sábado, 19 de setembro de 2009

19 de Setembro de 1909. A Guarda Suíça volta a vestir a farda desenhada por Miguel Ângelo

Guardas suíços saúdam o cardeal português Saraiva Martins

A Guarda Suíça foi criada em 1506 para proteger o Papa Júlio II e travou uma grande batalha em 1527, mais precisamente no dia 6 de Maio, para proteger Clemente VII das tropas de Carlos V, que entram Roma para combater Francisco I. Nesse dia morreram 108 soldados e 1000 militares de Carlos V, mas o Papa safou-se.

O dia 6 de Maio é hoje o dia de admissão dos suíços bem constituídos, católicos, com escolaridade superior, de grande reputação social e sem a mínima suspeita criminal.

A farda desenhada por Miguel Ângelo voltou a ser usada a partir de 19 de Setembro de 1909 por esta guarda que tem como língua oficial o alemão. Além de em Roma (e Castel Gandolfo, suponho), os guardas podem ser vistos em Avinhão, França.

O bom diplomata

“Um bom diplomata é aquele que consegue boas relações entre o governo que representa e o governo que os cidadãos elegeram”.

D. Manuel Monteiro de Castro, ex-diplomata da Santa Sé em Espanha e Andorra

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Fim da suavidade portuguesa na nunciatura de Madrid

D. Manuel Monteiro de Castro

No blogue do jesuíta Pedro Lamet, “El alegre cansacio”, uma nota de agradecimento ao núncio D. Manuel Monteiro de Castro (aqui), que deixou a Espanha no início de Setembro para assumir o lugar de Secretário da Congregação dos Bispos.

Diz Lamet…

… que o cargo de núncio “es una reliquia de otra época, cuando el papa era un rey y tenía embajadores del Estado Vaticano”;

…que “los especialistas en Historia de la Iglesia aseguran que este sutil sistema ha sido útil para la independencia de la Iglesia”;

…que con Juan Pablo II, vinieron [para Espanha] nuncios bastante medíocres (Tarancón, me dijo de Innocenti: “Es un tonto integral”);

…que ficou com boas impressões no “par de veces” que falou com Manuel Monteiro de Castro. “Un hombre sencillo, tranquilo, con esa suavidad portuguesa y al mismo tiempo libre y templado”;

…que o bispo português “«nombró» 70 obispos";

…que “sin dejar de decirles sus verdades a los gobernantes mantuvo abiertas las conexiones con la Moncloa, cuando temas como la Cope y otros mantenían la situación al rojo vivo”;

…que Rouco [Varela, cardeal de Madrid] não gostava lá muito do português e que tinha os seus próprios vínculos com Roma;

…que "en este caso la figura del nuncio ha sido lubrificante en los engranajes demasiado endurecidos de la Iglesia española. Para esto puede servir un nuncio y es de agradecérselo a Monteiro”;

Por fim, Lamet afirma que se lhe perguntarem se os núncios são necessários responde: “Con el Evangelio en la mano, no; como no veo que el Vaticano siga siendo un Estado, ni “el siervo de los siervos de Dios”, su jefe, que con esos honores viaja y actúa en el mundo, por mucho que, afortunadamente, se haya espiritualizado social y públicamente su figura”.

18 de Setembro de 96 d.C. Morre o imperador Domiciano

Estátua de Domiciano nos Museus do Vaticano

Tito Flávio Domiciano morreu no dia 18 de Setembro de 96. Foi imperador de Roma de Outubro de 81 até á sua morte. Segundo Eusébio de Cesareia perseguiu os cristãos. E terá sido por causa dessas perseguições (que começaram com Nero) que foi escrito o Livro do Apocalipse, cheio de linguagem figurada, próprio de tempos sem liberdade.

Quando Jesus aparece a Tomé e este lhe diz “Meu Senhor e meu Deus”, depois de ter dito que só acreditaria se tocasse no ressuscitado (mas o Evangelho de João, que é onde isto se passa, não diz se Tomé realmente toca em Jesus), está a usar uma frase que só podia ser usada em relação a Domiciano. O imperador começava os decretos assim: Titus Flavius Domitianus, vosso senhor e vosso Deus…

A pequena história

Domiciano não gostava de ser calvo, pelo que usava perucas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Top das religiões no Facebook

Top das religiões dos 250 milhões de utilizadores do Facebook (na Pública de domingo passado):
1.º Cristianismo
2.º Islamismo
3.º Ateísmo
4.ºAgnosticismo
5.º Hinduísmo
6.º Budismo
7.º Judaísmo
8.º Espirituais
9.º Sikh
10.º Jedi

A figueira de Adão e Eva

A exegese sobre a árvore bíblica do Conhecimento do Bem e do Mal que Daniel Mendelsohn segue (do rabi Rashi) diz que a árvore era uma figueira porque as vestes são feitas de folhas de figueira. “Pela própria coisa que os conduziu à ruína foram corrigidos”, diz Rashi. Emendem-se as pinturas todas.

(Um cristão diria que o instrumento de suplício é sinal de salvação. E há uma lenda que diz que a cruz de Cristo foi feita da árvore de Adão.)

Mendelsohn e Mendelssohn

Interrogava-me há dias (aqui) se Daniel Mendelsohn era da família do compositor Felix Mendelssohn. Não é. Há um “s” a mais no nome do músico que ajudou a redescobrir Bach (já emendei o erro).

O autor de “Desaparecidos. À procura de seis em seis milhões” esclarece a propósito do livro “The Memoirs of Ber of Bolechow”, de 1922, que encontrou nas edições Oxford University Press, que Ber de Bolechow encarnava as “energia liberais mundanas” que ajudaram a criar o Haskalah, “o grande movimento de Iluminação Judaico, no século XVIII, um movimento que florescera, de facto, com o filósofo Moses Mendelssohn, o avô do compositor”.

Oração de Dag Hammarskjold


Dag Hammarskjold era cristão luterano, de uma família com séculos ao serviço da coroa sueca. Este texto é dele.

Tu, que estás acima de nós,
Tu, que és um um de entre nós,
Tu, que estás também em nós.
Que todos Te possam ver - também em mim,
Que eu possa preparar o caminho para Ti,
Que eu possa agradecer por tudo o que me tem acontecido.
Que eu não me esqueça jamais das necessidades dos outros.
Conserva-me no Teu amor,
assim como Tu queres que os outros
se conservem no meu.
Que tudo no meu ser se transforme em teu louvor!
Que eu jamais desespere!
Pois eu estou nas Tuas mãos.
E toda força e bondade estão em Ti.
Dá-me um espírito puro - para que eu te possa ver!
Dá-me um espírito humilde - para que eu Te possa ouvir!
Dá-me um espírito amoroso - para que eu te possa servir!
Dá-me um espírito fiel - para que eu possa permanecer em Ti!

17 de Setembro de 1961. Cai o avião de Dag Hammarskjold


Dag Hammarskjold (1905-1961), sueco, foi secretário geral das Nações Unidas, de 1953 a 1961, depois de ter sido ministro (o seu pai fora primeiro-ministro) e presidente do Banco da Suécia.

No tempo em que esteve à frente da ONU, em plena guerra fria, este cristão convicto actuou com independência e imparcialidade. Opôs-se à aliança anglo-franco-israelita que queria recuperar o canal de Suez que o Egipto nacionalizara e empenhou-se em promover a paz no antigo Congo Belga. No conflito que se seguiu à independência de 1960, recusou que as forças da ONU tomassem partido por uma das partes em confronto no Congo (o que fez com que Krustchev batesse com o sapato no ambão da ONU).

No dia 17 de Setembro de 1961, Hammarskjold desloca-se para o norte da Zâmbia para discutir um cessar-fogo com uma das partes. O seu avião cai pouco depois de avistar o aeroporto. Foi um acidente e não um atentado. Dag Hammarskjold morreria no dia seguinte.

Nesse ano, recebeu o Nobel da Paz a título póstumo (primeira e única vez). Hoje a ONU atribui uma medalha com o nome deste secretário-geral a quem morre ao serviço da organização.

Devia ter sido o ano no início de uma grande amizade

"Conversão de Paulo", na Capela do Paulina (de Paulo III), no Vaticano

Tiago Cavaco, pastor baptista (e músico panque-roque sob o nome de Tiago Guillul), escreve sobre o Ano Paulino (“dois mil e nove, quis Roma, é ano paulino”) na “Ler” de Setembro (págs. 58-59). Não refere nenhum autor católico, o que talvez nem ficasse mal, porque houve boas edições sobre Paulo em 2008/09 (um exemplo: “Paulo”, de Jerome Murphy-O´Connor, nas Paulinas), mas fala de um autor que, quase de certeza, não é conhecido pelos católicos que estão mais ou menos a par do que se publica: “Paulo de Tarso na Estrada de Damasco”, de Wlater Wagerin, na Presença. 400 páginas “com ritmo e emoção”. “Oferta certa para o leitor sazonal”. “Tem o condão raro de entreter ao mesmo tempo que cristianiza”.

Cavaco faz uma observação curiosa: “A iniciativa vaticana de declarar 2009 ano paulino pode suscitar o cinismo protestante. Não foi a leitura de Paulo uma porta de saída de Roma”. Foi. Mas as comunidades católicas, como facilmente terá constatado quem as frequenta, não lidaram em 2008/09 com o Paulo da fé e da inovação, mas antes com o Paulo missionário e criador de comunidades. E Roma devia prever isso. Paulo não fez mossas. E logo a seguir veio o Ano Sacerdotal. Onde é que já vai Paulo?

Paulo faz sentido por causa daquele que lhe trocou as voltas à vida. Fica o apelo do pastor: “É avançar sem medo. Para os versículos severos e para os arrebatamentos poéticos. É obedecer à universalidade e compreender o regionalismo. É deixar o Apóstolo cantar e ralhar connosco. E sobretudo, nunca cair no erro de optar pelo Paulo que convém às tendências da época (todos sabemos que é Paulo que escolhe os seus leitores e nunca o oposto, numa preciosa explicação da doutrina da predestinação). É fazer de 2009 o ano do início de uma grande amizade”.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Clássicos 21: “Tratados e Sermões”, de Mestre Eckhart

(Primeira parágrafo do “Tratado do Discernimento”, o primeiro texto desta obra:) “A verdadeira e perfeita obediência é a virtude entre todas as virtudes, e nenhuma obra, por muito grandiosa que seja, poderá acontecer ou ser realizada sem esta virtude; no entanto, por muito pequena e insignificante que uma obra seja, ela será mais útil se for feita em verdadeira obediência, seja ela ler a missa ou ouvi-la, orar, contemplar, qualquer coisa que queiras imaginar. Por outro lado, toma uma actividade, a mais humilde que te aprouver, seja ela qual for: a verdadeira obediência consegue sempre o melhor em todas as coisas. Verdadeiramente, a obediência faz-te mais nobre e melhor. A obediência consegue sempre o melhor em todas as coisas. Verdadeiramente, a obediência nunca perturba nem impede aquilo que alguém faça, nada que provenha da verdadeira obediência; ela não descuida nada do que é bom. A obediência não precisa nunca de se preocupar, não lhe falta qualquer bem”.

Tratados e Sermões | Mestre Eckhart | Traduzido do original alemão por Jorge Telles Menezes | Ed. Paulinas | 2009 | 328 páginas

Mestre Eckhart (1260-1328), teólogo, filósofo e pregador dominicano. Nasceu na região alemã da Turíngia e terá morrido em Avinhão, mas não se conhece o seu túmulo. Escreve Fr. José Luís Monteiro, dominicano como o místico alemão, na Introdução: “Muitas questões foram colocadas sobre a ortodoxia e sobre o processo feito a Eckhart, inicialmente na cidade de Colónia, e, em seguida, em Avinhão. A sua linguagem paradoxal, linguagem de um teólogo, poeta e místico, vai o mais longe possível na elaboração da inteligência e da compreensão do mistério de Deus. Eckhart tem uma confiança quase ilimitada na potência do verbo” (pág. 21).

16 de Setembro de 1394. Morre Clemente VII, antipapa

No dia 16 de Setembro de 1394, morre em Avinhão Clemente VII, antipapa. Em Roma estava Urbano VI, o legítimo.
A história passou-se assim (via Wikipedia): Em 1377, o Papa Gregório XI decidiu, por intervenção de Santa Catarina de Sena, deslocar a sede do papado de novo para Roma. No ano seguinte o papa morreu e foi substituído por Urbano VI. Esta escolha foi influenciada pela população de Roma, que queria assegurar com a eleição de um italiano a permanência do papado na cidade. A maioria dos cardeais de origem francesa discordava desta escolha e detestava o novo papa pela sua personalidade conflituosa. Como resposta, quatro meses após a eleição de Urbano VI, os cardeais franceses reuniram-se em Anagni e realizaram novo conclave. Desta reunião saiu a proclamação de Roberto de Genebra como Papa, sob o nome de Clemente VII. Para concretizar o cisma, Clemente VII excomungou e foi excomungado por Urbano VI e fixou residência em Avinhão.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Bem visto

Disse pai Evágrio (um dos padres do deserto): "Retirem-se as tentações e ninguém será salvo".

"O estranho caso de um católico inglês"

Maria Filomena Mónica escreve sobre a releitura de “Ortodoxia” no Público de hoje (uma referência à primeira edição em português da obra de Chesterton aqui). Quando se trata de religião, é preciso ter cuidado com o que a historiadora/socióloga escreve. Há uns anos, nas páginas do mesmo jornal, escrevia “Bodas de Canaã” em vez de Bodas de Caná e mais meia dúzia de disparates hilariantes.

O texto “O estranho caso de um católico inglês” é, contudo, muito interessante. Começa assim:

“Excepto nos países totalitários, a dissidência é um prazer. Segundo a mais simples fórmula matemática, a dupla dissidência dá o dobro do gozo. Ora, no Reino Unido, a opção pelo catolicismo representa um gesto de rebeldia não só em relação à Igreja como ao Estado. Depois de, no século XVI, Isabel I ter declarado serem os católicos um bando de heréticos, o destino desta confissão passou por várias etapas, da condenação à morte à tolerância e, por fim, à glamorização. Hoje, ser-se católico no Reino Unido é chique. Quando, em 1922, G. K. Chesterton aderiu à Igreja Católica (muitos anos depois de ter escrito este livro) já não se decapitavam os crentes no poder papal, mas não existia ainda a vaga de conversões recentes, de que a mais famosa é a de Tony Blair”.

Parece-me desfocada a visão da autora sobre o catolicismo expressa na segunda parte do artigo, por ler tudo a partir da sua experiência frustrante, mas aceita-se o conselho final:

“Não deixe que o livro se perca entre as capas que efemeramente ornamentam as estantes das nossas livrarias”.

Ler mais aqui.

Padres do deserto do séc. XXI

Ainda há padres do deserto. Mas o texto de Alexandra Lucas Coelho, no Público (aqui), realça mais as dificuldades de viver na aridez (Caracolnet em vez de Internet, racionamento da água, o verão infernal e o inverno duro…) do que a descoberta espiritual, que também está presente. E não há “ditos dos padres do deserto”.

Jean, 47 anos, “há 16 anos era carteiro em Zurique. Tinha inquietações espirituais. Passou pela new age, pelo aikido e pela Várzea de Sintra. Depois Escócia, Grécia, Chipre, Líbano, Jordânia. Uma longa história que não cabe aqui. Até que veio visitar o mosteiro. Voltou para ficar. Na noite de Páscoa de 1996 Paolo baptizou-o”.

Paolo “percebeu que este era o lugar para os três votos: vida espiritual, trabalho manual e hospitalidade.
- A hospitalidade é realmente o nosso programa político. Só através dela pode ser conseguido um humanismo desenvolvido. Sem hospitalidade, a tentação do suicídio torna-se muito forte para mim, a vida torna-se insuportável. Porque estamos aqui? Pela hospitalidade. A prática do diálogo começa na curiosidade. Acreditar que o outro tem algo para oferecer.
E antes do almoço vai juntar lençóis usados, daqueles que vieram dormir por uma noite”.

Ao lado de Deus

Frase sugestiva para a busca espiritual e perigosa quando alguém considera ter alcançado tal estatuto:

Senhor, a minha preocupação não é se Deus está ao nosso lado; a minha maior preocupação é estar ao lado de Deus, porque Deus está sempre certo.
Abraham Lincoln

15 de Setembro de 1590. Eleição do primeiro Papa antitabaco

No dia 15 de Setembro de 1590, Giambattista Castagna é eleito papa e toma o nome de Urbano VII. O seu pontificado foi um dos mais curtos da história. Acabou no dia 27 de Setembro desse mesmo ano. No entanto, deixou uma medida que outros inconscientemente viriam a seguir um pouco por todo o mundo. Decretou a primeira proibição de fumar, ameaçando excomungar quem "tomasse tabaco no interior ou no adro de uma igreja, tanto por mastigá-lo, por fumá-lo com cachimbo ou cheirá-lo em pó pelo nariz".

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Educação religiosa

“Como todas as outras crianças judias minhas conhecidas, eu recebera alguma educação religiosa. Fora principalmente para apaziguar o meu avô, pois a educação da Reforma Judaica que eu estava a ter era tão deslavada, tão desnaturada em relação à instrução heder rigorosamente ortodoxa [instrução religiosa primária, por vezes recebida do próprio Rabi] que ele adquirira em Bolechow, há toda uma vida, que, no que me dizia respeito, tanto eu como os meus três irmãos bem poderíamos ter sido instruídos por padres católicos”.

Daniel Mendelsohn, “Os desaparecidos. À procura de seis em seis milhões” (D. Quixote), pág. 49.

O papa operário

O excerto aqui citado da encíclica “Laborem Exercens” é muito sugestivo. A repetição do “sabem-no” cria ritmo. Um martelar que decerto evoca o movimento do trabalho. Quem diz “operários siderúrgicos junto dos seus altos-fornos”, diz o ferreiro a malhar no ferro, ou agricultor a malhar cereais.

João Paulo II sabia do que escrevia. Quando jovem, para evitar a deportação para a Alemanha, trabalhou na empresa química e farmacêutica de origem belga Solvay. Mais alguma empresa poderá orgulhar-se de ter tido um Papa entre os seus colaboradores? Talvez a empresa de pesca Pedro & Família. Ou, quando muito, a câmara municipal de Roma no tempo de Gregório Magno.

Sete anos de pastor Jacob servia


Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: — Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

Luís de Camões

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...