terça-feira, 3 de janeiro de 2012

3 de Janeiro de 1962. Fidel Castro é excomungado


Fidel Castro nas Nações Unidas, em 1962

Se fosse depois do II Concílio do Vaticano, duvido que Fidel Castro tivesse sido excomungado. Mas o concílio só começaria uns meses mais tarde. Aliás, nesta altura, ainda havia a ideia de que um concílio novo não era necessário porque não havia heresias novas a condenar nem dogmas a declarar.

Fidel Castro foi excomungado no dia 3 de Janeiro de 1962, por João XXIII, no seguimento de um decreto de Pio XII, de 1949, que determinava a excomunhão dos católicos que se declarassem marxistas-leninistas.

Ora Fidel, batizado na fé católica, antigo aluno de jesuítas, além de se proclamar comunista e de determinar que o Estado cubano é ateu (desde 1992 é “laico”), expulsou 131 padres e fechou escolas católicas.

Entretanto as coisas mudaram, tanto em Roma como em Havana, e em 1998, a quando da visita de João Paulo II, Fidel Castro assistiu com o seu governo a uma missa, a primeira desde a infância – dizem (li aqui).

A excomunhão não foi levantada, mas isso não deverá tem qualquer influência na visita de Bento XVI a Cuba no final do próximo mês de Março.

Nota: A partir de hoje vou seguir o Novo Acordo Ortográfico para a língua portuguesa.


Nota de 2 de abril de 2012: Afinal, Fidel Castro não está excomungado. Ver aqui.

7 comentários:

Anónimo disse...

Pois... e Fidel ficou preocupadíssimo com isso, claro! Lol!

Anónimo disse...

Vai seguir o Desacordo Ortográfico ?
Afinal é um blogue "politicamente correcto"... Sempre pensei que um blogue católico não apoiaria o crime,
neste caso um crime linguístico, crime contra o património cultural do povo português. Mas enfim, como no antigamente, o chefe manda e há que obedecer. Sempre, sempre ao lado do chefe!... Assim foi, assim será na catolicíssima e obedientíssima e reverendíssima Europa católica !

Maria de Fátima disse...

Não sei se chegará a ser "crime", mas segundo sou informada ainda não está em vigor ( falta a ratificação de dois países .
E eu também sou contra e escrevo de acordo com a anterior ortografia.

Jorge Pires Ferreira disse...

Em relação ao acordo, que tem algumas regras absurdas e estúpidas, é para mim óbvio que se trata de uma cedência da minha parte passar a segui-lo. Mas trata-se apenas da adesão a uma convenção e não de uma questão de consciência. Era o que faltava.

Anónimo disse...

Quem foi que disse que "Deus está no pormenor" ? Parafraseando, Deus está na ortografia... Não se trata de simples "adesão" a uma mera "convenção"... As leis raciais na Alemanha hitleriana e na Itália fascista (passe a enormidade da comparação), quando começaram e enquanto vigoraram, também foram percepcionadas por milhões de alemães e de italianos como "convenções"... É sempre esse o caminho : trata-se de "simples adesões" a "meras convenções"... É a estrada real do conformismo...

Jorge Pires Ferreira disse...

Caro anónimo das 19h43, que Deus esteja nos pormenores, seja a frase de Flaubert ou de Mies van der Rohe, não há dúvida. Acredito que Deus está em todo o lado.

Que a comparação com o nazismo é exagerada, sem dúvida que é. Num aspecto concordo com Rui Tavares: quem numa discussão primeiro invoca o nazismo para atacar o outro perde. Porque leva as coisas para o campo do incomparável. Mas adiante.

Quanto ao acordo,continuo a dizer que é só uma convenção. Podemos achar que é estúpida (e tenho algumas razões para concordar, porque, por exemplo, julgo que pára, de parar, deve levar acento; julgo que a diferença com o Brasil não fica resolvida, ou que a aproximação da escrita à oralidade comporta falácias...), mas não me parece que seja maliciosa ou faça de quem a segue pessoas de pouca integridade.

Por outras palavras, critique-me pela minha pouca inteligência na adesão ao acordo - tenho razões substantivas e poderei apresentá-las -, mas não pela minha integridade moral.

Conformismo? Em relação a esta questão menor, porquê criar mártires? Vamos ver como vai ser daqui a dois ou três anos. Veremos se o sr. mudou ou se terei de ser eu a regressar à norma antiga.

Anónimo disse...

Tenho o maior respeito pela sua integridade moral, caro Jorge, se me permite tratá-lo assim.
O Acordo Ortográfico de 1990. para quem fala e escreve em português, não é uma questão menor.
Sou contra. Contra o "Acordo", marchar, marchar...
Não tenciono mudar : nem daqui a três, nem daqui a trinta anos, se Deus me der vida e saúde para lá chegar...

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