terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Eduardo Lourenço: "O peso da tiara abolida"

Texto de Eduardo Lourenço no "Público" de sexta-feira, 15 de fevereiro.

"Nenhuma fraqueza humana explica a renúncia de olhos abertos a um tipo de poder tido e vivido durante séculos, quer na mera ordem temporal quer na ordem simbólica, como "eterno". Só um teólogo eminente e um filósofo podia considerar um "oxímoro" insuportável, fora do plano da pura fé, esta eternidade assumida como natural. Aquela que é consubstancial a todo o Poder, se não divino, divinizante, como é próprio de todo o Poder, natural ou naturalisticamente incarnado e exercido. Tal era, a título paradigmático, na ordem histórica de que o Ocidente emergiu, o Poder que chamamos pagão, antes de o Cristianismo o ter transfigurado sem jamais ter conseguido aboli-lo".

9 comentários:

Anónimo disse...

Grande pensador. Mas ainda não superou a mania, típica da juventude, de misturar os mais diversos temas com a temática central de modo a mostrar conhecimentos. A verdadeira sabedoria é inseparável de uma simplicidade que falta nos seus escritos.

Anónimo disse...

não é bem assim...EL não tem qualquer pretensão em mostrar conhecimentos, o seu pensamento estrutura-se deste modo e isso não significa ter ou não ter simplicidade no que escreve, é asus forma de se expressar: é sábio, sem qualquer dúvida, para não dizer mesmo um génio

Anónimo disse...

Génio, acho um pouco exagerado...
Falta-lhe é a musicalidade de um George Steiner... É um pensador português, ou seja, um pensador "em forma de assim" como diria o Alexandre O´Neill.

Anónimo disse...

Acrescento : um pouco como o nosso clero. Também é "em forma de assim"... Vi ontem a entrevista de D. José Policarpo, depois de ter lido um belo texto do teólogo Tamayo no blogue do NÓS SOMOS IGREJA. Dizia o teológo que João Paulo II e Bento XVI se podem resumir nisto : a Igreja não precisa de reformas, precisa de santos. Às perguntas do presente as respostas do passado. É preciso restaurar, não reformas reclamadas pela novidade do tempo. Interrogado sobre o futuro da Igreja, o nosso simpático Cardeal responde : são necessárias reformas. Que reformas ?, interroga a entrevistadora. Precisamos de santos, de homens que vivam o apelo da santidade - responde o Cardeal. Isto é o típico do nosso clero. A quadratura do círculo. Para utilizar as próprias palavras de Dom Policarpo : assim não vamos lá...

Anónimo disse...

Para dizer coisas "em forma de assim" não era preciso ter ido estudar teologia para Roma e até o pároco da minha freguesia poderia ser eleito Papa...

Anónimo disse...

Não. A sabedoria aumenta na directa proporcionalidade da simplicidade. É uma constatação da vida. EL não superou, ainda, a fase do querer mostrar. Não precisa disso. Liberte-se de si mesmo. Será ainda maior.

Helena V. disse...

Concordo que o EL não não tem swing (diria o José Duarte). Mas pensa muitíssimo bem, finamente tecendo um raciocínio honesto e elegante, respeitoso de tudo, pela elevação com que o faz. Isto é raro, muito raro. Gosto sempre muito, pese embora ser uma leitura que demora. Mas faz-nos bem ruminar, ir além de flashes simplistas e redutores a que nos vamos habituando.

Outro tópico: o anonimato dos comentários, naquele que, apesar de tudo, me parece ser o aspecto mais perturbador da partilha.
Seria possível cada anónimo adoptar uma sigla, um número? Acontece, como nesta janela de comentários, sucederem-se os contributos anónimos, sem que, senão recorrendo a uma exegése textual, se consiga perceber a progressão em termos de interacção, em virtude da indistinção dos anónimos.
É uma sugestão, Jorge, que não sei se apadrinhas...

Anónimo disse...

Alguém há dias disse que o Tolentino Mendonça é o próximo Eduardo Lourenço, mas muito melhor pois já escreveu peças de teatro. Que vos parece esta opinião? Estais de acordo?

Anónimo disse...

O Tolentino Mendonça está para o Eduardo Lourenço como um Mini para um Bentley. Mas uma coisa é certa: Tolentino Mendonça tem uma grande máquina de auto-promoção.

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