quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Refletir ainda não é rezar

Não deixa de ser curioso que ao mesmo tempo que, com algum deslumbramento, se apresenta o Click to Pray na web Summit (o Click to Pray é para rezar online com o Papa), o Papa diga:

“A Missa não é um espetáculo: é ir ao encontro da Paixão e da Ressurreição do Senhor. Por este motivo é que o sacerdote diz «corações ao alto». O que é que isso quer dizer? Lembrem-se: nada de telemóveis”.

Evidentemente, o "nada de telemóveis" refere-se ao uso de telemóveis na celebração, não ao uso para ver a celebração (se estiver a ser transmitida), nem ao uso deles para rezar.

Mas a minha questão é: pode-se mesmo rezar pelo telemóvel, pelo pc, pelas redes sociais, clicando e acendendo velinhas digitiais? Presumo que sim. Alguns fazem-no.

Mas soa-me sempre a "isto não é bem oração". Pelo menos é o que sinto, estando inscrito em algumas dessas coisas, fazendo douwnloads, clicando aqui e ali, rezando enquanto caminho ou faço outras coisas, como propõe um dos sites.

Suponho que há infoincluídos que dão valor à coisa. Não é o meu caso. Não cola. Refletir - e já não é mau - ainda não é rezar. Não consigo ver uma missa online sem me apetecer fazer outras coisas mais interessantes e úteis, relacionadas com a fé cristã (ler a Bíblia, por exemplo). Rezar enquanto se faz outra coisa faz sempre lembrar aquela tirada entre um noviço e um superior:

- Posso fumar enquanto rezo?
- Claro que não. A oração exige concentração.
Outro noviço ouve a conversa e diz:
- Palerma. Devias antes ter perguntado se podes rezar enquanto fumas.

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