quinta-feira, 3 de maio de 2012

Miguel Esteves Cardoso escreve uma carta a Deus. Podemos lê-la sem violar correspondência

Linda e triste a carta a Deus de Miguel Esteves Cardoso no "Público" deste 3 de maio. O judeu, o marido da noiva judia, só pode referir-se ao nosso Antigo Testamento. Mas há mais do que Job. "Faz o que só um Deus pode fazer: Reduz-te à tua significância. Que é tão grande". Quero ver a resposta de Deus.

14 comentários:

HD disse...

Está na moda desacreditar Deus e será sempre bom tema, para garantir ordenados....

HDias

Anónimo disse...

Triste texto. Dá pena. Pela dor que expressa, certamente e perante a qual apenas posso dizer "aqui me tens", mas sobretudo pela imagem deturpada que, sob a máscara de uma intelectualidade bem lavrada, manifesta o autor ter de Deus e de tudo o que se relaciona com este.

Deve, e talvez a Igreja tenha "responsabilidade" nisso, o autor ter crescido em todos os parâmetros da sua vida à excepção da dimensão religiosa e não se dá conta disso: é um adulto com uma compreensão de Deus análoga à sua roupinha de baptizado.

Talvez ele não as queira, nem as aceitasse, mas as minhas preces estão com ele e os seus. A, por ser Amor (e não o ter inventado), grande insignificância de Deus é infinitamente mais capaz do que aquilo que imaginamos.

Fernando d'Costa

Anna Cecília Sobral disse...

Deus perdoa, pois Ele sabe o quanto dói à todos nós, insignificantes seres humanos, perder a quem amamos.

Anónimo disse...

É curioso como lemos o mesmo texto e lemos mensagens diferentes...
Considero este texto de Miguel Esteves Cardoso um grito a Deus, uma apelo ao Deus imenso e intangível, um texto de Verdade, um apelo da humanidade na busca eterna de Deus.
Deus que é Amor, segura com mão firme estes seus filhos como todos os outros.
Miguel Esteves Cardoso abre o coração e não deixa de lado a sua inteligência nem o cuidado na escrita e dirige-se a Deus na verdade da sua procura, do seu amor à Maria João, na vontade do seu amor de que ela permaneça perto dele.
Miguel Esteves Cardoso aproxima-se de Deus e não finge nem adota palavras rituais, e Deus decerto o ouvirá porque Deus compreende a linguagem do amor.
Pelo Miguel e pela Maria João só podemos rezar para que sejam capazes de viver com o amor de Deus que brota de um pelo outro este momento doloroso mesmo que termine com a despedida até à eternidade. Que sejam capazes de agradecer a graça de se terem encontrado e amado.
Teresa Mendes

Anónimo disse...

Bonito, Teresa Mendes.
Mais palavras para quê?

Anónimo disse...

Gostei muito do texto. Sou crente.

À Teresa deixo um grande obrigada. Dar a ver é caridade.

SilverTree disse...

Porque Deus compreende a linguagem do amor. Nem mais, Teresa, nem mais.

E aquilo que primeiro se reconheça neste texto (um ataque a Deus que nem uma dor tão profunda justifica, ou um grito de amor num momento impossível?) também diz muito acerca da linguagem de quem o lê.

Anónimo disse...

Creio que anda gente muito enganada. Mas posso estar enganado. Parte do sofrimento de MEC deriva da imagem caricatura e irreal que possui de Deus. Desde logo, e na raiz da sua mundividência distorcida, está o falar de um Deus "invejoso", mas a Bíblia apenas diz que Deus é "ciumento". A diferença é total! O "invejoso" quer dar sofrimento e o "ciumento" sofre. Tudo o mais, como um labirinto de dominós, decorre daqui. A linguagem tem importância e é pena, não para mim (nem Deus), que MEC não tenha, querido ou podido, crescer na linguagem religiosa cristã para viver o que experimenta de outro modo. Mas posso estar enganado.

Fernando d'Costa

SilverTree disse...

Percebo o que o Fernando quer dizer, mas perante a monumentalidade de uma dor assim, não me parece que seja o momento nem a crónica certa para este tipo de escrutínio (o que não quer dizer que não possa - ou não deva – suscitar algum tipo de reflexão).

E serei ingénua, mas mesmo em termos de correcção da tal visão caricatural que MEC terá de Deus, acredito mais no poder de uma compaixão serena, sinal de um Cristo que sabe chorar connosco antes de nos corrigir. É essa precedência infalível e obrigatória da Caridade que não consigo ver na maioria das críticas a esta crónica.

Se ainda assim se insistir no escrutínio, tenho mais simpatia pelo tom de Tiago Cavaco aqui:

http://vozdodeserto.blogspot.pt/

(A 04 Maio 2012 - não consegui achar um link apenas do post em questão.)

Anónimo disse...

Pois. Mas a questão persiste: quererá, de facto, MEC que Deus o ouça? Ou deseja que não o ouça para poder continuar a destilar contra ele o seu ódio costumeiro? As suas palavras levam-me a inclinar para esta segunda alternativa (e se o ouvisse nada mudaria; a destilação continuaria, estou certo: a sua posição de intelectual anti-cristão assumido é demasiado egocêntrica para permitir uma conversão).

A Caridade não pode ser inseparável da Verdade. MEC tem toda a minha compreensão e afecto, mas também a chamada de atenção de lhe dizer: "meu caro: Deus é, voluntariamente, infinitamente insignificante, pois sendo Amor é Humilde, e te ouvirá sempre, porém estás enganado sobre ele e se o tivesses querido conhecer melhor talvez não sofresses tanto, mas certamente o farias com outro sentido".

Mas não leiam as minhas palavras apenas como uma censura a MEC. Talvez mais a uma Igreja que não soube/quis ter um discurso que desse a conhecer o verdadeiro rosto de Deus.

Fernando d'Costa

Anónimo disse...

Escrevi: "talvez não sofresses tanto, mas certamente o farias com outro sentido", mas desejava escrever "talvez não sofresses menos, mas certamente o farias com outro sentido".

Fernando d'Costa

HD disse...

A infelicidade, toca qualquer um!
Crente ou não, é dificílimo superar uma "via sacra"…

A dor de MEC… não é mais nem menos dolorosa , que outras "vias sacras" que decorrem neste exacto momento, de gente desconhecida ….um pouco por todo o lado.
Deus sabe o que faz, a quem e como acolhe. ..e nem sempre entendemos o porquê.

O único detalhe evitável em MEC, é utilizar a figura de Deus,que aparenta não acreditar, para publicamente num exercício literário, exorcizar uma dor pessoal.

Mas há casos análogos, que afirmam que Deus é Pai apesar de tudo, que nunca irão ter as luzes da ribalta em nenhuma crónica de jornal.(nos media, este tema não é do agrado das grandes audiencias)

Há cerca de 1 mês atrás,numa madrugada a percorrer a cidade, um sem abrigo contou-me uma parcela da sua vida …em resposta á minha pergunta “ porque andava, com uma pequena Bíblia na mão”.

Eis a história curta e dura…
A vida destroçou-se a partir do momento, que a esposa teve uma doença grave e sendo de poucas posses, tudo gastou, vendeu a casa, os bens, endividou-se,para tratamentos no estrangeiro…a sra acabou por falecer…e ele acabou arruinado…. veio parar á rua,vivendo da caridade alheia,sem familia e sem amigos.

Mas eis o “anormal”
Afirmou – “perdi tudo, mas tenho duas certezas : que um dia estarei com a minha esposa e que Ele apesar de tudo, não me abandonou,embora todos se terem esquecido de mim” - e apontava com o dedo magro lá para cima- “Por isso entretenho-me a ler a Bíblia na Igreja de S. Nicolau, á espera que Deus me leve”.

Não havia revolta com Deus.
E atendendo á idade, há condição frágil e grau de indigência, espantei-me com a perfeita sanidade e convicção das suas parcas palavras: apesar de tudo confiava Nele!

Era um homem em PAZ, que sorria, apesar do inferno que o envolvia.
Mesmo para um crente, isto é esmagador.

Nunca mais vi o Sr Abílio, apesar de o ter procurado posteriormente.
Espero que Deus, tenha cumprido a sua parte.

Se calhar poderia ter sido bom, o MEC cruzar-se com ele…ajudava-o a apaziguar a dor e a revolta sentida.

HDias

Anónimo disse...

Pois... no Público de hoje MEC agradecia a salvação da sua MJ a todos: médicos, enfermeiros, pessoas que morreram em operações semelhantes, quem lhe enviou palavras de alento, quem rezou pela MJ, mas nada de nada sobre Deus. Nada que não fosse de esperar.

Fernando d'Costa

Anónimo disse...

Que presunção a nossa julgar as histórias de vida das pessoas com quem nos cruzamos. São únicas: sentidas e partilhadas de forma única. Nem mais fáceis, nem mais difíceis; nem religiosas nem ateias...

MEC teve a humildade de partilhar a sua intimidade e fê-lo como sentia. Só nos resta ouvir e respeitar.

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