quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Polémica na Nova Zelândia com cartaz para fazer pensar no sentido do Natal
Insuportável solidão humana
Sonho de um cardeal numa noite de Natal
DIONIGI TETTAMANZI
Não há futuro sem solidariedade.
Paulinas
240 páginas
Na Missa do Natal de 2008, o cardeal Dionigi Tettamanzi, arcebispo de Milão, dirigiu aos fiéis uma questão que no seu espírito era cada vez mais pertinente: “Neste Natal, já marcado pelas primeiras vagas de uma grande crise económica, há uma interrogação que me atormenta: o que posso fazer como arcebispo de Milão? O que podemos fazer como Igreja ambrosiana? (…) Gostaria que cada um conservasse no coração esta pergunta e que se deixasse inquietar e converter por ela: O que posso eu fazer?”
O cardeal pôs as mãos à obra e criou o “Fundo Família-Trabalho”, para ajudar quem na área da diocese de Milão perde o posto de trabalho. O Fundo foi inicialmente constituído por um milhão de euros de provenientes dos impostos que os cidadãos podem destinar a obras de caridade (como em Portugal, na declaração do IRS), das ofertas “para a caridade do Arcebispo”, de “opções de sobriedade da diocese” e também do dinheiro do próprio Dionigi Tettamanzi. Em Apêndice publicam-se os Estatutos do Fundo.
Mas este livro não é sobre o Fundo. É sobre a crise económica e a ajuda da Igreja. O cardeal parte do “sonho de uma noite de Natal” (cap. 1) para falar da “solidariedade e o seu fundamento” (cap. 2), notar que a sobriedade é virtude esquecida (cap. 3), lembrar a doutrina social da Igreja (cap. 4), e mostrar como pode acontecer solidariedade no mundo da finança (cap. 5), na família (cap. 6), na empresa (cap. 7), para com os migrantes (cap. 8). Antes da conclusão (“Como o Bom Samaritano”), o cardeal ainda troca algumas cartas com jovens em que o assunto principal é, naturalmente, a solidariedade (cap. 9).
O prefácio desta obra é assinado por Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas, cristão e homem de cultura, que explica com eficácia e simplicidade a génese da crise que ainda estamos a atravessar e realça que, contra ela (e para evitar futuras crises), são necessárias três grandes virtudes sociais: justiça, solidariedade e sobriedade.
17 de Dezembro de 1531. Primeira tentativa para instalação da Inquisição em Portugal

No dia 17 de Dezembro de 1531, o Papa Clemente VII publicou a bula “Cum ad nihil magis”, que instituiu a Inquisição em Portugal. A vinda da Inquisição para Portugal fazia parte do acordo de casamento de D. Manuel I com Maria de Aragão. Passado um ano, o Papa anula a decisão.
A Inquisição será mais tarde implantada, em 23 de Maio de 1536, no tempo de D. João III, sendo Papa Paulo III. No início teve sede em Évora. Foi mais um tribunal ao serviço da Coroa do que da Igreja, embora seja hoje uma pedra de arremesso à Igreja Católica.
Nos dois séculos e meio em que esteve activa, matou na fogueira cerca de 1200 pessoas (e queimou cerca de 600 efígies, porque os condenados estavam escondidos ou fora do país). Número terríveis, mas muito longe do que o mito inquisição faria supor.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
16 de Dezembro de 1770. Nasce Beethoven

Ludwig van Beethoven nasceu no dia 16 de Dezembro de 1770, em Bona. Este vulto maior da música, entre o classicismo e o romantismo, morreu em Viena, no dia 26 de Marco de 1827.
Beethoven foi baptizado católico (no dia a seguir ao nascimento), mas há quem duvide das suas convicções religiosas. No entanto, o músico, conhecido por “o espanhol” por ser moreno, dizia que a “Missa Solemnis” (de rito católico) era a coroa da sua vida de trabalho. Há mais elementos para pensar que era católico, embora, como era habitual (e é), o trabalho artístico misturasse elementos da mitologia e do paganismo com referências cristãs, como no Hino da Alegria (Nona Sinfonia), com referências ao Eliseu grego (paraíso).
O Hino baseia-se na letra da “Ode à Alegria”, de Friedrich Schiller:
Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais agradável
E cheio de alegria!
Alegria, mais belo fulgor divino,
Filha de Eliseu, ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Teus encantos unem novamente
O que o rigor da moda separou.
Todos os homens se irmanam
Onde pairar teu voo suave.
A quem a boa sorte tenha favorecido
De ser amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma doce companheira
Rejubile-se connosco!
Sim, também aquele que apenas uma alma
possa chamar de sua sobre a Terra.
Mas quem nunca o tenha podido
Livre de seu pranto esta Aliança!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos dá beijos e as vinhas
Um amigo provado até a morte;
A volúpia foi concedida ao verme
E o Querubim está diante de Deus!
Alegres, como voam seus sóis
Através da esplêndida abóboda celeste
Sigam irmãos sua rota
Gozosos como o herói para a vitória.
Abracem-se milhões de seres!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos! Sobre a abóboda estrelada
Deve morar o Pai Amado.
Vos prosternais, Multidões?
Mundo, pressentes ao Criador?
Buscais além da abóboda estrelada!
Sobre as estrelas Ele deve morar.
Pergunta vencedora num congresso sobre vida sustentável
Há dias chegou-me este texto por e-mail. Desconheço o dia e local do congresso. Pode bem não ter acontecido. Mas a questão não perde a pertinência."Todos pensam em deixar um planeta melhor para os nossos filhos... Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
Bento XVI verde e solidário

A crise ecológica obriga a uma solidariedade intergeracional e intrageracional, diz Bento XVI na Mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz, 1 de Janeiro de 2010.
Número 8 da Messagem (pode ser lida na íntegra aqui):
“Na realidade, é urgente a obtenção de uma leal solidariedade entre as gerações. Os custos resultantes do uso dos recursos ambientais comuns não podem ficar a cargo das gerações futuras. «Herdeiros das gerações passadas e beneficiários do trabalho dos nossos contemporâneos, temos obrigações para com todos, e não podemos desinteressar-nos dos que virão depois de nós aumentar o círculo da família humana. A solidariedade universal é para nós não só um facto e um benefício, mas também um dever. Trata-se de uma responsabilidade que as gerações presentes têm em relação às futuras, uma responsabilidade que pertence também a cada um dos Estados e à comunidade internacional». O uso dos recursos naturais deverá verificar-se em condições tais que as vantagens imediatas não comportem consequências negativas para os seres vivos, humanos e não humanos, presentes e vindouros; que a tutela da propriedade privada não dificulte o destino universal dos bens; que a intervenção do homem não comprometa a fecundidade da terra para benefício do dia de hoje e do amanhã. Para além de uma leal solidariedade entre as gerações, há que reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada solidariedade entre os indivíduos da mesma geração, especialmente nas relações entre os países em vias de desenvolvimento e os países altamente industrializados: «A comunidade internacional tem o imperioso dever de encontrar as vias institucionais para regular a exploração dos recursos não renováveis, com a participação também dos países pobres, de modo a planificar em conjunto o futuro». A crise ecológica manifesta a urgência de uma solidariedade que se projecte no espaço e no tempo. Com efeito, é importante reconhecer, entre as causas da crise ecológica actual, a responsabilidade histórica dos países industrializados. Contudo os países menos desenvolvidos e, de modo particular, os países emergentes não estão exonerados da sua própria responsabilidade para com a criação, porque o dever de adoptar gradualmente medidas e políticas ambientais eficazes pertence a todos. Isto poder-se-ia realizar mais facilmente se houvesse cálculos menos interesseiros na assistência, na transferência dos conhecimentos e tecnologias menos poluidoras”.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Curiosidades católicas sobre o esperanto

* A revista da Espero Katolika apareceu em 1903 e é a publicação mais antiga em esperanto que ainda se publica. Na imagem, uma capa de 1967, com Paulo VI e a Irmã Lúcia.
* A Rádio Vaticano emite duas vezes por semana em esperanto. Ver aqui.
* Existe uma Internacia Katolika Unuigo Esperantista (União Esperantista Católica Internacional), que é presidida pelo arcebispo de Praga, cardeal Miloslav Vlk. Sítio da IKUE.
* João Paulo II e Bento XVI falaram várias vezes em esperanto, principalmente na alocução urbi et orbi. É provável que no próximo Natal, Bento XVI volte a falar a Roma e ao Mundo também em esperanto.
Início do Evangelho de João em esperanto

Início do Prólogo do Evangelho Segundo São João em esperanto (Jo 1,1-5)
1 En la komenco estis la Vorto, kaj la Vorto estis kun Dio, kaj la Vorto estis Dio.
2 Tiu estis en la komenco kun Dio.
3 Cxio estigxis per li; kaj aparte de li estigxis nenio, kio estigxis.
4 En li estis la vivo, kaj la vivo estis la lumo de la homoj.
5 Kaj la lumo brilas en la mallumo, kaj la mallumo gxin ne venkis.
Início do Prólogo do Evangelho Segundo São João em português (Jo 1,1-5)
1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
2 Ele estava no princípio com Deus.
3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
5 A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.
A Bíblia em esperanto (Sankta Biblio) pode ser lida aqui.
15 de Dezembro de 1859. Nasce o criador do esperanto

Há 150 anos, na cidade Bialystok (então Império Russo, hoje Polónia), nasceu o oftalmologista Ludwik Lazarz Zamenhof, que ficaria mais conhecido por ter criado a língua artificial esperanto.
O esperanto apareceu em 1887, no livro “Internacia Lingvo- antauparolo kaj plena lernolibro, por rusoj” (Língua Internacional - vocabulário e livro de estudos para russos), assinado pelo Dr. Esperanto (pseudónimo de Zamenhof).
Conhecido por “Unua Libro” (Primeiro Livro – em esperanto), este livro continha uma gramática com 16 regras e um vocabulário de 800 raízes da língua esperanto.
Zamenhof morreu no dia 14 de Abril de 1917, em Varsóvia.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
"Que sei bem eu a fonte que mana e corre" - Poema de João da Cruz
Estátua de João de Cruz em Aveiro. Ampliando, talvez dê para notar que do peito, além da chama, sai água.
Que sei bem eu a fonte que mana e corre
mesmo de noite.
Aquela eterna fonte está escondida,
mas eu bem sei onde tem sua guarida,
mesmo de noite.
Sua origem não a sei, pois não a tem,
mas sei que toda a origem dela vem,
mesmo de noite.
Sei que não pode haver coisa tão bela,
e que os céus e a terra bebem dela,
mesmo de noite.
Eu sei que nela o fundo não se pode achar,
e que ninguém pode nela a vau passar,
mesmo de noite.
Sua claridade nunca é obscurecida,
e sei que toda luz dela é nascida,
mesmo de noite.
Sei que tão cautelosas são suas correntes,
que céus e infernos regam, e as gentes,
mesmo de noite.
A corrente que desta vem
é forte e poderosa, eu o sei bem,
mesmo de noite.
A corrente que destas duas procede,
sei que nenhuma delas procede,
mesmo de noite.
Aquela eterna fonte está escondida,
neste pão vivo para dar-nos vida,
mesmo de noite.
De lá está chamando as criaturas,
que nela se saciam às escuras,
porque é de noite.
Aquela viva fonte que desejo,
neste pão de vida já a vejo,
mesmo de noite.
14 de Dezembro de 1541. Morre o carmelita João da Cruz

João da Cruz, frade carmelita espanhol, místico, morreu no dia 14 de Dezembro de 1591, em Udeba (Jaén, Espanha), aos 49 anos.
Perseguido pela Igreja em vida (passou oito meses na prisão de Toledo), foi beatificado em 1675 e canonizado em 1726.
Em 1926 foi declarado Doutor Místico da Igreja por Pio XI e em 1952 foi proclamado patrono dos poetas espanhóis.
O blogue Religionline recorda-o hoje aqui.
13 de Dezembro de 1294. Celestino V deixa de ser Papa

Coroação de Celestino V. Obra do séc. XV (autor desconhecido)
No dia 13 de Dezembro de 1294, após cinco meses de papado, Celestino V resigna para voltar a sua vida de eremita.
Pietro Angeleri (1215-1296) era um humilde beneditino. Foi eleito Papa após um período de dois anos em que os doze cardeais eleitores não se decidiam.
Eleito finalmente no dia 5 de Julho de 1294, deixou a sua caverna do monte Mailla e entrou triunfalmente em Roma, montado num burro. Abdicou no dia 13 de Dezembro, forçado pelo cardeal Benedicto Caetani, que no dia 24 de Dezembro de 1294 seria eleito Papa (adoptou o nome de Bonifácio VIII).
domingo, 13 de dezembro de 2009
Mário Cláudio sobre D. Manuel Clemente

Mário Cláudio (também ele Prémio Pessoa) sobre a atribuição do Prémio Pessoa 2009 a D. Manuel Clemente, na última edição do "Expresso":
"[É]Muito importante por se chamar a atenção para a necessidade de estabelecer uma ponte entre a igreja e a cultura, sobretudo a cultura mais recente. (...)
[D. Manuel Clemente] move-se num quadro cultural absolutamente contemporâneo e é ele mesmo produto da cultura moderna".
Catálogo que inspira bons costumes

Dan Ariely, professor de economia Comportamental no MIT, muito em voga nos tempos actuais por causa de analisar os comportamente irracionais nas decisões económicas, diz que a Bíblia tem influência - positiva - na honestidade.
No resumo do “Expresso” de 12 de Dezembro de 2009 (caderno “Economia”), aparece assim: “Muitas pessoas são capazes de roubar uma maçã mas seriam incapazes de roubar o dinheiro correspondente. A desonestidade diminui quando há dinheiro envolvido e, também como aconteceu numa experiência de Ariely, quando as pessoas lêem a Bíblia antes”.
Sugestão para Saramago: “A Bíblia é um catálogo de maus costumes que inspira bons costumes”.
Bento Domingues: A retórica da alegria
“Acabemos de vez com essas caras de sexta-feira pouco santa para poder ressuscitar o quotidiano. Hoje, a tristeza já não vem, sobretudo, do púlpito e do confessionário. A religião laica obriga-nos a consumir, a semana inteira, imagens e noticiários sempre mais deprimentes”, escreve Bento Domingues, no “Público” de hoje, porque hoje, terceiro Domingo do Advento, é o Domingo da Alegria. Clicar para ler.
O que ele disse de Deus

Agostinho da Silva (1906-1994) sobre Deus:
Toda a prova da existência de Deus o rebaixa a nosso próprio nível.
Acreditar num Deus provado seria tão relevante como acreditar na tabuada.
Deus não se afirma nem se nega: Deus É, mesmo quando não é, numa plena manifestação da sua suprema liberdade.
Deus é imanente e transcendente ao homem; o homem é imanente e transcendente a Deus.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Minaretes 5 - Um turco diz que os turcos deviam aprender com o referendo suíço

Orhan Kemal Cengiz, no "Público" do dia 11 de Dezembro, chama "novos nazis" aos islamofóbicos. Passe o exagero. Mas, turco, diz também que os cristãos deveriam poder abrir igrejas na Turquia. Os muçulmanos devem aprender com o "vergonhoso referendo". Fecha-se o ciclo iniciado com a crónica de Anselmo Borges. Para já.
Minaretes 4 - João Pereira Coutinho e os velhos anti-semitas

Os velhos anti-semitas
A‘islamofobia’ é uma nova forma de anti-semitismo? Rui Tavares, que se apresenta por aí como ‘historiador’, diz que sim: aqueles que proíbem minaretes na Suíça são tão intolerantes como os nazis que exterminavam judeus na 2ª Guerra. Não vale a pena dissertar sobre a natureza imoral da comparação. Melhor perguntar ao ‘historiador’ quantos atentados terroristas os judeus alemães cometeram na década de 30 em nome de uma interpretação fundamentalista da Torah.
A decisão dos suíços é obviamente absurda. Mas ela nasce de um medo real e não de uma mentira fabricada: o medo do terrorismo islamita. Atenção aos termos: a relação não é entre o islamismo e o terrorismo; é a inversa – uma fatalidade que, presumo, não é culpa dos suíços. Misturar tudo para alegar um novo anti--semitismo apenas serve para revelar os contornos do velho.
Minaretes 3 - O gótico não veio da arte islâmica
Minaretes 2 - Rui Tavares e os novos anti-semitas
Reflexão culturalmente sugestiva sobre os minaretes e a arquitectura ocidental foi a de Rui Tavares no Público de 7 de Dezembro. Diz ele que "Os novos anti-semitas não conhecem sequer a sua própria cultura". Diz que a arte gótica nasceu por influência da arte muçulmana, que as Torres Gémeas eram influenciadas pela arte islâmica (lembro-me de o Mário Crespo, na SIC, comentar que as Torres nova-iorquinas eram góticas...).Os novos anti-semitas
Quando decidiu passar à acção, assassinando milhares de pessoas num dos edifícios mais conhecidos do mundo, Mohammed Atta sabia muito bem o que estava a destruir.
Mohammed Atta, o terrorista que espetou o primeiro avião contra as torres gémeas de Nova Iorque, era diplomado em urbanismo, com uma tese de mestrado sobre uma das cidades mais antigas do mundo — Aleppo, na Síria — e discretamente detestava os arranha-céus “ocidentais” que ali eram construídos. Quando decidiu passar à acção, assassinando milhares de pessoas num dos edifícios mais conhecidos do mundo, Mohammed Atta sabia muito bem o que estava a destruir.
Minoru Yamasaki, o arquitectou que projectou as torres gémeas, era um apaixonado pela arquitectura islâmica. O seu edifício preferido era a Mesquita do Xá em Ispaão (ou Isfahan) no Irão. Um dos países onde trabalhou mais foi na Arábia Saudita, a serviço da família real (talvez tenha mesmo chegado a usar os serviços de Muhamad bin Laden, o pai de um certo adolescente chamado Osama, futuro estudante de engenharia). E em diversas ocasiões escreveu sobre o seu interesse pela arquitectura islâmica.
Na sua autobiografia, o arquitecto descrevia as Torres Gémeas como “uma Meca de tranquilidade na baixa de Manhattan”. Aposto o meu diploma em História da Arte em como o complexo do World Trade Center era todo ele influenciado pela arquitectura islâmica, a começar pela Grande Mesquita de Meca. Desde a escultura central, evocando a pedra sagrada da Caaba, aos delicados pilares de alumínio cujas nervuras se unem em arcos mouriscos, até ao pavimento do pátio interior desenhado radialmente como as filas dos peregrinos na hajj. (Escrevi sobre isso uma peça de teatro e ensaio chamado “O Arquitecto”, para quem estiver interessado).
E a maior pista de todas estava, naturalmente, nas duas torres gémeas — os maiores minaretes do mundo.
***
Um dos melhores cronistas do mundo é um israelita chamado Uri Avnery. Ele sabe bem o que é o anti-semitismo. Quando nasceu na Alemanha o seu nome era Helmut Ostermann, mas a sua família teve de fugir do nazismo em 1933, estabelecendo-se na Palestina.
Ao saber do resultado do referendo na Suiça que proibiu a construção de minaretes nas mesquitas, Uri Avnery escreveu o seguinte:
“Parece que o anti-semitismo se deslocou de um povo semita para o outro. Na Europa do pós-Holocausto é difícil ser anti-judeu, e por isso os anti-semitas se tornaram anti-muçulmanos. É como dizemos em hebraico: a mesma senhora num vestido diferente.”
Uri poderia ter acrescentado que até as manhas do velho anti-semitismo anti-judeu e do novo anti-semitismo anti-árabe se assemelham. Nos anos 30, os suiços tentaram afugentar os judeus proibindo alguns rituais de preparação de alimentos prescritos pela religião judaica.
Os novos anti-semitas podem até usar alguns dos argumentos que o Mohammad Atta usava antes de se tornar terrorista — que lutam contra a “descaracterização” das suas culturas, etc. Mas por detrás esconde-se a raiva a uma cultura em particular: Mohammed odiava os ocidentais, os novos anti-semitas odeiam árabes e muçulmanos. Nem o tentaram disfarçar proibindo outros edifícios, outras torres, outros templos de outras religiões.
Mas se quiserem ver a marca da arquitectura islâmica no seu país, basta olhar para as muitas igrejas góticas: foi apenas depois de verem as mesquitas de Jerusalém que os cristãos começaram a fazer edifícios altos, esguios, com os seus pilares nervurados, arcobotantes e torres pontiagudas. Os novos anti-semitas não conhecem sequer a sua própria cultura.
Minaretes 1 - Anselmo Borges e a reciprocidade
A questão dos minaretes na Suíça é interessante em dois aspectos. O da liberdade religiosa, mas também o da democracia. Mais uma vez parece que a questão a referendar só podia ter uma resposta, como nos referendos irlandeses sobre o Tratado de Lisboa ou no francês e holandês sobre o Tratado Constitucional para a Europa. Ou como em Portugal, com o aborto - referenda-se tanto até surgir a resposta que quem manda quer (bastaram duas vezes).Segismundo da Hungria

O criador da Ordem do Dragão, Segismundo (1368 – 1437), aqui num retrato de Antonio Pisanello, provavelmente o único pintado em vida do imperador, reinou na Hungria de 1387 a 1437 e foi imperador do Império Sacro-Romano de 1433 a 1473, o último imperador da Casa do Luxemburgo, rei da Boémia desde 1419, da Lombardia desde 1431 e da Alemanha desde 1411.
Influenciou a realização do Concílio de Constança, que significou a ultrapassagem dos diferendos que ainda restavam por causa do Cisma do Ocidente (um Papa em Roma, outro em Avinhão e a cristandade dividida no apoio de um ou de outro).
12 de Dezembro de 1408. É criada a Ordem do Dragão

No dia 12 de Dezembro de 1408, o imperador sacro-romano Sigesmundo, ainda apenas rei da Hungria, cria a Ordem do Dragão (em alemão “Drachenorden” e em latim “Societatis draconistrarum”), uma organização de cavalaria monástica, um pouco à maneira dos Templários, mas mais inspirada, ainda, na Ordem de S. Jorge (o que lutou contra o dragão, séc. III-IV).
A finalidade de Ordem do Dragão era defender a Cruz, ameaçada principalmente pelos turcos otomanos. A Ordem floresceu na Alemanha, no Leste da Europa e um pouco em Itália.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
D. Manuel Clemente é Prémio Pessoa 2009
Experiências radicais, por D. Carlos Azevedo

Jacky Van Thuyne
D. Carlos Azevedo, no "Correio da Manhã" de hoje, fala de dois livros:
1. “Quero que sejas o meu Pai: do grande banditismo à fé” (Ed. Paulinas), sobre a vida do francês Jacky Van Thuyne (na foto), “um marginal, com excelente curriculum”.
2. “Atracção Irresistível” ( Ed. Tenacitas). Parece título de filme, mas foi escrito pela monja monja Raquel Silva, do Mosteiro da Visitação de Vila das Aves. “A narrativa corre fluente na simplicidade da escrita e na amabilidade de interpelação espiritual dirigida ao leitor. Estão subjacentes as objecções que tantos colocam à vida monástica. A centralidade e o primado de Deus assumem, na vida contemplativa, uma resposta radical”, diz o bispo auxiliar de Lisboa.
Ler tudo aqui.
A história de Jacky Van Thuyne, em francês, aqui.
11 de Dezembro de 384. Morre o Papa Dâmaso

Dâmaso foi Papa de 366 a 384. Morreu no dia 11 de Dezembro. Dizem que foi dos maiores papas do séc. IV, lutando contra os cismas, num tempo em que os cristãos já tinham liberdade.
Dâmaso, originário da Lustiânia, talvez de Guimarães ou de Idanha-a-Velha, fez três coisas que ficaram para a posteridade:
- pediu a São Jerónimo que traduzisse para latim a Bíblia (a chamada “Vulgata”);
- usou pela primeira vez o anel do Pescador, o anel papal, que actualmente é destruído no fim de um pontificado, mas na altura passava de Papa para Papa;
- mandou que se rezasse no fim dos salmos o “Glória ao Pai”, costume que ainda hoje se mantém.
Dâmaso foi sepultado Via Ardeatina, num local humilde. Na Cripta dos Papas da Catacumbas de S. Calisto fez escrever: "Aqui, eu, Dâmaso, desejaria que fossem sepultados os meus restos, mas tenho medo de perturbar as piedosas cinzas dos santos”.
Prémio João Paulo II de Direitos Humanos para Glucksmann

André Glucksmann (Boulogne-Billancourt, França, 1937), filho de judeus da Áustria, um dos “novos filósofos”, ganhou o prémio "João Paulo II" de Direitos Humanos da Academia de Oswiecim (Polónia). O filósofo “tem-se destacado ao longo dos últimos anos como expoente no debate internacional, tratando temas de direitos humanos e desenvolvendo um pensamento de combate à «desumana crueldade e ao poder político que não respeita o homem», diz a Rádio Vaticano.
O que ele disse de Deus

Gesualdo Bufalino (1920 —1996), italiano, revelou-se tarde como escritor. Era amigo de Leonardo Sciascia. E de vez em quando escrevia sobre Deus. Disse isto, em momentos diferentes:
Se Deus existe, quem é? Se não existe, quem somos?
Deus morreu ao criar-nos, nós somos uma obra póstuma.
Quanto menos acredito em Deus, mais falo dele.
Nos dias de hoje, apenas nos ateus sobrevive a paixão pelo divino. Nenhum outro se salvará.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
10 de Dezembro de 1520. Lutero rasga a bula papal

Leão X assinou no dia 15 de Junho de 1520 a bula "Exsurge Domine" (na imagem; tradução: “Levanta-te, Senhor”) contra as 95 teses de Lutero, ou, pelo menos, algumas das 95 teses. Há quem diz que apenas 41 “erros” de Lutero são visados.
Lutero não se retracta e rasga e queima a bula no dia 10 de Dezembro de 1520, juntamente com volumes das leis canónicas, em resposta a gesto similar de Johann Eck. O católico queimara publicamente obras de Lutero.
Enquanto os textos ardiam Lutero terá citado o Salmo 21,9: “O Senhor há-de engoli-los na sua ira e serão devorados pelo fogo”.
Passados uns dias, a 3 de Janeiro de 1521, o Papa excomunga Lutero.
Uma questão: Haverá alguma relação entre o gesto de Lutero e a DUDH, ambos num 10 de Dezembro? Julgo que não. Mas na realidade, os direitos humanos, no capítulo das liberdades e garantias, foram sempre uma conquista contra a opressão do poder político, social, religioso, principalmente do Estado e do Rei, mas não raras vezes da Igreja.
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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A fé começa precisamente onde o pensamento acaba. Kierkegaard


