domingo, 17 de março de 2013

Alberto Gonçalves: "A fé dos descrentes"

Alberto Gonçalves no DN deste domingo (aqui).

O sucessor interino de Hugo Chávez afirmou que a doença do falecido "rompia toda a normalidade", um regresso à tese de que o cancro fora "provocado" pelos EUA e por isso se distinguia dos cancros comuns, inofensivos e ocasionalmente agradáveis.

Mas nem tudo é mau, e o sr. Maduro tem razões para festejar. Primeiro porque subirá provavelmente à presidência não interina. Depois porque, conforme explicou em palestra televisiva, Chávez subiu às alturas e encontrou-se com Cristo, que talvez num intervalo das conversas com Alexandra Solnado lhe confidenciou: "Chegou a hora da América do Sul." Ou seja, Chávez fez lóbi no Céu e colocou um argentino em Roma. Embora os motivos pelos quais Chávez não arranjou um Sumo Pontífice venezuelano fiquem por esclarecer, os restantes factos são indesmentíveis. Duvidar disto é duvidar do potencial cancerígeno da CIA, do progresso social da Revolução Bolivariana e dos suínos ciclistas.

Quanto ao Papa propriamente dito, o meu discreto ateísmo não me inspira grandes considerações. Em compensação, o ateísmo ruidoso de muitos não os impede de emitir palpites sucessivos acerca da matéria. Pelo menos em Portugal, os media trataram de ouvir avidamente as opiniões de gente sem qualquer vínculo ao catolicismo, o que faz o mesmo sentido que questionar um adepto dos Los Angeles Lakers sobre o momento do Sporting. Neste caso, o fã de basquetebol diria provavelmente não saber nada a propósito. Já os ateus militantes não só sabem imenso a propósito do Vaticano como insistem em partilhar a sabedoria connosco.

Padecendo de uma estranha maleita que os impede de viver em paz sem que o líder de uma fé a que se dizem radicalmente indiferentes concorde com eles, os ateus militantes receberam o Papa Francisco sob três perspectivas. A perspectiva simpática apreciou a circunstância de o homem vir do hemisfério sul (porquê?) e ter sido nomeado contra o "sistema" (apesar de ter sido o "sistema" a nomeá-lo). A perspectiva hesitante lamenta que o homem não defenda o casamento homossexual, o aborto, a eutanásia e, afinal, cada imperativo dos bem pensantes. A perspectiva desconfiada descobriu (ainda que, conforme se comprova no site do Bloco de Esquerda, à custa de manipulações fotográficas) a afinidade entre o sr. Bergoglio e a antiga ditadura argentina. Enquanto os cardeais não designarem um herege para pastorear os crentes, o catolicismo não se redime.

1 comentário:

Anónimo disse...

Nojeira, de facto, no site do BE uma foto a dizer: "Ditador Vilela com o bispo Bergoglio". Durante a ditadura, Bergoglio não era bispo! na foto está o bispo Aramburu! Nojeira, de facto. Mas é assim que as campanhas de descrédito avançam. Mas uma mentira acerca do carácter de alguém é sempre um louvor acerca do mesmo.

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