sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Pecado original segundo Alain de Botton


Não é difícil acreditar no pecado original. Para quem é crente, o pecado está demasiado patente para não nos marcar até para lá da medula. O difícil é acreditar na roupagem do pecado original, incluindo as frases do catecismo. E o nome, que remete para a origem.

Lembrei-me disto ao ler uma passagem de "Religião para ateus", de Alain de Botton, livro muito aconselhável, a bispos, padres, seminaristas e gente empenhada na Igreja de uma forma geral. Diz ele a certo ponto (pág. 112) sem falar de "pecado original":
"(...) O cristianismo (...) tem um conceito inteiramente diferente da natureza humana. (...)Acredita que, no fundo, somos criaturas desesperadas, frágeis, vulneráveis e pecadoras, muito menos sábias do que bem informadas, sempre à beira da ansiedade, torturadas pelas nossas relações, com pavor da morte - e, acima de tudo, com necessidade de Deus".

7 comentários:

Anónimo disse...

Necessidade de Deus? Que valor tem um Deus do qual nós necessitemos?

Peter disse...

Amigo Jorge, eu diria antes que um Cristianismo que seja “não reflexo” do verdadeiro rosto de Jesus e do Evangelho, aí sim:


… ”nos tornamos inexoravelmente, “criaturas desesperadas”, porque tantas vezes afastados e indecisos de acolher em nós a verdadeira “fragilidade” que é Força de Deus… da “vulnerabilidade” que é a nossa realidade humana mas ainda assim transformada em Vasos da Graça… convidados a sermos co-criadores junto com Ele…


….“pecadoras” porque ao invés de nos libertar-mos dessa condição que já foi “resolvida” de uma vez por todas na Cruz no “Tudo está Consumado”, continuamos a alimentar e a oferecermo-nos de alimento a essa Culpa…


…”menos sábias do que bem informadas” porque ainda continuamos a dar maior força ao espírito da letra e da lei ao invés de actuar no e pelo Amor…


…“sempre à beira da ansiedade”… porque sentados à mesa do Pai, ainda continuamos ajoelhados pelos solos das nossas indigências interiores à procura das migalhas quando a mesa está farta da sua Misericórdia e da sua Graça que Ele nos quer ofertar gratuitamente…!


… “torturadas pelas nossas relações, com pavor da morte - e, acima de tudo, com necessidade de Deus"…. porque muitos de nós ainda não aceitamos um Jesus totalmente ressuscitado… Quem aceita e acolhe essa realidade sabe-se já redimido, esse já não teme a morte, porque na Cruz a morte foi vencida, nessa Cruz que foi e é o lugar da redenção do homem… lugar onde deu a vida Aquele que nos liberta de todas as "torturas relacionais” e nos transforma da condição de Servos em seus Amigos: “Já não vos chamo servos, mas amigos! (Jo 15,15)!

Anónimo disse...

E pronto... ó Peter: escreva um blog e deixe-nos com a felicidade de não ter que topar diariamente com as suas tiradas incautas sempre que vimos a este. Ok?

Anónimo disse...

Disse alguma inverdade?! O que escrevi em função do que disse Alain de Botton é visível e claro, e só não vê quem não quer!

Peter...

Anónimo disse...

Desampare deste blog que até mete nojo... deixe-nos vir cá em paz sem ter que ler os seus pareceres gongóricos. Vai uma votação para saber quem quer o Peter daqui para fora?

Anónimo disse...

Eis a verdadeira face do diálogo e da tolerância cristã… Amigo, ainda não entendeu que vivemos numa sociedade livre… essa decisão de “impedir” a expressão livre neste espaço creio que está reservada ao administrar do blog!

Cada um revela aquilo que lhe vai na alma... se não quer ler não leia… a nada é obrigado… eu sempre me identifico com este nick, basta ignorar o que escrevo, que mais posso fazer…. Mas acha mesmo que por si ou as suas razões deixarei de expressar-me livremente!

Peter

Anónimo disse...

Sobre os “pareceres gongóricos”, deixo aqui um pedaço de uma partilha de um blog que define bem os desejos e as razões mais escondidas da sua frase tão carregada de ira e falta de respeito:

“Não sei se se interessam por estas miuçalhas da língua, mas algo surpreendente é que logo em 1624 se tenha cunhado no castelhano o termo culterano (registada nos nossos dicionários mas não explicada) para classificar o estilo gongórico, que é um trocadilho com «luterano». Foi nesta altura que Quevedo e outros escreveram que a poesia de Góngora só era clara quando era queimada, em alusão à heresia poética deste e, possivelmente, e de forma ínvia, ao facto de Góngora ser judeu. Vejo que a Enciclopédia Portuguesa e Brasileira acolhe o verbo agongorar: «Tornar semelhante ao estilo gongórico: para chamar a atenção do público, resolveu agongorar a prosa.»
In (http://letratura.blogspot.pt/2011/04/sobre-gongorico.html)…

Pois é… ccomo não podemos “queimar” o Peter, então vamos votar, que é uma forma mais suavizada e eufemista de atirar alguém à fogueira… ou melhor, pela janela fora…! Haja Deus e muita coragem para olhar em frente no meio de tanto deserto…


Peter

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