quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Congar: "Felizmente, há Ratzinger"


Yves Congar (1904-1995) não é só um dos maiores teólogos do séc. XX (na minha opinião, faz parte de um trio de primeiríssimos que, já que estamos na semana do ecumenismo, inclui três confissões cristãs: os dominicanos, os jesuítas e os reformados). É capaz de ser também o mais linguarudo. E isso é bom para quem gosta de perceber como as coisas funcionavam, porque a língua de Congar deu para deixar tudo escrito nos diários. A diarística é sem dúvida uma boa forma de sublimar a língua comprida que todos temos.

Congar começou a escrever diários praticamente no berço. Quer dizer aos 10 anos, pelo menos. E já então escrevia que os alemães são “os boches os canalhas os ladrões os assassinos os incendiários” (falei disso aqui). Mas tarde diria bem de um alemão em concreto.

No tempo do Concílio, como é sabido, escreveu um diário que é bem capaz de ser mais útil para compreender o que se passou no Vaticano entre 1962-65 do que as atas do concílio (desconfio, já que, quanto às atas, só as vi encaixotadas, por encadernar, à porta de uma biblioteca eclesiástica).

No dia 31 de março de 1965, sobre o grupo que estava a redigir o decreto “Ad gentes” (sobre a Igreja e as missões), escreveu:

- "o padre Seaumois é realmente um burro", com a sua "bagagem de ideias e as suas respostas já prontas";
- Dom Yago "não diz nada e parece se aborrecer muito";
- Dom Perrin "quase não acompanha e não é de nenhuma ajuda";
- "Felizmente, há Ratzinger. É razoável, modesto, desinteressado, de boa ajuda" (li aqui).

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