sons) que são típicos da animação japonesa. Duvido que a nossa cultura os compreenda. Eu acho insólito. Talvez compreendam as crianças, habituadas a ver animação daquela desde a mais tenra idade. Por outro lado, a estrutura narrativa de "O Céu de Corinto" é uma confusão em termos bíblicos. Pelo menos eu não me lembro de Paulo lidar com publicanos em Corinto. Estes são só alguns aspetos que me fazem dizer que o vídeo em concreto é muito mauzinho.

Anónimo disse...

Vá lá e veja. Com sorte fica confessado mesmo sem querer, mesmo sem dizer palavra.

Saudações, Rui Jardim

Anónimo disse...

Sim, ao nível litúrgico devem ser boas prendas...

Anónimo disse...


Se os Anselmos e os freis Bentos mandassem, tínhamos lésbicas divorciadas a celebrar a missa de metrelhadora na mão.

Rui Jardim

Anónimo disse...

"Se os Anselmos e os freis Bentos mandassem, tínhamos lésbicas divorciadas a celebrar a missa de metrelhadora na mão"

Exactamente o que eu penso!

Anónimo disse...

LOL

Jorge Pires Ferreira disse...

Se os Anselmos e os frei Bentos quisessem mandar, não seriam quem são.

Parece-me, por outro lado, que são bem mais tolerantes do que os que os criticam.

Anónimo disse...

Caro Jorge

A mensagem fica na cabeça das crianças. E isso é evangelizar. Concordo que deva haver cuidado na forma como se simplifica a doutrina de modo a não distorcer factos e ideias. Pessoalmente não me faz confusão que se recorra a novas metáforas. Pelo contrário, acho que é necesssário. Lembro que todos nós fomos catequisados através de esteriótipos tanto ou mais absurdos. Criticar é fácil. Se colaborassemos era bem melhor. Felicito a Paulus e as Paulinas pelo trabalho que têm desenvolvido.

Jorge Pires Ferreira disse...

Caro amigo das 10:58,

concordo que temos de recorrer a novas metáforas. E aprecio o trabalho das duas editoras católicas, de quem sou bom cliente e com as quais, ambas, já colaborei profissionalmente.

No entanto, não consigo ver o alcance pastoral, catequético e evangélico de pôr o Homem-Aranha, figura de corpo presente, entre os ouvintes de Paulo. Se ao menos falasse e Paulo o convertesse ou convidasse a usar as suas forças pelo bem. Ate seria uma boa ideia uma disputa entre Paulo e os super-heróis sobre o verdadeiro poder, a responsabilidade, o poder do Ressuscitado versus o poder das forças super-humanas, etc., etc. Mas não é isso que acontece. A figura do homem-aranha no vídeo - não falo dos paramentos, que, embora me parecendo insólito, podem ser objeto de uma catequese por parte do sr padre, parece mais uma daquelas tentativas quase subliminares de um desenhador qualquer fazer passar uma paixão particular, como as imagens pornográficas em filmes da Disney.

Concordo em absoluto que precisamos de novas metáforas a para da explicação das antigas. E, quem sabe, de uma leitura teológica da fama dos super-heróis nas sociedade de comunicação de massas. Na realidade, já vários escreveram sobre isso.

Jorge Pires Ferreira disse...

novas metáforas a par da explicação das antigas,claro.

Jorge Pires Ferreira disse...

novas metáforas a par da explicação das antigas,claro.

Anónimo disse...

Quem é que disse que eles queriam mandar, Jorge?

De resto, para mandar já estão muito velhos. Quase tão velhos como a teologia que o Jorge aprendeu. Os desmandos a que o Concílio da comunicação social deu origem estão ultrapassados e só na europa temos que aturar as velhas beatas progressistas.

Rui Jardim

Jorge Pires Ferreira disse...

O Rui sabe lá o que eu aprendi.

Bem, pelo menos pode ler aqui algumas das coisas que escrevo. Nem de longe as mais importantes.

Ora eu, o que posso ler de si? Onde escreve? Já que é tão perspicaz para apontar o erros dos outros, diga-me como me posso cultivar lendo que que escreve?

Anónimo disse...


O espírito que prevalece neste blogue é, permita-me a opinião, o que se viveu nalguns seminários europeus e nas universidades de teologia nas décadas finais do século passado. Penso, já o sabe, que o predomínio da teologia sobre a lição dos santos, a relativização e a "desmitologização" dos Evangelhos, a vontade de ruptura com a grande tradição cristã, o grave experimentalismo litúrgico, um espírito de desobediência e insolência, uma vontade de trazer a insanidade sexual para dentro da Igreja, penso, dizia eu, que tudo isso pertencerá em breve a um passado (negro) da Igreja Católica.
Noto, acho que já o disse, que este estado de coisas é apresentado neste blogue sem sectarismos, com elegância e, o que é mais, boa fé.

Não se preocupe em ler o que penso, até porque eu não penso nada por aí além, nem escrevo nada de jeito, mas posso sempre sugerir o Santo Confessor de Ars (confissões privadas, naturalmente...): "Só há uma maneira de servir a Igreja: servi-la como ela quer ser servida".

Saudações,
Rui Jardim

Jorge Pires Ferreira disse...

Vejamos que diz de mim e do blogue e o que penso:

1. predomínio da teologia sobre a lição dos santos

Não faço questão disso, nem penso nisso como oposição, porque Rahner disse que toda a boa teologia é pastoral, ou seja, é para a vida, mas em princípio, e agora que tenho de pensar nisso, sim, predomínio da teologia sobre a lição dos santos

2. a relativização

Não. Como já várias vezes escrevi, aceito moderadamente o relativismo como condição para caminhar para a verdade e não como conclusão; em todo o caso, se com um relativista convicto – passe o oximoro – é difícil dialogar, com um absolutista ou fundamentalista é impossível.

3. a "desmitologização" dos Evangelhos

Com certeza, quando for necessária para caminhar para a verdade. Prefiro a desilusão na verdade do que a satisfação na mentira. Na desmitologização dos Evangelhos, sem aspas, temos de perguntar se o que fica corresponde mais ou menos à realidade de Jesus. A desmitologização vale se estiver ao serviço da verdade, claro. Qual é o medo?

4. a vontade de rutura com a grande tradição cristã.

Não corresponde ao penso e quero. Basta ver as incursões históricas que há pelo blogue. Agora, com certeza que a grande traição é muito diferente de algumas tradiçõezinhas que alguns querem impor. É o seu caso? Como tenho dito, citando Congar, para alguns tradicionalistas a tradição só tem uns séculos.

5. o grave experimentalismo litúrgico.

Não me revejo nisto, se bem que reconheça, como diz um amigo padre, que é mais difícil dialogar com um liturgista do que com um terrorista. Completamente ao lado. Só fico arrepiado é quando tiram as rendas dos armários, as peles, as luvas e as apresentem como se fosse fidelidade litúrgica. Tremo de pensar a qual Nazareno pretender ser fiéis.

6. um espírito de desobediência e insolência.

Não me revejo nisto de maneira nenhuma.

7. uma vontade de trazer a insanidade sexual para dentro da Igreja.

Não me revejo nisto de maneira nenhuma, nem é o que quero para mim e para a minha família.

Em resumo, acertou no ponto 3, que mesmo assim não é um objetivo deste blogue, apenas uma condição, e andou por lá perto no 1 e 2. Menos de metade.

Eu continuo como estava. Sinta-se bem cá em casa, apesar de não me convidar para a sua.

Anónimo disse...

Ó homem, como é que o posso convidar para uma casa que não tenho?! Se quiser vir cá a casa mesmo escreva-me um mail ( jardimestrela8@hotmail.com ) e está convidado para uma cervejas Franziskanen (abençoadas pelo santo de Assim e não por teólogos de Lovaina :)) aqui em Lisboa, Santa Catarina. Mas blogue não tenho e não vou criar um só para o receber, como compreenderá.
Sinto-me aqui bem e estou para ficar. Como já disse, o Jorge sabe receber bem os convidados: quer os educados quer os tolos irritados (e eu alterno, bem sei).
Ao ler a sua resposta vejo que generalizo demasiado, aplicando a si tudo aquilo que vejo nos dois únicos padres com coluna fixa nos diários mais importantes deste país. Penso que a forma permanente e acrítica como eles aqui são divulgados (e defendidos) presta-se a essas generalizações que são, ainda assim, injustas.
Voltarei aos 3 primeiros pontos, e que o 4ª e o 5º ainda darão que falar. Mas, que diabo!, vou deixar por hoje este totobola e vou dormir.

Boa noite.

Rui Jardim

Anónimo disse...

Assim - Assis

rj

Anónimo disse...

e que- e acho que

rj

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