domingo, 13 de Novembro de 2011

A metafísica das fraudes, segundo José Rodrigues dos Santos

José Rodrigues dos Santos responde no "Público" de hoje a algumas objecções que Teresa Martinho Toldy tinha posto ao romance e que o jornalista não seguiu. Penso, como a teóloga, que as objecções são sérias, como aliás realcei aqui.


Em resumo, para Rodrigues dos Santos, se eu disser que quem me deu um certo livro foi o meu pai, por estar convencido de que realmente foi, e depois vier a descobrir que foi a minha mãe, sou mentiroso. Fraude. Mas não sou. Apenas estava enganado (não interessa o motivo). O que não é verdade - ou então, a mentira - nem sempre é fraude. Pode ser engano.


Quando antes de Copérnico e Galileu se dizia que o Sol andava à volta da Terra, as pessoas estavam enganadas mas não eram necessariamente fraudulentas. Ora, a Terra tanto anda à volta do Sol agora como andava quando se dizia o contrário. Eram todos fraudulentos? Ele que tire as conclusões.


Para mais, de facto, dentro das concepções que tinham, os cristãos recusaram imensos evangelhos como não canónicos - chamemos-lhe fraudes. Ler alguns destes evangelhos - estão publicados -ajuda a perceber como a escolha da Igreja foi acertada.

7 comentários:

Anónimo disse...

Já li livros de ficção e romances que que punham em causa várias religiões. Nunca vi um livro gerar tanta polémica como este que em estilo literário nem sequer é interessante, o que é uma pena. O José Rodrigues dos Santos escreve bem e neste livro não o demonstra. É um livro banal. Por isso não entendo as "comichões" dos católicos e seus "acólitos". Nem os "Versículos Satânicos" fizeram tanto alarido! Já não há pachorra para tantos comentários, venham eles de quem vierem: seja dos "críticos", seja do próprio autor...

maria disse...

Das maiores ameaças que nos rondam são a passividade e indiferença.
Tudo o que é posto à nossa consideração deve ser analisado e colocado em questão. Supõe-se que seria o trabalho, como escritor, do José Rodrigues dos Santos e dos seus leitores.
O debate de ideias nunca será demasiado. E muito menos num país (e parece-me que é um problema global)onde se está pouco habituado a pensar e, sobretudo, pela própria cabeça.
Claro que há que saber dirigir a discussão. Se ficamos na dicotomia: apologetas cristãos e não cristãos ou a minha religião leva mais críticas do que a tua etc., estamos a condicionar e a frustrar o tal saudável debate.

Anónimo disse...

Também assino o comentário que Maria deixou. Penso da mesma forma.

Anónimo disse...

Olhem à volta. Vejam o que se passa. Já reparam que o Mundo está em crise? E que tal debaterem os motivos VERDADEIROS da crise, da FOME, da MISÉRIA, do enriquecimento ILÍCITO, da GUERRA, da MALDADE, em vez de gastarem o vosso tempo a debater que o José Rodrigues dos Santos coloca a vossa preciosa religião em causa? E se colocassem por um bocadinho o vosso EGO ENORME de lado e olhassem para a REALIDADE?

maria disse...

Anónimo já experimentou encetar uma caminhada com um grão de areia entre o pé e o sapato? Não estou a chamar grão de areia ao JRS. Apenas a referir que temos de dar a nossa atenção às coisas grandes e às pequenas.
O cristão não é chamado a outra coisa que a olhar para a realidade e agir sobre ela.
Imaginar que se consegue dedicar a vida a abraçar grandes ideais, esquecendo as trivialidades que nos cercam diarimante é um bom caminho para a ilusão e para o comodismo. Porque mais depressa que o galo cante, já nos apercebemos como são frágeis os nossos propósitos.

Jorge Pires Ferreira disse...

Claro que há coisas mais importantes que JRS e qualquer livro. Ninguém nega isso. O amigo que apelou ao debate sobre a fome, miséria, guerra e outros cavaleiros do apocalipse devia estar a resolvê-los, pela sua ordem de ideias, em vez de andar por cá. Na realidade, penso que é melhor andar por cá, sem deixar de pensar e tentar resolver esses problemas.
Respondendo ao primeiro anónimo, não há nenhuma fixação em JRS. Há sim, em Jesus Cristo, nos livros que falam dele e da Bíblia, na questão cristã, católica, teológica e cultural. É disso que este blogue fala, quer o pretexto seja Pullman, Saramago, Rodrigues dos Santos ou Guy Fawkes. Obrigado, Maria pela sintonia de ideias.

Anónimo disse...

Ó Maria, que o JRS tem sido um pedregulho no sapatinho da Cinderela já nós tínhamos reparado :).
Viva o "orelhas"!
Um grupo de admiradores do JRS, e também deste excelente blogue.