sábado, 17 de dezembro de 2011

Agora a Holanda

Wim Eijk, arcebispo de Utreque, e Cees van Dam, presidente da Conferência Religiosa Holandesa, numa conferência de imprensa sobre o "relatório Deetman"

Na Holanda, de 1945 até aos dias de hoje, o número de crianças vítimas de abuso sexual por parte de 800 membros da Igreja, padres e leigos, em instituições da Igreja, pode chegar aos 20 mil (notícia da Ecclesia aqui).

O Padre Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, diz no DN de hoje que “as tristes e reprováveis excepções não podem ser consideradas regra geral”. Não responde sobre os abusadores, mas antes à pergunta: “A Igreja tem sido criticada por «fechar» os olhos à pedofilia entre padres. Considera a crítica justa?”

Mas cada vez que sai uma notícia deste género, fica sempre a pergunta: É isto mais uma excepção? Estados Unidos, Irlanda, Reino Unido, Bélgica, Áustria, Alemanha, Holanda… Tantos países dilacerados por tantas excepções. Salvam-se os países latinos desta tragédia? Nos países latinos não houve abusos ou há outro entendimento do poder clerical, da denúncia, da sexualidade e da própria justiça?

Agora a igreja parece unida no escrutinar e reprimir os pedófilos. O bispo, que é pai para os seus padres, deve ser espião e polícia. Por isso, lamentam agora o que não conseguiram ver durante anos e anos. Se viam, a obrigação de então era ocultar, proteger, como o bom pai deve fazer.

O relatório holandês “aponta o dedo ao celibato obrigatório” (DN). Se o Papa, os bispos, alguns padres continuam a dizer que não está em causa o celibato obrigatório (não existe o facultativo no catolicismo ocidental), o que está em causa? A instituição a pertencem os abusadores? A alternativa é, se formos mais radicais, questionar a própria concepção do sacerdócio ministerial e da missão dos padres.

2 comentários:

Anónimo disse...

Atenção 1%, os 99% estão a acordar!

Anónimo disse...

Hala Tribo!

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