sábado, 15 de junho de 2013

Anselmo Borges: "O Papa Francisco, um novo João XXIII"

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje:

1. Quando naquele dia 28 de Outubro de 1958 Angelo Giuseppe Roncalli foi eleito papa, escolhendo o nome de João XXIII, pensou-se que, atendendo à idade, seria um papa de transição. Rapidamente, porém, os mais atentos se aperceberam de que ele chegara para renovar a Igreja. Concretamente, convocando o Concílio Vaticano II, um dos acontecimentos decisivos na história do século XX - houve quem o considerasse até o acontecimento mais importante do século -, operou uma verdadeira revolução na Igreja Católica, com consequências fundamentais para o mundo inteiro.

Era um homem bom, generoso, simples, cristão. Próximo das pessoas - na noite da abertura do Concílio Vaticano II, em 11 de Outubro de 1962, observou que até à Lua o acontecimento não passara indiferente e saudou a todos, solicitando que fôssemos bons uns para com os outros e pedindo aos pais que levassem um beijo do papa para os filhos -, era ao mesmo tempo um conhecedor do mundo: a carreira diplomática levou-o, em tempos conturbados, à Bulgária, Grécia, Turquia e França.

Na inauguração do Concílio, tinha dito que "devemos discordar dos profetas de desgraças, que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo". A Igreja, que quer servir a humanidade com a luz de Cristo e aprender a discernir "os sinais dos tempos", "prefere nos nossos dias usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade: julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que condenando erros".

Seis meses depois dessa abertura e quando já se encontrava gravemente doente, publicou, com a data de 11 de Abril de 1963, a encíclica Pacem in Terris, considerada por alguns como a mais importante da história, com imenso eco na opinião pública mundial. Nela, proclama-se a exigência da paz, fundamentada no reconhecimento da dignidade inviolável e dos direitos inalienáveis de todos os seres humanos.

Pelo seu sorriso, bondade, humildade, simpatia, capacidade de renovação a favor da liberdade, verdade e dignidade, ficou conhecido como o "Papa bom". Morreu no dia 3 de Junho de 1963 - neste ano de 2013 celebra-se o cinquentenário da sua morte e da publicação da Pacem in Terris - e foi chorado por todos, crentes e não crentes, políticos e intelectuais de várias ideologias e gente do povo.

2. Quando no passado dia 13 de Março o Papa Francisco apareceu à multidão, simples, quase tímido, inclinando-se e pedindo a bênção e a oração dos fiéis, muitos pensaram que podia vir aí um novo João XXIII. E não têm faltado sinais a confirmar a intuição. Ficou na Casa de Santa Marta, evitando os apartamentos pontifícios; não se esquece dos pobres; anuncia sem cessar o amor, a misericórdia e o perdão de Deus; quer a transparência na Igreja; critica o carreirismo eclesiástico; beija as crianças e os deficientes; recebe sem pompa e senta-se no meio do povo, depois de celebrar a Missa; lavou os pés a mulheres, incluindo uma muçulmana... Pela simplicidade, cordialidade, serviço, Francisco conquistou a simpatia de todos, crentes e não crentes. O Evangelho avança como notícia boa e felicitante.

Mas a Igreja, uma estrutura complexa, também precisa, e urgentemente, de reformas. E Francisco está na disposição de implementá-las, apesar das dificuldades. Os media fizeram-se eco da notícia em todo o mundo. "Reflexión y Liberación", esclareceu entretanto que as declarações atribuídas ao Papa podem não ser completamente textuais, mas exprimem "o seu sentido geral". Numa conversa cordial com a Confederação Latino-americana e Caribenha de Religiosas e Religiosos (CLAR), Francisco disse o que já se sabia, mas agora é dito por ele: "Na Cúria há gente santa, mas também uma corrente de corrupção. Fala-se do lóbi gay, e é verdade: está aí." E advertiu contra certos grupos restauracionistas. "A reforma da Cúria romana é algo que quase todos os cardeais pedimos, nas congregações que precederam o conclave. Eu também a pedi. A reforma não posso fazê-la eu." Mas confia na comissão de oito cardeais de todo o mundo, nomeada por ele: "Vão levá-la por diante."

9 comentários:

Peter disse...

Nota-se os medos que por aí andam no ar… ó sim senhor como eles se notam tão nitidamente! Temo por este Irmão, não conhecera e vivera já na minha própria pele, como vivo ainda hoje, a maldade humana de muitos que vestem roupas de cristãos muitos deles a quem servir e amei e fizemos tantas vezes caminho juntos… Quem sabe, talvez um dia abra o meu coração num blog novo e partilhe a minha estória de vida nestes anos em que servi a Igreja… dava para um filme bem longo e doloroso acreditem e muitos episódios seriam bem difíceis de escutar e tragar no coração.. quem sabe… só o Senhor…talvez numa qualquer madrugada…nunca é tarde se for para abrir caminho à verdade…

Mas agora voltando ao tema, na verdade confio que o Pai estará cuidando e protegendo o Irmão Francisco, sim, confio plenamente pois sei o quanto Ele também tem cuidado de mim nestes tempos de perseguições e ingratidões humanas que no fundo são resultado apenas dos imensos medos com que tais irmãos vivem dentro de si mesmos! Bom, adiante, não vim aqui para lamentos, mas para partilhar esse texto, se me permite o irmão hospedeiro é claro:

http://blogs.periodistadigital.com/teologia-sin-censura.php/2013/06/11/el-miedo-al-papa-y-el-miedo-a-los-pobres

Anónimo disse...

"Quem sabe, talvez um dia abra o meu coração num blog novo e partilhe a minha estória de vida nestes anos em que servi a Igreja".

Não, por favor. Não. Já estamos a vomitar com o seu auto-convencimento. Poupe-nos.

Peter disse...

Anónimo 7:38, eu bem falei de os medos de alguns…. eu percebi-lhe o “vómito”… qual é o seu problema, tem medo de voltar ao seu próprio vómito ou que outros o sintam como já o vão sentindo por aqui nas suas intervenções e de outros poucos que vão mostrando aos poucos o seu verdadeiro rosto e da Igreja que fazem? É que é desses odores que me referia quando disse que iria um dia partilhar a minha viagem-vida atribulada por esses lugares ditos santos onde aquilo que menos se vive e pratica é o amor e a verdade, sobretudo em muitos daqueles(as) que depois se lamentam pela exiguidade de vocações mas tratam os que ali chegam pior que uma madrasta trataria os filhos dos outros… não tenha medo, pode continuar a dormir descansado e a pregar o seu amor muito pessoal dos altares não é meu caro que tanto gosta de trajar o cabeção! O tempo chegará… há tempo para tudo… vamos com calma… o tempo das fogueiras já acabou amigo...

Anónimo disse...

Exactamente, anónimo! De mais palavras de São Peter, livra-nos Senhor!

Peter disse...

Pelos vistos anda por aqui alguma gente com dores de barriga e vómitos! Mal alguém toca ou fala em abrir caminhos à verdade e é logo vê-los a tentar desviar o seu próprio vómito! Pelo menos o São Peter sabia reconhecer o “vómito” em que a sua vida se tornara e corrigiu caminho, mas sem dúvida alguma há ainda muita alma que nunca se converterá e prefere andar à volta do seu próprio vómito existencial! E pior, alguns até andam por aí a brincar aos São Pedro’s a papaguear homilias olhando altivos e convencidos para as ovelhas que ainda lhes resta nesse rebanho já tão raquítico e enfermo apregoando com todas as suas canas rachadas no deserto em que se tornaram as suas vidas, sobre o tema da comunhão entre os irmãos na sua santa madre madrasta! Nem o Salvatore Di Vita conseguiria encontrar tais figuras tão reais e adequadas para realizar um novo melodrama cinematográfico, e por isso ali estão tais figuras abandonadas a falar para sim mesmas como naqueles teatros de sombras!

Anónimo disse...

Aos anónimos

Nensempre concordo com o Peter, mas convenhamos que "atacar" o mesmo ao minimo sinal e debaixo do anonimato é um pouco mau, mesmo que o conhecam para lá deste blog.

Para o Peter: não generalize, nem todos os seguidores deste blog serão padres e nem todos os padres são como diz...

Paulo Pinto

Peter disse...

Caro Paulo Pinto, sim, quando falo tento não generalizar, (e lamento se é essa mensagem que tenho passado!), no meio de uma árvore de frutos há de tudo, e conheço por experiencia própria, trabalhei como missionário com muitos sacerdotes e por isso sei que existem também muitos deles que são autênticos mártires e santos que buscam a verdade e lutam para mudar a coisas que não estão bem… muitos não rompem apenas por medo, pois isso implicaria uma mudança total e um abandono total como aquele que me tentam hoje ainda “submeter” tais sombras! Nem imagina o que é não saber se teremos um prato à mesa, (passar até fome), ou estar doente e ter que depender da caridade de algumas almas que no anonimato me ajudam para poder comprar medicamentos tudo apenas porque a “caridade” desses irmãos companheiros de caminhada do passado, que até recebiam um ordenado razoável e faziam os seus descontos “esqueceu-se” de descontar algo do pouco que fosse, para a Seg.Social deste irmão que durante anos ali serviu, para fazer frente no futuro a algum embate na vida como aconteceu com a minha saúde, logo esses que no passado não passavam sem a minha presença e eram cheios de alabanças em direcção a este barro que lhe fala… E olhe que não estarei a errar se lhe disser que alguns entram aqui, alguns desses são os mais agressivos mas não conseguem dar a cara porque sabem que a minha vida na Igreja foi intocável… toda a população dessa terra linda de missão ali está aberta e pronta para testemunhar a qualquer momento, ainda hoje quantos me pedem para voltar, nem imagina… essa é a maior dor e escândalo que enfrentam esses meus irmãos “acossadores”, pois assim não encontram pedras para lançarem e bem que eles desejavam, basta verificar pelos ataques anónimos aqui…!

Caro Paulo, melhor ficar-me por aqui, (como disse antes, isso é outro assunto para um blog dessas memórias) e olhe, meu caro, se não acredita pois passe a acreditar, ainda existe na vida cristã, muita gente que é capaz de tragar os seus próprios filhos-irmãos-irmãs na fé para matar-lhes a liberdade que eles nunca conseguiram abraçar nas suas vidas! Mas confio em Deus… ó se confio… e medo, o que é isso? Quem anda com Deus nada teme até porque não deve nada a ninguém a não ser não ter amado o suficiente, só isso! Sobre as sopas e pão, plokkk , a barriga vai-se habituando ao regime! Eu até nem aprecio mesmo nada esses pratos de lentilhas que por aí vão continuando a oferecer a muitos a troco das suas submissões e silêncios e cumplicidades. Nele e por Ele caminho, que nunca perca eu essa direcção…

Saudações....

Anónimo disse...

Caro peter não sei que lhe dizer...
Não conheço nem me movo nos meios eclisiasticos, vivo a minha vida de leigo, vou lendo pesquisando porque tenho sede de saber, por tudo isto desconheço a realidade que me descreve mas acredito no que diz. Os "filhos das trevas" andam por aí, mas nada podem contra aqueles que lavaram as vestes no sangue do Cordeiro! Quem muito ama muito perdoa, perdoemos nós também...
Que a Paz esteja consigo!

Abraço fraterno

Paulo Pinto

Anónimo disse...

Ai São Peter... livre-nos, Senhor, dele!

Os dois maiores erros da história de Portugal

António Rendas, reitor da Universidade Nova (de partida) e durante dez anos reitor dos reitores portugueses, diz que "expulsar os judeu...