sexta-feira, 12 de abril de 2013

Cruz, biografia e poder

Separar a cruz da história documental, para pôr em relevo o seu significado, é retirar à crucifixão de Jesus o seu poder subversivo.

Christian Duquoc

19 comentários:

Anónimo disse...

Jorge, não se pode anular o “cenário” na “história documental” neste caso concreto da Salvação é certo, mas qual é a diferença entre morrer numa cruz ou num local qualquer mesmo até no anonimato por amor ao outro?! Não haviam outras “cruzes” naquele espaço onde estava a de Jesus?! O que subverte não é o INSTRUMENTO mas a ACÇÃO que advém dele, que se desenrola no caso especifico da crucificação de Jesus na morte através desse instrumento que era usual à altura! O que sobressai dali é a morte do Filho de Deus por amor de todos, e o mais importante ainda, a Ressurreição posterior… sem Ressurreição a “cruz” restará apenas como “adereço”… e isso ainda persiste muito nas nossas caminhadas cristãs!
Saudações…

Peter

Anónimo disse...

Muitos foram os padres e seminaristas, formados em Portugal, pelo livro de iniciação bíblica de Valerio Manucci. Foram formados e formatados, sine die! A falta de cultura nos seminários e universidades pontifícias, é gritante.Nunca vi gentinha tão arrogante intelectualmente, como um "menino" saído de uma escola de teologia.Chega a constranger! A minha explicação, é o lago onde a Igreja hoje "pesca" as vocações. A falta de recursos humanos na nossa Igreja, é gritante! Recomendo para se conhecer a "salsa", que é hoje a exegese bíblica na Igreja, o documento da Comissão Pontifícia Bíblica, sobre a Interpretação da Bíblia. Penso que o documento é dos 90, mas não tenho a certeza. Aconselho os irmãos católicos,quando rezam a Bíblia, a evitar conclusões estereotipadas. Na medida do possível, se não puderem ler todos os comentaristas, não tomem a parte pelo todo. Não é um exegeta, ou uma pastoral bíblica uniforme, que podem ter a veleidade de decifrarem o Mistério salvífico de Deus.E por favor, evitem a tentação, de ser conclusivos em tudo o que diz respeito, à Palavra de Deus! Um pouco de bom senso, sff!

Anónimo disse...

Conheci Charles Duquoc o.p., pessoalmente, não reconheço grande originalidade, nas suas cristologias.Os dominicanos de Le Saulchoir, todos enveredaram, por ir atrás dos académicos protestantes. Foram básicos! Mas sob a capa de um presumido tomismo, enganam muita gente. Quem ler C.D., que diferenças vai encontrar na sua teologia contrastando-a com qualquer outra exegese liberal protestante ou judia? Nenhuma! Porquê? Porque C.D. é um típico liberal.

Peter disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Peter disse...

Anónimo (12:53 PM ) … ignorando os arrogantes”, (já não me livro aqui de tal “camisola”), vou apenas ficar-me por este seu "pedaço" de comunhão:

“Aconselho os irmãos católicos, quando rezam a Bíblia, a evitar conclusões estereotipadas. Na medida do possível, se não puderem ler todos os comentaristas, não tomem a parte pelo todo. Não é um exegeta, ou uma pastoral bíblica uniforme, que podem ter a veleidade de decifrarem o Mistério salvífico de Deus.E por favor, evitem a tentação, de ser conclusivos em tudo o que diz respeito, à Palavra de Deus! Um pouco de bom senso, sff!!”

Ainda não percebi onde vão alguns Irmãos buscar a autoridade espiritual para falar ou rotular de “estereótipos” os caminhos que afinal todos acabam por fazer! Ou os amados Irmãos que compõem a “Comissão Pontifícia Bíblica” estão imunes ao olhar “conclusivo” e “a veleidade de decifrarem o Mistério salvífico de Deus” nesse caminho da BUSCA da Verdade que foi dado livremente a escolher a todo o homem e mulher! De boa vontade!

Mas não é de MISTÉRIO que estamos a falar aqui como afirma?!!! E quem decifra o mistério não é o Espírito Santo…! Em que medida acha que a interpretação de uma “comissão” é mais válida que outra interpretação qualquer… ou o ES já lhe revelou quem é digno de chegar e percorrer tal meta-caminho!

Ah.. antes que esqueça.. com Jesus, não existe “lago” onde se vai buscar (pescar) vocações, é Ele quem chama, e isso acontece em qualquer lugar e com quem Ele quiser… e com Ele nunca foi nem é necessário “habilitações” nem pagamentos de propinas para aprender e fazer o caminho do Discípulado… ali era tudo gratuito, e as cadeiras e as salas eram as árvores, os campos e à beira mar … e meu caro, quanto aos “recursos humanos!.. essa “rede” com que Ele recolhia o peixe estava cheia de remendos que não se parecem nada com essa lista que os requisitos oficiais da eclesia exigem para se servir a Deus, parece-me que tirando um tal um ou dois, o resto, era peixe do mais humilde, salgado e tosco… (e muito pecador por sinal), que já se viu pela Seara.. pescadores e cobradores de impostos…

Saudações fraternas no PESCADOR que não rejeita nenhum peixe que vem à rede, na sua misericórdia que não precisa de lhes acrescentar algum tipo de “salsa” , todos eles podem ser colocados como prato excelente e apetitoso à mesa da partilha e da comunhão…

Anónimo disse...

O documento da comissão pontifícia é suficientemente liberal, não se excite!Referi o dito documento, como exemplo de heterodoxia e não o contrário.

Anónimo disse...

Anónimo (3:05 PM)... ainda assim, não são os frutos de uma macieira todos diferentes… e os peixes de uma pesca de tamanhos diferentes… ou o sabor e a consistência da Fé tem forçosamente que ser apenas um e se possível aquele que encaixe no nosso cardápio ideológico e teológico! A Verdade é só uma e imutável, mas existem muitas formas de a viver e de a expressar e isso passa também pelo olhar que não se mantém vidrado (como se estivesse morto) no tempo… ou já esqueceu dos embates entre os Discípulos por causa das suas interpretações também muito pessoais, e ainda assim isso não impediu de fazerem caminho...! Porquê agora essa “preocupação” pela “salsa”…! Graças a Deus por ela, é na diversidade que se constrói e avança no caminho… a Unidade passa sempre pela diferença!

Peter

Anónimo disse...

A diversidade de que fala, eu não a sinto. Os princípios "liberais" são todo os os mesmos e estão bem globalizados. Todos diferentes, todos iguais, não é o que a "cidadania" dos "iluminados" diz?


Anónimo disse...

Já percebi que o seu “problema” é o tema do “liberalismo” e não a diversidade e a riqueza que cada um encontra ou pode encontrar nas Escrituras! Não, não somos “todos iguais”, essa é a maior dádiva que Cristo deixou à humanidade, tornando-nos co-responsáveis com o livre arbítrio e também co-criadores na sua Obra…! A decisão e o viver a Fé é sempre única e pessoal, os meios como a comunhão, a partilha e por aí adiante é que podem ser diversificados e podem ser vividos experienciados juntos ou individualmente! A criação humana que é Divina não é produto de uma brincadeira divina que resolveu andar a brincar aos soldadinhos de chumbo, embora haja quem gostasse que agíssemos como tal “tropa fandanga”…! E sim, “cidadania” consciente e activa, sempre… “iluminados” também, mas pelo Espírito Santo…! Mas é inegável sim, a nossa massa pecadora e orgulhosa que se encerra mais do que se expõe à LUZ que o ES nos reflecte na Revelação! Por isso produzimos tantas “salsas”: “Para que buscassem ao Senhor, se, porventura, tacteando, o pudessem achar, ainda que não está longe de cada um de nós”(Actos 17,27)…! Meu caro, se para “O achar” precisamos de ir deixando cair por pelos solos alguns restos de “salsa” das nossas mesas, pois coragem e a caminho sem olharmos para trás! O resto, o Tempo e a Verdade logo se encarregarão de limpar e levar para longe tais resíduos que o nosso coração foi produzindo na caminhada da vida da Fé e não só!
Saudações…

Peter

Anónimo disse...

A "iluminação" a que me refiro é outra.

Anónimo disse...

Eu percebi-lhe essa espécie de “pleonasmos” vestidos do avesso… por isso enfatizei que o deviam ser, mas pelo ES apenas...! Estranho é fazer-lhe confusão tais “iluminados” e depois carregar tanto essa preocupação das “qualidades” do peixe que a Igreja colhe por aí! Não são essas preocupações, olhares, valores e medidas humanas tb sobre o que é válido na sua perspectiva para o terreno do “ambiente” do Divino!

Peter

Anónimo disse...

Tudo cabe na rede.

Anónimo disse...

Sim, tem razão, “tudo cabe na rede”, mas só se ela não tiver as “malhas apertadas”... por outro lado, há sempre aquele “peixe” que é devolvido ao mar pelo homem… e sabe a razão não sabe, é porque não obedece às “medidas” que foram estabelecidas pelas leis dos homens! Bom, nem sempre, algum escapa pelas malhas e consegue voltar a nadar livremente … esse escapou à justa à mesa da lota dos interesses humanos onde certamente iria ser escamado e transformado em produto para venda! Já vi pescas ao vivo e recolhas da rede, nem imagina o caro a velocidade e a força com que tais andarilhos-peixes nadavam para fugir para bem longe das mãos desses pescadores…!

Peter

Anónimo disse...

«...cada um tem o dever e consequentemente o direito de procurar a verdade em matéria religiosa, de modo a formar, prudentemente, usando de meios apropriados, juízos de consciência rectos e verdadeiros.

Mas a verdade deve ser buscada pelo modo que convém à dignidade da pessoa humana e da sua natureza social, isto é, por meio de uma busca livre, com a ajuda do magistério ou ensino, da comunicação e do diálogo, com os quais os homens dão a conhecer uns aos outros a verdade que encontraram ou julgam ter encontrado, a fim de se ajudarem mutuamente na inquirição da verdade; uma vez conhecida esta, deve-se aderir a ela com um firme assentimento pessoal.» decreto conciliar Dignitatis Humanae número 3

Anónimo disse...

Peter, diante do mal , compete-nos fazer o quê? Como é que se extingue o mal? Contrapondo com mais mal ? Ou, como propunha Simone Weil: recebendo-o, encaixando-o como quem extingue o fogo com uma manta, e desta forma o mal anula-se definitivamente ao invés de se multiplicar e espalhar pelo ar, q é o q acontece cada vez que contrapomos ao mal com mais mal. Caro Peter você diz coisas muito acertadas em relação à Igreja (mesmo assim acho q exagera), mas é porque a ama demasiado ou porque acha que ela é dispensável? Não se esqueça que sem ela provavelmente nenhum de nós teria tido acesso à mensagem de Cristo e se ela desaparesse agora, daqui a 1000 anos, quem e de que forma teria acesso a esta História? Em todo o caso sabemos que Ele nunca nós abandonará. Bom, quem nos ajuda a multiplicar o mal é o pai da mentira e quem nós ajuda a superar o mal é Deus. Temos a faculdade atribuída, de vencer o pai da mentira e insistimos em ir atrás dele.....é muito atractivo....dá mais gozo num primeiro impulso mas depois resta apenas um vazio. Discute-se muito a Igreja enquanto instituição e as coisas onde somos necessários passam ao lado, e não é essa mesma Igreja que impede do que quer que seja alguém na sua vida de actuar a favor do bem. Quem vê tanta mancha na Igreja para mim pode ser um predestinado se seguir um caminho de um São Francisco ou de um Santo Inacio Loyola abafando todo esse mal com muito mais amor, ou no extremo oposto pode se limitar a ser mais um a jogar o jogo que tanto critica..
boa noite
Jacome

Peter disse...

Jacome, “diante do mal” penso que a 1ª coisa a fazer é olhar com compaixão para esse que é tão pecador como qualquer um de nós! E ao invés de o tentar logo “convertê-lo”, atirar-lhe a “manta” nessa espécie de os “cinco pontos para se fazer uma boa confissão”, o primeiro gesto é amá-lo, Jesus não rejeita o pecador mas sim o pecado! Às vezes, misturamos tudo, pecado e pecador e rejeitamos os dois fechando-lhes as portas nas nossas ideias muito pessoais sobre o que é justiça de Deus! Infelizmente, (este não é o único caso na minha experiência de Missão), numa peregrinação a pé a Fátima que eu acompanhava como elemento da equipa espiritual, tive que enxugar lágrimas de corações a quem o confessor se negou a dar a absolvição já na última etapa da peregrinação… nem imagina o meu silêncio terrível em frente a essa dor da pessoa que não se sentia perdoada… e depois ter que a acompanhar o resto da estrada… nem queira o Jacome saber o que é fazer-viver tal experiência humana!

E amar o outro não significa estar em acordo com tudo o que ele diz e faz como caminho, é precisamente porque o amo que sou verdadeiro e transparente nessa relação de amor, e nisso estou implicado em saber dizer não e sim quando é necessário…estou aqui a falar desse amor pela Igreja que nunca disse que era “dispensável”, quando muito “apontei” nela caminhos, que aí sim, não são essenciais para a “minha” caminhada, até porque, como saberá, o terreno onde se dá a Salvação acontece no interior do homem-mulher e não numa estrutura, embora ela possa ser instrumento de Deus para abrir caminhos e criar condições para que esse ACONTECIMENTO tome forma!

Por fim, temos “acesso à mensagem de Cristo” através do Espírito Santo… a Igreja que é feita de homens e mulheres, é “portadora” dessa mensagem que lhe foi confiada no “ide e Anunciai”… não é “possuidora” : “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.” (2 Cor 4,7)… o tal barro cheio de “manchas” como refere… e a sua mensagem não está dependente de factores tempo-espaço e de quem anuncia: “Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão. “ (Lc 19,40).

Saudações…

Anónimo disse...

Só uma coisa, quando falei da manta não era no sentido de abafar o outro, como você disse e bem o pecado não é nem qualifica a pessoa; dou-lhe um exemplo: alguém me ofende e eu ou retribuo a ofensa e então dupliquei o mal ou respondo com o perdão, muitas vezes extingo o mal ou pelo menos não lhe dou asas. Vou rebuscar o pensamento de Simone weil e transcreve-lo com mais precisão, pois devo ter transmitido mal e volto em breve ....
Jacome

Anónimo disse...

http://www.religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=28659 Gostei de ver o respeito mostrado por esta artista, ícone da contra-cultura. Não sei se alguns ditos católicos, fariam o mesmo.

Anónimo disse...

Anónimo 3.57. Não estará a confundir com Simone du Beauvoir? é q S. Weil morreu em 1943, 20 anos antes da contracultura. Não sou conhecedor profundo de SW mas tenho o livro dela 'a gravidade e a graça' q aconselho a toda a gente, e desse livro retiram-se verdadeiras maravilhas, no caso q vinha debatendo com o Peter, sobre o mal e o pecado. Por ex:.(...) O falso Deus transforma o sofrimento em violência, o verdadeiro Deus transforma a violência em sofrimento (...) o sofrimento expiatório é o ricochete do mal q fazemos. O sofrimento redentor é a sombra do bem puro q desejamos (...) O acto maldoso é a transferência para outrem da degradação q trazemos em nós (...) Se alguém me faz mal , devo desejar q esse mal não se degrade, em nome do amor por aquele q mo inflige, a fim de q o mesmo não faça verdadeiramente mal ....'
Saudações
Jacome

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