domingo, 6 de outubro de 2013

Como reformar o Vaticano

Thomas J. Reese

Por estes dias em que se tem falado da reforma da cúria vaticana, veio-me à memória um artigo que li há uns tempos sobre “Reformar o Vaticano”. O autor do artigo é Thomas J. Reese, um jesuíta.

Em português, o padre norte-americano que já foi diretor da revista “America” tem publicado o livro “No interior do Vaticano”, nas edições Europa-América, que é de longe o melhor livro em português, mesmo que haja outros sérios (conheço mais dois ou três, mas são panfletários) para perceber como funciona a organização vaticana (funções papais, sínodos, colégio dos cardeais, cúria romana, finanças do Vaticano, etc.).

E agora a nota de humor. Conta Reese, na página 197:
“O consultor de uma congregação organizou os cinco «não» para se sobreviver na Cúria:
Não penses.
Se pensas, não fales,
Se pensas e falas, não escrevas.
Se pensas e falas e escreves, não assines o teu nome.
Se pensas e falas e escreves e assinas o teu nome, não fiques surpreendido.”
Ele sabe do que fala. Ora, no tal artigo - não está no livro citado -, Reese explica seis propostas concretas para a reforma do Vaticano. São elas:

1. Transformação do Vaticano de uma corte real para uma burocracia.
2. Fortalecimento dos grémios legislativos na igreja.
3. Transformação das congregações em comissões sinodais eleitas.
4. Criação de um poder judicial independente.
5. Eleição dos bispos.
6. Fortalecimento das conferências episcopais.

Antes de estranhar ou contrariar algumas destas proposições, convém ler o que Reese escreve em concreto. O artigo, condensado, pode ser lido aqui (formato PDF).

Tenho quase a certeza de que o Bispo de Roma – uma vez jesuíta, jesuíta para sempre – conhece o artigo.

Thomas J. Reese termina assim:
¿Qué oportunidades reales tenemos de que estas reformas se produzcan? Como sociólogo debo contestar: prácticamente nulas. La iglesia está regida actualmente por grupos que se refuerzan unos a otros y que saben perfectamente que esta reforma restringiría su poder. Y esto es exactamente lo contrario de su teología de la iglesia. Pero como cristiano católico debo seguir esperando.
Há tempos, no rescaldo das congregações gerais e da eleição papal, o jesuíta voltou ao tema no "National Catholic Reporter". Escreveu, entre outras coisas, o que quase já me pareceu ouvir da boca de Francisco:
My own prescription for reforming the Curia is based on the supposition that it should be in service to the pope as head of the college of bishops. It should be organized as a civil service and not part of the hierarchy of the church. 
Ler tudo (no NCR) aqui.

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