terça-feira, 26 de março de 2013

Bento Domingues: "Semana das alianças malditas"


Texto de Bento Domingues no "Público" de domingo passado.

23 comentários:

Anónimo disse...

Sou um simples leigo e não tenho conhecimentos teologicos para além dos minimos olimpicos e por isso posso estar enganado,ou posso ter interpretado mal (peço desculpa pela minha dificuldade!!!) mas julgo que Bento Domingues comete uma heresia. Antes de se exaltarem vejam o que quer dizer ‘heresia’ e depois o que ele afirma. Começa por afirmar que ‘supõe-se que o Novo Testamento foi escrito para afirmar previlégios e fundar um povo, uma Igreja de privilegiados: Cristo é unico e é só nosso; se o quizerem têm de passar por nós!’ , como remata com a certeza que qualquer outra interpretação mais não é que um equivoco grave!!?? Ou seja Bento Domingues ‘ex catedra’ ou Bento Domingues heretico? BD poderia ter afirmado por exemplo que o Novo Testamento teria sido indevidamente aproveitado por alguns no sentido de constituirem determinado poder etc. Mas não é isso que ele diz
Saudações
Jacome

Anónimo disse...

Os blogs são interesantíssimos! Aqui vai, um exercício:conheci poucos católicos praticantes, até hoje. Conheci ainda menos, famílias católicas praticantes, até hoje. A maioria (-larga maioria!), de padres; seminaristas; ex-padres;ex-seminaristas,são pessoas que eu me apercebi, não terem uma história de vida católica. Explico: não rezam ou não foram ensinados a rezar, orações católicas; não foram habituados a reconhecer a importância da eucaristia; nunca foram incentivados, a cultivar a leitura dos "clássicos" católicos; sempre estiveram alheados, das realidades litúrgicas. Assim constato, que uma larga maioria, dos católicos que eu conheço, são pessoas sem raízes católicas e intelectualmente, exclusivamente "formatadas", por uma nova cultura católica, surgida nos anos sessenta, que se alicerça essencialmente, numa cultura académica francesa e alemã(-de muito iluminismo,protestantismo e neo-marxismo!).Isto é uma constatação, clarinha para mim. Dou pois, graças a Deus, pela minha cultura católica portuguesa imperfeita! Imperfeita, mas como já pude constatar, em três continentes onde vivi, católica. Uma Santa Páscoa, Tribo de Jacob :) p.s.-não me escandaliza, um católico guerrear contra marxistas, maçons, positivistas, materialistas, etc. Acho até sinal de saúde espiritual e intelectual.

Anónimo disse...

"Supõe-se"? Ou foi ou não foi. Mas frei Bento continua com a sua campanha canalhenta de desinformação.

Anónimo disse...

BD afirma categoricamente que o Novo Testamento é uma criação de um grupo de 'amigos' de Jesus a reboque do seu carisma no sentido de originar uma posição de domínio e poder (a Igreja, portanto) que, acrescento eu no sentido de tentar ler o pensamento de BD, infelizmente se prolongou até hoje.....fui que entendi mal ou foi mesmo isto q foi afirmado? O Jorge pode ajudar? Ou alguém mais habituado a decifrar o pensamento teológico de BD?
Obrigado
jacome

Pedro Gomes disse...

Não creio que ajude esta tentativa de minimizar as muitas questões (importantes) que coloca Bento Domingues no seu texto. E são realmente muitas: da necessidade (ou não) do cristianismo para se chegar a Deus à identificação da religião como uma descaracterização da fé pura (quem leu Vattimo ou Caputo reconhecerá aqui algumas das suas reflexões); do processo de criação dos evangelhos como identidade de uma comunidade à difícil relação entre a fé e o poder. Não me parece nada apropriado dizer-se que o objectivo primeiro da redação dos evangelhos era o de criar uma Igreja de privilegiados: de facto, nem criar uma Igreja, nem tão pouco uma de privilegiados. A história e a hermenêutica ajudam-nos a perceber como o kerygma era anunciado a todos sem distinção como o caminho para Deus e, pelo menos inicialmente, não como uma instituição (veja-se como o cristianismo era visto como uma seita judaica nos primeiros tempos). Depois, há outra distinção que merece ser feita: tem-se tornado recorrente a afirmação de que o cristianismo, ao afirmar-se como verdade absoluta, fere a história humana com uma visão egocêntrica. Isto faz sentido apenas num mundo que não aceita que a existência da verdade (em que, como diria Nietzsche, tudo é interpretação). O italiano Vattimo dirá que precisamos de um deus relativista... temo que esse Deus não exista, porque se configuraria sempre e apenas com o desejo de quem o deseja.
Apesar disto, BD aponta para algo do essencial do cristianismo: o Deus de Jesus é o Deus do amor, e do amor livre (entenda-se amor, e entenda-se liberdade) e a morte de Jesus é promessa de futuro. Sim, "ele morre com o mundo vivo no seu coração." Isto pode ser lido, ao jeito de Girard, como uma vítima inocente que nos deixa uma lição histórica, ou, ao jeito da tradição eclesial, como a presença de Deus que nos aponta a ressurreição. Como o vê BD, não sei. Para mim, os evangelhos apontam claramente para a segunda leitura.

Anónimo disse...

Vão-me desculpar voltar outra vez mas lendo com muita atenção este texto vou ficando abismado. Diz BD de forma bem assertiva que Pedro quando afirmou '(...)pois não há sob o ceu outro nome pelo qual possamos ser salvos', o terá dito não por ‘inspiração divina’ mas apenas como forma de afirmação e de poder do seu grupo, …mais à frente BD afirma que 'Jesus é de facto , uma particularidade histórica contingente, com data e lugar de nascimento e, como tal, não pode ser considerada uma realidade absoluta. O ser humano pode encontrar o caminho para Deus, sem passar por Jesus de Nazaré(…)’ .
Se isto não é uma demostração de falta de fé….. o que não tem por si qualquer gravidade a não ser quando BD, não assumindo essa condição, vem apresentar uma visão tipica de quem está nessa condição, reduzindo a historia do cristianismo aos factos históricos e Jesus praticamente a um iluminado bem intencionado (nem sequer assume abertamente a divindade de Jesus !!!). Só não entendo então porque não assume BD esta condição, e se mantém na ICAR, quando não comunga de algumas das suas verdades cruciais. Também não entendo como se sente bem numa ‘organização’ interesseira e criada desde o inicio numa lógica de poder pelo poder. Daqui sou levado a pensar que BD, lamentávelmente, lança a confusão e engana as pessoas. Agradeço a quem tiver bons conhecimentos de teologia e maior capacidade de análise do confuso pensamento de BD, me elucide se estarei a dizer alguma barbaridade.
Saudações
Jacome

Anónimo disse...

A grelha de leitura para perceber, BD, é sempre a teologia dominicana filo-protestante, as filosofias e éticas neo-marxistas e o pós-modernismo de índole pós-estruturalista. BD é um neo-marxista(soixante-huitard).

Anónimo disse...

Jacome: Bento Domingues é alguém que se prostituiu intelectualmente ao movimento pseudo-católico "Nós Somos Igreja" e dele recebe as pautas para os seus textos tipicamente saudosistas de alguém falhado e impotente. Grita e grita para a Igreja se abrir aos "tempos modernos", mas quem está encerrado num tempo que não existe é ele. As suas interpretações marxistas da sociedade e da Igreja revelam alguém mentalmente esclerosado num sisema interpretativo falhado. Claro que isso nada o afecta. Ele sabe que a Igreja em Portugal é mansa para pessoas como ele, e assim elas vão dinamitando a fé cristã-católica com os seus cantos estridentes. Frei Bento só se serve da Bíblia para dizer o que nela não está dito e ignora o que ela diz explicitamente. É alguém que, não sendo ignorante, se delicia em alimentar a já imensa ignorância religiosa de quem o lê de modo a, num analogado a um PCP que apenas deseja que o ódio contra os governos aumente de modo a surgir uma revolução que lhe dê a força que as eleições não lhe dão, atacar a Igreja.

Anónimo disse...

Não existe uma empatia, entre a extrema-esquerda eclesial da blogosfera e restante comunicação social e os fiéis portugueses. Já por exemplo em Espanha o caso muda de figura. Espanha, está acentuadamente fracturada, desde a guerra civil entre marxistas-maçons-anarquistas e os conservadores(fascistas e monárquicos).Esta extrema-esquerda espanhola impregnou, a maioria das escolas de teologia portuguesas, através das suas edições Sigueme, Cristiandad,Sal terrae entre outas. Muitos bispos portugueses, enviaram, por exemplo, muitos padres e seminaristas estudar para Salamanca, que é um, dos mais importantes centros formadores de refractários em Espanha. Uma miséria... . Sou português e católico, mas não tenho grandes esperanças, quanto ao futuro da Igreja em Portugal.Admiro sinceramente, o bispo do Porto, mas acho que uma andorinha não faz a Primavera!

Anónimo disse...

Artigo jornalístico, de grande valor!Este é o link:http://www.religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=28397

Helena V. disse...

E lá vamos nós discutindo no caminho... (cf. Mc 9, 33-37) :-)

Como podemos diabolizar assim quem quer que seja? Só mesmo com o humor e a bonomia que certos homens e mulheres testemunham (como o Frei Bento), se consegue amar esta humanidade.
Uma coisa me parece certa: quando diabolizamos e excluímos, não estamos a viver o amor de Deus. Mesmo se ele não é senão isso mesmo, amor sempre e por todos.
É o que celebramos nestes dias.
Que não seja em vão! Razão da nossa alegria, esperança que nunca desaponta!

Partilho com todos e pensando em cada um em particular, um excerto de uma oração de tradição beneditina (já partilhada com o Jorge). Penso que nos recentra...

Consentir na ausência
Como quem vai a uma festa.

Atravessar o sofrimento
Como quem junta os amigos.

Contemplar o invisível
Como quem descobre um rosto.

Anónimo disse...

O Bispo do Porto? Esse que acolhe na sua faculdade de teologia pessoas que estudaram em Salamanca? Não presta! Mas pior é quem estudou numa Navarra retrograda e impotente.

Anónimo disse...

Helena V, não se trata de diabolizar ninguém, e cada vez que isso acontecer os primeiros a 'ficarem diabolizados' serão os proprios. Quanto a isso estamos conversados, agora daí a não se poder rebater as teorias de BD vai uma grande distancia, e se se considerar, como eu considero que ele está fora da Igreja em termos de ensinamento, qual é o problema? Então não é ele proprio que aí se posiciona? Arrogancia máxima será apelidar os que lá se mantêm como seguidistas e mentecaptos. É tempo de as pessoas poderem debater sem ser à pedrada e sem ofensazinhas excusadas.O que eu gostaria era que o debate se centrasse sobre as questões do texto dele..
saudações
Jacome

Anónimo disse...

Helena, a quem mente chama-se mentiroso; a quem rouba chama-se ladrão; a quem mata chama-se assassino. Chamar a tais pessoas por estas designações não é diabolizar: é reconhecer o que elas são.

Pedro Gomes disse...

Sim, claro... «reconhecer o que elas são», a verdade e coisa e tal... e deixo a minha assinatura em branco. Isto de se sentir o dever de coisas pelo nome sem se chamar a si mesmo pelo nome. Jesus tinha uma frase para isso... hummmm.... aquilo que ele chamava aos Fariseus!...
Talvez nos custe aceitar que a comunidade ideal não existe. Nunca existiu. Alguém acima citou as discussões dos discípulos no caminho. Vivemos em comunidade com aqueles que sentem e pensam como nós e com aqueles que sentem e pensam diferente de nós. E ao que somos chamados é a que sejamos um, o que apenas significa que vivamos como quem ama!

Pedro Gomes disse...

onde disse: «isto de se sentir o dever de coisas» queria dizer «isto de se sentir o dever de chamar as coisas»

Anónimo disse...

Concordo inteiramente com o Pedro Gomes na conclusão final do seu comentario. Sem duvida isso é o mais imnportante e é aí que devemos voltar sempre que o debate passa do cordial e amistoso para a 'pedrada'. É uma tentação danada isto !! invejo aqueles que são imunes a esta pequenez do insulto seja ele abertamente seja ele ( pior ainda)apresentado de forma supostamente tolerante mas bem no fundo cinica e cruel ( e isso topa-se sempre). Por isso às vezes prefiro até um palavrãozito ou outro do que aquelas tiradas....(acho que todos sabem ao que me refiro). Em todo o caso os católicos não são nem melhores nem piores que os outros, no limite a diferença é (ou deveria ser) a humildade com que assumem as suas falhas e se levantam de novo. O nosso Cardeal Patriarca teve uma tirada genial: 'os não crentes olham para os crentes com a mesma expectativa de Jesus mas não lhes concedem a mesma misericordia'

saudações
Jacome

Anónimo disse...

Pedro. Na NET não há, de modo algum, forma de se saber se dado nome é, ou não, verdadeiro. Face a isso, o anonimato é a mais honesta forma de assinar. Incomoda-o essa evidência?

Pedro Gomes disse...

Não me incomoda de todo. Creio apenas que a violência de certos comentários deveriam ser assumidos. E, se é real essa impossibilidade de confirmar a autenticidade de um qualquer nome assinado, não posso concordar que o anonimato seja «a mais honesta forma de assinar». Quando muito, o anónimo poderia dizer que é indiferente assinar ou não, coisa que claramente discordo.
De todo o modo, é verdade que a assinatura não é o problema verdadeiro. Este reside sobretudo na incapacidade de, em nome de uma suposta verdade, se partir para o insulto. Em lógica chama-se a isto «falácia ad homine»: quando somos incapazes de argumentar a nossa discordância (e não temos que concordar com o Bento Domingues ou com o Papa... pessoalmente discordo no essencial da sua leitura do cristianismo) como que nos sentimos legitimados a rotular um determinado autor com os títulos mais ostracizantes, que nos permitam distanciar-nos do que ele pensa. Ora, se a discordância é legítima, a «rotulação» não o é. Pelo menos segundo o prisma do evangelho que, como o leio, é (ainda... e sempre) o amor.

Pedro Gomes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro Gomes disse...

nova errata: onde se lê «este reside sobretudo na incapacidade» leia-se «este reside sobretudo na tendência»
Claramente a leitura do cristianismo de que discordo é a de BD e não a do Papa (cuja leitura desconheço ainda).

Anónimo disse...

Não, Pedro. Só há insulto se os epítetos não corresponderem à verdade. Como correspondem não há qualquer insulto. Chamar a alguém de "palhaço" só é insulto se ele não se comportar como um palhaço. Por outro lado: onde há mais verdade: num nome que não e pode saber que é falso ou não, ou no não assinar precisamente porque nunca se saberá se a assinatura é, ou não, verdadeira? A minha opção está tomada. Mas talvez queira dizer onde é que não se apresentaram explicitamente os problemas das afirmações de frei Bento. Talvez não veja, ou não queira ver, que antes de qualquer descrição de frei Bento, estão afirmações acerca do carácter das suas posições.

Pedro Gomes disse...

Não, não o farei. Até porque essa é uma tarefa impossível. Como o senhor anónimo sabe, não faço ideia de qual dos comentários anónimos corresponde ao seu.

De qualquer forma, temo que o anónimo esteja demasiado certo de que é legítimo atribuir rótulos e ostracizar aquele que afirma o contrário do que o anónimo pensa.

Direi apenas, e em jeito conclusivo da minha parte, que esse mesmo homem que é responsável por estarmos aqui a ler o blog do Jorge Pires Ferreira e a comentar as palavras de Bento Domingues e outros - e, sim, estou mesmo a falar de Jesus Cristo - tinha uma atitude diferente: sim, ele denunciou a hipocrisia; mas comeu com os hipócritas e acolheu os pecadores.

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