
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
10 de Dezembro de 1948. Aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Guadalupe - As aparições mais influentes?

As aparições de Virgem de Guadalupe poderão ter sido as que tiveram maiores consequências na história humana – ou pelo menos afectaram um maior número de pessoas.
Ariel Álvarez Valdés, padre argentino, conta num pequeno livro (“Que sabemos da Bíblia?”, vol II, ed. São Paulo), que as aparições aconteceram quando na Europa se discutia se os indígenas pertenciam à raça humana. Os argumentos de base bíblico-teológica tendiam para o "não", visto que era impossível fazer descender os ameríndios de Sem, Cam ou Jafé, filhos de Noé, aos quais os teólogos (e historiadores e geógrafos) conseguiam remeter todos os povos conhecidos. Ou então Noé tivera um quarto filho, do qual descenderiam os povos descobertos, mas nesse caso a Bíblia estaria errada.
“Estava-se neste ponto quando, em 1531, um acontecimento inesperado veio ajudar a resolver esta questão. Enquanto as mentes eruditas e os cérebros mais ilustres da época se interrogavam, por meio de subtis argumentos, se aqueles seres estranhos, de pele cor de cobre, seminus, que comunicavam entre si numa linguagem desconhecida, que viviam num estado natural e quase animal, teriam uma verdadeira alma humana e se poderiam beneficiar da redenção de Cristo, na colina de Tepeyac, perto da Cidade do México, o índio Juan Diego tinha a visão de uma senhora, a Virgem de Guadalupe, que lhe quis deixar para sempre o seu resto impresso no poncho.
E a imagem que ficou impressa foi a de uma índia, de pele escura, de olhos rasgados e de feições semelhantes às dos indígenas. Sem vergonha nenhuma, a Mãe de Deus reconhecia como filhos seus aqueles que a sociedade europeia hesitava em aceitar como irmãos.
Seis anos depois, o Papa Paulo III, numa solene bula intitulada “Sublimis Deus”, promulgada a 2 de Junho de 1537, formulou definitivamente a opinião da Igreja ao declarar que «os índios são verdadeiros seres humanos e capazes de compreender a fé católica». Portanto, «não podem ser escravizados, nem induzidos a abraçar a fé cristã por outros meios que não a exposição da Palavra divina e o exemplo de uma vida santa»”.
9 de Dezembro de 1531. Início das Aparições de Guadalupe

No dia 9 de Dezembro de 1531 tiveram início as aparições de Nossa Senhora ao índio Juan Diego Cuauhtlatoatzin, na colina de Tepeyac, perto da Cidade do México. As aparições duraram até 12 de Dezembro, que agora é celebrado como dia de N.ª Sr.ª de Guadalupe.
Nuestra Señora de Guadalupe, ou Virgem de Guadalupe ("Nicān Mopōhua", em náuatle), é a “rainha do México”, a “imperatriz das Américas”, a “padroeira das Américas”, ela que um dia disse, num poema de sonho e desejo, que Deus “dispersou os soberbos, derrubou os poderosos dos seus tronos, exaltou os humildes, encheu os famintos de bens e despediu de os ricos de mãos vazias” (Lucas 1,51ss). Conjugou os verbos no passado, mas são palavras com força de futuro.
Se considero o triste abatimento - soneto de Bocage
Se considero o triste abatimentoSe considero o triste abatimento
Em que me faz jazer minha desgraça,
A desesperação me despedaça,
No mesmo instante, o frágil sofrimento.
Mas súbito me diz o pensamento,
Para aplacar-me a dor que me traspassa,
Que Este que trouxe ao mundo a Lei da Graça,
Teve num vil presepe o nascimento.
Vejo na palha o Redentor chorando,
Ao lado a Mãe, prostrados os pastores,
A milagrosa estrela os reis guiando.
Vejo-O morrer depois, ó pecadores,
Por nós, e fecho os olhos, adorando
Os castigos do Céu como favores.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Imaculada Conceição




Biblioteca mais antiga da Europa

Mais antiga do que a Biblioteca Ambrosiana é a Bodleian Library da Universidade de Oxford, que é também a maior da Grã-Bretanha a seguir à British Livrary.
A biblioteca abriu oficialmente em 1602, por influência de Thomas Bodley (daí o seu nome), que desde 1598 se tinha oferecido à Universidade para a desenvolver. Mas as raízes da Biblioteca Bodleiana vão pelo menos até ao século XIV e a Thomas Cobham, bispo de Worcester, cujos livros constituíram o primeiro núcleo da biblioteca.
A Bodleian Library tem cerca de 11 milhões de volumes.
Os primos Carlo e Federico Borromeo
Estátua de Carlo Borromeo, em Arona, promovida pelo primo Federico Borromeo. Notar o tamanho das palmeiras em comparação com o da estátua (clicando vê-se melhor).
Carlo Borromeo (1538 – 1584) – sigo agora a grafia italiana –, santo, e Federico Borromeo (1564-1631), com 26 anos de diferença, eram da mesma família? A Internet facilita qualquer pesquisa básica.
Carlo Borromeo era filho de Giberto II Borromeu, conde de Arona, e de Margherita di Medici (irmã do Papa Pio IV). Foi arcebispo de Milão de 1560 a 1584.
Federico Borromeo era filho de Giulio Cesare Borromeo, conde de Arona, e de Margherita Trivulzio. Foi arcebispo de Milão de 1595 a 1631 (entre 1584 e 1595 o arcebispo foi Gaspare Visconti).
Eram da mesma família, com origens em Arona, a noroeste de Milão, já nos Alpes italianos. Mas qual o grau de parentesco? O pai de Federico (Giulio, 1517-1572) era irmão mais novo do pai de Carlo (Giberto, 1511-1558). Ou seja, Carlo e Federico Borromeo eram primos.
Federico homenageou o primo Carlo com uma enorme estátua de bonze em Arona.
Principal fonte: Sítio da Famiglia Borromeo.
8 de Dezembro de 1609. Abre ao público a Biblioteca Ambrosiana

A Biblioteca foi impulsionada pelo cardeal Federico Borromeu (1564-1631) e recebeu no nome do antigo bispo de Milão, Ambrósio (340-397).
Borromeu, que fez construir uma grande estátua a S. Carlos Borromeu, o célebre padre tridentino que também foi bispo de Milão, enviou por toda a Europa, Grécia e Síria homens que adquirissem livros e manuscritos para a sua biblioteca.
Actualmente, a Ambrosiana inclui uma pinacoteca, uma academia, uma mediateca e uma galeria de arte (sítio oficial aqui). Entre os principais tesouros da Biblioteca estão o "Códice Atlântico", de Leonardo da Vinci, e a "Ilia Picta", uma versão ilustrada da Ilíada.

As comemorações do quarto centenário foram no dia 5 de Dezembro. Discurso do actual bispo de Milão, Cardeal Tettamanzi (na foto) aqui (em pdf).
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Revista de Blogues - 2
N’A Lei Seca (ver dia 3 de Dezembro), Pedro Mexia responde à questão da existência de Deus.
Perguntam-me com frequência se tenho «certeza absoluta» de que Deus existe. Respondo sempre que a fé, embora não seja inabalável nem esteja isenta de dúvidas, é uma forma de certeza. Um crente é alguém que acredita, e se acredita tem a certeza. A palavra «absoluta» parece-me redundante, e se alguém a exige é para dar uma tonalidade dogmática à certeza, e portanto para a tornar absolutista. Todas as certezas são relativas, pois todas estão sujeitas a contraprova.
E porque o tempo e eternidade andam juntos (os monges eram os que mais necessidade tinham de relógios, para saberem a hora certa da reza do ofício divino), vale a pena ler mais um texto de história e cultura, agora sobre o relógio da torre de Serpa, na Estação Cronográfica (pelo caminho, admirem-se os relógios espantosos e espreite-se pelo ombro dos relojoeiros).
No Religionline, uma série de textos sobre o advento, como este excerto sobre o verdadeiro Pai Natal, Nicolau de Mira (ou Myra), que também nesta Tribo foi assinalado no dia 6 de Dezembro.
Mas afinal, se o Pai Natal existe – ou não? – quem é ele? A lenda recriada no último século e meio repousa sobre uma história: a de São Nicolau, que hoje o calendário católico assinala e é festejado um pouco por todo o lado – mesmo em países predominantemente protestantes.
A dificuldade de aprender a usar os livros
Os livros que Cícero nunca viu

7 de Dezembro de 43 a. C. Morre Cícero

Marco Túlio Cícero, filósofo, orador, escritor, advogado e político romano, morreu no dia 7 de Dezembro de 43 a.C. Grande defensor da república contra a ditadura imperial.
Influenciou Santo Agostinho, principalmente através da obra “Hortênsio”, desaparecida. Santo Agostinho leu-a em 373, tinha 19 anos.
domingo, 6 de dezembro de 2009
6 de Dezembro de 346. Morre Nicolau de Myra
"Três adventos", de Bento Domingues

sábado, 5 de dezembro de 2009
5 de Dezembro de 1484. Inocêncio VIII publica uma bula que autoriza a caça às bruxas
A bula “Summis desiderantes affectibus” (algo como: “Desejando com grande ardor”), que possibilitou a perseguição às bruxas, foi publicada pelo Papa Inocêncio VIII no dia 5 de Dezembro de 1484 em resposta ao pedido do inquisidor Heinrich Kramer.
Heinrich Kramer estava claramente obcecado com a caça às bruxas (que foi um fenómeno da Idade Moderna – e não de Idade Média – e transversal a toda a cultura europeia e não apenas católico). Não conseguindo o apoio do clero alemão, obteve autorização papal.
Logo após a bula, Heinrich Kramer e James Sprenger (ambos inquisidores dominicanos) escreveram o célebre “Malleus Maleficarum” (“O Martelo das Bruxas”, de 1487). Este manual que ensinava a distinguir e castigar bruxas foi um enorme sucesso. Na época, foi o livro mais publicado a seguir à Bíblia, principalmente nos países em que a autoridade da Igreja Católica era menor, visto que a Igreja colocou o título no Index e a própria Faculdade de Teologia da Universidade de Colónia condenou a obra. Kramer foi condenado pela Inquisição em 1490.
O poder deles e o nosso




Igreja e Berlusconi: troca muito míope

Ezio Mauro, director do diário italiano “La Repubblica”, dá uma entrevista ao “Público”, conduzida por Alexandra Prado Coelho. A "Itália é uma democracia que perde em qualidade todos os dias", diz. Hoje é “No Berlusconi Day” em Itália e em mais uma série de locais, incluindo a lisboeta Praça Luís de Camões.
Da entrevista (páginas 18 e 19 na edição em papel ou aqui na edição digital), retenho especialmente a parte final. Fala-se do relacionamento da Igreja com a facção política de Berlusconi e de uma troca de valores e ideias que convém aos dois. Uma "troca muito míope".
Público - E a Igreja, que posição adopta perante todos estes escândalos?
Ezio Mauro - A Igreja enfrenta dificuldades já há algum tempo. Um país que é considerado naturalmente cristão (é assim que se fala de Itália, como se fosse uma coisa que estivesse na nossa natureza), esse país é cada vez mais autónomo em relação à Igreja, sobretudo na moral quotidiana, na vida sexual, nos hábitos e comportamentos. Um país de baptizados, mas muito menos de praticantes e de crentes.
E, num momento em que se sente mais fraca, a Igreja agarra-se a esta direita forte que lhe promete políticas muito convenientes, em relação à vida, à bioética, à fecundação artificial, à escola católica, à legislação pela família, não favorável aos homossexuais, às uniões de facto. Em troca dos favores legislativos que recebe desta direita a Igreja dá-lhe o seu apoio - a uma direita que é pagã, na minha concepção, e sobretudo que paganizou o país através das suas televisões, do seu conceito de moral pública. Parece-me, por isso, que faz uma troca muito míope, de conveniência imediata.
Por seu lado, a direita, que não soube criar um sistema de ideias novo, toma emprestadas as ideias fortes do património da Igreja. É uma troca que convém aos dois.
E que vai continuar?
Sim, acredito que continue, mas com algumas dificuldades. O comportamento de Berlusconi e os escândalos deste Verão [que envolvem festas com prostitutas na residência do primeiro-ministro] criaram um forte mal-estar nas bases católicas. Há, por isso, um risco de um descolamento entre a hierarquia católica e as bases.
Homem e evolução, acaso e necessidade, na reflexão sabática de Anselmo Borges
"Provas biológicas, paleontológicas, arqueológicas, convergem para a afirmação de que o Homem, dentro da história da evolução, emergiu de espécies anteriores, de outras formas de primatas e hominídeos", escreve Anselmo Borges em mais um texto sobre evolucionismo (científico) e fé (religiosa) e também sobre a "pergunta que o ser humano inevitavelmente põe e a que a ciência não pode responder, pois tem a ver com o fundamento e o sentido último da realidade: porque há algo e não nada?". Ler aqui.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Os padres conciliares vão ao baile

Diário do Concílio de Trento, mantido por Angelo Masselli, de Fevereiro de 1545 a Setembro de 1551 (nos Arquivos Secretos do Vaticano)
Excerto do diário de Masselli relativo ao dia 3 de Março der 1546:
“O Cardeal de Trento, Cristóvão Madruzzo, organizou no seu palácio grandes festas por ocasião do casamento de um nobre que aí foi celebrado. Depois do banquete, entre outras coisas, houve um baile com a presença de muitas damas nobres. Como é uso no país convidar a dançar todos os participantes no banquete, e o Cardeal havia recebido à sua mesa os bispos de Feltre, de Agde, de Clermont, etc., assim como o auditor da Rota, Pighini, e o procurador-fiscal do Concílio, todos tiveram de participar nas danças. Foi deste modo que o Cardeal os quis honrar. À noite, convidou para jantar o arcebispo de Palermo e outros bispos e pediu-lhes que desses início ao baile, ele próprio à cabeça. Tudo se passou, aliás, dentro da maior modéstia, honestidade e caridade cristãs, como convinha (…)”.
Vem / não vem de Trento
- a criação dos seminários
- a afirmação da superioridade do Papa sobre os concílios (fim do conciliarismo)
- o Índice dos livros proibidos (Index Librorum Prohibitorum)
- a uniformização dos ritos (com a abolição dos mais recentes e a sobrevivência dos que tinham mais de dois séculos, incluindo o bracarense)
- doutrina sobre as Escrituras, o Pecado original, a Justificação, os Sete Sacramentos, o culto dos santos e das relíquias, as Indulgências.
Não vêm de Trento:
- a Inquisição, que é de criação medieval. A que chega a Portugal, a pedido de D. João III, de alguma forma tinha por modelo a Inquisição espanhola, que foi autorizada por Sisto IV em 1478, muito antes de Trento.
- a Companhia de Jesus (jesuítas), que foi fundada em Paris, em 1534.
Li em tempos que vinha do Concílio de Trento alguns preceitos de saúde que muita influência tiveram na evolução dos costumes. Um deles aconselhava os pais a não dormirem com os filhos recém-nascidos. Tal medida pretendia minorar a mortalidade infantil. De momento não posso confirmar tal preceito.
4 de Dezembro de 1563. Termina o Concílio de Trento

“Concílio de Trento” (1588), fresco de Pasquale Cati da Iesi, na Igreja de Santa Maria em Trastevere, Roma
Podemos fumar enquanto rezamos?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Xavier, Angiró e Bernardo em Kagoshima

Estátua de São Francisco Xavier (ao centro), Angiró (à esquerda) e Bernardo de Kagoshima (direita) no Parque Xavier (cidade de Kagoshima, no extremo sul do Japão).
Angiró, depois de ter morto um homem, fugiu do Japão e, na companhia de Fernão Mendes Pinto, foi ao encontro de Francisco Xavier. Mais tarde regressaria ao Japão como intérprete do missionário.
Ilda David' pinta «Breve Sumário da História de Deus», de Gil Vicente

A exposição «Vicente», com pinturas de Ilda David’, foi inaugurada a 20 de Novembro, no Salão Nobre do Teatro Nacional São João (Porto). A mostra foi concebida no âmbito da produção de «Breve Sumário da História de Deus», estreada no mesmo dia.
Os quadros ficarão expostos até 20 de Dezembro.
“Entra Abel, pastor, cantando o vilancete seguinte:
Adorai montanhas
o Deos das alturas
também as verduras.
Adorai desertos
e serras floridas
o Deos dos secretos
o senhor das vidas.
Ribeiras crecidas
louvai nas alturas
Deos das criaturas.
Louvai arvoredos
de fruto prezado
digam os penedos
Deos seja louvado.
E louve meu gado
nestas verduras
O Deos das alturas”.
Fonte: Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura
3 de Dezembro de 1552. Morre Francisco Xavier

Xavier no Monumento aos Descobrimentos. É o segundo a contar da direita
Francisco Xavier morreu no dia 3 de Dezembro de 1552, aos 46 anos, na ilha de Sanchoão, perto de Macau, quando se dirigia para a China. Evangelizar este país era o seu maior sonho. Mas não chega lá. Morre às portas da China.
Jesuíta, co-fundador da Companhia, foi para o Oriente português e tornou-se um dos maiores evangelizadores de sempre. Talvez somente Paulo, nos tempos apostólicos, tenha evangelizado mais pessoas do que Xavier.
Francisco Xavier (ou de Xavier, como alguns preferem, por ser da terra navarra Xavier) encontrou-se Fernão Mendes Pinto em Dezembro de 1547, em Malaca. Com o autor de “Peregrinação” estava o samurai Angiró. O japonês ouvira falar de Xavier e desejava conhecê-lo. Mais tarde é baptizado e adopta o nome de Paulo de santa Fé.
“Perguntei a Angiró se os japoneses se tornariam cristãos se eu fosse com ele ao seu país, e ele respondeu-me que eles não o fariam imediatamente, mas que primeiro me fariam muitas perguntas para saberem o que eu sabia. Acima de tudo, que eles quereriam saber se a minha vida corresponderia ao meu ensinamento”, escreveu Xavier.
Xavier morreu abraçado ao crucifixo que Inácio de Loyola lhe dera. O seu corpo, depois de algumas vicissitudes, foi levado para Goa. Dizem que não se corrompeu.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Fé, frades e futebol (2)
Fernando Santos, agora treinador do PAOK de Salónica (Grécia) e que também foi treinador do Benfica e do Porto (“engenheiro do penta”), disse um dia que se rezar ajudasse a vencer jogos, uma equipa de frades ganhava o campeonato. Estava a supor, naturalmente, que os frades rezam muito.
Igreja de Troufa Real no "Inimigo Público"
"Notícia" da Igreja de Troufa Real (ver mais aqui) no "Inimigo Público" (suplemento satírico do "Público") do dia 29 de Novembro.
2 de Dezembro de 1804. Napoleão coroa-se imperador

No dia 2 de Dezembro de 1804, na Catedral de Notre Dame, em Paris, com a presença de Pio VII, Napoleão coroa-se a si próprio “imperador dos franceses”.
Segundo a tradição francesa, o rei era consagrado pelo arcebispo de Reims. Mas Napoleão, querendo começar uma nova dinastia, um novo império romano, quis ser coroado pelo Papa, como Carlos Magno. Com algumas diferenças: a cerimónia realizou-se em Paris (e não em Roma, como a do imperador dos francos); e Napoleão, no último momento, tirou a coroa das mãos do Papa e coroou-se a si próprio. Precisava da bênção do Papa para ser aceite no concerto das nações, mas não lhe queria estar submetido.
A cerimónia custou 8,5 milhões de francos.
O que diz George Steiner
George Steiner esteve em Viseu (e também em Lisboa, onde recebeu o título de doutor honoris causa), no Instituto Piaget, e lamentou que hoje se viva "num dos períodos mais selvagens da História", em que os dois grandes produtores de dinheiro são a droga e a pornografia. "A condição humana tornou-se profundamente problemática".
O que Leão X escreveu sobre o Hanno

Para o Hanno, Leão X escreveu o seguinte epitáfio, que o humanista e pintor Francisco de Holanda (ou Francisco d'Olanda, 1517 - 1585) recolheu num caderno de apontamentos:
Sob esta grande colina jaz enterrado
Poderoso elefante que El-Rei Manuel,
Tendo conquistado o Oriente
Enviou cativo ao Papa Leão X,
Que o povo romano maravilhou,
Uma besta não vista há muito tempo.
E no meu bruto seio perceberam sentimentos humanos.
O destino invejou a minha residência na bendita Latium
E não teve a paciência de me deixar servir o meu senhor três anos completos.
Mas eu desejo, ó deuses, que o tempo que a Natureza me deu,
E o Destino me arrebatou,
O acrescentem à vida do grande Leão.
Ele viveu sete anos
Ele morreu de angina
Ele media doze palmos de altura.
Giovanni Battista Branconio dell'Aquila,
Camarlengo privado do Papa
E provoste da guarda do elefante,
Eregiu neste em 1516, no 8 de Junho,
No quarto ano do pontificado de Leão X
O que a Natureza arrebatou,
Rafael de Urbino com a sua arte restaurou.
Papa Leão X
(texto e imagem copiados da Wikipedia. Artigo “Hanno”)
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Hanno, o elefante de Leão X

Hanno desenhado por Rafael
D. Manuel I ofereceu a Leão X um elefante. Não se trata do elefante de D. João III, que foi de Lisboa para Viena e inspirou a saramaguiana “Viagem do Elefante”. Chamava-se Hanno, em homenagem a um antigo general de Cartago. Era indiano, branco, provavelmente albino.
O rei português ofereceu o elefante após a coroação de Leão X. Chegou a Roma em 1514, numa embaixada chefiada por Tristão da Cunha e que incluía dois leopardos, uma pantera, alguns papagaios, perus e cavalos indianos. Hanno carregava um cofre com paramentos bordados com pedras preciosas e moedas cunhadas para a ocasião. Foi recebido pelo Papa no Castelo de São Ângelo. Ajoelhou-se três vezes perante o pontífice, e aspergiu água sobre os cardeais e a multidão.
Hanno tornou-se a mascote preferida do Papa, mas não se deu muito bem em Roma. Passados dois anos, adoeceu e deram-lhe um purgante à base de ouro (o ouro no pontificado de Leão X foi muito prejudicial…). Morreu com o Papa ao seu lado.
Há diversos desenhos e poemas sobre o Hanno. O próprio Papa compôs o epitáfio, que já não existe, mas foi recolhido num caderno por Francisco de Holanda.
Aurélio Sereno foi um dos que escreveram sobre o significado de Hanno para a época:
“Que nos mostra hoje esta besta, na qual estão contidas tantas virtudes, que pode viver por trezentos anos, é progenitor apenas uma vez na sua vida, que respeita a religião, que saúda o nosso Santo Pai, que compreende a linguagem humana. Um tal portento só se vê uma vez, como foi visto por César e Pompeu, e Aníbal, e alguns outros favorecidos por Júpiter no seu tempo, e vós, oh Príncipe, entre esses poucos podereis ser nomeado”.
À sua luz e com a sua força
1 de Dezembro de 1521. Morre o Papa Leão X

Pintura de Rafael. Leão X com os cardeais Luigi de Rossi e Giulio de Medeci, familiares. Este último, mais tarde, seria o Papa Clemente VII
Leão X (João Lourenço de Médici, 11 de Dezembro de 1475 – 1 de Dezembro de 1521), Papa de 1513 até à sua morte, ficou na história pela campanha de indulgências para construir a Basílica de São Pedro, que foi a gota de água para a reforma protestante. No dia 3 de Janeiro de 1521, Leão X, que uns dias antes condenara os escritos do reformador através da bula “Exsurge Domine”, excomunga Lutero.
João Lourenço de Médici era filho do famoso Lourenço, o Magnífico, de Florença. Ao entrar em Roma como Papa (foi o último não-clérigo a ser eleito para o trono de Pedro, pelo que, eleito no dia 9 de Março, foi ordenado padre no dia 15, consagrado bispo no dia 17, para ser coroado para no dia 19 de Março; tinha 37 anos), organizou uma parada triunfal que incluiu bobos, músicos, animais selvagens e um jantar com 65 pratos na ementa. Durante a festa, um rapaz que tinha sido pintado de ouro e embelezado com umas asas, para parecer um anjo, morreu. Causa: envenenamento pelo ouro.
Míope (refiro-me ao seus olhos, mas o mesmo se pode dizer em relação à visão eclesial; na pintura de Rafael está com uma lupa na mão esquerda), Leão X gostava de caçadas nas suas propriedades. Uma delas durou 40 dias.
Não creio no verdadeiro e iria crer no falso?

Símbolos para ateus
Como já foi notado, no mundo ocidental, os ateus são ateus à maneira da religião em que foram educados e segundo o ambiente religioso em que cresceram ou viveram e vivem. Há ateus católicos, ateus luteranos, ateus judeus... António Matos Ferreira, professor da Universidade Católica, observou há dias que os grandes anticlericais, em jovens, foram bons seminaristas. Geralmente católicos - acrescento eu. E Guy Consolmagno, jesuíta, conta esta história em “A Mecânica de Deus”:
“Há uma história acerca de um filósofo italiano ateu no seu leito de morte, que tinha o temperamento mais rabugento e desagradável de sempre. Um pregador de uma seita religiosa da Nova Era aproximou-se da cama para tentar convencer aquele livre pensadora da sabedoria que iria encontrar, enfim, na sua nova religião. Finalmente, cheio de aversão pelo pregador da Nova Era, o ateu ergueu-se um pouco, apontou para a porta e mandou-o embora, gritando: «Eu não creio no Deus Católico, e esse é o verdadeiro Deus! Por que iria crer no seu?»”
30 de Novembro de 1900. Morre Oscar Wilde

Às 9h50 de 30 de Novembro de 1900, Oscar Wilde morreu em Paris. De meningite. Nasceu em Dublin, em 1854, e foi criado numa família protestante, mas quis morrer católico. No leito da morte, assistiu-o o padre Cuthbert Dunne, que lhe administrou o Baptismo e a Extrema Unção, como contaria Robert Ross (“Robbie”), que vivia com o escritor, numa carta de 14 de Dezembro de 1900.
Oscar Wilde foi sepultado num cemitério fora de Paris e mais tarde trasladado para o Père Lachaise. O túmulo, feito pelo escultor Jacob Epstein, está cheio de marcas de batom de beijos (bem perto fica o de Jim Morrison, dos Doors, que está cheio de pontas de cigarro, mortalhas e afins).
A conversão de Wilde é algo surpreendente, no entanto, vinha de longe o interesse pela Igreja Católica. Oscar Wilde encontrou-se com Pio IX em 1877 e dizia da Igreja Católica: “É para santos e pecadores – para pessoas respeitáveis, chega a Igreja Anglicana”. E durante a prisão (1895-1897) leu obras de Agostinho, Dante e John Henry Newman (1801-1890), o cardeal cujo processo de beatificação está em curso e de quem se diz ter sido homossexual (houve polémica em Inglaterra, há poucos meses, por causa disso).
Em Julho de 2009, o L’Osservatore Romano, abordando um estudo sobre Wilde, disse que o autor de “De profundis” e “Retrato de Dorian Gray” foi “uma das personalidades do século XIX que mais lucidamente analisaram o mundo moderno seus aspectos mais perturbantes e mais positivos”.
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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A fé começa precisamente onde o pensamento acaba. Kierkegaard



