quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Corpo, vida e mulheres


Amanhã e depois, a norte, em Braga e Guimarães, acontece mais uma sessão do Pátio dos Gentios.

Tem sítio aqui e vai ser transmitido online pela Ecclesia, aqui.

Também amanhã e depois, mas a sul, em Lisboa, acontece o II Colóquio Internacional de Teologias Feministas. Tem sítio aqui.

Não posso ir a nenhum dos eventos, mas preferiria o segundo.

18 comentários:

Anónimo disse...

Não me agrada a ideia de "teologia feminista" (não é discriminatória para os varões?), mas agrada-me ainda menos o triste átrio pensado por uma tristíssima e ainda mais pobre (não no bom sentido) Isabel Varanda. Ouvi-la é tão agradável como comer sabão azul.

Parabéns, parece, caro Jorge, pelo solucionar dos problemas com as velhacarias da P.....T. Também já passei diversas vezes por elas.

Fernando d'Costa

Anónimo disse...

“Não me agrada a ideia de "teologia feminista" (não é discriminatória para os varões?)…” Fernando d'Costa…

E o inverso, essa teologia tão carregada de odores da sociedade patriarcal, não é ela também “discriminatória” para com as mulheres!

Meu caro, compreendo que não lhe seja de todo agradável ao ouvida certas coisas e ainda por cima ditas por pessoas que parecem ter algum sabor a “sabão azul”… mas olhe que não existe nada melhor que um bom banho bem esfregado com sabão azul, pelo menos nos meus tempos de criança ajudava a a eliminar todos os odores que poderiam impedir que outros caminhassem e convivessem comigo assim como preservava a minha saúde…

Os “átrios tristes” acontecem e são muitas vezes resultado que foge a um gesto tão simples mas por vezes tão difícil, que é o de abrir janelas e deixar a luz entrar livremente onde abrigamos a nossa existência…

…eu percebo… a luz fere demasiado quando os nosso olhos se habituaram demasiado tempo à escuridão…

vp

Jorge Pires Ferreira disse...

Olá, Fernando.
De facto, regresso hoje ao ritmo normal.

Porque a teologia é algo de contextual e tem muito a ver com quem fala de Deus,com o sujeito, eu penso que faz todo o sentido em existir uma teologia feminista. Não que fale de assuntos de mulheres e contra os homens, mas que parta de experiência das mulheres para falar de Deus.

Queiramos ou não, a visão masculina predominou nos dois milénios anteriores. A visão feminina mostra-nos coisas para as quais estávamos cegos. Porque homens. Numa perspetiva global, penso que é mais importante a abertura à visão das mulheres, que é diferente (congresso), do que a defesa da vida (átrio), algo mais ou menos consensual e, quando há visões opostas (pensemos no aborto), irredutível.

Anónimo disse...

Caro vp,

grato pelas suas palavras. Como não percebe do que fala, fala e fala muito. Triste, sem dúvida, devido à miséria dos intervenientes do cristianismo "cá da terra" que, admitindo não ter arcaboiço para mediar um debate entre Ravasi e Damásio, impede a este último de vir a Portugal (e o faz ser substituído por um Lobo Antunes bem mais benigno). É por isso que pessoas com essa mediocridade parecem, de facto, estar a dar a comer, a quem as ouve, sabão azul. E depois, que caseirinhos foram na escolha dos intervenientes teológicos (já acerca do valor, aprecio o João Duque, embora pareça mais filósofo do que teólogo): tudo da cidade dos arcebispos para os de fora (de Lisboa, do Porto e não só) não ofuscarem as "vedetas" da casa. Mediocridade elevado ao máximo expoente, sem dúvida, por mais que lhe custe ler a verdade quando posta diante dos olhos. Mas serei benigno consigo: como não percebe do que fala, fala e fala muito.

Receio, Jorge, que uma teologia feminista seja menos católica do que devia. Não falam só de mulheres, mas por reacção ao que somente crêem existir, recusam-se terminantemente a incorporar o que a teologia "androcêntrica" diz, caindo, assim, no que censura, erradamente, naquela. Não vejo, de facto, a teologia feminista do mesmo modo que vejo a teologia prática, da libertação, etc. Estas abrem-se a quem pensa de todos os modos, aquela (basta ler as obras de Mary Daly), não.

Fernando d'Costa

Anónimo disse...

Meu caro Fernando d'Costa, realmente o tal “sabão azul” está a fazer muita falta mesmo por estes cantos e outros onde a humildade é precária e por isso, a opinião diferente é logo vestida de ignorâncias de quem se julga na posse da verdade, tal o esgrimir de “açoites” às figuras “tristes” que não percebem nada mesmo do cristianismo!

Palavra de honra que gostava de perceber onde é que em dois seres humanos iguais, diferentes apenas no género e nas suas configurações físicas, pode existir tanta “impossibilidade” de partilhar aquilo que é comum a todos, o Amor e a Graça…

Mas eu até percebo, esse bisturi das teologias que alguns (infelizmente são muitos ainda), desses aprendizes de Deus gostam de esgrimir nos seus argumentos que ainda cheiram terrivelmente a odores da superioridade do macho, transpondo e moldando através das suas teologias, tal ideia aberrante para a colarem depois a Deus, absurdos que são moeda corrente nessas casas tão cheias de mofo ideológico patriarcal onde infelizmente queimei algum tempo também da minha vida…

Quanto ao "falar muito", ainda bem que tive um Pai que sempre me ensinou que uma pedra é uma pedra e não um sapato…, percebeu… não tenho é culpa que alguns irmãos que na diferença que continuo a respeitar, (não disse acolher), ainda carreguem visões ao estilo dos Quijotes da Fé… que vêm “inimigos” do cristianismo em tudo o que faça sombra, nem que seja uma mulher!

Sim, tem razão, falei demais agora, porque o que deveria ter feito era ignorar os disparates que aqui escreveu!

Deus consigo…

vp

Anónimo disse...

Já agora, esses espaços onde se partilham visões sobre a Fé não estão reservados a “vedetas”… é ou deveriam ser um espaços onde todos pudessem conviver na liberdade e respeito pelo pensamento do outro, abrindo juntos caminhos, incluindo as mulheres, e sem as tais tentações “bairristas” hasteadas pelas bandeiras bordadas com esses brasões eclesiais e teológicos que abundam por os guetos das dioceses… de norte a sul! É uma maleita que dificilmente terá cura… mas eu ainda acredito no milagre!

vp

Helena V. disse...

Escreve, caro Fernando d'Costa, que receia que "uma teologia feminista seja menos católica do que devia"?. Do que devia?! Gostaria de percebê-lo melhor, mas pergunto-me se uma teologia feminista, por o ser (feminista), PODE ser "católica como devia"? Se calhar, não... (tenho que o pensar melhor)
E há várias "teologias feministas". A de matriz anglosaxónica (americana sobretudo)é naturalmente distinta da que, por exemplo, resulta do pensamento produzido em França. E a variável é bem mais a do felinismo do que a da teologia: há vários feminismos, como saberá.


olheNão falam só de mulheres, mas por reacção ao que somente crêem existir, recusam-se terminantemente a incorporar o que a teologia "androcêntrica" diz, caindo, assim, no que censura, erradamente, naquela. Não vejo, de facto, a teologia feminista do mesmo modo que vejo a teologia prática, da libertação, etc. Estas abrem-se a quem pensa de todos os modos, aquela (

Helena V. disse...

Ops. Peço desculpa: ignorar, pfv o último parágrafo do meu comentário anterior! É copy-paste do do Fernando d'Costa... Serviu-me para tê-lo presente enquanto reagia...

Anónimo disse...

Meus caros, esqueçam o sabão azul e branco : OMO LAVA MAIS BRANCO!

Anónimo disse...

Meu caro vp,

quem escreveu disparates aqui, não fui eu. Creio que sabe isso na perfeição, é por isso que as suas palavras são um dar uma no cravo (criticar-me por eu ter criticado) e oura na ferradura (o admitir, mesmo que não o faça de modo explícito, alguma razão na minha posição). Não se trata de humildade, mas de "opinião diferente", mas de "como não me sinto preparada, prejudico tudo isto em vez de me afastar". Se isso é ser cristão, então estamos conversados.

Tem razão: não percebo o motivo da teologia feminista recusar, por vezes com um ódio imenso, as visões tradicionais que estima ser meramente (esta é a palavra decisiva) androcentricas. Aquilo que diz, caro vp, da teologia tradicional, digo eu (pois confio na sua humildade pela opinião que lhe é diferente) da teologia feminista que critica, por exemplo, que se chame a Deus de Pai! (pobre Jesus, pobre revelação) por isso dar uma ideia errada de Deus, mas chama-a de Mãe (leia os livros e Carl Finley).

O meu pai também me ensinou a falar, mas só do que sei. O achar que eu estava a criticar a Isabel varanda por ser mulher (e feminista), foi o maior erro do seu falar muito: é mulher, de facto, mas abomina o feminismo. Mas ainda bem que está de acordo com o bairrismo do "Átrio": só prejudica o próprio evento. Onde estão Anselmo Borges? Borges de Pinho?...

Fernando d'Costa

Anónimo disse...

Cara Helena V,

grato pelas as palavras. Então é assim: católico quer dizer "universal"; uma teologia (androcêntrica ou ginocêntrica) é, por natureza, tudo menos católica. Medice cura te ipsum: não é intelectualmente honesto criticar aquela e cair nesta como é frequente na teologia feminista.

Fernando d'Costa

Anónimo disse...

escrevi:

Não se trata de humildade, mas de "opinião diferente"

queria dizer:

Não se trata de humildade, ou de "opinião diferente"

Fernando d'Costa

Helena V. disse...

Certo, caro Fernando d'Costa. "Katholikos", do grego significa isso: universal, geral. Falamos da Igreja paulina, universal, onde "Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem e mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus." (Gl 3, 27-28). Precisamente por isso, e porque - não o negará - qualquer teologia é situada sem necessariamente ser exclusivista, porque expressão de uma experiência de Deus concreta e, por isso, de comunhão fraterna com toda a humanidade (veja as cartas de Paulo, tão orientadas para o que seriam os desafios, as realidades de cada comunidade cristã, e tão unificadas em Jesus como via e salvação para todos/as), uma "teologia feminista" é absolutamente legítima e, sim, neste sentido etimológico, católica. Se reajo com dúvida quanto a poder ser "católica" - e acrescento - estritamente apostólica romana(como no meu último comentário), é pela razão que as suas palavras me parece revelarem: a Igreja Católica, como corpo doutrinal (e, infelizmente, com tantos traços de anti-catolicismo, no sentido etimológico)não inclui na sua catolicidade, como devia (aqui sim: COMO DEVIA!) a teologia no feminino.
Quanto à "teologia feminista" que diz conhecer (em que uma das grandes questões é a paternidade ou maternidade de Deus), permita-me dizer-lhe que há outras reflexões, outro pensamento, que, felizmente para todos/as nós, já não se ocuopa destas "bizantinisses". Felizmente para todos nós - escrevia-lhe. É assim, caro Fernando d'Costa. Ganhamos todos muito com esta pluralidade, com a caleidoscopia que, pela diversidade do que somos (reconhecida como boa pelo próprio criador!) nos revela (nos permite "tocar"...) o incomensurável infinito que Deus é.
Se tiver oportunidade, convido-o a vir ao encontro sobre Teologias Feministas. Podemos conhecer-nos e conversar mais.

Anónimo disse...

Ah... agora percebo a razão das minhas palavras a terem agitado. Sabe perfeitamente que a citação de Paulo não implica uma igualdade (como se varão=fêmea), mas uma equivalência (valor varão=valor fêmea), não?

Mas adiante.

Pois. Certo. Mas não se deve absolutizar, jamais, a experiência sem ter em consideração a dos demais. Mais: a verdadeira experiência da fé é uma experiência que, por se dizer da fé, coloca-se no meio da comunidade crente e por ela aceita ser aferida com caridade e humildade. Acontece isso sempre na Igreja Católica? Não: sempre houve preconceitos misturados com princípios teológicos. Acontece isso com a teologia feminista? Não: existem preconceitos misturados com princípios teológicos. Temos todos que fazer caminho, mas não creio que o pôr-se numa posição de afirmação do exclusivismo de uma tese (feminista) seja católico. Não o é (do mesmo modo que uma teologia androcêntrica não o é). Mas creio que a teologia "mainstream" católica é, nos nossos dias, mais inclusiva do que a teologia feminista que, além de dar um legítimo e necessário contraponto aos exageros androcêntricos daquela, parece, como já disse, cair frequentemente no extremo oposto de negar tudo o que tiver um cheiro a masculino (como se essa dimensão da humanidade tivesse que desaparecer).

Não. O congresso não tem temas, nem participantes (com a excepção da Borresen que conheço de artrigos) que me interessem particularmente. Embora sejam mais apelativos do que os do "Átrio".

Fernando d'Costa

Helena V. disse...

Caro Fernando d'Costa. Como as mulheres têm sido "as demais" na Igreja CAR(e, por isso, Igreja quantas vezes mais Romana que Católica),trata-se só de valorizar o pensamento / ponto de vista das mulheres no que toca à Teologia. E quer-se, por mais que lhe custe perceber (e/ou aceitar), uma teologia "inclusiva", sim. É pena não se disponibilizar para vir, mas pode sempre procurar ler outras fontes para além das que revelou conhecer (que, concordo consigo: são pouco interessantes). Penso que ficaria menos "agitado", mais tranquilo, como só podemos estar, se estamos a bem e numa atitude integradora. É que o diferente e o novo não é sempre contra-corrente, ameaça; faz parte do fluxo prodigioso da Vida em Deus, que "torna novas todas as coisas". Se o meu ser-mulher me permite ir percebendo isto, tenho a certeza de que o seu ser-homem também lho permitirá. Conhecer-nos-emos noutra ocasião.

Anónimo disse...

Só uma pergunta à Helena V. se me permite!

Os conteúdos que ali vão ser partilhados estarão depois acessíveis ao público na net? Se sim, onde?

Grato.

vp

Anónimo disse...

Cara Helena,

não estou minimamente agitado. Mas admito que não gosto de proselitismo. Seja este islâmico, das Testemunhas de Jeová, ou de proponentes de teologia feminista de photoshop. Formo a minha opinião no mais amplo leque das minhas leituras e contactos pessoais. Não lhe parece pouco humilde dizer: "essas posições não são as melhores; nós é que somos a verdadeira teologia feminista"? A mim sim. A teologia feminista é o que quem a escreve e divulga mostra que ela é. Há um leque de teologias feministas? Seja. Mas todas o são. E, pelo que disse, muitas são tudo menos Católicas como até o seu nome o manifesta: ao contrário da teologia pastoral, da teologia prática, da teologia da libertação (que se caracterizam por metodologias e focos de acção que podem ser verdadeiramente católicos) a teologia feminista caracteriza-se pelo sujeito que a faz e rejeita, por exemplo, todo o contributo feminino que não esteja de acordo com um acenar de slogans anti-catolicismo romano. Sabe? Tenho imensa alegria por ser Católico Romano (sigo, de coração livre e adulto, um Bispo de Roma como guia humano de uma comunidade de fiéis). Mais romano do que Católico? Bom, então a solução é fazê-lo mais católico e não vejo como é que o seguir uma teologia ideológica que cai precisamente no erro que critica à Igreja romana o fará.

Sim certamente que nos encontraremos. Quanto mais não seja por estes fóruns. Até lá desejo-lhe que conheça melhor o que é a teologia feminista nos seus princípios identitários aglotinadores..

Fernando d'Costa

Helena V. disse...

Caro Fernando d'Costa,
relativamente à divulgação dos textos do encontro de Teologias Feministas, já me informei para lhe poder responder. Este ano, sairam em livro os textos do encontro que teve lugar no ano passado. No ano passado, sairão os deste ano, também em livro. Parece que se está a perspectivar um site, onde tudo passará a ser publicado de forma mais económica e ecológica.
Em reacção ao seu comentário, permita-me dizer-lhe que, daquilo que me é dado conhecer sobre a reflexão desenvolvida neste contexto particular (e não conhecerei tudo), não se trata de fazer "proselitismo"; é só mais uma voz, neste caso de mulheres, que sentem ter algo a dizer, a acrescentar e (por que não?) a contrapôr. Continuo a achar que isso só pode ser saudável. Quando nos ouvimos, descobrimos aquela verdade de cada um, a forma como formula a questão de Deus, o seu caminho de busca. É que nada disto (das "coisas de Deus") é fácil para ninguém. É por isso muito bom a pluralidade das vozes, das palavras ardentes que o digam, aquilo que nos irmana afinal: a imensa perplexidade, a incompreensão, condição para que a fé não seja senão um pacto de confiança com o invisível.

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