quarta-feira, 3 de abril de 2013

Prudência, Francisco, prudência


Contaram-me uma vez que quando o anterior superior geral dos jesuítas foi eleito, Peter Hans Kolvenbach, este disse “estou aqui” e apresentou-se apenas com uma mala de mão. Dentro da mala havia uma folha em branco e uma esferográfica.

Lembrei-me disto a propósito do Papa Francisco, que, como já várias vezes ouvi, “parece que é Papa desde sempre”, embora só o seja desde 13 de março. Talvez tenha pensado muito nisso durante os últimos oito anos, se teve votos em 2005.


Por estes dias circula por aí esta comparação dos dois Papas. Não creio que a ostentação seja própria de Bento XVI. Julgo antes que Bento, pela sua humildade, vestia tudo o que lhe apresentavam, sentava-se onde diziam para se sentar e, se alguém lhe dava um chapéu antigo e ele o punha, de imediato iam sacudir o pó de outro ainda mais antigo a pensar que o Papa gostava. Nunca dizia não, mas nas coisas do vestir e aparecer, ele era apenas o quarto ou quinto da hierarquia da moda papal.

Já Francisco, para desgosto dos tradicionalistas sentimentaloides, parece que diz não a muita coisa, principalmente a vestimentas e dourados cujo sentido se perdeu. E diz sim a outras como dar beijos a mulheres como forma de cumprimento. Não tarda nada, estão a pedir prudência ao Papa imprudente.

19 comentários:

Anónimo disse...

Sontinue Santidade, continue. Queremos uma Igreja simples, despojada e próxima. Uma Igreja à imagem de Jesus.

Maria João Brás disse...

Agradeço as suas gentis palavras em relação ao Papa Bento.Penso que ao seu jeito também foi sempre de uma grande humildade - como aliás o Papa Francisco referiu no encontro entre os dois.
De facto, muitas vezes, sob algumas mitras mais elaboradas, o olhar fazia um grande contraste, e a própria maneira como acenava fazia parecer que preferiria seguir cabisbaixo a ser objeto de tão grande atenção.
Sei que é tempo de comparações,mas tem havido algum abuso. A simplicidade do Papa Francisco, a meu ver, até provoca muito mais ruído, isto é tem o potencial de dificultar a mensagem porque se discute sobretudo o "escândalo" deste ou daquele comportamento. Oxalá passe este tempo das diferenças para voltarmos depressa ao essencial.

Anónimo disse...

concordo em absoluto com tudo o que disse. provávelmente não vai concordar com o que eu vou dizer. Acho que João Paulo II actuou com o carisma da sua personalidada para mexer as aguas paradas, a seguir veio Bento XVII mestre e professor da doutrina, depois do trabalho de preparação do terreno destes dois Papas, chegou aquele que vem mandar as pessoas (os catolicos) arregaçar as mangas e partirem para o terreno concreto onde terão que ser o rosto de Cristo e é claro que nestas alturas há sempre aqueles que não estão para isso...mas eu refiro-me não tanto à curia e consagrados (ainda q também) mas essencialmente a todos nós - ou seja somos convidados a sair da zona de conforto. Nos ambientes progressistas todo o enfase é dado à curia e à organização da Igreja e as pessoas perdem horas e quantidades loucas de energia a bater nessa tecla, como se o principal problema estivesse aí, quando essa mesma organização está desde sempre no terreno a tratar dos pobres dos doentes e daqueles que mais ninguém quer tratar. os leigos e o comum dos católicos o que é que andam a fazer? Neste sentido os gestos de Francisco são importantes e como disse muito bem não significam o contraponto a uma qualquer atracção de Bento XVI pela ostentação.
(aproveito para lhe desejar as melhoras da prole
Jacome

Anónimo disse...

O problema é o comportamento do actual Papa não corresponder à norma. Deveria ser. Venham os servos do Reino.

Anónimo disse...

Claro que Bento XVI é um homem simples. A sua timidez saudável prejudicou-o muito. Isso era claríssimo.

HD disse...

Pois é este Papa começa a incomodar muitos de nós católicos,pois quere-nos desinstalados ! Aliás já começou a critica aberta dos sectores tradicionalistas ao Papa Francisco,por ter ousado lavar e beijar os pés a 2 mulheres... na ultima quinta feira santa. Parece que os que adoram os detalhes da liturgia rustica, se esquecem de quem é o seu próximo... Francisco um Papa no tempo certo para uma Igreja que deve ser enviada a evangelizar com o exemplo fora das ameias das catedrais.
HDias

Anónimo disse...

Excelente postagem. Entre Bento XVI e Francisco não consigo dizer quem é o mais humilde. Os dois parecem ser mestres na humildade!

Anónimo disse...


Caro Jorge,

penso que o que diz a propósito de Bento XVI é justo. E espanta-me um certo à vontade das pessoas em classificar a humildade alheia, às vezes com uma certeza que oscila entre a ciência e a profecia.

Quanto ao resto, acho que o Jorge fará a justiça de distinguir um ortodoxo de um tradicionalista. De resto, os tradicionalistas são muito parecidos com os progressistas: têm um projecto para a Igreja e não aceitam que a Igreja tenha um projecto para eles.

Os beijos não têm qualquer relevância pois, como bem sabe, as reformas sonhadas por certos católicos têm em vista liberalidades bem mais extensas. Mas, vivendo eu num país assolado pela prática dos "beijinhos" (no escritório onde trabalho consigo ficar enjoado todas as manhãs), confesso que me causa desgosto ver o Papa capitular perante tal costume.

Saudações, Rui Jardim

Anónimo disse...


Referia-me apenas, e quero esclarecê-lo, a essa praga que leva as pessoas a passarem os dias a darem e a mandarem "beijinhos" a gente que mal conhecem. Não me referia ao facto, que em nada me incomodou, de o Papa lavar e beijar os pés de mulheres.

RJ

Anónimo disse...

Obrigado amigo Jorge por este post...

As melhoras...


Peter

Anónimo disse...

O Papa Francisco, pelas atitudes a que alguns não estão habituados e que outros até então colocavam de lado, vai dar muito que falar. E, se Deus quiser, também vai mudar mentalidades e formas de estar em Igreja.

Anónimo disse...

É. Esta forma de ser de Francisco dar-lhe-á muitas dores de cabeça. E não apenas dos horizontes conservadores. Os do lado oposto do leque, dando-se conta que as suas invectivas não funcionarão com Francisco, já estão a organizar "brain stormings" para o atacar. Estimo que este ataque será infinitamente mais feroz e violento.

Anónimo disse...

Politicamente conservador. Eclesiologicamente reformista. Este é o bom ponto!

Anónimo disse...

Quando dou um beijo a quem não conheço estou a reconhecê-lo como irmão/irmã. E faço-o com o maior dos gostos.

Anónimo disse...

Vivemos então num país onde toda a gente reconhece repenicadamente irmãos e irmãs em todo o lado. Maravilha!

Rui Jardim

Anónimo disse...

Se reconhecer o mesmo Pai não tem saída caro Rui. Mas esteja descansado que a maioria das pessoas está longe da meta.

Anónimo disse...

Já o anónimo beijante tem a meta atingida. Bravo!

Rui Jardim

paulo disse...

De facto impressiona-me o à vontade com que Francisco diz não a práticas instituídas, que nada têm de cristãs, mas são sagradas para alguns. Parece uma pessoa normal, que dá beijos, paga contas, anda com alguma descontração. Isso é bom!

Anónimo disse...

É uma pessoa normal até que o deixem. Tem uma grande cruz. Porque há por aí muitos lobos. Mas vai conseguir desempenhar bem o Ministério com a inspiração do Espírito Santo. Sem querer fazer comparações, estou a gostar. Rezo por ele.

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